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Sexta-feira, 30 de Março de 2012
CARTAXO: António Franco na 42.ª Conversa na Taberna

O homem que fez do Cartaxo a “Las Vegas do Ribatejo”

 

Uma conversa divertida e animada que correspondeu ao tema da história de vida  apresentada. O seu porta-voz foi António Franco, que levou à Taberna do Museu Rural e do Vinho, no dia 28 de março, episódios de três décadas dedicadas à indústria da diversão noturna.   Se a vida noturna diz muito a muita gente, a pessoas como António Franco – mais conhecido por Toni – diz de certeza muito mais. Foi muito graças ao seu espírito empreendedor, à sua criatividade e visão para o negócio que o Cartaxo ganhou em tempos o título de “Las Vegas do Ribatejo”.  Espaços como a discoteca Horta da Fonte ou o bar Coice da Mula foram inaugurados por si e traziam ao Cartaxo pessoas de vários pontos do país. Eram espaços que marcavam a diferença pelas suas características e pela qualidade musical, proporcionando bem-estar a todos quantos por lá passavam.  Por esse país fora, falar do Cartaxo trazia à memória pelo menos duas coisas: vinho e Horta da Fonte. A discoteca, inaugurada em dezembro de 1979, ainda hoje continua a ser ponto de encontro de pessoas de vários pontos do país. Mais: tem a particularidade de ser um espaço de convívio onde se cruzam pessoas de pelo menos três gerações diferentes. “É muito fácil dizer a um indivíduo de 60 anos para ir à Horta da Fonte”. Uma vida mais curta teve o bar Coice da Mula, mas não foi menos importante para a vida noturna da cidade. “Modéstia à parte, o Coice da Mula foi um grande espaço cultural, de convívio e de bem-estar. Um sítio de visita obrigatório para quem viesse ao Cartaxo”. O rosto que esteve e está por traz de todo este sucesso tem um nome, chama-se Toni. Ainda que, humildemente, diga que “sem querer” se fez uma coisa que teve dimensão a nível nacional, a verdade é que a afirmação de toda esta vida noturna que o Cartaxo ganhou deve-se “a uma dedicação 24 horas por dia”.  Foi nos finais dos anos 60 que Toni conheceu Luís Filipe e, com ele, começou a vir a festas e convívios ao Cartaxo. Passados cerca de 10 anos, vem viver para a Capital do Vinho, explorando inicialmente, a partir de 1977, o local de convívio “A Eira”, o qual se transformou na discoteca Horta da Fonte.  As últimas obras efetuadas há sete anos na discoteca permitiram proporcionar outro conforto ao espaço. Também os objetivos do negócio mudaram. “Criámos uma discoteca para menos gente, mas dando a hipótese às pessoas de se sentirem melhor”.  O palco onde atuaram praticamente todos os artistas e bandas nacionais – e também muitos grupos internacionais – foi uma das áreas de que abdicou. “Ainda bem que fiz essa opção, porque agora os discos e os CD’s já não são promovidos dessa forma. O incremento da música portuguesa também já não existe, porque faltam projetos e programas para divulgar novos artistas e novas bandas”.  Antes, também a Horta da Fonte chegava a abrir de quarta a sábado. “Hoje abro só ao sábado e para ter gente vejo-me aflito”. A clientela, é na sua grande maioria de fora do concelho – 10% do Cartaxo, 90% de fora.  “Estou a viver em parte do nome. Mas as dificuldades de quem se dedica à diversão noturna são muitas e avizinham-se ainda piores”. Mas há que assumir uma mea culpa. “O problema dos empresários é não definirem o que realmente querem e não inovarem. Nós há sete anos decidimos centrarmo-nos na música comercial. Penso que foi uma boa aposta”. Na sequência disso, surgiram as festas dos anos 80, realizadas na última sexta-feira do mês, que têm tido um grande êxito.  Na sua vida “cheia de altos e baixos”, outros projetos tiveram também o seu cunho, como a discoteca Horta 2, no Algarve, a discoteca Lipp’s, em Pontével, ou o bar das Piscinas Municipais do Cartaxo.  Mas desengane-se quem pensar que a vida de Toni é marcada apenas pela indústria noturna. As histórias interessantes que tem para contar e que o levam a considerar ter uma vida “muito recheada e ativa”, vão muito para além do Cartaxo.  Foi em Lisboa, onde nasceu em 1948, que viveu muitos outros momentos marcantes deste seu percurso que tanto o orgulha.  Tirou um curso de Serralharia e com 18 anos já dava aulas, como professor do 2.º ciclo do ensino básico, da disciplina de trabalhos oficinais. Paralelamente, praticava desporto – natação e judo – tendo nesta última modalidade conquistado o título de campeão nacional.  Aos 19 anos começou a cumprir o serviço militar, primeiro em Santarém, depois em Lamego, onde tirou um curso de Oficiais e Sargentos. “No último minuto do curso, um amigo morreu com um tiro na barriga, então jurei que ia ser Comando para vingar a sua morte. Um sentimento que surge nos jovens de 18, 19 anos de poderem ser pequenos heróis”. Uma parte da promessa foi cumprida. Toni formou-se como Comando em Angola, onde esteve durante dois anos.  Mas outras aventuras lhe estavam reservadas no regresso a Portugal. Filho de um tipógrafo, que foi fundador do jornal A Bola e que trabalhava na Casa das Obras do Diário Popular, onde se fazia este jornal desportivo e também o Record, Toni recebeu do pai o gosto pela comunicação social, enveredando pela área da publicidade.  Foi no Diário Popular que assumiu as primeiras funções nesse campo e “em pouco tempo, devido à minha entrega e maneira de ser, fui subindo chegando a sub-chefe da secção de publicidade. Dei nas vistas rapidamente”.  Seguidamente, foi convidado a chefiar o jornal A República, do qual guarda muitas recordações – as visitas da PIDE que entrava redação a dentro para prender jornalistas, de Mário Soares à porta do jornal, da luta que antecedeu o fecho do jornal.  “Não fui para o jornal por opções políticas, foi por questões profissionais, para subir na vida”. Mas após toda a luta que envolveu esse jornal, Toni chegou a ser apelidado de comunista.  “Eu acreditava num jornalismo plural, não aceitava que quisessem fazer dele um jornal do PS. Foi um ano de luta. Pus-me ao lado dos trabalhadores, cheguei a decidir os cabeçalhos, a fazer reportagens e fotografia e ia entregar o jornal ao Porto”.  Nunca perdeu o gosto pelos jornais. “A internet e as novas tecnologias são muito giras, mas nada substitui o cheiro da tinta, a textura do papel. Isso fica para o resto da vida”. Tanto é que não consegue passar um dia sem desfolhar um jornal.  As vivências dos últimos 34 anos passados no Cartaxo não o fizeram esquecer a capital portuguesa – porque nunca se esquece a terra onde se nasceu – mas permitiram-lhe descobrir outros encantos.  “O Cartaxo tem uma qualidade de vida que não tem Lisboa. Para mim, hoje é um sacrifício ir a Lisboa, o trânsito, o tempo que se gasta de um sítio para outro. É um desgaste enorme. Aqui sou plenamente feliz”. 



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:39
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