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Domingo, 2 de Julho de 2017
Crianças de Hoje

MARINAMALTEZ

Por: Marina Maltez

 

 

Crianças de Hoje

 

 

A Declaração Universal dos Direitos das Crianças foi proclamada a 20 de Novembro de 1959. Tem como base e fundamento direitos como a liberdade, estudos, brincar e conviver socialmente. Estabeleceram-se à data dez princípios que não podem ser desrespeitados por nenhum ser humano.

Mas se hoje ser criança é banal, noutros tempos esta era uma faixa etária cuja utilidade seria reduzida ao trabalho e auxílio no sustento da família, daí que em 1989 as Nações Unida tenham adoptado uma Convenção sobre os Direitos das Crianças, documento que Portugal adoptou a 21 de Novembro de 1990.

Esta Convenção assenta em quatro pilares fundamentais:

- a não discriminação;

-o interesse superior da criança;

- a sobrevivência e desenvolvimento;

- a opinião da criança.

Mas mesmo após o estabelecimento e entrada em vigor deste dois documentos em 2000 a ONU cria mais dois protolocos procurando impedir o tráfico e venda de crianças bem como o envolvimento destas em conflitos armados. E documentos à parte, todos sabemos que em pleno século XXI os direitos das crianças não estão devidamente salvaguardados. No Médio Oriente mal o seu corpo lhes permite a mobilidade não é um brinquedo que lhes dão, mas uma arma. E diariamente vemos imagens de miúdos que deveriam estar a aprender a ler e a escrever a proferir palavras de morte num ódio sem justificação e num claro assinar a sua própria sentença de óbito.

Em Portugal vivemos (como já é nosso costume) iludidos que isto só acontece lá fora. Nestas dimensões drásticas, sim. Mas por várias cidades do país a droga, a mendicidade e a prostituição infantil continuam a ser um flagelo sem solução à vista. São os filhos do nada, crianças e jovens sem visibilidade que vendem o corpo para encher os bolsos de alguém. Basta recordar o escândalo Casa Pia, que no fundo não passou disso: um escândalo registado em toneladas de papel sem que se apurasse a verdade. Ou melhor, pelo menos aquela verdade cabal, toda e não meia dúzia de peixes muito miúdos num mar de tubarões.

Em terras lusas efectivamente não damos armas de verdade às crianças (se bem que pessoalmente abomino mesmo quando são brinquedos ou jogos em que até há muitas vidas e que a meu ver apenas estimulam a agressividade, mas se um professor pedir um livro é acusado de querer levar os pais à bancarrota, o filho pede uma pistola, um arco e flecha e é promovido a futuro herói da família). Não, não damos armas às nossas crianças. Mas também as usamos em conflitos. Camuflados claramente e com a suprema intenção de defender o superior interesse da criança. Os termos, as palavras até são bonitas, mas já dizem os mais antigos “De boas intenções está o Inferno cheio”. O conflito que talvez afecte mais o país será porventura o divórcio. Não que este não deva existir, de todo. Ainda bem que os tempos se mudaram e é possível corrigir erros cometidos pelo Homem. Escolher mal o companheiro/a tornou-se quase tão banal como beber um café, não apreciar a moagem, a intensidade e assim mudar de marca. O mesmo não se pode aplicar quando existem filhos. Mãe é mãe. Afirmam uns. Mas os pais também têm direitos. Proclamam outros. Ambos certos. E ambos errados se não tiverem em conta que no meio estão as crianças.

Ele cerrou o pequeno punho, o corpo tremia de um acumular de emoções que nem ele sabe ainda descrever. Sente apenas, mas também não sabe como as há-de sentir ou gerir. Fechou o punho, bateu na mesa e entre lágrimas gritou “Estou farto desta guerra, das bocas entre pai e mãe. De andar de um lado para o outro e não saber como devo estar”. “Vocês não percebem que assim nunca vou ser feliz?”.

Sem Título

 

 

Talvez os adultos nunca o percebam. Não a este miúdo que é apenas um entre tantos. Talvez os adultos não percebam que uma coisa é quando termina o amor pelo outro, quando a união chega ao fim. Outra coisa completamente diferente são os filhos que continuadamente são usados como arma de arremesso. “Não podes ir ao pai porque no papel está que só podes de 15 em 15 dias”. “Não podes ligar ao teu filho porque assim perturbas o nosso quotidiano”. “A culpa disto tudo é da tua mãe”. Palavras tóxicas que envenenam a mente das crianças, que lhes distorcem as emoções, que as levam a viver num mundo de faz de conta que está tudo bem quando pior não podia estar, porque crescem sem qualquer estrutura familiar, psicológica e sem noção do certo ou errado.

Separei-me quando a minha filha tinha apenas 2 anos. O primeiro objecto que lhe comprei foi um telemóvel, daqueles que na altura a TMN lançou para os filhos puderem ligar apenas ao pai e à mãe (não sei se não seria bom ter esse modelo de volta…). Porque ela tinha o direito de falar com o pai. Porque o pai tinha o direito de falar com a filha. Se foi um divórcio fácil? Pelo contrário. Mas acima de tudo, cada um de nós estancou o sangue das feridas, amorteceu a dor e fomos pais. Se somos exemplo? Não teremos certamente essa presunção.

Mas do tanto que ouço fico feliz pela nossa sanidade mental e por pensarmos sempre que haja o que houver somos pais e pela nossa filha a nossa união parental existirá sempre.

Perturba-me quando vejo uma criança atender um telefonema do pai olhando de soslaio para a reacção da mãe. Perturba-me quando ouço um pai criticar uma mãe. Alguns sem ter a noção do que é ser pai e mãe 24 sobe 24 horas, porque ser progenitor (independentemente do sexo) de fim-de-semana é fácil. São 48 horas, passam num instante.

E ainda me perturba mais que dois adultos (supostamente) num dia tenham decidido trazer uma vida ao mundo e algum tempo depois façam de tudo para a arruinar apenas para atingir o outro.

Depressão, ansiedade, insucesso e abandono escolar, comportamentos desviantes, são apenas alguns dos caminhos que estes filhos da guerra parental seguem, na esperança de ter nalgum lado o apoio e a paz que os pais não dão. E não. Não estou a ser cruel ou exagerada. Infelizmente ser professor tem esta semelhança com a vocação de padre: os alunos confessam. Não os seus pecados. Mas as consequências dos pecados alheios.

O que tem que mudar? Legislação, mentalidades, mas acima de tudo fazer com que o “superior interesse da criança” não passe de um conjunto de palavras bonitas e seja mesmo a realidade.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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O silêncio de um abraço…

ANAGRACIOSA

Por: Ana Graciosa

 

 

O silêncio de um abraço…

 

A quem já nada importa, e... muito menos se se ganha ou se perde, tudo começa a ser indiferente e já quase nada tem interesse.

Será que não?

Talvez!…

E se fosse um abraço no silêncio?

Daqueles que falam, sossegam, protegem, amparam e… deixam respirar bem no fundo!

Aqueles que ao encostar a cabeça num ombro, se assemelha ao ficarmos, como se estivéssemos no paraíso…

Dos que conseguem passar da mensagem gestual para verbal, num:

Shiuuuu! Abraça-me simplesmente!  

Gosto de ti!

Preciso de ti!

Amo-te!

Desejo-te!

Perdoo-te!

Que saudades!

Preciso urgentemente do silêncio de um abraço…

Não traduzível em palavras, somente daqueles que se sente. Se possível, parecido ao de quando era garota…

Sim… Sei que continuo a ser aquela garota rebelde, transformada numa mulher sensata e ponderada.

Não há mesmo forma alguma de traduzir, quer abraços, quer silêncios.

Mas… Será que se consegue descrever o silêncio de um abraço?

Será um momento, em que as palavras não têm lugar?

Um vazio que se preenche numa linguagem não verbal?

Onde tudo se encaixa e tudo se torna, menos infinito e incompreensível?

Há gestos, que nada nem ninguém, conseguem descrever o que só um abraço contém.

Assim como, há palavras que que não conseguem dizer ou transmitir o que queremos e … onde há silêncios que dizem tudo…

 

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:55
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História da avó Placidina

FLORBELA

Por: Florbela Gil

 

 

Após a morte do meu pai, minha mãe, teve que me pôr, assim como os meus irmãos a trabalhar no campo. Íamos apanhar, lumiscos (erva para os coelhos), espigas de trigo para malhar, tirar o trigo, assim dava para trocar por pão. Íamos apanhar bolota para vender. Tudo o que desse para vender e trocar por alguma comida. 

 
Fui crescendo, passando alguma fome, mas, todos muito unidos. Muita vez,  a minha mãe não comia, para que os filhos pudessem comer mais alguma coisa. Dizia para ela":- não come mãe?" -"já comi, comam vocês". Dizia ela. Era mentira, eu sabia.
 
Tinha por volta de doze anos, já sabia fazer tudo numa casa, minha mãe ensinou-me a serzir meias (remendar, os buracos) fazia-mos serão á luz do candeeiro a petróleo. Era até doer a vista, até já não conseguir ver as malhas caídas. As senhoras ricas, queriam as meias bem remendadas. Era mais um dinheiro que entrava para comer.
 
Mas continuavamos a passar mal.
A minha mãe, resolveu ir embora da aldeia, para ir servir para Cascais. Eu era a mais nova, levou-me com ela. Fomos para casa de uns senhores ricos, com uma casa enorme como eu nunca tinha visto na minha vida, com móveis e cortinados, e estatuetas lindas, com casa banho, foi nessa altura que vi uma sanita pela primeira vez. Sim porque a nossa casa banho era no palheiro.
 
Minha mãe fazia a comida, limpava a casa e eu ajudava. E assim aprendi como era a vida sem passar fome, sendo criada de servir. Mas passado um ano, as saudades dos outros filhos apertavam, e minha mãe foi vê-los, deixando-me no lugar dela. Não aguentei estar sozinha numa casa grande, e com patrões exigentes, eu era uma menina, e exigiam de mim muito. Fui embora também. Voltei para casa.  Lá fui eu trabalhar para o campo. Para a roça. Uma amiga de minha mãe disse que precisavam duma criada para uma casa grande, e que os patrões eram muito bons, em Lisboa.
 
Lá vamos nós. Lisboa. Chegamos. Falou com os senhores combinou tudo, deixou-me e foi embora. Estava lá um cachopo todo ranhoso. Tive medo dele, e não quis lá ficar. Ele metia-me medo. Fuji. Mas sem dinheiro para voltar para casa, tive que andar a pedir esmola na rua. Sabia que tinha uma prima a viver perto, na rua da Graça, procurei e lá me indicaram a casa. Ela acolheu-me, fiquei a cuidar da neta. Nessa altura deu-se uma revolução em Lisboa, eu só chorava com medo. 
 
Então minha prima enviou um telegrama á minha mãe a dizer que me ia mandar para casa. 
Vim de comboio até Vale Figueira, lá estava o meu irmão esperando por mim,  com uma burra, para eu não ir a pé para casa.
 
Mais uma vez, voltei para o trabalho do campo. Desta vez a mondar ( tirar as ervas daninhas) . 
Pedi á mãe para me deixar ir á escola, queria saber escrever meu nome e ler alguma coisa. Ela deixou. Só dei o livro da primeira classe. Mas ela achava que era perder tempo. Saí. Fui guardar cabras, um dia irritei-me com uma cabra e mordi nas orelhas dela. 
 
Zangada disse á mãe que não queria aquela vida. 
 
Mais uma vez fui embora, para servir de criada, numa casa em Santarém. Nessa casa servi sete anos. Já era uma mulher....... 
 
 
 
Continua......meus amigos leitores, acreditem, ainda há tanta coisa para vos contar sobre a minha avó. Muitas delas é de rir, outras de chorar. Esperem por mais episódios.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:50
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Tatuagens

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

 Tatuagens

 

Conhecemo-nos um dia, na imensidão da solidão que nos rodeava e quando pensávamos que tínhamos esgotado todas as palavas, todos os lamentos, todos os fins de tarde matizados de lilases e azuis e quando a esperança era apenas uma palavra de nove letras, que se deveria escrever, sempre, com letra maiúscula.
Olhámo-nos com a espectativa a escorrer-nos dos olhos e disfarçando o medo de sentirmos em simultâneo, um sentimento a que os poetas, esses ilustradores das palavras, dão o nome de amor.
Já ambos tínhamos amado, desamado…
Já ambos tínhamos sido gloriosamente felizes e perdidamente infelizes. 
Já ambos conhecíamos a amargura das palavras que são pronunciadas quando o amor acaba ou, simplesmente, quando adormece nos nossos corações.
Já ambos estávamos esgotados de lutar contra moinhos que só nós víamos.
Só nós sabíamos o sabor que tinha a perda, a ingratidão e o silêncio.
Talvez fosse por isso que os nossos olhos, sofredores de grandes guerras, se tivessem prendido e falado coisas que só no silêncio se dizem.
A verdade é que foi um momento de perfeita comunhão. 
Um momento único, que para sempre ficou tatuado na parte mais profunda das nossa almas.
Mas, faltava-nos, a ambos, aquela palavrinha mágica das nove letras, que se chama esperança.
Por isso, eu parti no teu coração quando te afastaste e tu ficaste prisioneiro do meu, até ao dia em que a vida nos puser, outra vez, na mesma estrada e a desilusão tiver dado lugar de novo ao encantamento.
A selar aquele dia, ficou um beijo dado de fugida, ao canto da boca, e o adeus que não dissemos.



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:45
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