Um quilo de meixão, enguias-bebé apanhadas no Rio Tejo através de pesca ilegal e exportadas sobretudo para Espanha, pode render 500 euros por quilo, avança o Comando Distrital da Guarda Nacional Republicana de Santarém.
O meixão, que em Espanha é considerado uma iguaria de luxo, é capturado no Tejo por redes com uma malha muito apertada, que retém não só as enguias-bebé mas também crias de outras espécies.
A pesca da espécie é proibida por lei em todos os rios portugueses, com excepção do Minho, e o problema da pesca ilegal do meixão não é apenas do Tejo, verificando-se também com gravidade no Mondego e no Sado.
O major Joaquim Nunes, da GNR de Santarém, afirma à Lusa que o pescado, que não é consumido em Portugal, se destina à exportação, sendo vendido a peso de ouro para Espanha. "Todo o pescado - ao que sabemos - é exportado e há informações de que o mesmo é vendido para Espanha. É também voz corrente que os preços andarão entre os 250 euros e os 500 euros por quilo", afirma o militar.
Isabel Domingos, do Instituto de Oceanografia, admite que o meixão se destine a Espanha mas garante que "o grande promotor (da pesca do meixão) é o mercado asiático", que absorve também grande parte do pescado. "Os pescadores que conhecem muito bem o rio são as pessoas que continuam a fazer este tipo de pesca, (...) as pessoas da borda de água que sempre trabalharam no rio", atesta o major Nunes, da GNR de Santarém.
No entanto, Isabel Domingos, do Instituto de Oceanografia, acredita mesmo que existem "grandes redes muito bem montadas e que são difíceis de desmantelar", afirmando ainda que a fatia maior da pesca ilegal desta espécie não se deve aos pescadores locais.
A enguia está sinalizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) como uma espécie em perigo, fazendo também parte das espécies ameaçadas registadas no Livro Vermelho de Vertebrados em Portugal.
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