A defesa e os problemas do rio Tejo levaram este sábado, 18 de Julho, cerca de uma centena de pessoas e 20 associações de Portugal e Espanha a constituir “as bases” do movimento Pró-Tejo. Associações ecologistas e naturalistas dos dois países juntaram-se hoje em Vila Nova da Barquinha a cidadãos e associações desportivas, sociais e culturais na defesa do maior rio da Península Ibérica.
“Foi hoje dado um passo decisivo no sentido de envolver todas as pessoas e entidades interessadas na defesa do Tejo a subscrever o acto de adesão que servirá de base à elaboração de um documento final, a ser apresentado oportunamente”, disse à Lusa, Paulo Constantino, um dos promotores da iniciativa.
Entre as associações presentes estavam a Fundação para a Nova Cultura da Água, Quercus, Liga para a Protecção da Natureza, Coagret - Coordenadora dos Afectados pelas Grandes Barragens e Transvazes, Plataforma em Defesa dos Rios Tejo e Alberche de Talavera de la Reina e ADENEX - Associação para a Defesa da Natureza e dos Recursos da Extremadura.
“O objectivo de definir os pontos reivindicativos e mobilizar a população, associações e responsáveis políticos, englobando todo o espectro social das comunidades ribeirinhas do rio Tejo em Portugal e Espanha, foi plenamente alcançado”, frisou Paulo Constantino.
O próximo passo é "a calendarização de actividades que visam evidenciar os estrangulamentos e a falta de água no leito do rio e promover a realização de jornadas técnico-científicas para identificar as causas dos problemas do Tejo”, acrescentou.
"É preciso implementar políticas de caudais ecológicos verdadeiros e efectivos, sustentadas em estudos relevantes que sejam capazes de manter e restaurar a vida no rio e seus afluentes, bem como prevenir, restaurar e valorizar o património cultural e ambiental ligado aos rios da bacia, para além de realizar acções para garantir a qualidade e quantidade da água”, defendeu.
“Queremos também focar a vertente cultural do rio Tejo através da escultura, da poesia, da fotografia, do teatro e da pintura, culminando na realização de um concerto ibérico Rock in Tejo”, afirmou.
Até final do ano decorrerão as primeiras iniciativas, como uma descida do Tejo e a primeira mobilização de cidadãos de âmbito ibérico com a denominada Estafeta da Água, levando a água do Tejo da nascente até à foz com percursos a pé, de cavalo, de autocarro e de comboio, entre outros.
Para Paulo Constantino este “é um movimento imparável porque nasce da vontade, da preocupação e da mobilização das pessoas e das associações”.
“Queremos que este movimento seja como que uma ‘enchurrada’ que permita resolver os muitos problemas que o Tejo enfrenta hoje em dia”, concluiu
«O Mirante»
