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Domingo, 16 de Abril de 2017
CONHEÇO-TE BEM

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 Por: Marina Maltez

 

CONHEÇO-TE BEM

 

“Gosto da maldade humana. Lembra-me que existe bondade.” Se um estranho ouvir isto pensará que és altruísta, benévolo, compreensivo, generoso até. Irá imaginar a dimensão da tua hipotética bondade e a tua capacidade de perdão. Talvez até a invejem e pensem “Sim, eu gostava de ser assim, bondoso, sábio e ser capaz de perdoar”.

Consigo visualizar as caras embevecidas diante deste teu discurso e os likes numa qualquer rede social (que apenas te afagam o ego e reforçam o orgulho). Mas essas caras não te conhecem como eu. Não sabem de cor a medida da tua maldade. Não te conhecem a carne de lobo escondida nessa capa de cordeiro que te levou décadas a tecer cuidadosamente, pensada ao mais ínfimo pormenor. Capaz de vergar sábios e encantar corações sedentos de amor.

Esses rostos que te admiram não sabem como eu como a tua língua é puro veneno, é faca afiada capaz de destruir esses mesmos corações que te veneram. Esses rostos que te vêm como mestre não sabem como eu como a tua maldade já cegou, enlouqueceu, rasgou almas que em ti confiaram, como as tuas atitudes se tornam tão mesquinhas ao ponto de deixares um rasto de destruição em silêncio, com medo do que ainda possas fazer.

O diabo sabe muito não por ser diabo, mas por ser velho. E a tua já considerável existência permitiu-te um acumular de frases feitas, de argumentos, de teorias, de comportamentos meticulosos que te dão essa aura de grandeza. Verniz… verniz sem categoria que só se mantém por ser retocado permanentemente.

Ai de quem está ao teu redor. Não sabe que por detrás de cada elogio está a maldade do predador que apenas quer envolver mais uma vítima na sua teia fatal. Não sabem que por trás de cada abraço está venenosa punhalada.

Acreditam na tua bondade… mas não…não te conhecem como eu. Eu vi-te e por te ver tentaste destruir-me. O teu crime só era perfeito sem testemunhas e eu…eu era a versão que ninguém poderia ouvir.

Simplesmente não dizes o meu nome, evitas perguntas inconvenientes ou então contas mais uma historieta de como uma mulher te causou mágoa. Não tens coragem para assumir a tua essência nojenta, mas tão nojenta que até o ventre materno te rejeitava. Vá…escolhe a tua melhor roupa (escolhe bem a marca, tu que detestas gente pobre), coloca perfume (daquele forte numa tentativa vá de camuflar o cheiro de mentira e destruição que vem desse corpo), escolhe as palavras e treina os gestos. Serás Homem capaz de dizer: “Tirei-lhe tudo. Obriguei-a a deixar tudo, família, amigos e a viver apenas para mim, de acordo com as minhas regras, pois só assim seria Mulher.”. Coloca agora aquele ar superior de sábio e mestre (cita um ou dois autores de um livro qualquer de auto-ajuda que suportam as tuas terapias da treta ou então ilustra tudo com um episódio de herói vivido por ti, e que de cada vez que é contado muda de cenário e até de personagens) e continua: “Prometi-lhe o mundo. Mas deixei-a na rua, sem nada. Abandonei-a no leito onde a doença a consumia porque na verdade sou apenas uma espécie de homem, vivo de paixões efémeras, primaveris.

Mas sabes a verdade? A única verdade? É que o Tempo não perdoa. A idade passa rapidamente por nós. Enche-te dos teus luxos, pavoneia a tua fortuna, colecciona amantes que depois largas na rua da amargura ou encaminhas para um qualquer amigo teu tão imoral quanto tu. Aproveita agora que o teu corpo e mente ainda te obedecem. Não irá durar muito. E quando a noite cair… tu estarás sozinho. Velho. Gasto, consumido. Seco, ressequido. E o teu dinheiro não te irá valer na solidão que te fará perpétua companhia até a terra engolir contrafeita os teus restos. E nesse dia…quando o sol se erguer todas as tuas vítimas irão respirar de alívio. E aqueles que hoje te bajulam terão mil e uma histórias para contar do amigo velho com manias de novo e fanfarrão.

E eu… bem eu não te vou guardar mágoa alguma. Isso seria dar-te uma importância que não tens. Eu estarei no meu mundo, aquele que recuperei, acordarei rodeada de quem me ama e com prazer irei saborear um delicioso galão e pão com manteiga. Sim, adoro a minha pobreza. Nela me revejo e sou feliz! E sei que quando Deus me chamar e o meu corpo voltar à Terra… ela me reconhecerá como parte de si e me estenderá os braços num abraço maternal!

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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