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Domingo, 29 de Outubro de 2017
TEMAS DE SAÚDE: Conflito de gerações ou despromoção da Família?

ANTONIETA

Por: Antonieta Dias (*)

 

Conflito de gerações ou despromoção da Família?

 

Tentar perceber o que é mais importante no conflito geracional do século XXI, é por vezes incompreensível, é como se alguma coisa mudasse e até se tornasse relevante, ao constatar com este problema leva-nos mesmo a fazer uma associação com os relatórios das ressonâncias magnéticas em que descrevem imagens só por si assustadoras, mas que nem sempre são completamente  entendidas apesar de serem bem claras e esclarecedoras pois podem indiciar algo que exige mais investigação para que as dúvidas não deixem resíduos.

Este comportamento tem sido sentido na sociedade civil que deixou de exigir os hábitos consolidados no alicerce da Família que fortalece as pessoas com gestos  afetivos e de solidariedade que não são menos importantes que os recursos económicos de sustentabilidade.

O que se pensava que seria imutável deixou de o ser, sendo certo que os valores éticos e de solidariedade não mudaram, mas alguns costumes praticados individualmente transformaram o conceito do valor experienciado e vivenciado pelas pessoas que ao longo da sua vida iam adquirindo e construindo os pilares da Sabedoria sendo por isso distinguidos como os conselheiros dos mais novos que avidamente se socorriam dos seus conhecimentos para fazerem a sua aprendizagem.

Recordo com saudade o estatuto que era atribuído ao idoso, sempre considerado como uma mais-valia para a sociedade civil, uma referência importante, um bem de tal forma precioso que na sociedade representava o pilar de união entre todos, chefiava a família, ocupava os cargos políticos mais importantes, sendo valorizada a dignidade da velhice sendo uma das maiores aspirações sociais usufruir do benefício de ter dentro de casa um idoso, porque representava poder, credibilidade e era um orgulho para toda a gente.

Porém atualmente, o pensamento das gerações agora é outro, tendo mudado substancialmente sobretudo no que se refere ao sentimento de alegria, de conforto e de regozijo que os mais novos tinham para os mais velhos, passando a considerar em muitos casos o idoso, como um “fardo”, sendo, cada vez maior o caso de abandono dos seniores por parte das gerações dos jovens, invertendo assim os valores do passado.

O idoso era respeitado, vivia com dignidade e a velhice era a aspiração de muita gente que desejava cada vez mais ter esse estatuto porque era uma mais-valia para todos.

No seculo XXI este conceito mudou radicalmente, já não assistimos à mentira piedosa de somar anos a idade real porque era prestigiante, ser idoso, bem pelo contrário vivencia – se uma experiencia diferente em que algumas pessoas tentam enganar-se e enganar pois não  querem ser considerados como idosos inúteis e então passaram a retirar anos à idade real com o objetivo de não serem descriminados por uma sociedade ingrata e desumanizada.

Á luz das épocas passadas os seniores eram apreciados e homenageados como os homens detentores do conhecimento e da sabedoria, procurados pelas gerações mais novas ávidas do esclarecimento das suas dúvidas cuja explicação estava contida no arquivo cerebral do seus avôs, dos seus pais, dos seus tios e dos amigos mais experientes que lhes clarificavam as coisas mais complexas. Hoje uma boa parte da sociedade considera os idosos, como um “tropeço”, que lhes dificulta a independência, vivendo apenas para o egocentrismo agravado muitas vezes por um enorme egoísmo, em que não experienciaram ou já não estão habituados a partilhar os momentos felizes da partilha da vida e alguns até desconhecem o valor do ser humano.

Sim porque quem não entende que o conflito geracional não é causado pela faixa etária mais idosa, a qual já viveu, já experienciou, já refletiu, já construiu, já estabilizou e agora está preparada e disponível para transmitir o conhecimento, fruto da sabedoria que obteve e recolheu durante toda a sua vida, sendo por isso a maior riqueza que uma sociedade pode ter. Consta-se que afinal o conflito desencadeia-se nas  gerações mais novas, que deixaram de solicitar o conselho aos mais velhos, porque pensam que encontram todas as respostas na internet e que o Google consegue ser o Professor tradicional que é insubstituível.

Naturalmente que quem vive alicerçado nestes pilares movediços, facilmente constrói um mundo de infelicidade, porque o que devia ser já era, a Família passa a ser substituída pelo telemóvel, pelo computador, a comunicação entre os amigos passa a ser feita através de mensagens mesmo que estes estejam ao seu lado.

A determinação, a gravidade desta mudança comportamental e particularmente dos padrões de vida no contexto familiar implicam naturalmente uma reflexão mais cuidada destes valores não só pelo fato de representarem uma questão primordial construída em torno dos idosos que verificam que estas formas subtis de os distinguir, representam a complexidade e severidade de opiniões muitas vezes dispares e que desencadeiam um enorme sofrimento.

No caso em apreço, o modo como é estabelecida a proporcionalidade entre a geração de seniores e as gerações mais novas é por vezes desoladora.

Algumas situações são impostas pelo poder discriminatório e de apreciação dos factos em que os costumes determinam uma margem de liberdade individual suficientemente forte em detrimento da liberdade e respeitabilidade colectiva, criando uma cascata de situações que nos obrigam a intervir, passando a ser uma prioridade e um dever intrínseco da defesa dos direitos humanos que perante circunstâncias tão degradantes que colocam em causa valores humanos e do direito à vida, prejudicam e vitimizam, a população idosa, pela forma como são executados.

Numa sociedade em que a honra representa um bem tão precioso quanto a vida, é fácil estabelecer os critérios de tolerância, sem prejuízo de lutar contra a leviandade dos procedimentos e dos comportamentos de uma população que passa por uma crise de identidade, de cidadania e de soberania.

Em suma, para a construção e manutenção de uma sociedade civilizada em que a justiça está intimamente ligada ao exercício da autoridade e representa um atributo primordial da soberania há que repor a igualdade entre as gerações e nalgumas situações restaura-la sendo que o justo prevalece sobre o útil, nem que isso implique rever, pacificar e equilibrar o conceito da Família, sendo imperiosa para a retribuição dos afetos e do equilíbrio emocional.

(*) Prof. Doutora na Faculdade de Medicina do Porto



publicado por Noticias do Ribatejo às 23:32
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