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Domingo, 30 de Março de 2014
TEMAS DE SAÚDE: Síndrome pubálgico no atleta de alta competição

Por:Antonieta Dias (*)

 

Vulgarmente designada como pubalgia, osteíte pubiana ou doença pubiana, traduz clinicamente um síndrome que provoca dores na sínfise púbica nos movimentos adutores caracterizando-se por se agravar com o esforço físico e regride com o repouso e com o tratamento conservador de fisioterapia na recuperação funcional.

Sendo uma das lesões mais comuns na prática desportiva, sobretudo nos desportos que implicam movimentos repetitivos e mudanças bruscas de direção nomeadamente no rúgbi, ténis, futebol e hóquei.

É muitas vezes conhecida como a doença do stresse físico dos atletas associada aos movimentos corporais compensatórios efetuados durante a prática desportiva, em que a fraqueza lombar, dos abdutores, abdominais, alterações posturais dos músculos, disfunção lombo-pélvica, excesso de peso ou até erro de treino, podem desencadeá-la.

Trata-se de um síndrome cujo diagnóstico por vezes não é feito atempadamente e os atletas sofrem pois esta patologia torna-se crónica.

Dividimos a pubalgia em aguda (pubalgia traumática), ou crónica quando persiste no tempo, quer seja por dificuldade em fazer o diagnóstico ou por persistência dos sintomas, apesar do tratamento instituído, a sua falência faz com que se repita no tempo.

Neste ultimo caso (pubalgia crónica) a lesão resulta da repetição dos movimentos de hiperextensão do tronco associados a hiperabdução da coxa, com tração do perisósteo na inserção do músculo reto abdominal ou do músculo adutor da pelve.

A pubalgia é uma queixa muito comum nos atletas, que provoca desconforto na região  abdominal inferior, na região dos adutores, na região perineal e na face interna das coxas.

Esta relacionada com a dor dos músculos adutores, ilio-psoas, parede abdominal e com os ossos da sínfise púbica.

Está muitas vezes associado com lesão do canal inguinal(lesão secundária com dupla associação de dor e atrofia muscular da parede abdominal).

A sintomatologia caracteriza-se por dores na região do púbis, que surge durante a utilização dos músculos abdominais, despoletando a dor ao levantar, ao tossir, ao espirrar e exacerbando-se durante o apoio unipodal. Estas alterações levam à instabilidade na sínfise púbica e na cintura lombo-pélvica, com alterações na junção dos dois ossos púbicos(inflamação na inserção dos adutores-osteíte púbica).

Mais complicada se torna, quando os atletas só procuram ajuda após a lesão das quatro estruturas, devido à complexidade do tratamento nestes casos.

Pode surgir ainda com exercícios de alta intensidade, nomeadamente com os desportos que exigem mudanças rápidas de direção, rotações do tronco e desportos de remate (futebol, andebol) e com a corrida, provocando dores na região lombar.

As lesões são agravadas, quando existem alterações dos tempos de ativação muscular sobretudo dos músculos posturais; disfunções lombo-pélvicas-hiper ou hipo-mobilidade; especialmente ao nível da articulação sacroilíaca; nos défices ou limitação na rotação interna e na abdução da coxo-femoral, nos erros de treino e no excesso de peso.

Importa assim, fazer um diagnóstico precoce e instituir um tratamento conservador de fisioterapia o mais célere possível para minimizar as queixas dolorosas dos atletas.

Sendo que a historia clinica em 95% dos casos esta descrita com a seguinte cronologia:

Início insidioso, a dor surge com pequena intensidade, vai-se agravando aos poucos, localiza-se na região púbica- proximal dos adutores, região inguinal e abdominal baixa distribuindo - se  na fase precoce de forma unilateral e depois passa a bilateral.

Agrava-se com o exercício e alivia com o repouso.

A palpação é dolorosa, com dor na contração resistida e no alongamento passivo, quando estão comprometidos os músculos adutores ou o ilío-psoas.

A ecografia é o método de eleição para o diagnóstico, sendo a sua indicação baseada nas seguintes particularidades:

É um exame complementar de diagnóstico  sem irradiação, é de fácil realização, é inóquo, é dinâmico, permite a comparação bilateral, é usado no folow-up, não exclui a sua realização na presença de dispositivos metálicos, tem uma excelente relação custo-benefício e permite power dopler para vascularização.

A reabilitação e recuperação funcional destes atletas exige que seja feito um plano adequado e dirigido não só para a tipologia da lesão mas também para as características individuais do atleta.

O pensar que o tratamento é igual para todos é uma das principais causas de insucesso do tratamento destas lesões.

Em suma, a pubalgia é uma patologia frequente nos atletas, sendo por vezes de difícil diagnóstico e de difícil tratamento, ocasionado repercussões  importantes na carreira desportiva do atleta, não só pelos períodos de inatividade que origina, devido ao fato de ter um processo de reabilitação demorado, podendo em casos mais extremos impedir  por completo a continuidade da prática desportiva.”

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 17:37
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