Os pacientes que cheguem em maca à zona de urgências do Centro de Saúde de Coruche estão a ser encaminhados para o Hospital de Santarém por falta de condições para atendimento. As antigas urgências do centro de saúde e sala de espera encontram-se encerradas desde dia 10 de Agosto para a realização das obras de adaptação do espaço ao novo Serviço de Urgência Básico (SUB), que ali vai funcionar. Desde essa data que é impossível manobrar macas com pacientes na sala de observação improvisada, disponibilizada pelo centro de saúde nas traseiras das instalações. E assim se prevê que continue até que as obras sejam concluídas, no melhor prazo, entre final de Setembro e início de Outubro.
Na última reunião de câmara, o presidente da autarquia, Dionísio Mendes (PS), lamentou que a intervenção seja incómoda para os doentes e represente um acréscimo de trabalho para os bombeiros municipais. “Nos casos em que os doentes não podem ser atendidos, e os médicos recusam fazê-lo no exterior ou nas ambulâncias, os bombeiros são obrigados a encaminhá-los para as urgências do Hospital de Santarém, sujeitos a não serem aceites por não ter sido feita triagem em Coruche”, afirmou o autarca.
O comandante dos bombeiros, Rafael Rodrigues, confirma a situação. Refere que se tem registado um acréscimo de serviços a que tem de responder com mais viaturas e mais homens para o transporte de doentes, seja em ambulância adequada, seja de pacientes acamados. “Estamos a comprometer a eficiência do primeiro e segundo socorro com duas a três ambulâncias sempre prontas para o serviço de transporte de doentes. A isso soma-se o transporte de pacientes oncológicos e de hemodiálise para Lisboa”, explica. Lembra ainda que se estão a ultrapassar os limites definidos para pagamento de horas extraordinárias e despesas com combustíveis.
O director da Unidade de Saúde Familiar de Coruche reconhece o incómodo da situação para os pacientes e para os bombeiros mas garante que houve preocupação em avançar com as obras com a maior rapidez possível. “Imagine como seria se chegássemos com as obras ao pico da gripe A”, sugere Carlos Ceia, justificando a falta de tempo que houve para colocar no local um contentor alternativo.
O médico refere que a Câmara de Coruche, os bombeiros e o Hospital de Santarém foram informados da situação e do aumento de ocorrências com pacientes acamados durante o período de obras. Mas diz que a situação de pacientes em maca é residual e que 95 a 98 por cento dos doentes são atendidos.
«O Mirante»