Albérico Afonso, candidato do BE à Câmara Municipal de Setúbal, acusa o actual executivo da CDU na autarquia, liderado por Maria das Dores Meira, de gastar dinheiros públicos de “forma sumptuária” na sua campanha eleitoral. Por isso, o bloquista, que “exige saber qual o montante que foi gasto pela autarquia nestas operações de propaganda”, vai expor a situação ao Provedor da Justiça e à Comissão Nacional de Eleições, para que ambos “emitam um parecer sobre esta situação”.
“A falta de obra do actual executivo tem sido compensada por esta operação de propaganda, por esta utilização grave de dinheiro público”, explica Albérico Afonso, que não entende o porquê de a autarquia não ter investido, em alternativa, em habitação social. De acordo com o candidato do BE, em causa estão os alegados gastos com o Jornal Municipal de Setúbal, o livro intitulado “Setúbal – o que fizemos”, a inauguração da rua Xico da Cana e uma “propaganda em pedra”, que visava a comemoração do centenário da República.
Sobre o antigo boletim municipal, que Albérico Afonso apelida de “elemento de propaganda da presidente e da vereação do PCP”, o bloquista sublinha que a autarquia “deu ordem para imprimir, em papel coché e em policromia, cerca de 60 mil exemplares de cada número”, uma tiragem que considera ser “chocante”, uma vez que a “da maior parte dos jornais nacionais é inferior”. À semelhança do descerramento da placa da rua Xico da Cana, que o bloquista considera “não fazer sentido algum, uma vez que ali não há casas”, Albérico Afonso apelida de “extravagância despesista” o facto de a “câmara ter adquirido uma pedra, em mármore e em granito”, para assinalar o centésimo aniversário da República.
Além disto, Albérico Afonso lamenta ainda que a câmara tenha editado um “livro policromático, com oitenta fotografias e várias infografias”, numa tiragem que excede “a tiragem média dos livros em Portugal”. “Isto é verdadeiramente chocante, sobretudo para quem tem dificuldades em comprar livros escolares”, realça o candidato, reforçando o facto de querer que “a câmara diga quanto gastou nestas edições de propaganda, por questões de transparência”. Para o bloquista, o livro “Setúbal – o que fizemos” é uma publicação que “expressa bem mais do que o balanço do fim de um mandato”, dado que contém “irrelevâncias que não fazem qualquer sentido incorporar ali”.
“Tudo isto não passa de questões de auto-promoção, pois a CDU vive uma situação de despudor e de desnorte, já que estão com dificuldades para realizar a sua campanha”, conclui Albérico Afonso, que adianta não temer ser levado a tribunal por Maria das Dores Meira, dado que “está apenas a fazer evidências políticas e não acusações pessoais”. A presidente da câmara municipal e cabeça-de-lista pela CDU desmentiu, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, todas estas acusações, reafirmando que a sua campanha “é totalmente paga pela CDU, não usando o erário público”. Em alternativa, a autarca questiona Albérico Afonso sobre se este realmente informaria a população setubalense dos gastos da autarquia, à semelhança do que não acontece em Salvaterra de Magos, onde a autarquia é liderada pela bloquista Ana Cristina Ribeiro.