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Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
SANTAREM -Miserabilis Manifestum (Ou um Diálogo Entre Academo e Orfeu Sobre a Essência da Dignidade da Vontade)

Por: Filipe De Vasconcelos Fernandes

  

Miserabilis Manifestum (Ou um Diálogo Entre Academo e Orfeu Sobre a Essência da Dignidade da Vontade)

 

Orfeu: Oh, souberas esta infinitude que plasma o marasmo do ocidente?

Academo: enfim, colonos de infinita terra!

Orfeu: era o que me parecia, a imensidão desta tempestade de rouquidão sem voz…antes falar que ter voz, não vá a vaidade do destino ser o futuro que nos esmaga

Academo: quem? O futuro?

Orfeu: sim, é um deus menor que jaz póstumo… na ternura dos que são idealistas pela madrugada…à falta de ideias, positivistas pela aurora da tarde

Academo: São da perdida Atlântida?

Orfeu: não, perderam-se sem necessidade de tragédia! Não fosse um liturgo deles fazer um mártir!

Academo: a moral morreu! Cuidem-se dos costumes

Orfeu: não, a moral acabou de nascer, filha de parto humilde e sofredor!

Academo: e o eterno retorno?

Orfeu: a moral subjugou o eterno retorno, qual trepadeira de bosque à procura de luz…a moral tem voz, só que querem-na como falácia!

Academo: então e o futuro? Tem voz?

Orfeu: não, o futuro é mudo porque emprestou a voz ao presente… e toca harpa por neumas

Academo: verdade? E é dono de uma voz só?

Orfeu: não, é mudo…toca o silêncio da noite por antagonia

Academo: e ouvem-se os grilos, agora, parece quase primavera…não escutas? Tamanha vontade de ser fonte de luz!

Orfeu: o que te parece sobre a vontade? É digna?

Academo: tenho dúvidas sobre se a vontade será um mero espólio de metafísica…

Orfeu: duvido! Escuta, não ouves?

Academo: os grilos? É primavera?

Orfeu: tens razão, parecia-me ouvir uma harpa a tocar, sozinha na escuridão abrilhantada…devem ser os grilos, tamanha vontade!

Academo: quiçá não são os mortos da Atlântida?

Orfeu: não, esquece os mortos, que jazem sozinhos…olha os vivos, na escuridão...nem os grilos lhes valem…não há grilos e já é primavera!

Academo: quem são afinal? Homens sem vulto, ou demasiado pequenos de tamanho para o vulto que aparentam?

Orfeu: contaram-lhes histórias, sei agora…contaram-lhes que não há primavera

Academo: poderá ser isso? E os grilos, serão agora mudos para sempre?

Orfeu: não, nada disso…os grilos são recitais de verão, e cantam por neumas na primavera…e têm o som de uma harpa, que toca por neumas no escuro

Academo: tenho pena da humanidade, e do comando deste homo miserabilis

Orfeu: calma, a humanidade é miserável mas não é pequena!  E há sempre a vontade

Academo: vontade de quê?

Orfeu: a vontade de ser humano, de ser grilo, de ser harpa a tocar no escuro do brilho que é ser reflexo da noite, numa primavera de outros cintilantes noctívagos

Academo: grilos? Heróis? Mitos?

Orfeu: o que é da humanidade Senão os seus heróis, os seus espelhos?

Academo: é tempo de ser herói?

Orfeu: não, não! É tempo de ir à procura da Atlântida, que jaz no marasmo dos profícuos

Academo: ouvi dizer que há uns anos, a acharam, mas era pouco…

Orfeu: de quem falas? Dos grilos?

Academo: não, de uns lusos, obreiros de vasto céu territorial…diz-se que acharam a Atlântida…mas era pouco

Orfeu: faltou-lhes vontade?

Academo: não, tinham-na em demasia, eram senhores da sua alma, deuses do seu epitáfio!

Orfeu: que sabes deles?

Academo: que é quase primavera, e que não há grilos cantantes

Orfeu: grilos ou pirilampos?

Academo: não sei, mas não brilhavam?

Orfeu: brilhavam e cantavam

Academo: grilos a brilhar? Dimensão da vontade?

Orfeu: podem os grilos brilhar por vontade?

Academo: Pois parece que não são grilos nem pirilampos, mas uns quantos espíritos da Atlântida perdida

Orfeu: não, são portugueses!

Academo: como? Não serão grilos por vontade?

Orfeu: Não, são astros!

Academo: uma aurora no final de inverno?

Orfeu: sim, são portugueses…uma aurora por vontade, que se não deixou cair no marasmo!

Academo: verdade! Mas são quantos? Vejo efémeras luzes…não serão meros pirilampos?

Orfeu: Não, são portugueses!

Academo: por vontade?

Orfeu: não, apenas assim nasceram

Academo: e qual é a sua vontade?

Orfeu: de o ser assim para sempre

Academo: é tempo de procurar a Atlântida?

Orfeu: Talvez…

Academo: a Atlântida nasce do profundo, mórbido ente dilacerante que é o mar, desgraçado de vontade frustrada

Orfeu: mais vale quem busca por vontade, do que quem tem vontade de ser sem sentido!

Academo: São dignos, portanto?

Orfeu: digníssimos…tenho mais esperança do que ontem…que se calem as vozes

Academo: que farão?

Orfeu: serão grilos por vontade, que brilham na escuridão dos náufragos colonos de infinita terra?

Academo: que são pirilampos a cantar?

Orfeu: não, que são o inimaginável que se pensa: grilos por vontade, que brilham!

Academo: Não morreram portanto?

Orfeu: não, apenas os julgaram póstumos à nascença!

Academo: acabaram de nascer? Como a moral?

Orfeu: Talvez…A moral nasceu com eles…Quanto aos próprios ressuscitaram!

Academo: como? Mas não haviam morrido!

Orfeu: reinventaram-se, foram à procura de ser grilos por vontade

Academo: e deus?

Orfeu: deus chamou-lhes filhos, e deu-lhes a vontade, sem saber o que era ser grilo por vontade

Academo: qual achas que vai ser o seu futuro?

Orfeu: deverão brilhar a todo o custo…e em cada um que morre se acendem outros, por vontade própria…e cantam, sendo mudos…por vontade também 

Academo: a vontade é digna…por vontade ou por natureza?

Orfeu: a natureza da vontade é a sua dignidade própria, que se reinventa…e que como a moral, ressuscita

 

 

Aos pobres de espírito,

Aos falsos valentes,

 Aos génios sem talento,

Aos mártires da aparência,

Aos idealistas sem ideias,

 E aos vultos sem homens,

A todos, ao quadrado, adeus!

 

 

Manifesto Sobre a Miserabilidade Humana, sob o epitáfio de um Povo que como a Moral, não morreu

A Portugal, orgulhosamente

(E a todos aqueles a quem agora especialmente, a Dignidade, a Moral e a Vontade dizem alguma coisa)

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 19:35
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