Nos últimos seis anos, o Centro Cultural tem promovido um curso que permite explorar tanto as potencialidades pessoais como enriquecer a experiência de quem aspira ou desenvolve carreira no teatro
O Curso de Expressão Dramática do Centro Cultural do Cartaxo funciona há seis anos e, mais uma vez, o ano lectivo terminou com uma apresentação final, que colocou em palco os alunos que frequentam este projecto.
Nos dias 24 e 25 de Junho, a comédia “Um Lobisomem em Paris” encheu a sala de espectáculos do CCC. “O objectivo é fazer com que os alunos percorram diferentes géneros de teatro, por isso este ano apostámos numa comédia. Não é uma comédia no sentido habitual, mas sim uma história que brinca com o absurdo”, explicou Bruno Schiappa, encenador responsável pelo Curso de Expressão Dramática do Centro Cultural e autor da peça.
O curso, que existe desde a abertura do CCC, em 2005, tem permitido explorar várias vertentes, conforme os objectivos de quem o frequenta. “Existe a parte profissionalizante, com a entrega de um certificado ao fim de três anos, e a parte meramente de entretenimento, que permite sociabilizar, experimentar ou vencer a timidez”, especificou o encenador.
Há quem integre o curso simplesmente por gosto à arte de representar, sem aspirar uma carreira de actor; quem veja na metodologia proposta uma forma de melhorar a memória dos sentidos, as emoções e a postura; e quem procure o CCC para concretizar o sonho de ser actor ou enriquecer a sua experiência no mundo do teatro.
Alunos fazem balanço positivo do curso e da apresentação final
Luciano Lopes é formado em Teatro e Circo pelo Chapitô e pela Faculdade de Motricidade Humana, está a desenvolver a sua actividade profissional nestas áreas em Lisboa e encontrou no Cartaxo a oportunidade de fazer um “refresh” dos seus conhecimentos, antes de partir para a Suécia, onde estará um ano a dar aulas e a actuar.
A experiência que este jovem retirou do curso “foi óptima”, considerou, sobretudo porque “se gerou um espírito de grupo de trabalho muito positivo, o que às vezes é difícil de encontrar nesta área”, referiu, satisfeito com o resultado final.
Bruna Diogo Santos é de Azambuja, está a terminar o curso de Direito, mas há muitos anos que trabalha na área do teatro e pretende continuar a profissionalizar-se, porque, revela, “tenho uma paixão muito grande pelo teatro e desde pequenina que represento”.
Bruna ficou “muito motivada” quando teve conhecimento deste curso, até porque tinha acabado de ficar sem companhia de teatro nessa altura. Quanto ao balanço deste ano de trabalho, afirma que “ultrapassou as expectativas, porque o Bruno tem a capacidade de explorar a parte sensorial e ir ao centro de cada um de nós buscar o melhor que podemos dar, isso é muito importante”, considerou.
E para provar que nunca é tarde para descobrir novas aptidões, temos o exemplo de Glória Santos, que desde que participou num workshop de teatro há alguns anos ficou “apaixonada”. Glória integrou o curso há cinco anos e, à semelhança de outros alunos, tornou-se reincidente.
“É uma experiência muito enriquecedora, aliás, é mais do que isso, é viciante, porque queremos largar e não conseguimos”, descreveu, mostrando-se muito satisfeita pelo facto do público ter aderido ao espectáculo final. Quanto ao desempenho dos actores, Glória considera que a aprendizagem é um processo contínuo, portanto, “podemos sempre fazer melhor”.