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Domingo, 20 de Setembro de 2009
Desemprego no Distrito de Santarém melhor que no país!

 

madelino
 
 
Por Francisco Madelino *
 

 

De que forma tem evoluído o Mercado de Trabalho no Distrito de Santarém relativamente à evolução recente observada no País? Melhor? Pior? Porquê? De igual forma pelos diversos Concelhos ribatejanos? Analisando.

Entre 2002 e 2005, a economia portuguesa verificou um impacte extremamente forte das novas realidades internacionais. Nessa altura, não por um ambiente de crise internacional, mas perante a alteração do contexto internacional onde funcionava. A globalização, por via da entrada de novos países-continente no comércio mundial, como os casos da China e Índia, apanhou em cheio os nossos sectores exportadores tradicionais, como os têxteis e o calçado. Face a este impacte, o desemprego subiu, neste período, aferido pelo desemprego registado do IEFP, de 326 mil desempregados, quando começou 2002, para terminar em 479 mil em Dezembro de 2005, ou seja, mais 47% de desempregados (concretamente mais 153 mil pessoas à procura de emprego, um valor inferior à subida actual).

A partir do ano de 2005, a economia portuguesa iniciou um processo profundo de reestruturação. Até à crise de 2008, inclusive até segundo trimestre deste ano, os sinais foram evidentes. As exportações tornavam-se a principal componente dinamizadora do aumento do produto nacional. Só em 2007, o PIB cresceu mais que entre 2002 e 2005, isto é, num ano ano mais do que nos três anos anteriores somados. O desemprego registado desceu cerca de 90 mil desempregados desde o primeiro trimestre de 2005 face ao segundo trimestre de 2008. O emprego acresceu-se liquidamente 133 mil empregos, mais de 213 mil postos de trabalho, se se tiver em conta apenas os trabalhadores assalariados por conta de outrem, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.

E como reagiu o Distrito de Santarém nestes tempos?

Entre 2005 e 2008 a economia regional foi das mais dinâmicas do País. Entrou em mercados internacionais onde não entrava (Angola e países de Leste por exemplo). Alargou-se a novos sectores como a logística e o sector automóvel. O desemprego no Distrito estava em Julho de 2005 em 16.585 desempregados, três anos depois em 13.637 pessoas, menos quase 3 mil desempregados (uma redução de 18%).

As sub-regiões de Ourém e Fátima, a par da de Torres Novas-Abrantes e de Benavente lideravam o crescimento no Distrito, com a instalação de novas empresas e novos sectores. Rio Maior e o Cartaxo, por sua vez, juntavam-se a este dinamismo, embora com dinâmicas menos acentuadas.

Com a crise de 2008, o Distrito ribatejano não deixou de ser afectado pelos acontecimentos internacionais, cuja marca mais simbólica foi a falência da Lehman Brothers, nos EUA. Aquilo que há um ano era um cenário positivo, redução do desemprego, passado apenas um ano inverteu-se, como em todo o Mundo. Mas como se portou o Distrito? Melhor ou pior que o País?

Com dados de Julho deste ano, existiam no Distrito de Santarém 17.369 mil desempregados inscritos nos Centros de Emprego. Uma subida de 27,4%, contra uma variação nacional de 30,1%, esta superior portanto. Se a esta análise juntarmos a taxa de desemprego, ela situar-se-á no Distrito num valor próximo de 7%, contra uma média nacional de 9,1%. O Distrito, assim, está melhor.

Há no entanto diferenças regionais na evolução do desemprego:

No triângulo Tomar, Abrantes, Torres Novas, a Nordeste, Torres Novas (+19,6%) e Abrantes (+23,8%) têm tido subidas do desemprego inferiores a Tomar (+33,8% neste), muito por consequência da captação de empresas com maior valor acrescentados nos dois primeiros distritos;

A Noroeste, em Ourém e Fátima, o impacte da crise tem sido acentuado, com o desemprego a subir quase o dobro da média do distrito (+61,9%), pelo tipo de indústrias que aí se localizavam, nomeadamente madeiras e construção civil;

Na zona Sul, Benavente, também tem sofrido um grande impacte, com o desemprego a aumentar na vizinhança de 37% no último ano, com o abandono de indústrias metalúrgicas e ligadas ao sector automóvel trabalho intensivo;

A sub-região do Cartaxo e Rio Maior a apresentarem bons indicadores, e Rio Maior (-15,8%) a ser o único Concelho ribatejano em que o desemprego desceu;

A taxa de desemprego é exageradamente elevada do Concelho de Salvaterra de Magos, a mais elevada da Região, rondando os 12%, uma taxa que quase duplica a média do Distrito, que supera em três pontos a média nacional, e que não encontra na vizinhança de dois pontos percentuais nenhuma taxa de desemprego próxima tão alta, sendo, portanto, uma zona economicamente deprimida. Em Almeirim a taxa é de 7,95%.

Feita a descrição possível, e sabendo que o nosso mercado de trabalho é menos sofrido que o todo nacional, importa, neste Distrito, continuar a articulação entre os seus agentes económicos e sociais, racionalizar o ordenamento do território, estimular a qualidade do capital humano e criar infra-estruturas atractivas para que continue a verificar melhor perfomances e a disseminar melhor os efeitos positivos do crescimento em toda a região.

(*)  Economista e Presidente do IEFP

Fonte: O Ribatejo



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:48
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