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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
CARTAXO - JÚLIO ISIDRO ESTEVE À CONVERSA NO CARTAXO

Num ambiente descontraído e rodeado de admiradores, o conhecido apresentador contou inúmeras histórias sobre a sua carreira na rádio e televisão

 

Júlio Isidro – que há 12 anos escolheu a Ereira para viver – esteve à conversa no bar do Centro Cultural do Cartaxo (CCC) no passado dia 25 de Setembro, a convite de José Raposo. O mundo da televisão, através do qual ficou mais conhecido, foi o tema que dominou esta tertúlia, com o apresentador a contar inúmeras histórias sobre o seu trabalho e as pessoas com quem se cruzou ao longo da sua vida.

 

A começar pelo início de tudo – aquele dia, com 15 anos, em que foi fazer o seu primeiro teste para televisão juntamente com 300 jovens. “A produção chamou-me e disse-me que eu tinha sido o melhor, mas que não me queriam porque era o mais feio”, recordou. Contudo, reconsideraram e acabou por ser ele, juntamente com Lídia Franco, a apresentarem o primeiro programa juvenil da televisão portuguesa.

 

“Vejam a diferença: a esta hora está no ar um programa que tem um milhão de espectadores e que é grave para a saúde mental do nosso país. Eu naquela altura fazia um programa de 20 minutos que ensinava a jogar xadrez. Reparem no abismo que separa estas duas realidades”, comentou.

 

Considerado também um descobridor de talentos, foram nos seus programas que se estrearam muitos músicos e bandas que mais tarde acabaram por conquistar enorme sucesso. “A primeira vez que um deles foi tocar à televisão foi no meu programa. Tocava o Malhão, Malhão à maneira de Chopin, Mozart ou de outros compositores clássicos. Este músico anda hoje de bengala, ainda toca e chama-se António Vitorino de Almeida”.

 

Quando Júlio Isidro viu pela primeira vez Maria João Pires também não esperava que viesse a tornar-se a pianista que hoje conhecemos. “Fui buscá-la a casa para ir ao programa. Tinha umas mãozinhas que mal davam para fazer uma oitava. Agora se a quisermos ver temos de ir ao Brasil”.

 

O Passeio dos Alegres foi um dos seus programas de maior sucesso. Tinha 95% de share, ou seja, apenas 5% dos portugueses não estavam com Júlio Isidro aos domingos, das 14h30 às 19h30. “Uma coisa irrepetível”. Por essa razão, “toda a gente queria ir ao meu programa”, revelou o apresentador, até porque era comum que os músicos e bandas que actuassem no seu programa ao domingo, esgotassem os discos à segunda-feira.

 

Foi o caso de António Variações, que se apresentou ao grande público no Passeio dos Alegres. “Eu fui cortar o cabelo à Isabel Queiroz do Vale e deparo-me com uma figura exótica que me estava a cortar o cabelo com uma lâmina de barbear. Disse-me que escrevia e cantava umas canções e que gostava de me mostrar. Estava eu mais tarde no restaurante onde costumava jantar e entra-me o António Variações com um capote alentejano e com uma cassete. Era a canção O Comprimido. No dia seguinte liguei-lhe para que entrasse logo no programa seguinte”. Curiosamente, a sua última actuação foi também num programa de Júlio Isidro.

 

O Fungagá da Bicharada, Febre de Sábado de Manhã, Festa é Festa ou Arroz Doce são apenas exemplos na extensa carreira de Júlio Isidro, com a particularidade de alguns destes programas terem esgotado estádios e praças de touros de vários pontos do país.

 

Quem decidiu agradecer pessoalmente e publicamente o contributo que Júlio Isidro deu na divulgação da sua música foi a acordeonista Eugénia Lima. Sentada na primeira fila, Eugénia Lima, que foi convidada de José Raposo na sessão de Junho, regressou ao CCC para ouvir Júlio Isidro, mas sobretudo para lhe fazer um agradecimento público.

 

“A seguir ao 25 de Abril, também eu fui para a prateleira. Lembrei-me de ir à Rádio Clube Português pedir para que passassem uns discos meus, porque precisava de trabalhar. Fiquei de boca aberta com a simpatia do Júlio Isidro. Ele passava sempre músicas de Eugénia Lima e para mim foi o bastante”, recordou a acordeonista. 

 

Júlio Isidro guarda também boas recordações dos seus programas de rádio, assim como das pessoas com quem trabalhou, como por exemplo, Mário Viegas – “um caso extraordinário de alguém que está no limiar da genialidade”. Faziam o “Palavras Ditas”, que se resumia a uma hora a falar de poesia.

 

“Ele lia os poemas directamente dos livros que comprava, mas com uma particularidade, arrancava as folhas para ler no estúdio”, contou, saudoso, Júlio Isidro.

 

Televisão e rádio são ainda hoje dois mundos que dizem muito a Júlio Isidro e nos quais continua a fazer carreira. Mas são espaços que hoje estão muito diferentes dos que já conheceu, sobretudo a televisão. “Não é saudosismo ou conservadorismo, mas fazia-se televisão com amor e agora faz-se televisão com amor a muita coisa, menos à televisão”.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:37
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