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Domingo, 7 de Janeiro de 2018
TEMAS DE SAÚDE: Os tempos de espera do doente

ANTONIETA

Por: Antonieta Dias (*)

 

Os tempos de espera do doente

 

São longas as permanências nos corredores dos hospitais, os tempos de espera afetam todos os doentes, aumentam a dor, perturbam a Paz, causam conflitos imprevisíveis, por vezes até atos de violência.

Por melhores que sejam os interlocutores a complexibilidade e a dificuldade em gerir os tempos de espera causam impaciência, inaceitabilidade, tornam o ambiente inadequado, desumano.

Por mais eficazes que sejam as ações humanitárias, não evitam as crises de intolerância, os momentos de desconforto,  de angústia vivenciados pelos doentes .

Se pensarmos no sofrimento dos nossos pacientes e se conseguimos alegrar as suas vidas dando-lhes a mão, como se estivéssemos a partilhar do pão e do vinho, se conseguíssemos devolver alegria ao presente e se o perpetuassemos para sempre, construiríamos o mais forte pilar de sustentabilidade da Humanidade e que marcaria um reflexo eterno do exemplo da Sociedade, porque o nosso trabalho é desenvolvido com aperfeiçoamento intelectual, moral e espiritual.

Os profissionais da Saúde só sentirão que o seu dever foi cumprido, quando conseguiram unir numa aliança de deveres dos homens iluminados e construírem a escola profissional da Virtude e da Sabedoria alicerçada na Verdade e na Justiça.

São as nossas atitudes, as nossas humildes mas nobres atividades técnico científicas que pela sua natureza física e psíquica alimentam a esperança dos nossos doentes.

É o nosso comportamento, a nossa Humildade, a renúncia ao Individualismo/Egocentrismo, que ilumina o progresso espiritual fazendo com que a nossa conduta tenha a influência e a  importância do Sol que simboliza a Luz, o Amor, a Beleza, a Paixão, a Autoridade,  a Vitalidade, o Conhecimento, a Juventude, o Fogo, o Poder, a Realeza, a Força a Perfeição, o Nascimento, que permitirão ao Homem tatuar no Sol a esperança dos géneros Masculino e Feminino.

O Sol representa a força vital e o poder cósmico, símbolo da perfeição na Alquimia, da Luz, que é a manifestação Divina, o “Pai Universal.”

A nossa estrela é o Sol que nos ilumina e aquece todos os dias é ela que está mais próxima da Terra e a sua importância é vital para os seres humanos, pois a vida do planeta depende dela.

O Sol representa o Símbolo da Felicidade.

Existe uma forte relação entre o Sol e Deus. É o seu brilho que embeleza o céu e serve de pilar par a Humanidade, tendo os seus raios o dom da Beleza, concentrada no silêncio da Biblioteca da Sabedoria.

A Lua, símbolo do conhecimento indireto, discursivo e ponderado, reflete a Luz do Sol, do espírito e o conhecimento ainda ténue dos que querem mudar o percurso da Vida, mas que ainda não foram convidados a percorrer esse importante caminho.

A Lua não tendo Luz própria, representa o símbolo da Alma do Mundo, dos reflexos, da aparência subtil do ser, simboliza a dependência, a vida e a saúde, mas também a renovação para a sua reaparição periódica.

Está associada à água, como o sol ao fogo.

Com a diversificação social e a igualdade entre os Homens e as Mulheres, os pilares  de cidadania enriqueceram, criando uma aliança forte, uma herança de inspiração, um desabrochar harmonioso das suas potencialidades físicas, psíquicas e espirituais, para recriar com a sua vocação universal a união de um modo institucional e público, que começou a entrar lentamente mas com muito vigor e determinação, construindo o alicerce poderoso que alimenta   e suporta o dever de servir a Sociedade.

A dedicação e o respeito pelos doentes representam o sentimento da Liberdade e da riqueza moral e concretização do sonho, do cumprimento da justiça e do pleno direito de cidadania.

Na verdade, esta partilha entre o médico e o paciente  ficou mais forte, embelezou os ritos, enriqueceu os trabalhos  uniu os pensamentos filosóficos e espirituais porque conseguiu com plena liberdade de consciência completar o dicionário onde o culto da Humanidade integra a dádiva do “eu” reconhecido como um sentimento de Beleza indispensável à Paz entre os Homens e esta Paz só pode ser entendida no conjunto do Paciente e do Médico.

Em suma, não podemos deixar cair o maior Pilar de Sustentabilidade da Humanidade, muito menos separar o cumprimento do dever do Estado para aliviar um dos maiores sofrimentos do Ser Humano que é o não ser assistido dignamente quando está doente.

(*)Prof. Doutora da Faculdade de Medicina do Porto



publicado por Noticias do Ribatejo às 19:45
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Ouve o meu silêncio

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

Ouve o meu silêncio

 

            Sempre gostei de viajar em silêncio. Posso até levar o som da telefonia no máximo, mas conversar em viagem nunca me agradou. Nem mesmo quando tinha tantas coisas para te dizer e tu a mim. Agora, já não é o caso, porque já dissemos tudo o que tínhamos a dizer um ao outro. Ao fim de tantos anos juntos, já tudo foi dito. Tudo o que possamos dizer agora é apenas o eco de alguma conversa tida num dia qualquer.

            Contudo, vou aproveitar o nosso silêncio, e porque a viagem é longa, para te contar, em silêncio, o que preciso contar-te e não consigo, falando. Ouves agora o meu silêncio? Então, escuta-o com atenção. Tenho pressa de morrer! Cada dia da minha vida vou adiando o que não pode ser adiado para sempre. Vais-me dizer, também em silêncio, porque eu sei ler os teus silêncios, que eu sou tonta, que tenho uma vida óptima, que não tenho problemas senão os banais. Ou a empregada não passa a ferro como eu gosto, ou o cartão multibanco ficou encravado ou os nossos filhos passaram uma semana sem me irem dar um beijo.

            Parece que não me conheces! Sabes como tenho pressa, em tudo o que faço. Sabes que só fico realmente feliz, quando acabo qualquer coisa, só pelo prazer de começar uma nova. É por isso, Vasco, que tenho pressa de morrer. Não é que não goste de viver. É claro que gosto e sempre me ouviste dizer que, no dia em que morrer, morro contrariada. Mas ando cansada. Já nada é novidade, os dias repetem-se sem interesse, as crianças estão com cursos acabados e, embora não estejam casados, estão casadíssimos.

            Estou farta, Vasco! Falta-me a novidade. Se quero outro homem? Se estou farta de ti? Deus me livre! Sabe Deus o trabalho que me deste, para te moldar a meu bel-prazer! Acaso pensas que sou doida e que estou em idade de começar tudo de novo? Não, Vasco. Mas a minha vida tem um vazio tão grande, que nem toda a água do mar a conseguiria encher.

            Interrompeste o meu silêncio para perguntar: “Tens fome? Queres parar e comer alguma coisa?” Apenas respondi um “Não” com a cabeça. Não me queria perder com palavras. Queria apenas que ouvisses o meu silêncio.

Estás a ouvir, Vasco? Tenho pressa de morrer! Tenho a certeza de que, a seguir à morte, vou ter uma vida novinha em folha para começar. Sabes como adoro acabar, só para ter o prazer de começar. Quantas vezes dás comigo a pôr o creme de noite duas vezes, porque já tenho outro novinho para começar.

Tive a certeza de que agora ouviste este meu silêncio, porque desviaste os olhos da estrada e sorriste para mim, como se me estivesses a dizer: “E quando começas a ler as revistas pelo fim?” Como é que eu poderia querer outro homem, se só tu me conheces tão bem?!

Não, Vasco. Apenas tenho pressa de morrer. Como será? Será que dói? É claro que, se for uma doença grave, dói. Mas só dói, enquanto se está vivo. O que eu gostava de saber é se dói a passagem deste estado para o outro. Ou morrer é apenas começar de novo? Consegues ouvir o meu silêncio, Vasco? Ou o barulho do meu silêncio incomoda-te?

Mais uma interrupção no nosso diálogo silencioso. O telemóvel tocou. Eu não me mexi. Não podia, nem queria. Tu atendeste. Era o nosso filho mais velho. Queria falar comigo. Despertei então do meu precioso silêncio.

- Diz, filho.

- Nada de especial, mãe. Estava a sonhar consigo, agora, antes de acordar. No meu sonho, parecia que queria falar comigo. A mãe estava calada, à minha frente, mas eu estava a ouvi-la dizer que tinha pressa. Só não percebi do que é que tinha pressa! Está tudo bem, mãe? Precisa de alguma coisa?

- Está tudo bem, filho. Volta a dormir, que eu estava aqui a ter uma conversa interessantíssima com o teu pai. Dizia-lhe precisamente que estava com pressa de chegar a casa, para te ver. Até já, querido.

Desligaste a telefonia, o telemóvel e continuámos a nossa viagem em silêncio.



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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