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Domingo, 4 de Fevereiro de 2018
TEMAS DE SAÚDE:Dia Mundial do Doente

ANTONIETA

Por: Antonieta Dias (*)

 

Dia Mundial do Doente

 

O dia 11 de fevereiro é o dia mundial do doente, um dia marcado pela esperança, pela fé e pela confiança da obtenção da cura.

É um dever inquestionável cuidar bem os doentes agudos para ficarem curados e os doentes crónicos ou gravemente incapacitados devem ser tratados com ternura em centros de excelência para minimizar o seu sofrimento.

Todos os profissionais da saúde, familiares e sociedade civil em geral devem empenhar-se e dedicar-se a esta missão tão nobre que envolve a criação de metas para conseguir prestar os cuidados de saúde que os doentes merecem.

É do conhecimento comum que o direito à saúde e à vida são princípios implícitos à dignidade Humana.

O direito à vida deve ser entendido como um direito humano que merece respeito, que deve ser preservado e sobretudo alicerçado em valores que permitam usufruí-lo com liberdade, igualdade e justiça em todas as fases da vida e em todos os estados vivenciados pela pessoa, independentemente de ser doente ou não e do grau de dependência ou limitação funcional temporária ou definitiva que padeça.

Ter direito à vida não é só ter direito de viver é exigível criar e manter as condições para a sustentabilidade de uma vivência digna, sem descriminações, minimizando o sofrimento decorrente das experiencias resultantes do aparecimento de uma doença, devendo por si só a obrigatoriedade de tratar os doentes usando todos os meios humanos, técnicos e científicos disponíveis para o cuidar com qualidade.

Cuidar um doente significa prestar assistência a uma pessoa fragilizada, abalada, insegura, em que a responsabilidade de quem cuida implica observar, pensar, raciocinar, refletir, zelar, medicar de acordo com a individualidade de cada um.

O dever dos profissionais da saúde e de manter a vida e de evitar ou se não for possível minimizar as sequelas resultantes das doenças.

Mas nem sempre é essa a opção do paciente levando-o nalguns casos a desejar por termo à vida.

Mas será esse o desejo final? Ou haverá outras questões que obrigam a uma decisão para a qual na minha opinião não temos esse poder.

Mas nem todos pensam da mesma forma e as decisões vivenciadas podem ser diferentes. Cito por exemplo a Suíça e transcrevo na íntegra o que li: “ Suíça mais de 1.200 pessoas optaram pelo suicídio assistido em 2017, um terço mais do que no ano anterior.

Poder-se-á admitir que esta é a forma moderna de por fim à vida. Porém muitos familiares sofrem de traumas depois de acompanharem um suicídio assistido é o que revela um estudo realizado na Suíça em 2012, sendo que a morte “natural” de familiar causa uma crise inicial, mas que depois é superada. (fonte SWI swissiinf.ch, 08.julho de 2016).”

Sono induzido” Um estudo da Universidade de Zurique mostrou que cada vez mais soníferos são aplicados nos últimos estágios da vida em hospitais suíços. Isso ocorre quando um paciente tem uma doença terminal, sofre de dores insuportáveis (fonte jornal NZZ am Sonnatag). Em 2001, 4.7 % dos falecimentos ocorreram durante o sono induzido. Em 2013 já eram 17.5 por cento”.

Tendo em conta os pensamentos, as doutrinas e as leis existentes, não seria expectável que a defesa da vida fosse colocada em causa, todavia a nível mundial vamos assistindo a várias mudanças comportamentais que são deveras constrangedoras.

Citando Alexandre Morais (2007, p 46-47) ”a dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida (…) ”.

Segundo Immanuel Kant (2000) “Só o homem não existe em função de outro e por isso pode levantar a pretensão de ser respeitado como algo que tem sentido em si mesmo”.

Sarlet (2001, p.26), nas suas conclusões refere que a dignidade “é inerente aos homens, inata a sua natureza de ser humano, é direito constitucional, sua aplicação e eficácia são imediatas, não pode ser alienada, não sofre prescrição (…) ”.

Em suma, a nossa missão será sempre defender o paciente, evitar a morte e dar qualidade à Vida, mantendo e tratando o doente com dignidade, humanidade e ciência médica.

(*) Prof. Doutoura na Faculdade de Medicina do Porto



publicado por Noticias do Ribatejo às 11:30
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O beijo

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

O beijo

 

            Que mal há num beijo? E se for um beijo que esperou vinte e cinco anos para ser dado? Que mal há num beijo? Nenhum!

            Não se viam há mais de vinte e cinco anos. Foram o primeiro amor um do outro. Foi um amor verdadeiro, forte. Foi o primeiro.

            Encontraram-se por acaso, numa festa de casamento de amigos. A noiva era amiga dela e o noivo, amigo dele. O marido dela não tinha ido, porque estava no estrangeiro. A mulher dele não tinha ido, porque não gostava do noivo.

Cruzaram-se, primeiro sem se reconhecerem, ou com medo de que isso acontecesse. Mas, ao almoço, ficaram um em frente ao outro. Sentaram-se, cumprimentaram-se. Ele disse-lhe que ela estava na mesma. Ela agradeceu o elogio e retribuiu.

Alguma coisa se acendeu, nesse momento. Quem os visse, um frente ao outro, iria jurar que nunca se tinham separado e que o amor era tão forte como no dia em que ele lhe perguntara: - Queres ter namoro comigo? - Quero - dissera ela, apenas. E tinham-se dado as mãos.

Depois, lembraram os velhos tempos. As festas, os amigos, agora com barriga e carecas, na sua maioria. E o primeiro beijo!... Aqui ela corou e ele, sem querer, tocou-lhe na mão. Seria que o coração lhe queria sair pela boca, só porque ele lhe tinha tocado na mão? E ele, por que razão baixou os olhos e, depois, a olhou a medo?

Mais tarde, falaram dos filhos, dos empregos e dos sonhos por realizar. Ele sonhava percorrer a Europa a pé, como tinha feito aos vinte anos. Ela sonhava escrever um livro.

Depois do almoço, veio o tão desejado café e o cigarro. Mais tarde, o DJ com músicas dos anos 70.

Era ou não era o destino a empurrá-los um para o outro? Era ou não era Deus a testá-los? E aquela luz cada vez mais forte que parecia envolvê-los? Seria que só eles é que a viam, ou os noivos tinham realmente passado para segundo plano, naquela festa em que eles se tinham tornado os protagonistas?

- Lembras-te desta música? - perguntou ele.

- O “Without you”? Impossível esquecer... Lembro-me muito bem.

Uma vez, numa festa, à luz de vela, ele tinha-lhe traduzido toda a letra ao ouvido.

- Vamos dançar - disse ele, agarrando-lhe a mão com força.

- Vamos - respondeu ela, perguntando a Deus onde ia arranjar forças para superar tal prova.

Caminharam por entre os pares, sem verem ninguém. Dançaram juntos, mas discretamente. Que força era aquela que queria juntar os seus corpos? Era como se a mão de Deus, ou talvez do diabo, os quisesse juntar!

- És feliz? - ele perguntou.

- Sou. E tu?

- Também. Ou por outra, pensava que era... E tu, és mais feliz agora ou esta manhã, quando saiste de casa?

- Agora - confessou ela, olhando-o nos olhos, de fugida.

Era um jogo perigoso, o deles! Era preciso parar.

- É tarde, tenho de ir. Ainda ficas? - perguntou ela.

- Não, vou também. Levo-te até ao carro.

- Não, fica. Eu vou sozinha.

Era preciso recuperar as forças antes de pegar no volante, pensou ela. Mas ele acabou por sair com ela. Por sorte ou azar, os carros dos dois estavam lado a lado. Seria o destino? O acaso? Coincidência? Se a Margarida Rebelo Pinto ali estivesse, diria que não há coincidências.

- Gostei tanto de te ver! - disse ele, olhando-a fixamente, com aqueles olhos que continuavam lindos de morrer. -  Queres dar-me o teu número de telemóvel?

- Quero, mas não posso.

- Compreendo - respondeu ele. - E um beijo?

- Um beijo não se nega a ninguém - disse ela, tentando recordar como tinha sido o primeiro beijo que tinham trocado.

Então, um beijo leve, macio e último foi trocado por eles. Demorou um segundo. Mas ela sabia que  aquele sabor lhe ia ficar nos lábios pelo menos por mais vinte e cinco anos.

Cada um entrou no seu carro. Olharam-se, mais uma vez, através dos vidros. Foram embora, com a certeza de que eram agora mais felizes do que no momento em que tinham saído de casa, de manhã. E, tudo isto, por causa de um beijo macio.

Afinal, que mal tem um beijo?



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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