NOTICIAS DO RIBATEJO EM SUMARIO E ACTUALIZADAS PERIODICAMENTE - "A Imparcialidade Na Noticia" - UMA REFERÊNCIA NA INFORMAÇÃO REGIONAL -
Domingo, 8 de Julho de 2018
Coruche e Amadora - 5 detidos por de tráfico de droga

36823200_1258326934302917_900472316314517504_n

 

O Comando Territorial de Santarém, através do Destacamento Territorial de Coruche, ontem, dia 06 de julho, deteve três mulheres e dois homens, com idades compreendidas entre os 21 e os 47 anos, por tráfico de estupefacientes, na Amadora e Coruche.

Nesta operação, que teve origem numa investigação que decorria há vários meses por tráfico de estupefacientes, culminou ontem com a detenção em flagrante delito de dois suspeitos, na Amadora, quando estes estariam a transacionar produto estupefaciente e, em simultâneo, na realização de cinco buscas domiciliárias, em Coruche, onde foram detidos os restantes três suspeitos.

No decurso das diligências foram apreendidas:

· 308 doses de heroína;

· 200 doses de cocaína;

· Duas armas de fogo;

· Quatro viaturas;

· Diversos telemóveis.

Esta operação do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial de Coruche, foi reforçada por militares dos Comandos Territoriais de Santarém e de Leiria, da Unidade de Intervenção, num total de 77 militares empenhados.

Presentes a 1.º Interrogatório Judicial no Tribunal Judicial do Cartaxo, três dos detidos ficaram em prisão preventiva, sendo aos outros dois aplicadas apresentações.

 


publicado por Noticias do Ribatejo às 12:43
link do post | comentar | favorito

PISCINAS MUNICIPAIS DESCOBERTAS: ENCERRAMENTO NO DIA 8 DE JULHO

 

A Câmara Municipal vem informar que no dia 8 de julho, domingo, vão estar encerradas as Piscinas Municipais Descobertas.

 

O encerramento deve-se à impossibilidade de, neste dia, garantir a presença do número suficiente de nadadores-salvadores no cumprimento do exigido legalmente – Lei n.º 68/2014 de 29 de agosto, regime jurídico aplicável ao nadador-salvador em todo o território nacional e a Portaria n.º 311/2015, de 28 de setembro, que estabelece os critérios e as condições para a prestação da atividade de assistência aos banhistas.

 

Os serviços municipais lamentam o incómodo que este encerramento possa causar e agradecem a compreensão dos(as) utilizadores(as) deste espaço público.



publicado por Noticias do Ribatejo às 11:49
link do post | comentar | favorito

Verão quente

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

Verão quente

 

 

O Verão, naquele ano, ia realmente quente e por mais que a nossa ventoinha azul espalhasse vento pela sala, não havia jeito de nos refrescarmos ou de sentirmos algum alívio.

A minha avó, que vestia de preto dos pés à cabeça pela morte do meu avô, que nos tinha deixado há pouco mais de um ano, dizia-nos para não ligarmos e para não maldizermos o calor, pois era tempo dele e que rapidamente estaríamos a amaldiçoar o Inverno que era sempre tão rigoroso.

- Mas a avó não tem calor? – Perguntava eu em frente à ventoinha, acompanhado o seu movimento num vai e vem cansativo, mas que me divertia.

Já o meu irmão parecia indiferente aquele dia infernal e fazia birra porque queria ir para a rua brincar com os amigos, enquanto a minha mãe lhe mostrava, mais uma vez, o chinelo, o tal que tinha o poder milagroso de nos sossegar, pelo menos a mim.

- É claro que tenho calor, Teresinha, mas quando penso no frio que faz no Inverno e me lembro que vejo passar meninos para a escola de pés descalços, dói-me o coração. Ao menos no Verão podem correr de pés descalços pelo chão sem que eles lhes congelem.

As coisas que a minha avó sabia! As coisas em que ela reparava e eu não. Realmente, ela tinha toda a razão, na minha escola havia pelo menos duas meninas que eu já tinha visto descalças e outra que ia de sandálias no rigor do Inverno.

No dia em que vi aquelas meninas na escola sem sapatos, cheguei a casa e contei à minha mãe. Contei-lhe também que a professora Joaquina as tinha chamado para perto do seu pequeno aquecedor e as tinha deixado aquecer os pés.

- Mãe, mas como é possível não terem sapatos? Por que é que os pais não lhos compram? Que maldade!

- Não é por maldade, Teresinha, os pais é que não têm dinheiro para lhos comprarem, às vezes mal têm para comer…

- Mas não está certo, mãe! Por que é que o Salazar, que é quem manda em Portugal, como diz o pai, não lhes dá sapatos e comida? Vou dizer ao pai para lhe escrever uma carta.

O meu irmão, que nós até pensávamos que não estava a ouvir nada e que ainda se encontrava sob a ameaça do chinelo da mãe, levantou a cabeça e, olhando-me com desprezo, rematou:

- És mesmo burra! Então tu não sabes que o Salazar não gosta de pobres e só é amigo dos ricos?

A minha mãe olhou para ele de olhos muito abertos e a minha avó levantou os olhos do naperon branco que estava a bordar, ambas incrédulas com aquela conversa.

- Ó Pedro, mas quem é que te disse uma coisa dessas? Tu és parvo!

- Quem me disse foi o senhor Antunes da mercearia. Ele não me disse, eu é que o ouvi dizer ao Tónho Manco da taverna, quando fui comprar colorau à avó, que o Salazar era um malandro e um assassino e que tratava mal os pobres. O que é um assassino, mãe?

Na altura, não entendi o motivo da aflição que se instalou na sala e a gaguez que apanhou a fala da minha mãe e, então, foi a minha avó, sábia, muito sábia, que nos disse com uma voz trémula mas poderosa:

- Ouve bem, Pedro, estás proibido, proibido, repetiu, de voltares a falar do Salazar, e olha que eu não estou a brincar. E tu também, Teresinha, ai de vocês que repitam o que quer que oiçam dizer do Senhor Dr. Oliveira Salazar. E olhem que eu não brinco em serviço. Se esta conversa se repetir cá em casa, ou onde quer que seja, vocês vão ver o meu chinelo a trabalhar no vosso rabo.

Nem eu nem o meu irmão dissemos nada. É que nunca tínhamos visto a nossa avó virada do avesso e nem sabíamos que ela também sabia dar uso ao chinelo, mas pareceu-nos tão convicta, que achámos melhor não a provocar, e o assunto, Salazar, passou a ser tabu lá em casa e até fora dela.

Minto, eu e o meu irmão, nessa noite, quando estávamos a apanhar a fresca no jardim, eu a beber uma laranjada e o meu irmão uma gasosa, muito baixinho, não fosse a nossa avó ouvir e pôr o chinelo dela a trabalhar, ainda falámos do assunto, Salazar.

- Bolas, a avó deve ser mesmo amiga do Salazar, disse o meu irmão coçando o nariz por causa do gás da gasosa, viste como ela não nos deixa falar mal dele?

- Pois, se calhar tens razão. Ela está sempre a dizer que não podemos dizer mal dos nossos amigos, por isso, aquilo deve ser uma amizade antiga. Ele já é velho como a avó. Se calhar, até estiveram para casar, pus logo eu a minha tão fértil imaginação a trabalhar…

- Eu cá nunca mais falo do homem, rematou o meu irmão soltando um arroto que nos fez rir desalmadamente.

- Nem eu, bolas!

- A tua gasosa está boa?

- Está, mas está morna. Parece o chá da avó, mas com bolinhas.

Mais gargalhadas rebentaram no ar naquela noite de Verão.

À soleira da porta, também a apanhar o ventinho que finalmente se levantava, depois de mais um dia abrasador, ouvi o meu pai dizer para a minha mãe:

- Estes nossos filhos são realmente a nossa maior riqueza e não há Salazar, por mais malvado que seja que acabe com a nossa família. Somos uns privilegiados em nos termos uns aos outros.

O meu irmão não percebeu nada da conversa, mas eu, que já era uma mulherzinha de doze anos, percebi, por A mais B, que se o Salazar era malvado, conforme o mau pai dizia, não podia ser amigo da minha avó que era uma mulher boa e carinhosa, com um colo delicioso, onde eu ainda gostava de aportar quando o sono chamava por mim.

E pronto, Salazar foi palavra que nem eu nem o meu irmão voltámos a pronunciar naquela casa, a não ser uns anos mais tarde, quando ele morreu, e ficámos três dias sem televisão.

Raios partissem o Salazar que até depois de morto nos dava cabo da vida.

 

«In “Gente feliz com estórias felizes”»

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
link do post | comentar | favorito

pesquisar
 
Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Invista no seu desenvolvi...

MOMENTOS NO LARGO DIA 21 ...

Município aprovou atribui...

AR E CÂMARA DE BENAVENTE ...

Aprovada a adjudicação do...

Manhãs Botânicas no Jardi...

Street Food In.Str Magica...

CARTAXO PROMOVE TROCA DE ...

FESTAS DO PORTO ALTO ESPE...

RUAS ENFEITADAS DO PEREIR...

arquivos

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

tags

todas as tags

subscrever feeds