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Domingo, 16 de Setembro de 2018
A Alice dos Bordados

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

RETRATOS

 

A Alice dos Bordados 

 

Alice Alzira Alves Antunes, a cachopa dos quatro “AS” como lhe chamavam na escola primária e mais tarde da Telescola, tinha traços finos e delicados, apesar das suas raízes serem bem modestas. 

A mãe criou-a com todo o desvelo e o pai com frieza, porque só tinha casado com a mãe, por esta ter emprenhado antes do tempo, tendo-o, assim,  arrancado à boa vida a que estava habituado. 

Não havendo dinheiro em casa para pôr a Alice Alzira nos estudos, apesar da rapariga ser esperta, a mãe pô-la nos bordados em casa da menina Elvirinha, solteirona empedernida e beata convicta, para que ela não fosse obrigada a ir trabalhar para o campo, ou para as limpezas e para que se tornasse uma bordadeira de mão cheia, o que veio a acontecer para alegria da mãe e indiferença do pai. 

Na roda dos bordados, com a menina Elvirinha ao meio, sempre de terço na mão, ora orando ora ensinando-as a fazer ponto pé de flor e ponto cruz, Alice distinguia-se das outras a olhos vistos, e cedo começou a bordar para fora lindos enxovais para noivas e belas toalhas coloridas para as senhoras ricas lá da vila. 

A verdade é que a rapariga não tinha mãos a medir e até o pai, até aí completamente desinteressado pelo futuro da filha, quando viu o dinheiro a entrar e a cachopa a fazer mealheiro, lhe começou a dar algum valor, presenteando-a de quando em vez com linhas matizadas de todas as cores e bastidores de vários tamanhos, que trazia quando ia à cidade. 

A Alice Alzira cresceu graciosa, bela e um bocadinho estouvada, porque não havia rapaz que não a quisesse namorar. 

Quantos namoriscou, não se sabe ao certo, mas que a cachopa era muito dada, não havia dúvidas. 

Mas a Alice dos Bordados, assim passou a ser conhecida, era namoradeira, era sim senhora, mas entregar a sua virgindade a qualquer pelintra, isso é que nunca, que ela de parva não tinha nada. 

A sua “flor” conforme ela chamava à sua pureza, só seria entregue a quem quisesse casar com ela. Quanto a beijos de língua, apalpões e chupões no pescoço a Alzira era mestra. 

Até que um dia, conheceu o Xico da Mercaria Fina num curso que fez na cidade para aprender a bordar à máquina e onde ele fazia um curso de corte e costura, sonho que há muito acalentava. 

Primeiro achou-o pouco macho para o seu gosto, achou sim senhora, mas o Xico era tão delicado e tão bem educado, que jurou a pés juntos que havia de casar com ele, andasse por onde andasse. 

E lá começaram a namoriscar, o Xico sem jeito nenhum para a coisa e ela com a escola toda e com o corpo a pegar fogo, fogo que ele nunca mais lhe apagava, por mais que ela lhe abrisse o caminho para que ele colhesse a sua preciosa “flor. 

Até que numa noite, vendo que o Xico nunca mais dava andamento ao assunto, apareceu na loja dizendo que o ia ajudar no fecho das contas e lhe ensinou tudo o que sabia, sem esquecer nenhum pormenor. 

O Xico ia desfalecendo nos braços dela, que ela bem percebeu, mas tendo medo de o assustar, deixou para a primeira lição, os beijos e o toca aqui, toca acolá, e só mais tarde, quando já estava a ficar farta daquele chove não molha, e apanhando-o à traição, lhe ofereceu a sua “flor” e lhe roubou, o ar, a força nas pernas e outras coisas que aqui não escrevo. 

Muito namoraram aqueles dois durante anos a fio, até que um dia, já fartos de namorar e fartinhos de se enrolarem no chão frio da Mercearia Fina, resolveram dar o nó e serem felizes para sempre. 

Depois de casados, era vê-los de braço dado, aos beijos, após mais um dia de trabalho, ele na Mercearia Fina e ela na arte dos bordados, felizes como só eles sabiam ser, para inveja da vizinhança ali do bairro, porque quando eles passavam agarradinhos em direcção ao ninho, até parecia que a rua se enchia de luz. 

Ele só tinha olhos para ela e ela, a Alice dos Bordados, era a cachopa mais feliz ali das redondezas. 

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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Despedida

CATARINABETES

Por: Catarina Betes

 

Despedida

 

Manuel,

 

Sei que, antes de abrires esta carta, vais recordar o que me levou a escrevê-la e sorrirás.

Anos passaram, desde que deixaste aquele envelope sem remetente debaixo da porta do meu quarto de estudante. Contudo, revivo a emoção do momento em que o abri, como se tivesse acontecido ontem e não num tempo tão distante. A carta que me fez nascer para ti.

Ah, como o tempo passa! A vida é mesmo um piscar de olhos.

Tivemos o melhor do mundo na mão, meu querido!

És um homem bom e não te deves envergonhar de chorar. Mas não deixes a revolta tomar conta de ti.

Tens o poder de a transformar em algo maior.

Somos responsáveis pelo nosso caminho e um caminho vazio, equivale a estar parado.

Existem mais coisas no Universo, que aquelas que os nossos olhos conseguem ver e explicar, portanto, sei que isto não é uma despedida.

Sem Título

Não permitas que o medo te iniba de viver.

À pergunta que não me conseguiste fazer, deixo-te a resposta:

Não senti, em qualquer momento, medo da morte. Senti apenas tristeza por me apartar de ti, mas pouco a pouco, foi suplantada por um imenso sentimento de gratidão por tudo o que vivi.

Iniciarás uma nova história, desta vez sem mim, mas não deves esquecer, que todas as histórias contadas falam de amor.

Todas carregam em si a possibilidade de um final feliz, desde que sejamos corajosos, porque o nosso propósito neste mundo, é amar.

Desejo que vivas, que não morras comigo, porque viver é muito mais que estar vivo, é ver e apreciar as pequenas coisas do mundo, sentir que somos parte deste admirável Todo e que ninguém é feliz sozinho.

Afinal, não existe um caminho certo para a vida, a vida é o próprio caminho.

 Adeus meu amor.



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:55
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