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Domingo, 18 de Novembro de 2018
TEMAS DE SAÚDE: Virtude

ANTONIETA

Por: Antonieta Dias (*)

Virtude

O Homem permanece em silêncio, observa, descobre, reflete, vive, aprende, traça o seu caminho, abandona os vícios do mundo,  fortalece, seleciona a virtude e a justiça numa união que determinará o percurso obrigatório para a obtenção da perfeição.

“ Virtude do latim: virtus é uma qualidade moral destinada à prática do bem e que traduz mais do que uma caraterística ou uma aptidão, cuja chama simboliza a alma, ilumina a vida, enriquece o amor espiritual que conduz à purificação, determina a evolução, frutifica e enriquece o saber.

Segundo Aristóteles a “virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem e se aperfeiçoa com o hábito.”

É um atributo que funciona em conformidade com aquilo que se considera correto ou esperado, o que está de acordo com a moral, a religião e a ética.

A virtude orienta a conduta, define a dignidade, estabelece um modo de vida regrado e austero, elimina o orgulho, desperta a ignorância do homem conduzindo-o ao universo da meditação.

A Virtude simboliza o conhecimento, representa Sabedoria.

É também o condão, faculdade e o dom que reflete a luz do Sol e a Agua símbolo da vida da alma e da pureza, que apaga o que é material e alimenta o espiritual.

A virtude é uma aptidão para conseguir realizar os objetivos de forma eficaz, com mérito, sem esquecer o carater efémero da vida, cuja missão regula a morte do passado e conduz a meditação e alimenta a chama do amor espiritual e da purificação.

William Shakespeare: “alguns elevam-se pelo pecado, outros caem pela virtude.”

Com base na doutrina da Igreja Católica, e segundo Gregório de Nissa, a virtude é “uma disposição habitual e firme para fazer o bem”, sendo o fim de uma vida virtuosa tornar-se semelhante a Deus.

A Fé, a Esperança e a Verdade são virtudes que conduzem à felicidade porque nos aproximam da vida eterna, “vínculo da perfeição” simbolizam a dependência da consciência interior, a beleza espiritual e moral cujo pilar exprime o eixo do mundo, nos vários níveis do Universo e do Ser.

Mas a maior virtude é o amor “dádiva de si mesmo” é o “oposto do usar“ onde o verdadeiro Homem reúne Saber, Força e Beleza.

Estes três pilares têm uma “estrela” perfazem no total três que vão ligar-se ao eixo do mundo que será perpétuo.

A sua disposição é representada por um triângulo equilátero, onde o Sol será a Luz do espirito que iluminará o Homem, símbolo da estabilidade absoluta, fator unificador representante da homogeneidade e da unidade que determinará o percurso até chegar  perfeição, que liberta o Homem dos preconceitos, o ensina a dominar as suas paixões e polir a personalidade.

São as virtudes que regulam os atos, que ordenam as emoções, que iluminam a conduta humana de acordo com a fé, a razão e a espiritualidade purificadas pela Graça Divina.

Para obter a perfeição é necessário inteligência e vontade para ordenar a conduta, a Sabedoria do domínio da paixão e da razão, para alicerçar a fé e prudência que solidificarão a pirâmide da justiça e da fortaleza humana.

São os atos moralmente bons que nos ajudam a agir com cautela usando a razão para nos fazer discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro valor da justiça, criando as regras do saber.

Ser justo é atribuir aos outros o que lhe pertence é fortalecer a força do árduo caminho do de quem quer aprender é proporcionar o equilíbrio espiritual, afastar os prazeres do mundo e dominar os instintos, assegurar a firmeza, ultrapassar as dificuldades, afastar os pecados capitais e organizar as sete virtudes: castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade e humildade.

A palavra Moral deriva do latim mores “relativa aos costumes”, não deve ser confundida com a Ética, porém não existe moral sem Ética, nem Ética sem Moral, todavia o termo Moral tem um significado mais amplo que a Ética. A Ética e a Moral são indissociáveis.

 Hegel distingue a moral subjetiva (cumprimento do dever, pelo ato de vontade) da moral objetiva (obediência à lei moral enquanto fixada pelas normas, leis e costumes da sociedade.

A Moral é uma regra de conduta, que sustenta sempre o pilar da perfeição do Homem.

A Moral e o Direito unem-se, são inseparáveis, pois não existe norma nenhuma jurídica sem Moral, contudo a Moral tem um campo mais alargado que o Direito, podendo haver Moral sem necessidade de Direito, pois nem tudo o que é lícito é honesto, nem tudo o que é legal é Moral.

Certos povos “egípcios, chineses, babilônicos e os próprios gregos, não distinguem o Direito da Moral e da Religião, para eles o Direito, Religião e Moral confunde-se com os costumes sociais.

 A Moral determina o comportamento humano, define as regras e valores que se gravam na consciência, orientam o código de decisão, da vontade e da responsabilidade.

A Moral é autónoma é imposta pelo homem, unilateral por dizer respeito apenas ao individuo, incoercível.

O dever Moral não é exigível por ninguém reduzindo-se a dever de consciência.

A Moral Humana sempre foi alvo de curiosidade e investigação

A Moral está intimamente ligada à paixão, à razão, à comunicação sendo motora de planos ideológicos, económicos, políticos, religiosos, e espirituais.

A experiencia empírica promove o entendimento humano. O desejo sugere impressão, ideias, portanto é originado pela necessidade de induzir a liberdade, os comportamentos, as convenções socias, a conduta social, a igualdade e a fraternidade.

(*) Médica



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:01
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D. Edmundo 

ANAFONSECA

Por: Ana Fonseca da Luz

 

Retratos
 

D. Edmundo 

 

Edmundo Carlos de Almeida Barbosa e Telles, Teles com dois eles, claro, natural de uma pequena aldeia a norte de Portugal, onde tinha o seu palacete, do qual se orgulhava de sobremaneira, casou cedo com uma rapariga sem dote ou nome pomposo, por quem se apaixonou cegamente e que, esperta, só se lhe entregou depois de se ver de aliança no dedo. 

D. Edmundo não via outro sol nem outra lua, a não ser a sua amada Leonor Peixoto que, após o casamento, passou a assinar Leonor Barbosa e Telles, tendo apagado para sempre o nome Peixoto, nome que ambos consideravam demasiado pelintra, para quem tinha sangue azul e vivia num palacete. 

D. Edmundo, apesar de ter sido educado debaixo de muitas regras, protocolos e normas tão rijas que não lembravam ao diabo, tudo esqueceu enquanto andou apaixonado. 

E ela, a Leonor Barbosa e Telles, fina que nem um coral, depressa aprendeu tudo o que tinha a aprender, para não envergonhar o marido e para poder entrar com segurança e graça em casa de toda aquela gente fina com quem o marido privava. 

Quando a mulher ficou de esperanças, D. Edmundo quase morreu de alegria. 

O 25 de Abril tinha acabado de acontecer e por pouco Edmundo não tinha ficado sem o palacete e sem as terras, por causa dos comunistas e da treta da Reforma Agrária. 

O homem andava com os nervos à flor da pele, por isso, a chegada de uma criança, que ele esperava que fosse rapaz, encheu-o de felicidade e de esperança. 

No primeiro dia de Maio de 1975, Leonor deu à luz um belíssimo rapaz, loiro e de olhos verdes, como mandava o figurino dos ricos e afortunados. 

Carlos António de Peixoto Almeida Barbosa e Telles, Carlos António para o pai, Cató para a mãe, cresceu sem dificuldades ou problemas, também ele educado cheio de regras e protocolos aos quais nunca ligou, achando tudo uma chatice e uma perda de tempo. 

D. Edmundo bem o repreendia para que não brincasse com os filhos dos caseiros e para que andasse sempre aprumado e limpo, mas o rapaz tinha herdado o sangue da mãe, que de azul nada tinha, e do que gostava era de correr lá pela quinta com os cachopos e com os cães, em vez de brincar com os filhos do senhor Doutor ou com os do senhor Engenheiro. 

Cresceu, fez a escola primária ali mesmo e depois rumou para um colégio interno para que lhe pusessem freio e arreios e o domesticassem, conforme dizia o pai. 

Foi aí que o Carlos António se começou a perder. Primeiro vieram os cigarros, depois os charros e mais tarde, quando entrou para a faculdade de medicina, porque o rapaz era inteligente, vieram as drogas mais duras e mais perigosas. 

D. Edmundo, que de burro não tinha nada, bem percebia o caminho que o filho tinha escolhido e culpava a mulher por sempre o ter mimado demais, enquanto Leonor culpava o marido de ter dado dinheiro a mais ao filho, sem que o rapaz sapercebesse quanto custava a vida. 

Uma noite, o Cató entrou em casa num estado deplorável, depois de vir de uma farra com os amigos. Trazia os olhos vazios e raiados de sangue, os lábios gretados como se estivesse desidratado e insultou os pais por estes não lhe darem o dinheiro que dizia precisar e que eram uns bons contos de reis. 

-O menino está parvo, Carlos António? Pensa que o dinheiro cai das árvores? 

-Deve cair, porque nunca vi o pai trabalhar e dinheiro foi coisa que nunca faltou cá em casa... 

-Cale-se, Cató! Não fale assim com o seu pai! 

-Cale-se a mãe, que é uma parasita e uma interesseira. A mãe só está com o pai, porque gosta desta vida de riquinha. Pensa que não ouvi a mãe dizer à tia  que não pode ver o pai nem pintado e que só não o deixava e ia morar com o Alberto Sousa, porque ele não tinha onde cair morto 

-Farsantes, é o que vocês são os dois! Hipócritas! 

Nesse momento D. Edmundo sentiu uma dor forte no peito, tão forte que caiu no chão.  Veio o INEM.  Ataque cardíaco. 

Não morreu, porque D. Edmundo era dos que achavam que as árvores deviam morrer de pé, mas depois daquela noite nunca mais deixou o filho pôr os pés no palacete.  

A partir desse dia, anunciou aos criados e aos familiares mais próximos, que o Carlos António tinha morrido e abriu a porta à mulher para que ela saísse, mas Leonor, que continuava fina como a seda, chorou, implorou acusou o filho de mentiroso.  

D. Edmundo fingiu acreditar e deixo-a ficar, porque não conseguia imaginar a sua vida sem ela. 

Anos depois, soube por um conhecido, que o filho tinha rumado até ao Ribatejo e que aí tinha tido uma vida de droga e de pobreza, até que uma senhora que era dona de um café, Emília de seu nome, o tinha ajudado a reerguer-se, tendo o filho voltado aos estudos e terminado o curso de medicina. 

Dessa vez, o coração não lhe perdoou, e quando soube que o filho tinha conseguido reerguer-se com a ajuda de uma estranha, apagou-se logo ali, perante o olhar da sua Leonor que chorou que nem uma perdida, sem saber se chorava de tristeza, se de alívio, por se ter visto livre do marido, Edmundo Carlos de Almeida Barbosa e Telles, Telles com dois Eles, claro... 



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:55
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