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Domingo, 24 de Março de 2019
A propósito da felicidade 

CATARINA BETES.png

Por: Catarina Betes

 
 
A propósito da felicidade 
 
 
 
Todos queremos ser felizes.
E acordamos todos os dias com a esperança que o milagre se dê. 
Porque somos imperfeitos, procuramos nos outros sinais de que o mesmo aconteça e esquecemo-nos que o milagre somos nós.
Achamos que temos tempo e que as nossas dúvidas se dissiparão, tal como o milagre do sol, depois da chuva. 
Mas então o tempo passa e continuamos a esperar que esse alguém nos acorde, porque não temos coragem de o fazer sozinhos. Percebemos o peso do mundo nas mãos e sentimo-nos impotentes perante a nossa inércia, certos de que o nosso tempo se esgotou no caminho longo da espera.
E o vazio acontece. O vazio de nos sentirmos e percebermos sós, porque cremos que sozinhos, não somos capazes. 
Porque carregamos fardos que não são nossos, mas da vida que habitamos e das escolhas que não fazemos. Ninguém será capaz de nos fazer despertar além de nós mesmos. 
Há tanto neste mundo que nos faz acreditar, mas insistimos no medo, no propósito inútil, de duvidar.
Queremos ser a escolha e perdemos a ousadia de eleger o que verdadeiramente queremos viver.
Não adianta fugir. 
Escondermo-nos atrás da cortina do tempo ou das sombras dos afetos que insistem em nos prender. 
Ou andamos ou ficamos parados.
E vamos ficando. Até não restar mais do que a memória de quem realmente queríamos ser.
A felicidade é uma escolha. Entender que a vida é como o atravessar de uma ponte, que aqueles que começam a travessia ao nosso lado, nem sempre são os que connosco terminam o caminho. Mas verdade seja dita, em nenhuma parte do percurso, estamos realmente sozinhos.
Há sempre quem caminhe connosco, num momento, curva ou cruzamento qualquer. E isso não acontece por acaso.
Podemos até não o ver, nem perceber o motivo da sua presença,…
Mas a verdade é que, mesmo sendo passageira, faz toda a diferença.


publicado por Noticias do Ribatejo às 08:06
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TEMAS DE SAÚDE: O sigilo médico

ANTONIETA DIAS.jpeg

Por: Antonieta Dias (*)



A questão da informatização /informação dos registos clínicos, tornou-se uma exigência do século XXI, sendo só por si uma iniciativa, louvável e absolutamente indispensável no estado actual, tendo em conta a sua relevância e a sua inquestionável importância.

Apesar de se revestir de uma enorme utilidade prática pela rapidez com que se acede a todos os registos permitindo uma circulação rápida de toda a documentação clinica, não deixa porém de ser também uma enorme preocupação para doentes, tendo em conta a quantidade de informação sigilosa a que os profissionais têm acesso.

Esta necessidade vital de fazer circular a informação de forma célere, carece de alguns cuidados no registo e na codificação dos dados pessoais.

O fato de facilitar ao utilizador uma excelente possibilidade de armazenamento de informações pessoais dos pacientes, cujo registo é feito de forma explicita, permite uma rápida disponibilização da matéria prima privilegiada e recolhida da essência do ser humano que procura os serviços de saúde.

Apesar de haver a obrigatoriedade da protecção da informação fornecida, não existe a garantia de que outras pessoas cujo acesso lhes é permitido venham a respeitar este mesmo princípio.

Pese embora a inequívoca estratégia de manter a informação dentro dos profissionais que cuidam directamente o paciente, por razões de confiança da relação médico/paciente (utente, doente, cliente), o acesso à privacidade de cada um, só é possível se existir um compromisso entre o profissional de saúde e o doente que o procura.

Porém, a possibilidade de armazenar os registos clinicos “microchip”, na base de dados do processo do doente, em que outras pessoas por questões técnicas irão ter acesso a este mesmo registo, irá com certeza inibir nalguns casos a livre informação dos elementos essências que deveriam ser fornecidos pelos doentes.

Não é por isso incomum que alguns pacientes, quando se vêem confrontados com o pedido de divulgação dos seus antecedentes de doença, se questionem e algumas vezes até o omitam para que questões de carácter estritamente pessoal, não sejam escritas numa base de dados, não porque receiem que o médico tenha acesso aos seus “segredos”, mas porque temem que essas mesmas informações possam ser do conhecimento de outras pessoas que não estão dentro do círculo de segurança /confiança do doente.

Certo é, que a investigação médica obriga a fazer o despiste de outras patologias que poderão contribuir para um diagnóstico mais célere, nem sempre essas informações são fornecidas.

A realidade que existia antes da informatização era completamente diferente e embora a meta futura seja o processo e arquivo clinico electrónico, devido às suas inequívocas vantagens, alguns profissionais da saúde são por vezes confrontados com uma informação exígua e nalguns casos tardia, impedindo o exercício da correlação dos dados.

Este facto, tem a ver com a percepção de alguns pacientes que fruto da sua reflexão equacionam a possibilidade da informação que fornecem possa ser tornada pública.

Estes receios não são de todo infundados.

Estas novas tecnologias são sem dúvida um modelo organizativo essencial e vieram possibilitar efectuar um registo de todos os dados pessoais, todavia, o direito fundamental da preservação do sigilo e respeito da vida privada do cidadão, consagrado em vários documentos jurídicos nacionais e internacionais, dos quais se destacam a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Constituição Portuguesa, a Comissão Nacional de Protecção de Dados e o nosso Código Civil, representam os principais suportes de confiança dos pacientes.

Em suma, o respeito do direito fundamental da vida privada, é um compromisso dos médicos que os vincula como uma norma de conduta essencial no desempenho da sua actividade profissional.

Transferir este compromisso para pessoas alheias pode ser uma ameaça.

(*)



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:04
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