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Domingo, 14 de Abril de 2019
TEMAS DE SAÚDE: É essencial que se continue a investir no apoio às vitimas

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Por: Antonieta Dias (*)

Se é verdade que a caracterização da violência doméstica é por vezes difícil e nem sempre possível, poderemos considerar que o interesse prático da inclusão de uma nova forma de descrever as imagens, os sentimentos, o sofrimento, a dor de quem esta a ser vítima de uma violência muitas vezes encoberta, tem de ser urgentemente resolvida.

Certo é que continuam a existir receios em notificar muitos casos o que impede os agressores de serem punidos, fazendo com que estes comportamentos desviantes continuem a exercer efeito destruidor e a aumentar a criminalidade.

 É essencial que se continue a investir no apoio às vitimas, mas não é menos importante que se faça um levantamento rigoroso do ambiente onde estes casos sucedem sendo mais importante utilizar os meios de comunicação social para divulgar o papel desenvolvido pelos meios judiciais, com empenhamento na celeridade das decisões e na atribuição das penas.

Se os agressores forem julgados logo que cometem o crime e lhe forem atribuídas as sanções privando-os da liberdade e obrigando-os a cumprir o tempo máximo previsto na lei, de certeza que teríamos menos casos de violência domestica.

Se continuarmos a ser benevolentes para este crime estamos a contribuir para que a um aumento da criminalidade.

Criar normas de que procurem harmonizar a conduta operacional das forças de paz, com o objetivo de diminuir os ambientes complexos das estruturas familiares disfuncionais é uma necessidade urgente, que irá certamente criar os instrumentos necessários para que as regras a aplicar traduzam um efetivo envolvimento do plano nacional de proteção individual e coletiva, sendo uma regra básica nos procedimentos da proteção civil.

 O princípio da humanidade não é difícil de reconhecer e muito menos de praticar, desde que exista vontade para classificar este crime como uma das grandes prioridades da política nacional.

Mas não podemos ficar pela denúncia, pela identificação e divulgação dos crimes, mantendo os agressores sem qualquer punição.

É obrigatório agir, fazer justiça, aplicar as penas previstas na Lei, para que os agressores entendam que o respeito pela vida humana é inviolável.

Talvez esta seja uma forma mais assertiva e que desincentive a prática da violência.

Uma sociedade sem segurança e sem proteção é uma sociedade sem Nação.

Existe uma regra que não pode ser esquecida que é a inaceitabilidade por este tipo de crimes públicos

 Na verdade, as perspetivas de evolução parecem desenhar a necessidade de enquadramento, naquilo que viola um certo sentido de dignidade, transversal a todas as comunidades humanas.

E neste sentido, o poder de alguns agressores mostra-se um obstáculo difícil mas não intransponível.

A via da inaceitabilidade deve ser construída na proximidade de reciprocidade, na medida em que permite operacionalizar um princípio de conduta moral, onde a reciprocidade é o instrumento que torna possível a vinculação a um interesse comum e que gera a convicção do cumprimento.

A inaceitabilidade e a reciprocidade são dois atributos que só são possíveis se forem desenvolvidos num ambiente que permita a intervenção da tutela da opinião publica.

Por sua vez ao falar na convergência entre o “Direito de Haia”, o” Direito de Genebra”, o “Direito de Nova Iorque” e “Direitos Humanos “, implica a obrigação de uma intervenção Estatal para a certificação de um código de conduta humanitária.

Se implementarmos estas medidas induziremos os agressores a repensar a sua conduta.

A ausência de políticas para suprimir o crime da violência domestica, origina uma profunda miséria e uma falta de Estado, mantendo o desequilíbrio, instabilidade e ingovernabilidade politica.

(Médica)



publicado por Noticias do Ribatejo às 10:31
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Regressam à vida as obras de Caravaggio, na Catedral de Santarém 

Caravaggio 1 (96).JPG

 

 Ao som de melodias barrocas de compositores como Mozart, Bach, Vivaldi e Sibeliu, a companhia italiana “Ludovica Rambelli” recriou esta noite, dia 13 de abril, na Catedral de Santarém, 23 quadros vivos, feitos a partir da obra do pintor italiano Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio (1571-1610), considerado uma das figuras mais revolucionárias da história da arte.

 

Perante uma Catedral repleta, o espetáculo intitulado “La Conversione di un Cavalo”, apresentou um único ponto de luz (característico das obras de Caravaggio) que iluminou toda a cena criando uma moldura imaginária, num registro de temas religiosos e mitológicos, na qual os oito atores em palco ficam imóveis em poses expressivas que podem sugerir uma estátua ou uma pintura.

 

O género quadros vivos - traduzido do francês tableaux vivant -, teve a sua popularidade entre 1830 e 1920. Tipicamente, o elenco das personagens representava, em palco, cenas da literatura, da arte, da história ou da vida quotidiana.

 

“La Conversione di Un Cavalo”, marcou o arranque da programação da Semana Santa em Santarém.

 

A uma hora do arranque do espetáculo a fila já se perdia de vista, na Praça Sá da Bandeira.

 

Foram cerca de 500 pessoas que não quiseram perder esta original performance teatral com um grande impacto visual e com uma cenografia fascinante, onde os corpos dos atores vestidos com tecidos drapeados e usando objetos do quotidiano, recriaram algumas das mais icônicas cenas pintadas por Caravaggio. Cada cena que se vai construindo e desconstruindo emana uma força e uma intensidade que nenhuma das outras consegue igualar.

Ao longo de mais de 40 minutos, o grupo de atores italianos deu movimento e um novo sentido aos quadros do pintor italiano, que assim ganharam uma nova dimensão estética e trouxeram para o presente obras que testemunham vivências de outrora.

 

As mudanças de quadros como “O Sepultamento de Cristo, chamado também de “A Deposição de Cristo”, “Maria Madalena em Êxtase”, vulgarmente conhecida como “Madalena Klein”, “A Morte da Virgem”, “A degolação de São João Batista”, “Judite e Holoternes”, “Flagelação de Cristo”, “Anunciação”, “Adoração dos Pastores”, “Descanso na fuga para o Egito”, “Ressurreição de Lázaro”, “Baco” e “São Francisco em Êxtase, entre muitos outros, foram feitas todas à vista, marcadas ritmicamente pela música.

 

Para além das impactantes e gráficas, muitas vezes violentas e até assustadoras cenas dos quadros de Caravaggio, ninguém ficou indiferente a este espetáculo de extraordinária beleza.

 

O foco dos quadros vivos é sem dúvida a pose, a luz, o figurino e as maquiagens – a fim de trazer perfeição às reproduções.

 

Este trabalho nasceu em 2006, graças a um projeto educacional da Faculdade de Arquitetura Luigi Vanvitelli, desenvolvido por Ludovica Rambelli.

Após a primeira apresentação, a sua força cénica foi clara e forte, marcando logo presença no Festival Maggio dei Monumenti do Museo di Capodimonte, em Nápoles, nas edições de 2008, 2009, 2010, 2011, e por toda a Itália em museus, galerias, praças e igrejas.

Hoje, a Cia Ludovica Rambelli é residente permanente do Museu Diocesano, na Igreja Donnaregina Nuova, em Nápoles.

 

De referir ainda que as obras de Caravaggio são reconhecidas pela expressividade dramática dos personagens e pela técnica chiaroscuro, o jogo de luz e sombra.

Caravaggio viveu e trabalhou em diversas cidades, entre elas, Nápoles.  Este pintor italiano transportava para a tela o charme mórbido da cidade, e ficou conhecido por usar modelos vivos para suas pinturas.

 

400 anos depois, a arte dele ganha nova forma pelo mundo. 



publicado por Noticias do Ribatejo às 10:29
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ESTRANHA VIDA ESTA

CATARINA BETES.png

Por: Catarina Betes

 

Há gente que fica na nossa memória. Por vezes são apenas vultos, esboços, que a cortina do tempo insiste em apagar. Mas por algum motivo, resistem. Deixam-se ficar.

Maria Amélia vivia e trabalhava em Lisboa, numa época em que as mulheres não existiam sozinhas, poucas tinham empregos e raras não tinham marido.

Recordo quando a via chegar aos fins de semana, à casa que tinha na minha rua. Maquilhada, vestida com roupas extravagantes. Tinha também um brilho nos olhos que eu desconhecia de onde vinha.

Só mais tarde percebi que era fruto da liberdade em que vivia.

Não teve marido nem filhos, nem me pareceu em nenhum momento que deles tivesse sentido a falta.

Viveu a vida que quis, viajou, conheceu o mundo e regressou à aldeia sempre que lhe apeteceu.

Era tratada por menina e eu perguntava-me porquê. Só depois percebi que quem não casava não ascendia ao estatuto de mulher adulta. Continuava menina pela vida fora. (Estranha vida esta).

E quando partiu deste mundo, aos noventa e poucos, foi “a menina Amélia que morreu”, ouvia-se na rua, enquanto os sinos dobravam, no alto da torre da igreja.

Nunca me pareceu uma mulher deste tempo e eu observava-a, do cimo dos meus sete ou oito anos com a curiosidade caraterística de quem vê um espécimen diferente. Falava alto e ria muito, num tempo em que as mulheres ou não sabiam, ou não tinham motivos para sorrir.

 Entrei algumas vezes na sua casa. E deliciava-me. Com as cores, os cheiros, o som da vida e da independência num tempo em que a mulher era pouco mais que um farrapo. Mas aquela não.

Viveu como quis, saia de casa de cabeça erguida e não tenho dúvidas, no seu modo solitário de viver, aquela mulher, sim. Naquele tempo, foi feliz.



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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