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Domingo, 11 de Agosto de 2019
TEMAS DE SAÚDE: Vidas em risco

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Por: Antonieta Dias (*)

 

Vidas em risco

 

Diagnosticar as doenças é uma obrigação dos médicos.

Disponibilizar os medicamentos para tratar os doentes é uma obrigação do Estado.

Porem, nestes últimos meses temos assistido a muitos constrangimentos no que se refere à prescrição terapêutica, os médicos querem tratar os pacientes, mas por vezes não conseguem porque não tem os meios necessários, designadamente os fármacos que vão escasseando sobretudo os medicamentos com patente de marca registada (não genéricos) e com investigação clinica demonstrada.

Se o Estado não quer comparticipar os medicamentos de marca é uma opção politica que respeitamos, mas temos a liberdade de concordar ou de discordar, mas não podemos aceitar que não informe de forma clara os cidadãos dessa mesma decisão.

Todavia, não deve coartar a possibilidade aos doentes de escolherem livremente se querem ou não optar por fazer o tratamento das suas patologias com medicamentos genéricos ou com medicamentos de marca.

Porem, a situação já é grave se se impossibilita o doente de obter os fármacos que necessita e para os quais não existem outras opções ou alternativas, porque são únicos no mercado e por isso mesmo não podem ser retirados

Se isso acontece, os pacientes não podem ser tratados e ficam condenados à evolução natural da sua doença que pode ser fatal, na ausência de medicamentos de marca ou de genéricos sem os quais a cura ou a estabilização da doença não se obtém.

Diagnosticar e não tratar é uma regressão do ato médico de difícil compreensão num País evoluído que pretende estar ao nível dos Estados Europeus.

Esta responsabilidade será uma das competências de um Estado de Direito cujo objetivo deveria ser baseado no controlo da gestão dos recursos e na minimização das situações de risco dos pacientes.

Se for este o propósito, temos a certeza que só existe uma alternativa para zelar pelo bem-estar das pessoas, que passa por manter, melhorar e sobretudo investir no Sistema Nacional de Saúde.

  A fragilidade de uma sociedade representa um empobrecimento e uma carência na sustentabilidade do um País que fica refém de recursos humanos vitais.

Se deixarmos que este sistema se mantenha ou se agrave ainda mais estamos a contribuir para a degradação social, aceitarmos o que não é razoável e admitimos a falência total do sistema.

Importa contudo referir que por mais pobre que seja o orçamento do Estado, é difícil e incompreensível não considerar a saúde como uma das prioridades essenciais ao normal desenvolvimento de um povo que merece ser tratado com dignidade e humanidade.

Se nos desviarmos para um caminho  que não respeite o Homem com a nobreza que merece estaremos condenados ao fracasso.

Unir os portugueses e lutar por um SNS de qualidade é a única forma de manter a liberdade do sistema e a defesa dos Direitos Humanos.

(*) Médica



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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"Diário de um dia de verão"

CATARINA BETES.png

Por: Catarina Betes

 

"Diário de um dia de verão"
 
 
Quando estamos de férias, tudo nos parece um mundo à parte. 
Um dia passado na praia, para quem já de si, pouco vive no mundo real...é um desafio à imaginação, se assim lhe quisermos chamar.
Comecei o dia com a surpresa de um sol abrasador, coisa rara por aqui. 
E então, seguindo o concelho de uma amiga querida, que garante o poder "purificante" da água do mar, lá me decidi a entrar no mesmo, cuja ondulação "exclusiva e rara", neste dia, me seduziu e enfeitiçou.
Entrar num mar com ondas fortes, faz-me sempre recuar no tempo e regressar aos verões da minha infância, passados na Nazaré.
Os meus pais alugavam sempre uma pequena casa no Bairro dos Pescadores, que sinceramente nem sei se ainda existe. E nós lá íamos, a trouxa no tejadilho do valkswagen azul, com a emoção de quem sabia que a aventura ia começar.
Nunca alugávamos casa com antecedência. Bastava chegar e o ritual dava-se.
Acredito que são estas memórias que dão sentido a quem hoje somos.
Descer aquela avenida e ver surgir o mar, era o máximo de contentamento que eu e o meu irmão podíamos alcançar, à solta naquele banco de trás.
Depois vinha a rotina dos dias passados na praia: levantar cedo, porque como a minha mãe dizia: "Se fosse para passarem a manhã a dormir, tinham ficado em casa!"
E lá íamos. Eu e o meu irmão, cada um enrolado na sua toalha, porque àquela hora fazia um frio de rachar, embirrando um com o outro, numa provocação constante, pois o contrário, sim, seria de estranhar.
Chegados à praia, e enquanto a hora de ir para a água não chegava, atávamos as toalhas ao pescoço e corríamos pela praia, eu a sentir-me a Super Mulher e ele um Super Herói qualquer. Outras vezes ele oferecia-se para me puxar, enquanto eu me sentava na toalha, afincadamente agarrada aos lados desta. Tudo corria bem nos primeiros segundos até que ele (inesperadamente, claro), fazia a toalha virar-se e eu mergulhava de cara na areia. Acho que ele fazia isso propositadamente para acelerar o nosso processo de digestão... Ao ver o meu estado, a minha mãe decidia  que já podíamos ir para o mar.
Hoje, chego normalmente à praia sozinha, já a meio da manhã, porque infelizmente não herdei dos meus progenitores o espírito de sacrifício matinal (seria?), estendo a toalha e por vezes recordo.
Leio alguns capítulos de um livro, fecho-o, escrevo uns rabiscos e entretenho-me a observar.
Hoje deparei-me com dois miúdos, com uma bola, um franzino e outro mais anafadinho. Olhavam para um outro que estava mais à frente.
Comecei a ouvi-los conversar:
- vamos convidá-lo para jogar?
O outro, além de peso pesado, trazia uns calções que lhe deixavam metade do rabo à mostra e à frente o cenário não era melhor.
Continuei a prestar atenção à conversa dos outros dois, que estavam a pouco mais de três metros de distância de mim.
- Achas? Não deve querer...
- Sempre éramos mais.
Como a profissão de professora parece ter-me entrado pelos ossos adentro, mesmo nas interrupções letivas, não resisti, e, para variar, meti-me na conversa.
- Perguntem-lhe. Se ele não quiser logo vos dirá, certo?
Olharam os dois para mim e depois um para o outro, não parecendo estranhar a minha intromissão. Acenaram um para o outro em jeito de concordância e avançaram na direção do outro.
Ainda os ouvi, mostrando a bola e perguntando ao rapaz:
- Queres jogar?
E ele, com ar indiferente, abanou a cabeça negativamente.
Enfim, os rapazes tentaram! Incentivados por mim, é verdade. Mas se não formos corajosos nas pequenas coisas da vida, como aprenderemos a ser nas grandes?
 

PE_20190809_202421.png

Quando me decidi a dar a manhã de praia por terminada, peguei na minha cesta e passei junto ao miúdo que não quis jogar. Lá estava ele, todo besuntado de branco, agachado, com metade do rabo de fora dos calções, a fazer um buraco com uma pá e um balde. Opções.Mais à frente, vi os outros dois. Com os chinelos fizeram duas balizas e rematavam, à vez. Sorri. Quem disse que dois não chegavam?Continuei o caminho para casa pela beira mar, como sempre faço e deparei-me com uma mãe e uma filha adolescente, a atirar uns pinguins de plástico ao mar. Perguntei-me para que serviria aquilo. E percebi. Aparentemente para nada.Colocavam-nos na zona de rebentamento das ondas e ficavam a vê-los regressar, na posição vertical, ao areal. E isso era o suficiente para as divertir.Fez-me pensar em como mudam os tempos e como tudo o que tem graça, hoje em dia, tem de se comprar.Lembrei-me quando enrolava na perna a minha toalha de praia e fazia uma coroa de rainha (quando a Super Mulher descansava) e do ar emproado com que me passeava pela praia, olhando com desdém os meus súbditos.E ri-me. Num ultimo olhar na direção do mar, ainda vi alguns aventureiros que se passeavam nuns veículos de cores e formas diversas, cada um com um escorrega para o mar. Fotografei-os e enviei as fotos a duas amigas:- Como é? Em qual vamos escorregar?Ainda acrescentei:- Eu voto no flamingo cor de rosa!Ah pois é! A rainha da minha infância jamais escorregaria com aparato menor!É isto! Os tempos mudam. Nós também.Mas enquanto existir um pouco da criança que fomos, sol e ondas no mar, ninguém nos impede de sermos os protagonistas da nossa história.E isso pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. 

Por que não a escorregar?



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:55
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