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Domingo, 4 de Abril de 2021
TEMAS DE SAÚDE: Saber envelhecer é uma virtude 

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Por: Antonieta Dias (*)

 

Saber envelhecer é uma virtude 

 

Sempre que falamos em  "vaidade ",  a tendência é fazer esta associação  com a imagem de pessoas mais  jovens  que estão exclusivamente preocupadas com a sua aparência e muitas vezes esquecemo-nos  que a beleza também faz parte da  terceira idade  que tem a preocupação dos autocuidados para manterem   sua  autoestima,  melhorarem a sua qualidade de vida e aprenderem a viver melhor.

Longe vai o tempo em que se associava o idoso ao paciente acamado e sem vida social. 

O grupo das pessoas com mais idade obteve evidência na sociedade pelo reconhecimento da sua importância, baseada no seu saber, na sua experiência e no forte contributo que dão à sociedade em geral e à família em particular. 

O envelhecimento ativo deve ser estimulado, passando a ser um estilo de vida preferencial para conseguirmos envelhecer com qualidade de vida.

Todos sabemos que o envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade, e um dos principais desafios que devemos desenvolver para conseguimos atingir os objetivos de um envelhecimento saudável.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, de forma a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Desta forma o envelhecimento representa muito mais do que a habilidade de se manter fisicamente ativo.

Segundo a OMS o conceito de saúde está associado ao bem-estar físico, mental e social, logo o envelhecimento ativo deverá abranger a pessoa em todas as suas dimensões.

Por isso é que temos que continuar a participação nas atividades sociais, económicas, culturais, espirituais e cívicas.

  • Todavia, envelhecer é diferente de adoecer, é normal ter um envelhecimento associado a alterações fisiológicas no organismo a vários níveis. Desde mudanças no sistema cardiovascular, respiratório, endócrino, músculo-esquelético e nervoso, que podem manifestar-se, sob várias formas, designadamente o aparecimento de menor força, flexibilidade e resistência muscular, fragilidade óssea, diminuição da amplitude e mobilidade articular.

  • Porém é possível suavizar estas alterações através da adoção de estratégias que visem o envelhecimento ativo, para que este processo normal ocorra com maior qualidade e bem-estar.

  • Nem todos envelhecem da mesma maneira, alguns poderão adoecer em qualquer idade e a probabilidade de cura vai depender dos recursos disponíveis para a patologia em causa e da resposta mais ou menos eficaz ao tratamento que lhes é proposto pese embora a diminuição da resistência cardiovascular e aumento da tensão arterial, o que pode levar à sensação de fadiga e falta de ar, há um maior risco de infeções, nomeadamente as respiratórias e um aumento do risco de quedas, que muitas vezes levam à perda de autonomia do idoso e nalguns casos à sua institucionalização com todos os efeitos adversos que desencadeiam.

  • O envelhecimento patológico afeta gravemente a independência e a qualidade de vida dos idosos, acarretando igualmente grandes custos a nível dos cuidados de saúde.

  • É importante investir na educação para a saúde, adotar medidas preventivas e proactivas para que o envelhecimento seja sinónimo de qualidade de vida e não de doença e sofrimento.

Existem alguns fatores que são promotores de um excelente envelhecimento dos quais salientamos uma boa capacidade fisiológica, mental e cognitiva (que é melhorada através de atividades como leitura, treinos da memória, aprendizagem de novos conhecimentos, atividades manuais, convívio com outras pessoas de faixas etárias) associadas a padrões de vida saudável (excluindo álcool e tabaco), uma adequada alimentação (evitando o excesso de sal, gorduras e açúcar, dando prioridade à ingestão de frutas e de vegetais), exercício físico regular, um controlo médico periódico, que permita fazer uma avaliação global do estado de saúde, realização de exames complementares de diagnóstico e parametrização do estadio da doença, se existirem), boas condições ambientais e sociais.

A população mundial está a envelhecer. Na maior parte dos países, a percentagem do número de pessoas idosas está a aumentar rapidamente, a par com uma diminuição no número de nascimentos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de crianças continuará a descer até ao final do século. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos triplique de 400 milhões para mais de dois mil milhões.

Em Portugal cerca de 20% da população tem mais de 65 anos e Portugal esta classificado como um dos países mais envelhecidos da UE.

Portugal é o terceiro país da União Europeia em rácio de idosos para jovens, só superado por Itália e Alemanha.

Eram 10,2 milhões (antes da Pandemia do COVID 19), mais velhos que novos, num país em que nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil se tornou numa das baixas da Europa, segundo o mais recente retrato estatístico de Portugal.

Os 10.283.822 de portugueses contados nos dados da base de dados da Pordata, gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, vivem com um risco de pobreza de 18,3% (1,4 pontos acima da média da União Europeia).

Apenas 13,9% da população têm menos de 15 anos (a média da UE é 15,6%), enquanto 21,3% têm mais de 65, segundo o retrato divulgado no Dia Europeu das Estatísticas.

Sendo um desafio social para a integração dos mais velhos na sociedade atual, que nem sempre lhes proporciona as condições de vida que merecem.

 Apesar de este aumento refletir uma melhoria nas condições de vida e das políticas de saúde na maioria dos países desenvolvidos representa também um desafio para a sociedade atual, que terá de se adaptar de modo a “maximizar a capacidade funcional e a saúde” dos mais velhos, assim como a sua participação e integração social e mantê-los sobretudo felizes.

Ser feliz significa a plenitude do ser, a satisfação e o equilíbrio físico, psíquico e espiritual, onde a emoção, o sentimento, a espiritualidade representam a nossa riqueza pessoal e representam os vetores que alimentam a nossa doação à família, aos amigos, aos colegas e a todos os que nos rodeiam.
Ser feliz traduz um bem-estar interior, uma tranquilidade permanente, uma serenidade espiritual, uma doação constante, um sorriso mesmo estando sofrendo.

É este sentimento de bem-estar que determina um dos grandes objetivos das pessoas para puderem permanecer felizes.

Existem três metas para obter o sucesso da felicidade:
Sabedoria
Execução / trabalho
Beleza

Uma coisa é certa o sorriso, o equilíbrio emocional, a satisfação, alegria, o prazer,
Simbolizam a felicidade, que é não é mensurável.

Perante o cenário que vivemos atualmente o desafio pode ser não de felicidade mas de pobreza e então teremos a obrigação de nos interrogarmos desta forma?

As Famílias portuguesas estão em risco? São vítimas de Maus – Tratos?

O rendimento “per capita”, isto é o rendimento mensal médio por pessoa do agregado familiar dos portugueses, está a gerar muitos conflitos intrafamiliares, que se têm vindo a agravar nestes últimos seis meses.

Considerava-se o rendimento global anual da família os honorários auferidos, onde se incluíam, subsídio de férias, de natal, pensões, bem como outros rendimentos dependentes dos bens patrimoniais de todos os elementos do agregado familiar.

Assim, os elementos envolvidos na família são pessoas dependentes da economia comum do casal e dos filhos ou de outras pessoas que aí coabitam, quando estamos perante famílias alargadas.

Com base no conceito de agregado familiar doméstico (pessoas que vivem na mesma casa), cujo grau de parentesco une a família e a torna sólida, coesa e funcional, independentemente de se tratar de uma família nuclear, com ou sem filhos, de uma família alargada, de uma família reconstruída ou simplesmente de uma família unitária.

Porém, infelizmente, não encontramos atualmente muitos exemplos de famílias tradicionais em que a funcionalidade interpares traduz a verdadeira família a que estávamos habituados.

Na realidade este conceito de família tradicional tem vindo a perder-se, sendo várias as situações que têm contribuído para a destruir.

Existem alguns indicadores de vulnerabilidade e risco social, que envolvem várias famílias, desde que se instalou a precaridade social.

Pensar que estes problemas são isolados, é ignorar a pobreza desencadeada pelas políticas sociais que assertivamente estimularam uma série de processos em agregados familiares, já de si marcados por um risco prévio, onde o nível educacional, a precaridade do mercado de trabalho, os baixos rendimentos, a violência doméstica, a prostituição infantil, o abuso sexual de mulheres e o abuso de menores, sinalizam o alto risco intrafamiliar.

Porém não podemos concluir, que apenas estas famílias disfuncionais, onde predominavam fenómenos desfavoráveis facilmente suscetíveis a comportamentos desviantes, possam ser as únicas atingidas por este retrocesso social.

As desigualdades, a pobreza, e a vulnerabilidade social são três questões, que mais contribuíram para desestruturam as famílias portuguesas, levando a situações de desespero, nalguns casos extremos, tendo por vezes apenas o refúgio de destruição pessoal ou mesmo levar à destruição da própria família.

Situações dramáticas estão a ser vivenciadas atualmente, sendo que pelo grau de degradação experienciada, não expectável até há bem pouco tempo, transformam e destroem a saúde das famílias portuguesas.

O facto de existir uma pobreza instalada no seio da família, só por si origina uma série de problemas que alguns vão conseguindo adiar na expectativa e esperança de dias melhores.

Todavia a crise financeira do sistema socioeconómico, instalada nas famílias em geral, sendo que neste momento a classe média é a mais atingida, dado que de repente e inesperadamente vêm-se privadas de bens essenciais, cujo vencimento anterior à crise económica conseguiam ser autossuficientes para manter a sustentabilidade familiar, porque auferiam honorários que permitiam manter um nível de vida proporcional ao trabalho que desenvolviam e continuam a desenvolver, mas agora com horários de trabalho acrescidos por um aumento da carga semanal e com vencimentos diminuídos que colocam em risco a possibilidade de satisfazerem as necessidades básicas.

São vários os indicadores que nos alertam para o risco familiar, desencadeado por uma série de privações de ordem física e emocional, que se traduzem pelo aparecimento de comportamentos desviantes, vejam-se os homicídios relatados recentemente (mães que matam os filhos, porque não os conseguem sustentar), violência doméstica, que apesar de haver um número de notificações inferiores ao número de casos vivenciados, pois ainda continua a ser uma área muito sensível, para a qual grande parte das pessoas, tem dificuldade em revelar, por se tratar de situações de índole muito pessoal e íntima, pelo número de depressões que têm sido diagnosticadas, pelo agravamento das doenças crónicas e pelas doenças agudas, que originam uma procura menos atempada aos cuidados de saúde, sendo muitas vezes já tardia para impedir o aparecimento de sequelas, que poderiam ser evitadas, se fossem tratadas em tempo útil.

Associada a esta complexidade de problemas, acresce, ainda a constatação da existência de maus-tratos que tem subido assustadoramente, atingindo sobretudo idosos e crianças dependentes, por falta recursos económicos, existentes no seio da família, passando estes dois grupos etários a ser um fardo no seio da família, cuja precaridade económica e carências sociais disponíveis, designadamente do foro económico, geram situações dramáticas, cuja resolução não se vislumbra.

Diariamente constatamos com situações impensáveis e imprevistas, vivenciadas por famílias funcionais economicamente estáveis que de repente transformam a sua vida num beco sem saída e sem futuro, desencadeadas pela perda do emprego, pela diminuição do rendimento, pela privação de todos os recursos indispensáveis à manutenção das suas despesas mínimas diárias, e ficam com a pobreza instalada.

É óbvio que os nossos recursos psicológicos disponíveis á gestão de todos estes conflitos não são ilimitados e então surge a doença física e psicológica, associada à instabilidade social (são os filhos que emigram e abandonam os pais, são os idosos que ficam cada vez mais sós e abandonados, muitos deles emagrecidos e desnutridos, porque a sua reforma não lhes permite ter uma alimentação adequada).

É então abalado o Estado de Bem Estar Social, que proporciona uma falência na estabilização do sistema socioeconómico, e degrada as condições de vida, limita o acesso aos bens matérias indispensáveis à sobrevivência humana e reduz naturalmente a coesão intrafamiliar.

Em suma, passamos a ter um ciclo de vida carenciada e inibida onde os adultos desesperam, porque não conseguem reequilibrar as esferas económicas e socais, as crianças e os idosos descompensam e as redes sócio assistenciais passam a ser mais solicitadas por todas as classes sociais, em que a estratificação social determina o acesso diferencial aos bens, ao prestígio e ao poder.

O Estado tem cada vez menos capacidade para apoiar estas famílias, pois o universo de pobreza é cada vez maior, registando-se uma vulnerabilidade traduzida pela dependência económica, que as famílias não auferem porque ficaram inibidas do acesso ao trabalho e obviamente à sua remuneração.

Sabe-se que a dimensão disponibilidade de recursos é avaliada segundo a renda familiar per capita e existe um mínimo indispensável para sobreviver.

Neste momento tendo em conta a insustentabilidade social do País, passamos a viver num pântano movediço cujo fim será imprevisível mas certamente resultará num índice de desenvolvimento familiar insustentável, implantado num território, desprovido de apoios na saúde, na família, na educação, no mercado de trabalho, na vulnerabilidade social e sem recursos, onde predominará a doença, por ser impossível manter a saúde, designada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como o mais completo bem-estar físico, psicológico e social e não apenas a ausência de doença.

Acresce ainda o número de suicídios que aumentou assustadoramente com o aparecimento da Pandemia COVID 19 e o número infindável de mortes que surgem diariamente resultantes da infeção por este vírus que insiste em não parar de infetar.

Se Portugal já estava na lista negra dos maus tratos a idosos, no momento que vivenciamos a situação ainda se vai agravar mais.

Numa lista de 53 países europeus, da OMS, Portugal está no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos: 39% dos idosos são vítimas de violência.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), que analisa, no Relatório de Prevenção contra os Maus Tratos a Idosos, as agressões nos últimos cinco anos contra os mais velhos, num Universo de 53 países europeus, é clara: “Portugal tem um sério problema no que respeita aos maus tratos contra idosos.”

E o cenário é negro: quase 40% dos nossos idosos são vítimas de abusos. Desta lista negra fazem parte apenas mais quatro países: Sérvia, Áustria, Israel e República da Macedónia.

Por dia, na Europa, quatro milhões de idosos são vítimas de humilhações, quer físicas, quer psicológicas.

Bofetadas, murros, socos, queimaduras no corpo e cortes propositados são algumas das agressões mais comuns praticadas contra a terceira idade. DN Portugal, 10 de Julho de 2011.”

A Segurança Social estima que sejam já 25 mil os idosos em risco e sem apoio, num universo de quase 400 mil pessoas com mais de 65 anos que vivem sozinhas em Portugal, referiu numa notícia o Diário de Notícias.

Uma publicação do DN de 2011.12.12 12 refere: "São números preocupantes", disse à agência Lusa Pedro Mota Soares, à margem do seminário "Sociedade Civil e Envelhecimento - Desafios do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações", que decorre em Lisboa.

O ministro adiantou que, com o Censos 2011, já se conhece a dimensão do envelhecimento: "Cerca de 20 por cento da sociedade portuguesa tem 65 anos ou mais".

"Sabemos das situações de risco e, por isso mesmo, queremos agir de uma forma muito determinada e este Ano Europeu do Envelhecimento Ativo também terá de acautelar todo o fenómeno que hoje existe dos idosos que estão colocados em situações de risco", afirmou.

Nesse sentido, adiantou, tem sido feito um trabalho mais direto com as instituições sociais, com os serviços da Segurança Social para se conseguir fazer a sinalização desses casos e "garantir proteção às pessoas dentro das instituições".

Em 2010.10.01, a Linha do Cidadão Idoso da Provedoria da Justiça publica que recebeu nesse ano 1930 chamadas, das quais 176 sobre maus-tratos físicos e psicológicos.

Segundo uma nota da Provedoria, a propósito do dia Internacional do Idoso, entre 1 de Janeiro e 22 de Setembro, a Linha do Cidadão Idoso recebeu 1930 chamadas, 176 das quais relacionados com maus-tratos físicos e psicológicos.



Comparativamente ao ano anterior, a Linha já recebeu quase o mesmo número de chamadas do que as 1982 registadas em 2009.

Nas chamadas recebidas, foram denunciados 79 casos de abandono e recebidas 160 chamadas relacionadas com assuntos de saúde.

Os dados indicam que 194 chamadas eram pedidos de ajuda para tratar de questões de apoio domiciliário, 109 sobre lares, 47 sobre complementos de dependência e solidários e 44 sobre pensões.”

O Relatório europeu sobre prevenção de maus-tratos a pessoas idosas” é o título da publicação divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – Europa.

O documento destaca os fatores biológicos, sociais, culturais, económicos e ambientais que influenciam o risco de ser vítima ou autor de maus-tratos a pessoas idosas, bem como os fatores que podem ajudar a prevenir estas situações.

O relatório propõe ainda um conjunto de ações para os Estados-Membros, organismos internacionais, organizações não-governamentais, investigadores, profissionais e outras partes interessadas poderem reforçar a resposta política e dedicar os recursos adequados ao problema.

Os maus-tratos a pessoas mais velhas são generalizados a toda a Região Europeia da OMS, onde se estima que pelo menos quatro milhões de idosos são alvo de maus-tratos por ano e que mais de 2.500 morrem todos os anos. A maior parte dos países da região europeia tem uma população envelhecida, o que se traduz num número crescente de pessoas em risco.”

Em 2011 as Nações Unidas colocaram Portugal na lista negra dos países que pior tratam os idosos, com cerca de 39% por cento dos mais velhos vítimas de violência. Estes dados foram publicado em 2011.07.2013, por Regiões TV RTV.

Os dados da Segurança Social estimam que sejam 25.000 idosos em risco, em Portugal, sendo necessário investir na sua vigilância, pois vivem sozinhos sem qualquer tipo de apoio.

O censo de 2011 revela que 20 % da população portuguesa, aproximadamente 400.0000 pessoas tem mais de 65 anos, pelo que existe uma necessidade de sinalizar os casos problemáticos e aumentar o apoio domiciliário.

Em 2011 as denúncias de maus-tratos subiram 120 %.

Uma notícia da TV Regiões 31.01.2012 revela que foram encontrados 10 idosos mortos em casa numa semana.

Mais de metade dos idosos portugueses vivem sozinhos. Em 2011 o INE contabilizou 2,023 milhões de idosos, vivendo 60% sozinhos ou apenas na companhia de outros idosos.

Na operação "Censos Sénior 2019", realizada durante todo o mês de outubro, a GNR sinalizou idosos que vivem sozinhos e/ou isolados ou em situação de vulnerabilidade devido à sua condição física, psicológica ou outra que possa colocar a sua segurança em causa.

Durante a operação, os militares privilegiaram o contacto pessoal e a realização de ações em sala, para sensibilizarem este público-alvo para que não adotem comportamentos de risco, evitando que se tornem vítimas de crimes, como furtos, roubos ou burlas.

Desde o início do ano, a GNR realizou 388 ações em sala e 2.720 ações porta a porta abrangendo um total de 27.727 idosos.

A primeira edição do "Operação Censos Sénior" realizou-se em 2011 e, desde então, a GNR tem vindo a construir uma base de dados geográfica com o objetivo de proporcionar um melhor apoio à população idosa.

Em outubro de 2018, a GNR tinha sinalizado 45.563 idosos a viver sozinhos ou isolados em todo o país.

Estes indicadores denunciam que em Portugal o número de idosos em situações de risco é muito preocupante.

Considera-se mau - trato, qualquer forma de tratamento físico e / emocional, não acidental e inadequado, resultante de disfunções e / ou carências nas relações interpessoais, num contexto de uma relação de dependência (física, emocional e / ou psicológica), confiança ou poder, podendo manifestar-se por comportamentos ativos (físicos, emocionais ou sexuais), ou passivos (omissão ou negligência nos cuidados e / ou afetos).

Os maus tratos podem resultar de omissão ou de ação. No caso em apreço, designa-se por negligência, todo o comportamento regular de omissão, relativamente aos cuidados a ter com uma pessoa dependente, não lhe proporcionando a satisfação das suas necessidades de cuidados básicos de higiene, alimentação, segurança, afeto e saúde (no contexto dos recursos disponíveis pela família e cuidadores), o qual resulta um dano na sua saúde e / ou desenvolvimento (físico, mental, emocional, moral ou social), podendo ser voluntário (com a intenção de causar dano) ou involuntário (resultante, em geral, da incompetência dos responsáveis para assegurar os cuidados necessários e adequados (físicos, carência de higienização, alimentação e / ou hábitos horários inadequados, vestuário desadequado, vitamina atiás, cárie dentária, infeções leves recorrentes ou persistentes).

Existem indicadores (sinais) de negligência, que se manifestam por doença crónica que não mereceu tratamento médico, dos quais destacamos os hematomas ou outras lesões inexplicadas, acidentes por ausência de supervisão de situações perigosas, atraso nas aquisições sociais, comportamentos anti - sociais, tendência à fantasia, falta persistente dos cuidadores, relacionamento pobre entra – familiar, condutas para chamar a atenção dos adulto, etc.

Existem sinais nas vítimas de maus tratos que nos alertam para uma vigilância mais apertada, que se traduzem na presença de lesões com diferentes tempos de evolução, que surgem em locais pouco comuns aos traumatismos de tipo acidental, dispersas por diferentes áreas corporais, nas quais podemos salientar como exemplos, as marcas de mordeduras, intoxicações, doenças recorrentes inexplicáveis, lesões desenhando marcas de objetos, alopecia traumática, sequelas de traumatismo antigo de que não é conhecida a história, outras lesões de diagnóstico médico mais complexo (hematoma subdural, hemorragia retiniana).

Outros sinais podem servir como alerta para nos ajudar a diagnosticar situações de maus-tratos, como por exemplo a recusa ou mudanças nas explicações do processo de produção da lesão, a inadequação do intervalo de tempo entre a ocorrência e a procura de cuidados médicos, a história de lesões repetidas, a inadequação da explicação dada pelos cuidadores sobre o mecanismo de produção da lesão.

Importa, ainda referir que para além dos maus-tratos físicos, existem os maus tratos emocionais, que se revelam por perturbações cognitivas, perturbações da memória baixa auto - estima, sentimentos de inferioridade, alterações da concentração e da memória, perturbações afetivas, medos, sentimentos de vergonha e culpa, timidez, afastamento dos amigos e familiares, hostilidade, falta de confiança, agressividade, manifestações de raiva contra as pessoas, relações sociais passivas, escassas, conflituosas e ausência de resposta perante estímulos sociais, fugas de casa ou relutância em regressar a casa, alterações do foro psiquiátrico, depressão, ansiedade, mudanças súbitas de comportamento e humor, neuroses graves (fobias, manias), alterações da personalidade, psicoses, comportamentos obsessivo-compulsivo, agitação, falta de integração entre o pensamento e a linguagem, as quais se traduzem como manifestações de reação individual aos maus-tratos psicológicos.

Tendo em conta o progresso da medicina que levou a um aumento da esperança e qualidade de vida. Estudos recentes revelam que a violência contra idosos está a aumentar em Portugal (dados da Associação Portuguesa de Apoio a Vítima indicam um aumento de 20,4 % no total de idosos vitimas de crime, em 2006 para 2007).

Contudo, não nos podemos esquecer que o idoso tem direitos jurídicos, que têm que ser preservados e a persistência de conflitualidade numa fase avançada do ciclo de vida familiar, podendo suceder uma certa reprodutibilidade do padrão de violência, implicam uma vigilância apertada para evitar a violência praticada sobre os mais velhos em contexto institucional.

Como recomendações importantes destinadas a minimizar o número crescente de maus – tratos, preconiza-se:

1- Implementação de medidas legislativas de proteção dos idosos vítimas de abusos.

2-Registo informático de todas as denúncias e intervenção imediata de medidas de proteção.

3-Campanhas de sensibilização dos idosos sobre a necessidade de planificarem a doença e a reforma.

4-Implementação de programas integrados de prevenção primária e secundária, identificando situações e fatores de risco.

5-Prevenção terciária destinada a minimizar os efeitos da violência contra os idosos.

6- Organização de programas de apoio aos idosos e aos cuidadores.

7-Criação de um sistema de gestão de informação integrada destinada a agir atempadamente às situações de maus tratos nos idosos.

8-Investir na implementação de instituições que disponibilizem vagas para alojamento temporário ou eventualmente definitivo de idosos em risco.

E, por fim criar cursos de formação de profissionais com competências técnicas, destinadas a proteger os idosos vítimas de maus tratos.

Em suma, sofrer em silêncio é um drama vivenciado pelos idosos vítimas de maus-tratos que temos que abolir o mais rapidamente possível, protegendo as vítimas e penalizando os agressores.

(*) Médica



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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