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Domingo, 1 de Agosto de 2021
TEMAS DE SAÚDE: Sistema Nacional de Saúde humanizado
 

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Por: Antonieta Dias (*)
 
 
Os avanços tecnológicos associados às técnicas médicas, têm contribuído  para que os cuidados prestados aos pacientes se tornem cada vez mais diferenciados,  com melhor qualidade e com maior sucesso.
Saber cuidar é uma virtude que associa ciência,  arte e humanidade.
Têm sido incansáveis as metodologias  e os propósitos de todos os profissionais da saúde.
O êxito alcançado tem por base a dedicação, o amor ao próximo, o respeito pelo ser humano e a manutenção do conceito de dignidade.
Infelizmente  nem sempre conseguimos curar, apesar de termos feito um  investimento exemplar no bem  cuidar, pois há doenças que não se conseguem controlar e acabam por conduzir  inevitavelmente à morte.   
Nestes casos temos que refletir sobre o sofrimento da  vivência da morte e dos cuidados de saúde que temos que prestar no fim de vida.
 
Na verdade  nem sempre conseguimos gerar maior conforto ao paciente num ambiente de internamento hospitalar quando a sua situação está próxima do fim de vida.
A separação da família, o isolamento do doente,  a privação do carinho e do afeto que o meio intra-familiar proporciona pode nalguns casos ser responsável pela angústia vivenciada por este grupo de doentes.  
Por sua vez a Família, fica desorientada porque não está preparada para este infeliz acontecimento e acaba por ter  dificuldade em decidir sobre a melhor opção para o seu familiar.
Nem todos os profissionais de saúde estão preparados  para fazerem o aconselhamento e sobretudo para transmitirem com convicção e segurança uma mensagem esclarecida,  que permita ao  doente e à sua Família adquirir confiança  e assertividade para acolher a opção mais adequada aos cuidados de fim de vida.
  Uma boa parte dos doentes morre em Hospitais isolados,  após terem sido submetidos a enormes  procedimentos terapêuticos, na tentativa do prolongamento da vida
Mas falta-lhes o acolhimento e o conforto dos seus familiares.
Esta situação apesar de já ser desoladora, ficou agravada com as adaptações e  restrições  decorrentes da Pandemia que estamos a viver e que obrigou a  alterar os procedimentos e  as regras para a permissão das visitas (amigos e dos familiares ) aos pacientes. 
Seguindo o juramento hipocrático "Primum non nocere", podemos concluir que existem  duas premissas: a primeira é não causar dano e, a segunda, maximizar possíveis benefícios e minimizar possíveis danos. 
Esta complexidade do bem cuidar, exige senso, humanidade e capacidade de decisão, para poder orientar o doente e a Família sobre a melhor opção a tomar.
Em suma, cuidar é conhecer, saber, aplicar com engenho e a arte toda a ciência e humanidade na prestação dos cuidados globais de saúde. 
(*) Médica


publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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