Seniores do concelho dão “um grande contributo para a valorização das dinâmicas geradoras de convívio e de integração”, afirmou Paulo Varanda
Programa criado pela Câmara Municipal a pensar no bem-estar dos seniores “traz benefícios para o corpo e para a mente”
Os seniores do concelho do Cartaxo que participam no programa Viver Mais – Viver Melhor juntaram-se no dia 29 de junho, no jardim do Complexo Desportivo e Cultural da Quinta das Pratas, para um piquenique e uma tarde de confraternização, assinalando assim o final de mais um ano de atividade.
O convívio, a troca de experiências e o bem-estar são as principais mais-valias que os seniores do concelho retiram deste programa, promovido pela Câmara Municipal do Cartaxo desde 2001.
Durante o ano 2011/2012, cerca de 400 seniores voltaram a usufruir do vasto conjunto de atividades propostas – natação, ginástica, artes decorativas, pintura, danças de salão, teatro, bordados, entre outras.
Para o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Paulo Varanda, o projeto Viver Mais – Viver Melhor é fundamental para valorizar a qualidade de vida dos seniores, sendo “uma forma saudável da população sénior ocupar o seu tempo livre, em convívio, a praticar desporto, a estimular a sua criatividade e descobrindo novas experiências e conhecimentos, porque nunca é tarde para aprender”.
“Desengane-se quem pense que eles já deram o seu contributo à comunidade e ao crescimento do concelho. Eles continuam a ser muito úteis à nossa sociedade, porque com a sua rica experiência de vida e os seus conhecimentos conseguem produzir dinâmicas geradoras de convívio e de integração”, afirmou ainda Paulo Varanda, que se associou também a este convívio.
Os benefícios para o corpo e para a mente de um programa criado a pensar no bem-estar dos seniores do concelho do Cartaxo
Sobre a frescura da relva, numa das primeiras mesas colocadas debaixo das copas das grandes árvores deste jardim, sentaram-se alguns dos seniores do grupo da ginástica e da natação, entre eles, Elisa Martins, que integrou as duas atividades desportivas desde que elas passaram a fazer parte do programa.
“Eu tenho 79 anos e a ginástica e a natação têm-me ajudado bastante a seguir em frente. Adoro as duas, mas mais a natação”, começou por referir, acrescentando de imediato que “mais do que os benefícios para a saúde, o mais importante ainda são os benefícios para a cabeça, nós convivemos, distraímos, conhecemos outras pessoas – porque havia pessoas a viver na mesma terra que nem se conheciam – e os professores são todos muito nossos amigos. É uma amizade quase de família”, revelou.
Ao contrário de Elisa Martins, para Nazaré Reis este foi o primeiro ano em que usufruiu das atividades desportivas. Os seus 80 anos significam ainda “muita vitalidade”, por isso sentiu necessidade de continuar a ocupar o seu tempo livre, depois de ter frequentado durante cinco anos uma universidade sénior em Lisboa e de ter tirado um curso de restauro de loiça.
“Sou uma pessoa muito ativa e quando me reformei tive de me ocupar com outras coisas. Este ano decidi ir para a ginástica e para a natação e gostei muito. Gosto do convívio e então na água sou um peixinho, ainda que não nade, mas quando era mais jovem e ia à praia, nunca entrava na água, agora já estou a perder o medo”, contou, reforçando que ao nível da saúde “sinto-me mais leve e mexo-me melhor”.
Odete Fonseca, de 58 anos, faz também parte deste grupo e subscreve as palavras das suas amigas. “Já ando nestas atividades há alguns anos e são uma grande mais-valia, que nos fazem sentir muito bem. Este programa é ótimo, não só para as pessoas conviverem, como para elas se tornarem mais ativas”, frisou.
Pois para Maria Antónia da Cruz Nobre, de 64 anos, o programa significa isso e muito mais. Começou a trabalhar aos 12 anos, emigrou, aos 60 anos pediu a pré-reforma e regressou à sua terra natal, Vila Chã de Ourique. Agora é tempo de aproveitar tudo o que tem de direito. “Ando nas danças de salão, nas artes decorativas, nos bordados, na ginástica e na natação. Quando regressei, este programa foi para mim uma grande alegria, porque sou uma pessoa muito ativa e queria entreter-me e adquirir novas experiências”, explicou.
As artes decorativas e as danças de salão são as atividades preferidas de Maria Antónia, mas todas elas geram um saudável convívio. “É ótimo reencontrar pessoas da minha infância, da minha juventude. Retomei tudo de novo e é uma nostalgia muito grande. Estou maravilhada”, qualificou, com um brilhozinho nos olhos.