Biomomento é o nome de uma das três iniciativas no âmbito do projeto “Cooperar para uma Agricultura Sustentável” da Divisão de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (DADS) da Câmara Municipal de Santarém (CMS), apresentada dia 26 na Casa do Ambiente, pelas 15h30, num evento que contou com a presença de Maria Teresa Azoia, vereadora da CMS com os pelouros do Ambiente e da Defesa do Consumidor, Maria João Cardoso, chefe da DADS da CMS, e Luís Coelho, presidente da Associação dos Técnicos de Informação e Consumo (ATIC), que veio até Santarém falar do tema “Rótulo vs Bilhete de Identidade do Produto”.
Para Maria Teresa Azoia, o projeto “Cooperar para uma Agricultura Sustentável” pretende demonstrar “que a Agricultura é um fator de desenvolvimento fundamental e consideramos que tem também um papel importante e uma palavra a dizer nesse sentido”.
A Vereadora da CMS apresentou os pilares que compõem o Projeto. “Por um lado, a parte da educação, informação e sensibilização ambiental que depois assenta em três eixos: um deles é o “Biomomento”, que nós inauguramos aqui hoje, que passo a informar que vai ter lugar todas as últimas sextas-feiras de cada mês. Outro é o “Hortelão vai à Escola”, um projeto mais direcionado para a educação ambiental, pura e dura, em que já iniciamos a criação de hortas nas escolas e trabalhamos em conjunto com as crianças, no sentido de cultivarem os próprios alimentos de uma forma mais sustentável e mais relacionada com a educação. Por último, em cooperação com a Escola Superior de Educação criámos “O Jardim dos Alimentos””.
Teresa Azoia sublinhou que “outro dos grandes eixos deste projeto da Agricultura tem a ver com a criação de uma rede de stakeholders, parceiros que são fundamentais nesta área da agricultura: as escolas, a comunidade científica com quem temos relações privilegiadas, a nível nacional, e com várias instituições. Estamos a desenvolver, também, parcerias com algumas associações na área da agricultura, de nível nacional e regional”. Exemplo dessas parcerias é o Cabaz Prove que resultou da assinatura de um protocolo entre a Autarquia e do Núcleo de Produtores Biológicos de Alpiarça, onde as pessoas podem comprar por dez euros um cabaz composto por cerca de sete ou oito produtos biológico, todas as sextas-feiras. A vereadora lançou o desafio aos presentes “quem quiser fazer as suas inscrições, está desde já convidado a consumir produtos regionais e, como tal, contribuir também para a sustentabilidade”.
Em suma, a Autarca considera que o projeto “Cooperar para uma Agricultura Sustentável, tem aqui três ideias fundamentais. Por um lado, a agricultara como base, por outro a sustentabilidade que implica, por si só, a vertente social, a vertente ambiental e a vertente económica. Por último, talvez o vetor mais importante, o da cooperação. Nós enquanto agente territorial privilegiado de contato com todas as entidades e com a população em geral, consideramos que podemos ser um moderador importante, nesta cooperação entre os vários agentes”, reiterou.
No que ao Biomomento diz respeito, Maria Azoia, explica que esta iniciativa surge “como um momento em que pretendemos na vertente de informação e sensibilização, trazer estas questões relacionadas com a agricultura e com a sustentabilidade (…) enquanto consumidores. No fundo, pegando na expressão que nós somos aquilo que comemos, a Câmara considera fundamental trabalhar com a sua população no sentido de procurar soluções mais vantajosas para todos. Se conseguirmos produzir aquilo que consumimos, estamos a reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, estamos a reduzir custos com transportes, estamos a melhorar a qualidade dos alimentos que comemos, e, uma vez que são colhidos e consumidos no mesmo local não estão sujeitos a grandes termos de conservação, nem a condições de transporte”, acrescentou.
E porque o tema da palestra que ia ter lugar estava ligado à questão da rotulagem dos produtos, lembrou “a última vez que falei de rótulos cheguei a uma conclusão, que não é brilhante, foi exatamente na Convenção do Dia da Alimentação Saudável que percebi porque é que as mulheres passam tanto tempo nas compras. Não é que andem a comprar muita coisa, demoram é muito tempo a ver os rótulos. Porque é tanta informação, que vem lá, só que era bom que fosse verdade, mas se calhar não é. Os rótulos das embalagens, nomeadamente dos produtos alimentares, trazem em si o bilhete de identidade do produto que vamos consumir e, como tal, a informação é fundamental para a nossa saúde”.
Por seu turno, Luís Coelho, saudou a iniciativa, Biomomento, “porque ela não representa um momento isolado”. O presidente ATIC referiu que “para pessoas que como eu já estão nesta área há 22 anos, vemos começar e acabar projetos às vezes no dia imediatamente a seguir, ficamos um bocadinho isolados porque achamos que merecemos muito mais. Quer nós os técnicos das autarquias, quer inclusivamente as populações e as câmaras municipais que se sentem defraudadas porque também acalentam muitas expectativas de chegarem junto dos cidadãos e depois, por motivos alheios á sua própria vontade, acabam por não chegar”.
Luís Coelho concorda com Maria Teresa Azoia, “de facto nós somos um bocado o produto do que comenos. Nós estamos sempre a falar de consumo, já viram? Nunca estamos a falar de ambiente. Estamos a falar de uma coisa que está a montante. De facto, existem políticas ambientais. Dificilmente consegui ver uma política de consumo. Estamos sempre a falar de consumo. Ou seja, será que o consumo não tem aqui um papel importante? Não é tão leão, quanto o ambiente? Se calhar é. Se calhar não percebemos bem como é que havemos de agir nesse sentido. Será que se todos consumirmos biologicamente não mudamos o ambiente?”.
O presidente da ATIC referiu a importância dos Centros de Informação Autárquica ao Consumidor (CIAC), no caso de Santarém Núcleo de Informação Autárquica ao Consumidor (NIAC), serviço que enquanto cidadãos devíamos procurar mais vezes, porque “está programado, tem competências e tem valências para poder ajudar o consumidor a consumir bem”.
Luis Coelho, não tem dúvidas que os CIAC “têm um papel fundamental para indicar às pessoas que a agricultura biológica é de facto uma via correta”, na interação com as escolas, os centros de dia e com toda a comunidade”, considerando este serviço de livre acesso, o próprio recurso da comunidade e do cidadão, quando tem dúvidas ou problemas ao nível do consumo.
No tocante à rotulagem, Luís Coelho utilizou um exemplo prático para demonstrar a importância desta etiqueta. “Se nós na rua, por ventura, formos abordados por uma autoridade e nos perguntar quem somos, o facto de dizermos o nosso nome, não diz nada à autoridade. Temos que exibir alguma coisa que prove que somos aquela pessoa”. Logo, o rótulo aparece como o bilhete de identidade dos produtos, para que as pessoas possam ficar a saber as substâncias que o compõem.
Contudo, “a maior parte dos rótulos são difíceis de ler. A letra é pequena, muitas vezes não se consegue perceber e estão cheios de artimanhas”. Para além da composição, os rótulos também nos informam sobre os métodos de conservação, informação útil, porque “precisamos, muitas vezes, de os manipular”.
Pegando no tema dos produtos dietéticos, alertou para o fato de haver produtos que dizem ser especializados no efeito da perda de gordura, sendo mais caros que outros sem essa indicação, mas têm a mesma composição. Facto comprovado e demonstrado pela associação que representa. Desta forma derivou para o binómio “publicidade vs informação”, lançando a pergunta à audiência “Publicidade é informação?”. Luís Coelho é perentório em afirmar que não. Para o presidente da ATIC o único local onde a publicidade é informação é na informação contida nos medicamentos, mas mesmo assim considera ser importante haver alguma filtragem técnica.
O tema da rotulagem foi aprofundado com algumas designações como nos congelados a letra ”e” que representa o peso escorrido dos produtos. Porque “podemos comprar um produto que pese 500 gramas e depois de escorrido, descongelado, pese 250 (…) Metade do que pagamos é água”.
Para ajudar a consumir bem foram abordadas algumas “dicas para comprar no supermercado” e “dicas para um consumo responsável”, que foram entregues em suporte de papel a todos os participantes, assim como uma tabela de “alimentação & nutrição”, onde os consumidores podem conhecer os níveis de toxicidade atualmente conhecida dos principais aditivos legalmente autorizados, tema também.