No meu primeiro mandato, que termina em Outubro de 2013, quero sobretudo ter a certeza que fiz tudo o que estava ao meu alcance para concretizar os objectivos a que me propus. Quero ter a certeza que ouvi e apoiei quem solicitou a minha ajuda. Quero olhar para trás e saber que consegui ter um bom relacionamento com todas as pessoas com quem trabalhei e que sempre estiveram ao meu lado nos bons e maus momentos. Sabia que, ao aceitar este desafio, não seria fácil todos os dias mas diante de todas as dificuldades pude sempre acreditar em pessoas, funcionários e alpiarcenses, que me disseram que nem sempre a idade ou a experiência são o mais importante em cargos desta natureza.
Alpiarça é um concelho com muitas carências. Tem falta de serviços e infraestruturas de apoio às famílias que se queiram fixar na nossa terra.
Alpiarça, por ser um concelho com uma única freguesia, tem uma necessidade acrescida no que toca ao desenvolvimento económico e social. Uma freguesia desta dimensão deveria ter um apoio mais favorável por parte do Estado e de todo o poder central.
As empresas têm dificuldade em sustentar-se por falta de investimento e de lucro. A falta de procura muitas vezes corresponde a uma falta de oferta. Se a população não tem poder de compra não pode sustentar quaisquer empresas que se fixem na nossa terra.
O que gostaria de fazer e que ainda não foi feito?
Tenho um projecto acabado na gaveta da minha secretária que não pode ser concretizado por falta de verbas. Este projecto é a reabilitação do Edifício da antiga escola Visconde Barroso - um edifício emblemático para Alpiarça que se encontra em avançado estado de degradação e que poderia servir muitas das associações que estão instaladas noutros locais com menos condições físicas.
Gostaria que fossem transportados todos os jazigos que se encontram no Cemitério velho para o Cemitério novo. Este transporte equivale a milhares de euros impossíveis de conseguir com o orçamento que a Junta tem disponível para todas as necessidades que se impõem. Uma vez concretizado este trabalho, o espaço do Cemitério Velho deveria ser alvo de uma requalificação de fundo.
Qual é maior dificuldade que sente enquanto autarca?
O poder local é, sem qualquer dúvida, o que está mais perto das necessidades das populações. Por este mesmo motivo deveria ser também mais valorizado por parte do poder central.
Como autarca sinto uma enorme impotência de concretizar o que quero e gostaria para melhorar a qualidade de vida dos alpiarcenses.
lpiarça, como outros concelhos do distrito, vive momentos de grande dificuldade, existem pessoas com grandes carências ao nível das necessidades mais básicas. Não poder dar resposta e colmatar algumas destas necessidades é uma grande frustração para uma pessoa que exerce um cargo de Presidente de uma Junta de Freguesia. Pessoas que me abordam a pedem ajuda porque lhes chove em casa, porque não têm casa-de-banho, não têm dinheiro para dar de comer aos filhos, comprar livros, roupa e tantas outras necessidades que, tantas pessoas subestimam porque as consideram como adquiridas.
Já para não falar das pessoas que se dirigem diariamente à JFA a pedir emprego ou qualquer ajuda que lhes possa ser dada.
O nosso Gabinete de Inserção Profissional tem feito um trabalho bastante positivo. Coloca desempregados nas empresas do Concelho ou do Distrito. Conseguimos nestes três últimos meses empregar mais de vinte pessoas numa grande empresa sediada na zona industrial de Alpiarça.
Para mim, isto é muito mais importante que qualquer obra de cimento que se possa fazer. Dar trabalho a uma pessoa desempregada é dar-lhe, pelo menos, a possibilidade de se sentir útil, de sentir que existe esperança numa vida melhor.
Quais os principais problemas que a Junta de Freguesia enfrenta?
Não querendo ser repetitiva ao insistir no tema "falta de verbas", terei mesmo que o fazer!
Desde 2009 (ano em que iniciei o mandato) já foram retirados ao orçamento da JFA mais de trinta mil euros por parte do Estado. Dinheiro este que nos tem feito muita falta para concretizar todos os objectivos a que nos tínhamos proposto no programa eleitoral.
A dívida que existia à ADSE, que rondava os 37.000€, e que se vinha a acumular há 14 anos, é agora obrigatória ser paga por parte da Junta de Freguesia.
A Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL) enviou-nos um oficio a comunicar que a partir daquela data, iria reter trimestralmente 8.500€ até perfazer o total da divida.
Em negociações com o Diretor da ADSE, consegui chegar a um acordo bastante razoável, fazendo diminuir o valor para 2.500€ trimestrais.
Todas estas dificuldades são enfrentadas diariamente com muita seriedade e cautela pensando sempre no que é melhor para a nossa população.
As opções que se tomam, na gestão de um organismo como a Junta, são de grande responsabilidade e, nem sempre, temos a certeza de que estamos a agir da melhor forma e de acordo com as aspirações do nosso povo.
A Junta de Freguesia tem feito algumas obras recentemente?
A Junta de Freguesia não tem feito obras de grande envergadura pelos motivos que referi anteriormente.
Temos a nosso cargo a manutenção do Jardim Municipal, Jardim D. Dion, Jardim da Igreja e todo o espaço exterior e interior do cemitério novo. E também o espaço interior do cemitério velho.
Todos os parques infantis dentro e fora das escolas são da inteira responsabilidade da Junta.
O canil municipal, que neste momento tem 10 animais, é diariamente limpo por um funcionário da Junta. Todos os animais são alimentados com ração comprada pela JFA e não saem dali sem serem vacinados ou possuidores de chip.
As estufas existentes na Reserva Natural do Cavalo Sorraia pertencem à JFA e fornecem flores e plantas para a vila toda.
Aconselho vivamente todos os alpiarcenses a visitarem as nossas estufas que têm uma enorme variedade de flores e plantas produzidas por nós. O excelente trabalho que é lá desenvolvido é merecedor de uma visita.
Alpiarça é um concelho com vida?
Claro que tem vida. Somos um concelho atento e consciente de todo o trabalho que se faz para o desenvolvimento da terra. Não nos deixamos levar por demagogias e falsas politicas.
Enfrentamos de cabeça erguida qualquer dificuldade que nos é imposta.
Somos um concelho com grandes tradições de luta e não baixamos os braços perante injustiças, venham elas de onde vierem.
Quais as obras/projectos levadas a efeito que considera mais relevantes enquanto presidente da Junta?
Não percebo o teor da questão. Se tiver a ver com obras levadas a cabo pela Junta estarei a repetir-me e isso será cansativo para os leitores.
Relativamente a outras obras do concelho, deverão ser os alpiarcenses a pronunciar-se.
A “Feira do Melão” tem sido uma iniciativa da Junta de Freguesia no entanto nos momentos oportunos os “louros” vão para o Executivo da CDU. Aceita que assim seja ou há alguma estratégia política?
Em 2010, toda a organização do Festival do Melão foi de inteira responsabilidade da Junta de Freguesia (Executivo e Funcionários) conforme consta no nosso programa eleitoral. Foi um sucesso do qual muito nos orgulhámos. O trabalho foi duro mas conseguimos concretizar o nosso objetivo e pôr de pé um digno Festival do Melão.
Ressuscitámos o Melão de Alpiarça e trouxemos à nossa terra muitas pessoas que se deslocaram só para o provar.
Demos valor ao que Alpiarça tem de mais genuíno. A nossa agricultura, quem trabalha nela e o fruto da mesma.
Talvez por ter corrido tão bem e ter tido tanto sucesso, nos anos seguintes deixámos de ter um peso tão importante na organização deste Festival. A organização deixou de ser da total responsabilidade da Junta de Freguesia e passou a ser da Câmara Municipal.
Quero acreditar que, tal foi feito, a pensar no bem estar dos nossos agricultores, deste fruto oriundo da nossa terra e da população em geral.
Acredito sempre que, todas as atitudes que se tomam, seja por parte de quem for, têm sempre um parte positiva e, neste caso, se o sucesso foi aproveitado para o bem da nossa população, eu congratulo-me.
Concorda com a lei que limita o número de mandatos possíveis a um presidente de Junta?
Acho que devemos dar oportunidade a outras pessoas de mostrarem o valor do seu empenho e trabalho.
Qual o sentimento que a invade por ser este o seu último mandato enquanto presidente da Junta de Freguesia de Alpiarça.
Quem sabe se é o último? Pode ser o primeiro de três...
Admite candidatar-se de novo a presidir a Junta de Freguesia ou como já constou: deixará de ser uma candidata ao órgão a que preside para concorrer pelas listas da CDU na lista da Câmara nas próximas eleições autárquicas?
Esta pergunta, para mim, além de ser evasiva e polémica, não faz qualquer sentido.
Quais as suas relações com a oposição, nomeadamente com o PS e CDS?
Sempre tive boa relação com a oposição. Temos um membro do CDS no nosso Executivo e o trabalho tem sido bastante positivo.
Quando as pessoas trabalham para um bem comum, é fácil o entendimento.
Sente-se acarinhada pela população?
Muito. Tenho conhecido, trabalhado e convivido com pessoas extraordinárias.
Tem sido acusada de pouco ou nada fazer pela Freguesia. Está de acordo?
Nunca podemos agradar a todas as pessoas e aceito as criticas que me têm sido feitas pelos eleitores.
A sua “celebre” entrevista que deu a um semanário da região fez ou não fissuras nas suas relações com o PCP?
Não considerando célebre a entrevista que dei, é evidente que, a partir daí, tudo se alterou.
Como mulher sente-se realizada ou ambiciona “voar mais alto”.
Todo e qualquer ser humano deve ter como objectivo principal de vida evoluir sempre.
É o que pretendo para mim e para o meu futuro.
António Centeio