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Domingo, 25 de Novembro de 2012
SANTARÉM: Infeções por citomegalovírus (CMV)

Por: Antonieta Dias (*)

 

A infeção por citomegalovírus é uma doença viral que pode ser adquirida,  antes de nascer ou surgir em qualquer idade.  

Num estudo efetuado em clínicas destinadas a pesquisas de doenças infecto contagiosas nos Estados Unidos, foram encontrados anticorpos para o CMV em cerca de 90% dos homens heterossexuais e 60% das mulheres observadas.

Sabe-se que este vírus infecta cerca de metade da população de adultos novos nos Estados Unidos, sendo por isso um vírus muito comum na comunidade, passando a sua infeção por vezes despercebida.

Os doentes com infeção ativa podem alojar o vírus na saliva e na urina durante meses.

O citomegalovírus é um vírus DNA ubíquo, do grupo da família dos herpes vírus humanos, ao qual pertencem também o vírus do Epstein Barr, o vírus da varicela zóster e o vulgar vírus herpes simplex.

Relativamente à infeção pelo vírus herpes –zóster, uma das precauções muito importantes a reter é que o vírus herpes –zóster pode desencadear uma doença ocular, ou intestinal, sobretudo em doentes com HIV, sendo a doença que provoca mais casos de cegueira neste grupo de pacientes.

O diagnóstico é feito habitualmente através de um teste laboratorial ”O Teste ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay”, podendo ser utilizados outros testes para esse efeito.

Na seriação das determinações considera-se infeção aguda quando surge uma elevação quatro vezes mais em intervalos de 10 a 14 dias. 

O diagnóstico da doença é feito com base nos resultados laboratoriais, associados à clinica do doente e depois de excluir outras patologias.

Importa, referir que este vírus (CMV), pode provocar uma retinite muito frequente nos doentes com SIDA, mas produzem também lesões em vários locais do organismo humano, designadamente na orofaringe, nos pulmões, no aparelho urinário, nomeadamente na bexiga ou nos rins, no aparelho digestivo (fígado), e no cérebro.

Os estudos efetuados em dadores de sangue saudáveis, realizados nas populações industrializadas, demonstraram que 40 a 60%, destes indivíduos apresentavam marcadores de contacto (anticorpos)com o CMV.

Porém, na maior parte das vezes esta infeção é benigna, não desencadeia doença ativa devido à resposta eficaz do nosso sistema imunológico, que nos defende da aquisição de doença, não sendo por isso diagnosticada.

Excetuam-se os casos em que as pessoas têm um sistema imunitário que se encontra deficitário como por exemplo nos indivíduos com HIV, nos quais a doença se pode vir a desenvolver com sérias complicações.

Se a infeção por CMV, surge em grávidas pode ter riscos graves, por poder desencadear alterações no desenvolvimento fetal.

Numa pessoa que tenha sido infetada com este vírus, mesmo que a doença não se desenvolva, o CMV permanece latente na saliva, no sémen, nas secreções vaginais, na urina e noutros fluidos corporais, podendo ser transmitido através das relações sexuais e no contacto do beijo, bem como noutras situações mais complexas como por exemplo nos pacientes submetidos a transplantes de órgãos.

Este vírus quando inativo, pode em situações de maior fragilidade imunitária reativar-se e provocar doença no indivíduo onde se encontra alojado.

Entre 60 a 90% dos adultos tiveram já um infeção em qualquer momento da sua vida, sem sintomatologia manifestada.

Tendo por base as divulgações reveladas nos Centers for Disease Control o CMV, esta doença representa 10 % das infeções oportunistas nos doentes com SIDA.

Nas necrópsias realizadas neste grupo de doentes, a infeção por CMV, foi identificada em 50% dos casos. 

Porém, tendo em conta o número de estirpes do CMV, as pessoas que já tenham sido infetadas, não ficam imunizadas podendo ser reinfectadas, com novas estirpes de vírus.

Nos doentes infetados pelo HIV, na década de 1980 a taxa de retinite aumentou seis vezes, esta situação pode ser explicada na maior parte das vezes por uma reativação da infeção quiescente e num numero muito pequeno de casos devida a reinfeção.

Os doentes que desenvolvem retinite por CMV, queixam-se de visão turva, moscas volantes, sendo um fator de procura da especialidade de oftalmologia.

O período de incubação da doença após a infeção varia entre 4 e 12 semanas, todavia, os anticorpos IgM, surgem logo no início e uma semana mais tarde surgem os anticorpos IgG.

Esta doença pode ser falsamente interpretada como uma mononucleose infeciosa, quando se manifesta com sintomas idênticos, com atingimento do sistema respiratório, digestivo, neurológico (febre, astenia, poliartralgias, mal estar, leucopenia associada ou não a trombocitopenia, hepatoesplenomegalia, erupções cutâneas , linfadenopatias, sendo mais ou menos exuberantes conforme o estado imunitário do paciente.

Se esta doença se desenvolve numa grávida, pode provocar lesões cerebrais irreversíveis, nomeadamente paralisia cerebral, ou epilepsia, lesões oculares (cegueira), surdez, lesões hépato-esplénicas, cuja gravidade é variável e depende da resposta do hospedeiro.

Como meio de prevenção da doença aconselha-se o uso de preservativo pelo menos no primeiro trimestre da gravidez.

Os recém-nascidos infetados com o CMV, eliminam o vírus pela saliva e pela urina, podendo vir a infetar as crianças com quem convivem diariamente.  

Não existem medicamentos  preventivos da doença.

O tratamento da doença é feito com antivíricos (por exemplo ganciclovir ou foscarnet). Contudo, estes fármacos podem não curar a doença, porém minimizam ou atrasam a evolução da doença.

O tratamento com estes medicamentos, implica uma vigilância periódica dos doentes, com intervalos muito curtos, destinada a verificar não só a resposta do doente ao tratamento instituído, mas também para controlar os efeitos laterais do mesmo, sendo que o efeito colateral mais frequente do ganciclovir é a neutropenia, que na maior parte das vezes regride com a interrupção do fármaco.

De acordo com a portaria n.º 21/95, o ganciclovir (ministrado por via endovenosa) é disponibilizado gratuitamente pelo Ministério da Saúde.

Como se depreende estas terapêuticas necessitam de uma vigilância médica permanente, com controlo laboratorial apertado, são das infeções oportunistas mais frequentes nos doentes infetados por HIV e podem ser também uma causa importante de doença em qualquer grupo populacional saudável.

Em suma, apesar da infeção por CMV, na grande maioria dos casos ficar silenciosa, devido à capacidade de defesa do nosso sistema imunológico, isso não impede que se venha a manifestar como doença que requer intervenção farmacológica agressiva pela gravidade do quadro clínico que pode desencadear, não podendo por isso ser menosprezada e muito menos, esquecida.     

 

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:44
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