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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013
Temas de Saúde: As Famílias portuguesas estão em risco? São vítimas de Maus – Tratos?.

Por: Antonieta Dias (*)

 

O rendimento “per capita”, isto é o rendimento mensal médio por pessoa do agregado familiar dos portugueses, está a gerar muitos conflitos intrafamiliares, que se têm vindo a agravar-se nestes últimos seis meses.

São considerados como rendimento global anual da família os honorários auferidos, onde se incluíam, subsídio de férias, de natal, pensões, bem como outros rendimentos dependentes dos bens patrimoniais de todos os elementos do agregado familiar.

Assim, os elementos envolvidos na família são pessoas dependentes da economia comum do casal e dos filhos ou de outras pessoas que aí coabitam, quando estamos perante famílias alargadas.

Com base no conceito de agregado familiar doméstico (pessoas que vivem na mesma casa), cujo grau de parentesco une a família e a torna sólida, coesa e funcional, independentemente de se tratar de uma família nuclear, com ou sem filhos, de uma família alargada, de uma família reconstruída ou simplesmente de uma família unitária.

Porém, infelizmente, não encontramos actualmente muitos exemplos de famílias tradicionais em que a funcionalidade interpares traduz a verdadeira família a que estávamos habituados a ter.

Na realidade este conceito de família tradicional, tem vindo a perder-se, sendo várias as situações que têm contribuído para a destruir.

Citaremos a título de exemplo alguns indicadores de vulnerabilidade e risco social, que envolvem várias famílias, desde que se instalou a precaridade social, responsáveis pela perda de valores e união familiar.

Pensar que estes problemas são isolados, é ignorar a pobreza desencadeada pelas políticas sociais que assertivamente estimularam uma série de processos em agregados familiares, alguns já de si marcados por um risco prévio, onde o nível educacional, a precaridade do mercado de trabalho, os baixos rendimentos, a violência doméstica, a prostituição infantil, o abuso sexual de mulheres e o abuso de menores, sinalizavam um alto risco intrafamiliar.

Porém não podemos concluir, que apenas estas famílias disfuncionais, onde predominavam fenómenos desfavoráveis facilmente susceptíveis a comportamentos desviantes, possam ser as únicas atingidas por este retrocesso social.

As desigualdades, a pobreza, e a vulnerabilidade social são as três questões, que mais contribuíram para desestruturam as famílias portuguesas estáveis, levando a situações de desespero, nalguns casos extremos, traduzidos por vezes apenas um refúgio uma saída, que se os leva à destruição pessoal ou mesmo à destruição da própria família.

Situações dramáticas estão a ser relatadas e vivenciadas actualmente, sendo que pelo grau de degradação experienciada, não expectável até há bem pouco tempo, transformam e destroem a saúde das famílias portuguesas.

O facto de existir uma pobreza instalada no seio da família, só por si origina uma série de problemas que algumas vão conseguindo adiar na expectativa e esperança de dias melhores.

Todavia, a crise financeira do sistema sócioeconômico, instalada nas famílias em geral, sendo que neste momento a classe média é das mais atingida, dado que de repente e inesperadamente se vê privada de bens essenciais, cujo vencimento anterior à crise económica era suficiente para manter a sustentabilidade familiar, porque auferiam honorários que permitiam manter um nível de vida proporcional ao trabalho que desenvolviam e continuam a desenvolver, mas agora com horários de trabalho acrescidos devido a um aumento da carga semanal, com vencimentos diminuídos (perda de subsídio de férias, de subsídio de natal, de diminuição do valor da reforma, de diminuição do vencimento, gerada pelo aumento de impostos) colocam em risco a possibilidade de satisfazerem as necessidades básicas e entram em falência total, porque as despesas são as mesmas, e o rendimento é menor.

São vários os indicadores que nos alertam para o risco familiar, desencadeado por uma série de privações de ordem física, emocional e social, que se traduzem pelo aparecimento de comportamentos desviantes, vejam-se os homicídios relatados recentemente (mães que matam os filhos, porque não os conseguem sustentar), violência doméstica, que apesar do  número de notificações ser inferior ao número de casos vivenciados, pois este drama ainda continua a ser uma área muito sensível, para a qual grande parte das pessoas, tem dificuldade em aceitar e revelar, por se tratar de situações de índole muito pessoal e íntima, pelo elevado número de depressões que têm sido diagnosticadas, pelo agravamento das doenças crónicas e pelas doenças agudas, que originam uma procura menos atempada aos cuidados de saúde, sendo muitas vezes já tardia para impedir o aparecimento de sequelas, que poderiam ser evitadas, se as doenças fossem tratadas em tempo útil.

Associada a esta complexidade de problemas, acresce, ainda a constatação da existência de maus-tratos que tem subido assustadoramente, atingindo sobretudo idosos e crianças dependentes, muitas vezes resultante da falta recursos económicos existentes no seio da família, onde estes dois grupos etários são entendidos como um fardo no seio da família, cuja precaridade económica e carências sociais disponíveis, geram situações dramáticas, cuja resolução não se vislumbra e tem tendência a agravar-se.

Diariamente constatamos com situações impensáveis e imprevistas, vivenciadas por famílias funcionais economicamente estáveis que de repente verificam que a sua vida se encontra num beco sem saída e sem futuro, desencadeada pela perda do emprego(de um ou até dos dois conjugues), pela diminuição do rendimento gerada pelo aumento da carga fiscal, pela privação de todos os recursos indispensáveis à manutenção das suas despesas mínimas diárias, cujo resultado final é a pobreza instalada.

É óbvio que os recursos psicológicos disponíveis para a gestão de todos estes conflitos não são ilimitados e então consequentemente surge a doença física e psicológica, associada à instabilidade social (são os filhos que emigram e abandonam os pais, são os idosos que ficam cada vez mais sós e abandonados, muitos deles emagrecidos e desnutridos, porque a sua reforma não lhes permite ter uma alimentação adequada, são os pais que voltam a receber os filhos, pela impossibilidade de subsistência familiar pré-existente).

Estes factores abalam o Estado de Bem Estar social, que proporciona uma falência na estabilização do sistema socioeconómico, e degrada as condições de vida, limita o acesso aos bens matérias indispensáveis à sobrevivência humana e reduz naturalmente a coesão intrafamiliar.

Em suma, passamos a ter um ciclo de vida carenciada e inibida onde os adultos desesperam, porque não conseguem reequilibrar as esferas económicas e socais, as crianças e os idosos descompensam, os jovens emigram à procura de um futuro e as redes sócioassistenciais passam a ser mais solicitadas por todas as classes sociais, em que a estratificação social determina o acesso diferencial aos bens, ao prestígio e ao poder.

O estado tem cada vez menos capacidade para apoiar estas famílias, pois o universo de pobreza é cada vez maior, registando-se uma vulnerabilidade traduzida pela dependência económica, vivenciada pelas famílias, que já não auferem qualquer rendimento porque ficaram inibidas do acesso ao trabalho e obviamente à sua remuneração.

É consensual que a dimensão disponível de recursos é avaliada segundo a renda familiar per capita e existe um mínimo indispensável para conseguir sobreviver.

Neste momento tendo em conta a insustentabilidade social do País, passamos a viver num pântano movediço cujo fim será imprevisível mas certamente resultará num índice de desenvolvimento familiar insustentável, implantado num território, desprovido de apoios na saúde, na família, na educação, no mercado de trabalho, na vulnerabilidade social e sem recursos, onde predominará a doença, por ser impossível manter a saúde, que não abrange o conceito determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera a saúde como o mais completo bem estar físico, psicológico e social e não apenas a ausência de doença.

 (*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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