Da mão do frade para o seu prato
À semelhança do ano anterior, a Confraria Gastronómica de Almeirim, em parceria com a Câmara Municipal e alguns restaurantes de Almeirim, organiza o 2º Festival da Sopa da Pedra, a decorrer em Almeirim durante todo o mês de fevereiro.
Este festival tem como principal objetivo atrair mais visitantes a Almeirim e fazer com que fevereiro seja lembrado como o mês da Sopa da Pedra. Esta sopa tradicional ribatejana foi uma das candidatas finalistas às 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa.
De todos os restaurantes do concelho, 11 aderiram à iniciativa: o restaurante David Park, marisqueira Paulos, O Condestável, O Febra, O Forno, O Galinha, O Minhoto, O Pinheiro, O Toucinho, Quinta de Sant’Ana e O Zézano. Nos restaurantes aderentes está previsto atuações de ranchos folclóricos e de um grupo de teatro. O "frade", figura emblemática da lenda da sopa da pedra, também irá fazer parte deste evento distribuindo brindes oferta pelos restaurantes.
Durante todo o mês de fevereiro irá ainda decorrer um concurso destinado aos clientes cujo prémio a sortear no final do evento será um fim de semana num hotel de 4 estrelas e um jantar gourmet.
A par desta iniciativa decorre uma outra intitulada Não Bebeu Tudo, Leve a Sobra, Peça o Saco para quem não consumiu todo o vinho durante a refeição. Os restaurantes aderentes fornecerão um saco especial para o transporte da garrafa e poderem consumir em casa o que sobrou.
Lenda da Sopa da Pedra
Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:
Vou ver se faço um caldinho de pedra…
E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade. Perguntou o frade:
Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.
Responderam-lhe: Sempre queremos ver isso!
Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu:
Se me emprestassem aí um pucarinho…
Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.
Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas…
Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele:
Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!
Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via.
Dizia o frade, provando o caldo: Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.
Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou: Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!
A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela. Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade :
Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…
Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo.
A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou: Ó senhor frade, então a pedra?
Respondeu o frade: A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.
E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.