Na sua intervenção, António Valente, disse aos presentes que “em termos de mortes na estrada e acidentes com feridos graves ainda estamos, não sendo os piores da Europa, num patamar muito elevado”. O vereador aproveitou o facto de estarem ali “as entidades que têm responsabilidade na fiscalização das regras de trânsito no nosso distrito e também nas estradas do País, para tecer algumas considerações”.
O autarca alertou para o “comportamento dos condutores dos carros pesados. Sabemos que as estradas na província, não estando a falar de autoestradas, nem de vias rápidas, são estreitas. Não têm condições para os seus condutores e é de fazer perder a paciência a qualquer condutor. Por norma, marimbam-se para o automobilista que vem atrás. Isto dá origem ao seguinte: o automobilista que vem atrás acaba por perder a paciência, ultrapassar pelo local onde não deve, com uma velocidade que não é a adequada, e acaba por resultar em acidente”. António Valente afirmou que esse comportamento muda ao passar a fronteira para Espanha, “começam a ter um comportamento diferente, que normalmente é o de facilitarem a ultrapassagem”.
Enquanto vereador da proteção civil chamou ainda à atenção para outro problema ligado ao estacionamento, “um comportamento habitual em quase todos nós e que me parece que termos de segurança e proteção civil devia ser alterado. Não há quase nenhum automobilista que ao estacionar um carro o faça da maneira mais correta, que é deixar a viatura posicionada de forma a poder rapidamente sair. Normalmente, não queria dizer isto, mas as senhoras fazem mais isto, que é estacionar de frente”.
Respondendo a Antonio Valente, Osvaldo Nunes considera que “os condutores de pesados cometem, de facto, alguns erros. Eles conduzem veículos que são muito pesados, têm dimensões enormes, e, de alguma forma, não facilitam a vida a todos os condutores. Mas a vida deles também não é facilitada. Eles conduzem, muitas vezes, carros com muito mais dificuldade de condução do que os outros. Nós que aparentemente somos mais rápidos, pensamos que eles nos têm que facilitar a nós. Talvez aqui o dever cívico seja mais do individuo que tem o automóvel mais pequeno, em ter paciência para esperar”.
O formador das escolas de condução identifica como principais causas dos acidentes a velocidade, o álcool, a fadiga e o estado do condutor. Osvaldo lembra que em ambos os casos se trata de falha humana, uma vez que são condutores que devem tomar as devidas precauções para evitar o acidente.
Por isso deixou algumas recomendações aos automobilistas, para evitarem sinistros: não importunar, compreender, não surpreender e não ser surpreendido. Estas são as regras que fazem com que haja harmonia na circulação rodoviária. Osvaldo Nunes sublinhou que “na estrada cabe a cada um de nós usar regras de cidadania, quer enquanto condutor, peão ou passageiro”.
Manuela Guerra falou do trabalho da PSP de Santarém, que faz um levantamento mensal dos pontos negros, locais onde ocorrem mais acidentes no perímetro urbano. A chefe da PSP lembrou que em 200
9 morreram mais de 35 mil pessoas das estradas da União Europeia (EU). Por essa razão existem orientações políticas sobre a segurança rodoviária para 2011 e 2012, que visam a redução do elevado número de acidentes, sobretudo de mortos e feridos graves.
A chefe de Trânsito sublinha a importância que os automobilistas devem prestar aos peões. “Ando com o coração nas mãos, quando, às vezes, há alguma avaria e os semáforos ficam intermitentes. Comunico logo para a Autarquia”
Por seu turno, o capitão Márcio Nunes, começou a sua apresentação por falar no drama que é o elevado número de mortos nas estradas portuguesas. Avançou os dados provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que representam o conjunto dos sinistros registados pela GNR e pela PSP, para o ano 2012. Um cenário trágico que totaliza 580 mortos, 2033 feridos graves e 35.727 feridos ligeiros.
O comandante do destacamento de trânsito da GNR refere que “apesar de não sermos dos países piores da União Europeia, ainda não somos dos melhores. Falta-nos um bocadinho para chegarmos à zona verde”. Por isso deixou conselhos para os automobilistas, “o condutor deve adequar a sua condução à via onde circula” ainda que algumas “vias de circulação pudessem ter sido melhor construídas”. Assim os condutores não devem ingerir bebidas alcoólicas, conduzir se cansados, falar ao telemóvel enquanto conduzem e devem, sobretudo, cumprir os limites de velocidade
Carlos Catalão, moderador deste colóquio, finalizou os trabalhos com o agradecimento pela presença e participação dos presentes e lembrou a importância a prevenção rodoviária na prevenção ao flagelo dos acidentes na estrada, que todos anos vitimam milhares de pessoas. Como se inaugurava a Escola Fixa de Trânsito de Santarém, convidou os presentes a estar também na cerimónia.