Por: Antonieta Dias (*)
Um sistema de motivação de recursos humanos numa organização pública de saúde deve incentivar os colaboradores a cumprir a sua missão, melhorar o seu desempenho e produzir bons resultados .
Quando se pretende mudar e organizar um novo sistema de gestão de saúde a pergunta que devemos fazer para ter êxito é saber se com essa mudança a prestação do novo serviço vai melhorar a sua qualidade.
Uma boa gestão implica responsabilidade e definição de objetivos e políticas conducentes a uma organização de qualidade possuidora de processos de trabalho que conduzam à satisfação dos utentes.
Esta é a única forma de atingir o nível da evidência de políticas eficazes da qualidade na saúde, em que os recursos devem ser geridos eficazmente para que os processos decorram sem falhas.
A medicina familiar, tem tido um papel preponderante na promoção e prevenção da saúde. Apesar de ser uma especialidade relativamente recente que poderá ser definida como um conjunto de conhecimentos sobre os problemas que os médicos de família têm que resolver de acordo com a sua capacidade técnico-científica, onde a competência do médico de família se traduz na sua capacidade de diagnosticar e de tratar todas as situações que lhe surjam.
Foi no ano de 1971, com os Decretos de Lei, n.º 413 e 414, que se implementou a grande mudança dos serviços de saúde.
Passou-se a partir daí a considerar como prioritárias as atividades de promoção da saúde e prevenção da doença, tendo sido criados programa de vigilância específicos.
Mais tarde com o Decreto Lei n.º 254/82 de 29 de Junho, foram criadas as Administrações Regionais de Saúde, das quais dependem os Centros de Saúde.
O despacho normativo n.º 97/83 de 28 de Fevereiro regulamentou os Centros de Saúde, apesar de ter sido só em 1990 que foram estabelecidas as directrizes, através do Decreto de Lei n.º 48/90. As principais orientações eram as seguintes:
-Promoção da saúde e prevenção da doença;
-Igualdade no acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, seja qual for a sua condição económica;
-Tomar medidas específicas para grupos sujeitos a maiores riscos, tais como: crianças, adolescentes, grávidas, idosos, deficientes, toxicodependentes e trabalhadores cujas profissões o justifiquem;
-Promoção dos indivíduos e da comunidade organizadora na definição da política de saúde, do planeamento e no controlo do funcionamento dos serviços;
-Incentivo à educação da população para a saúde, estimulando nos indivíduos e nos grupos sociais à modificação dos comportamentos nocivos à saúde pública ou individual.
Nos últimos anos as políticas de saúde desenvolveram um papel fundamental, nas acções dos Centros de Saúde, sobretudo com os acontecimentos mundiais, em que se destacam:
Conferência de Alma Ata (1978),
Estratégias e Saúde para todos (OMS 1985)
Conferência de Otawa (1986)
O Decreto Lei n.º 60/2003 de 01 de Abril, cria a rede de cuidados de saúde primários.
“A prestação de cuidados de saúde primários, considerada em todos os sistemas e políticas de saúde como a principal via de acesso aos cuidados de saúde em geral, necessita de ser repensada, no nosso país, por forma a atingir o propósito fundamental de prestar aos cidadãos mais e melhores cuidados de saúde. Entendeu, assim, o Governo promover as indispensáveis alterações legislativas, consideradas inadiáveis no plano estrutural e funcional, na perspectiva de evolução do actual sistema de organização dos cuidados de prestação dos cuidados de saúde primários, mais próximos dos cidadãos, das suas famílias e comunidades, simultaneamente mais eficiente, socialmente mais justo e solitário.”
Objectivos da Medicina Familiar
1-Prestação global e contínua de cuidados
2-Elo de ligação com todos os elementos da família
3-Domínio de todo o campo do conhecimento médico
4-Prevenção da doença e promoção da saúde
5-Gestão dos recursos comunitários e do sistema de cuidados de saúde para o bem estar dos seus utentes
6-Incentivar para o cumprimento do Plano Nacional de Vacinação é um dos deveres do medico da Família, tendo em conta que as vacinas (que o nome advém de vaccínia) são substâncias, geralmente produzidas a partir de agentes patogênicos (vírus ou bactérias), ou ainda de toxinas, previamente enfraquecidos. Ao inserir no organismo esse tipo de substâncias, fazemos com que o corpo combata o agente estimulando a síntese de anticorpos, que protegem o nosso organismo, além de desenvolver a chamada memória imunológica, tornando mais fácil o reconhecimento do agente patogénico em futuras infecções e aumentando a eficiência do sistema imune em combatê-lo. Quando o corpo é agredido por algum agente patogénico não chega a desenvolver a doença porque o organismo encontra-se protegido, impedindo por exemplo os vírus de se multiplicam sem controle (gerando doenças) num organismo, se o terreno lhe for favorável.
As vacinas previnem doenças como hepatite, febre amarela e sarampo (Louis Pasteur celebrizou-se pela formalização científica da vacina).
Em Portugal, assiste-se a uma redução acentuada do nível endémico das doenças, directamente associada à melhoria dos índices de desempenho do Plano Nacional de Vacinação, com uma evidente redução da prevalência das doenças.
Por essa razão é que a vacinação é considerada pelos especialistas um dos principais avanços na saúde pública mundial e, em especial em Portugal, sendo um dos mais importantes meios de prevenção de doenças infecciosas.
Vacinar é uma das principais formas de garantir saúde para crianças, adultos e idosos, além de reduzir os riscos de epidemias em toda a comunidade.
O Dr. William define vacina como o produto orgânico obtido a partir de pedaços de um agente infeccioso específico, ou do agente morto por um tratamento químico ou, ainda, do próprio agente após tratamento por um processo que não o mata, mas diminui sua capacidade agressiva, mantendo-o vivo, mas incapaz de produzir a doença.
As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de protecção contra certas doenças. Mesmo quando a imunidade não é total, quem está vacinado tem maior capacidade de resistência na eventualidade da doença surgir.
Não basta vacinar-se uma vez para ficar devidamente protegido. Em geral, é preciso receber várias doses da mesma vacina para que esta seja eficaz. Outras vezes é também necessário fazer doses de reforço, nalguns casos ao longo de toda a vida.
A vacinação, além da protecção pessoal, traz também benefícios para toda a comunidade, pois quando a maior parte da população está vacinada interrompe-se a transmissão da doença.
Uma medida de obtenção de redução dos custos com a saúde é a de promover e incentivar a vacinação, pelo que se deve aproveitar o caminho estruturado, que conduz à Qualidade e obter as vantagens de uma cobertura vacinal a 100%.
Esta é a forma mais eficaz de poupar na saúde e de gerir um Sistema de Saúde de acordo com os seus princípios demonstrando ser um dos mais eficazes exercícios de inteligência de quem gere a saúde. “
(*) Doutorada em medicina