FRANCISCO NICHOLSON ESTEVE À CONVERSA NO CARTAXO
O ator, argumentista, dramaturgo e encenador foi o convidado de José Raposo para a habitual tertúlia do CCC, realizada no dia 24 de março
Francisco Nicholson esteve no Centro Cultural do Cartaxo (CCC) na noite de 24 de março, a convite de José Raposo, na habitual tertúlia “José Raposo Convida”.
O ator, argumentista televisivo, dramaturgo e encenador promoveu uma conversa muito bem humorada, recheada de histórias em torno do teatro, sobretudo do teatro feito na altura em que as artes de palco começaram a preencher a sua vida – anos 60 e 70.
José Raposo considerou Francisco Nicholson “um formador, um grande professor, porque desde muito novo esteve sempre à frente dos grupos onde esteve inserido”.
É o caso do Teatro Nacional de São Carlos, que ajudou a fundar e do qual foi diretor, ou do Teatro Adóque, que fundou e foi o local onde lançou atores como Ana Bola, Helena Isabel, Virgílio Castelo ou Henrique Viana.
Desde muito novo que Francisco Nicholson se começou a afirmar como ator e autor, tendo-se estreado profissionalmente a desempenhar essas duas funções na peça infantil “Mistérios Até Mais Não”, no Teatro do Gerifalto.
Foi no Teatro ABC que se popularizou com o teatro de revista e foi com o programa televisivo “Riso e Ritmo” (1964) – em que foi autor e ator, contracenando com Armando Cortez – que se deu a conhecer a todos os portugueses.
O sucesso que Francisco Nicholson alcançou na sua carreira deve-se talvez à postura que sempre fez questão de manter. “Fui sempre muito irreverente e às vezes influente. Atrevia-me a desafiar os poderes instituídos”, revelou.
Francisco Nicholson “apaixonou-se pelo teatro” no Liceu Camões, onde começou a representar. Como os pais não o deixaram seguir a carreira do teatro, teve de esperar até completar 21 anos para decidir ele próprio o caminho a seguir.
Juntou o dinheiro que tinha ganho na Marinha e rumou para Paris, “o centro da cultura mundial na altura”, onde frequentou a Academia Charles Dullin. Regressou depois a Portugal, decidido a fazer teatro, mas muitas portas se fecharam.
“A primeira função que tive no meio teatral foi o lugar de ponto. Eu aproveitei, mas a peça era muito má, ninguém estava a gostar, e então eu, como fui sempre muito atrevido, disse-lhes que conseguia fazer um texto melhor em 24 horas. Deram-me uma semana para escrever uma nova peça, eu demorei apenas 48 horas, mas não fui à cama. Gostaram muito e escolheram a minha peça para abrir a temporada”.
O teatro que nessa altura se fazia, “fazia-se por vocação, porque se gostava verdadeiramente. E os pais faziam tudo para que os filhos não fossem para o teatro, inventava-se imensas histórias. Hoje há mães que quase empurram os filhos para os nossos braços. Há muito talento, mas há também muita gente a quer fazer teatro apenas para ver o seu nome nos cartazes”, considerou.
Se há coisas que o ator e encenador gosta de guardar na memória, são histórias que o marcaram por conterem mensagens que foram para si “uma lição de vida”.
“O Bikini foi a primeira revista que fiz – no início dos anos 60, no ABC – e foi um estoiro enorme, um grande sucesso, porque era diferente e ninguém estava à espera. Eu era o autor e participava também como ator. No dia seguinte à estreia ia a entrar no Parque Mayer e cruzo-me com um ator consagradíssimo que me diz que adorou a revista, mas deu-me um conselho: não representes, escreve só. Mais à frente encontro um autor muito consagrado, que também tinha achado a revista fantástica, mas cujo conselho era: não escrevas, representa só. Foi uma lição para toda a vida”.
Francisco Nicholson não deixou de representar nem de escrever. Depois de ter passado pela Companhia Nacional de Teatro e pelo Teatro Estúdio Lisboa, inaugurou o Teatro Villaret integrando o elenco da peça “O Inspetor Geral de Nicolau Gogol”. No dia 25 de abril de 1974, o ABC tinha em cena “Tudo a Nu”, de que era autor, encenador e ator.
Dirigiu e interpretou variados programas televisivos, escreveu diversas novelas – tendo sido o autor de “Vila Faia”, a primeira telenovela portuguesa –, foi também autor de várias séries para televisão e argumentista no cinema. Recentemente encenou a peça “Isto É Que Me Dói”, com José Raposo e Sara Barradas, em cena no Teatro Villaret até final de março.
COMÉDIA SOBE AO PALCO EM VALE DA PINTA
“Há Petróleo no Beato” pretende recordar Raul Solnado e é apresentada em Vale da Pinta nos dias 5 e 6 de abril
Nos dias 5 e 6 de abril, às 21h30, a Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta é palco da apresentação da peça de teatro “Há Petróleo no Beato”, trazida ao concelho do Cartaxo pela Companhia Forever Mesmo Teatro.
A peça recorda o saudoso Raul Solnado, que nos anos 80 escreveu este texto para teatro, juntamente com Júlio César, Francisco Mata e Gonçalves Preto. O sucesso da peça levou mais tarde a RTP a reproduzi-la em versão televisiva.
Trata-se de uma comédia divertida, cuja história gira em torno da descoberta de petróleo no quintal de um motorista de táxi, que mora com a família numa humilde casa no Beato.
Encenada por Manuela Passarinho, a peça conta com a participação especial de Eládio Clímaco, que juntamente com Noémia Costa, Paulo Patrício, Fernando Lupach, Joana França, Miguel Santiago, Filipe Salgueiro, João Duarte, Vitória Sousa e Anita Marques prometem momentos de grande divertimento.