NOVA PEÇA DE TEATRO COMUNITÁRIO SUBIU AO PALCO NO CARTAXO
A comédia “As Alegres Comadres de Windsor” envolveu um elenco de mais de 50 atores e teve uma assistência de mais de mil espetadores
A comédia “As Alegres Comadres de Windsor”, de William Shakespeare, esteve em cena quatro dias no Cartaxo e contou com mais de um milhar de espetadores. Este foi o terceiro projeto de teatro comunitário do concelho do Cartaxo, que juntou em palco um elenco de mais de 50 atores e uma banda.
A peça estreou a 19 de abril, no Centro Cultural do Cartaxo (CCC), onde foi preparado todo este espetáculo, quase em tempo record. “Foi um mês e meio de ensaios, não ensaiando todos os dias, mas muitas vezes a trabalhar até às duas da manhã, sendo que muitos dos atores às 7 já tinham de estar a caminho do trabalho”, revelou o encenador, Frederico Corado.
Mais uma vez, foi “um grande desafio” para o encenador dirigir um elenco composto por mais de 50 elementos, de diferentes faixas etárias e, na maioria, sem qualquer formação nas artes de palco. O trabalho “foi árduo”, mas gratificante. “Não me digam que não conseguimos realizar os nossos sonhos, porque está aqui o exemplo. Com muito esforço, dedicação e amor, é possível concretizar sonhos comuns”, reforçou Frederico Corado.
A melhor recompensa que os atores recebem são os aplausos no final de cada espetáculo. E mais uma vez, a afluência de público foi grande, tendo sido também “um orgulho” para o encenador ver na plateia figuras conhecidas, ligadas ao teatro e não só, que vieram de Lisboa e de outros pontos do país propositadamente para assistir à peça – na assistência, no último dia, esteve por exemplo o ator Ricardo Carriço.
Atores participam no projeto “por amor” às artes de palco
Pisar um palco tem sido de facto um sonho para muitas pessoas, que encontram neste projeto uma forma de o concretizar ou, em muitos casos, de continuar a participar em projetos ligados ao teatro.
No papel de uma das “comadres” esteve Ana Ribeiro, que após ter integrado o grupo do primeiro curso de Expressão Dramática do CCC, decidiu seis anos depois repetir a experiência de pisar o palco. “Sempre gostei muito de teatro, não tenho feito por falta de disponibilidade e porque fui colocando outros projetos à frente. Desta vez, como era uma comédia, e eu gosto muito de me rir e divertir, decidi vir”, revelou.
João Nunes participou no anterior projeto, que levou à cena “O Crime de Aldeia Velha”, e decidiu continuar, sobretudo porque se trata de “uma experiência muito gratificante”, ainda que dê muito trabalho. “Não há como descrever o que sentimos quando ouvimos as palmas, isso significa que valeu a pena e que as pessoas gostaram do nosso desempenho”, referiu, reconhecendo que “foi um esforço muito grande colocar o espetáculo em pé neste prazo”.
Há mais tempo ligado ao projeto está Mário Reis, que participou nos três espetáculos já realizados. Para si, o mais importante é a relação que se estabelece entre todas estas pessoas à volta do teatro. “Começam-se a cimentar amizades, a criar relações, cumplicidades até, e daí estar a começar a haver um grupo – e é esse o objetivo deste projeto – que possa usufruir deste espaço maravilhoso que é o CCC para proporcionar à população do Cartaxo o melhor que consiga”. Um mês e meio de trabalho para quatro horas de espetáculo “só mesmo quem não tem outra coisa para fazer ou está com o coração inteiro em cima do palco”, acrescentou.
A relação de José Manuel Rodrigues com o teatro é mais duradoura. Pertenceu a um grupo que foi durante 20 anos profissional e há 15 anos que é diretor desse grupo, em Santarém. O que mais lhe agrada neste projeto realizado no Cartaxo “é a ideia de um teatro da coletividade, em que qualquer pessoa pode vir e fazer”. José Manuel Rodrigues destaca também o facto de existir um encenador profissional a dirigir o espetáculo, com o qual “aprendemos muita coisa”. Os atores, esses trazem o amor por esta arte. “É uma relação de amor. Fazer isto em dois meses é extraordinário e é muito gratificante chegarmos ao final e vermos que conseguimos e que estamos cá para fazer mais”, acrescentou.
Além da representação, os atores receberam também ensaios específicos de dança e voz, isto porque muitos deles também cantaram e dançaram em palco.