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Domingo, 28 de Abril de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Medicina das viagens/ Que vacinas recomendar?

Por: Antonieta Dias (*)

 

Tendo em conta os dados de da Organização Mundial de Turismo que em 2005, registou 800 milhões de viajantes em voos internacionais, dos quais cerca de 50% (402 milhões)foram viagens de lazer, 212 milhões tinham como objetivo visitar familiares,  amigos ou motivos religiosos e os restantes 116 milhões tinham sido motivados por negócios.

Nesse ano 125 milhões de pessoas visitaram zonas de malária. Em 2010, as viagens para zonas tropicais subiram mais de 5%/ano. Estima-se que a tendência é  de continuar a aumentar, sendo que, uma percentagem significativa dos viajantes em 2013, tem como destino final não o lazer mas sim a necessidade de trabalhar.

Esta mudança faz com que a permanência em zonas tropicais se torne numa estadia por períodos de tempo mais prolongados, onde a facilidade de importar ou exportar doenças  promove um ecossistema favorável à disseminação de patologias que se diagnosticadas tardiamente podem conduzir à morte.

Importa, contudo referir que para além das recomendações gerais algumas empíricas, baseadas apenas no “bom senso”, outras documentadas pela medicina baseada em evidências  em que o conteúdo científico caracteriza a consulta do viajante cujas orientações se transformam em pérolas.

Assim, a necessidade de se proceder à vacinação de forma individualizada e dirigida para o país de destino, implica um conhecimento imprescindível nesta área para se fazer o aconselhamento adequado.

Sem dúvida que quanto maior for o tempo de estadia numa região tropical em local urbano ou rural, maior é a probabilidade de o viajante experienciar risco para a saúde, sendo que a permanência em zonas rurais, aumenta a possibilidade de contrair uma doença do foro infecioso, se as condições higienosanitárias forem precárias.

Independentemente da necessidade da prescrição da farmácia de viagem que deve ser apetrechada não só com os medicamentos crónicos que o viajante tem que levar consigo, existem outros medicamentos e produtos gerais que são essenciais nesta farmácia, em que apenas como exemplo passamos a descriminar:

  1. Produtos gerais (termómetro, “steri-strip”, adesivo, compressas esterilizadas, tesoura, agulhas e seringas, repelente de insectos, antimicótico tópico, toalhetes, ligaduras elásticas, creme hidratante e protetor solar).
  2. Medicamentos  (antipiréticos, sais de rehidratação oral, corticoide tópico, antibióticos, colírio oftálmico, antihistaminico, leveduras, anti-emetico, e naturalmente sempre que se justifique a terapêutica para a quimiprofilaxia da malária).

Muitas vezes precisamos de alargar a variedade destes medicamentos, se o mercado local é escasso e não tem disponíveis fármacos de uso corrente.

Para além, das vacinas que estão incluídas no Programa Nacional de Vacinação, existem outras que de acordo com a viagem que  o viajante vai realizar poderá correr risco  de adquirir doenças graves, merecendo por isso aqui ser referidas.

1-Febre amarela é  uma doença provocada por um vírus RNA da família Flaviviridae, género Flavivirus.

A infeção resulta da picada de um artrópode, sendo o mais frequente o Aedes aegypti. Predomina na zona intertropical da América do Sul e África, sendo recomendada a vacina e nalguns Países é mesmo obrigatória, sem a qual o viajante não poderá entrar no respetivo País.

Esta vacina é  ministrada numa dose única, tendo a validade de dez anos e encontra-se disponível nos Centros Nacionais de Vacinação de Coimbra, de Faro, de Lisboa do Porto(e suas extensões) e no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e Hospital D. Estefânia em  Lisboa.

Esta vacina deve ser conservada no frio, entre 0º e 8º C. Não deve ser ministrada a crianças com idade inferior a 12 meses. A imunidade desenvolve-se ao fim de dez dias.

As normas internacionais exigem uma dose de reforço de dez em dez anos.

A vacina é bem tolerada, porém podem surgir alguns efeitos adversos em 2 a 5% dos casos (cefaleias, febre baixa, mialgias). Sendo uma vacina neurotrópica poderá desencadear encefalite, porem a incidência é baixa, está estimada em um para oito milhões de doses (nos lactentes pequenos poderá ser de 0.5 a quatro, para mil doses de vacina.

Em adultos americanos estima-se que seja de um para 200 a 300 mil. Na faixa etária de sessenta anos ou mais calcula-se que seja de um para 40 a 50 mil doses.

Esta vacina está  contraindicada em pessoas alérgicas ao ovo, em doentes imunodeprimidos graves e nas grávidas deve ser avaliado o grau de risco/benefício.

2-Febre tifóide é uma doença provocada por uma bactéria gram negativo, Salmonella tiphy, transmitida de pessoa a pessoa pela ingestão de água ou de alimentos contaminados.

Estima-se que ocorram cerca 16 milhões de casos e 600 000 mortes em todo o mundo.

A região mais frequente é a zona tropical, sendo o risco estimado de um para trezentos viajantes.

De entre os Países de maior risco incluim-se a índia, o Bangladesh, o Paquistão, o Perú e a América Latina.

A eficácia desta vacina varia entre 62% e 72% em crianças, não induzindo imunidade nas crianças com idade inferior a dois anos.

É ministrada numa dose única, no mínimo uma semana antes da viagem, exigindo reforços de dois a três anos.

É uma vacina bem tolerada, podendo dar apenas um desconforto e dor local em cerca de 7% dos vacinados e em 3% dos casos pode dar febre mau estar ou cefaleias.

As reações anafiláticas são raras.

As contra-indicações são a imunossupressão, doentes infetados com HIV, grávidas, doentes com síndrome febril agudo ou com doenças  gastrointestinais agudas.

Recomenda-se aos viajantes que vão para destinos endémicos cuja estadia seja superior a um mês.

3-Hepatite A, é  uma doença de caráter endémico e epidémico causada por um vírus RNA (VHA), pertencente ao género Hepatovírus da famíliaPicocornaviidae. A  transmissão é fecal oral, transmitida de pessoa a pessoa através de alimentos e águas contaminadas. Os países tropicais são endémicos.

A vacina deve ser ministrada pelo menos duas semanas antes da viagem, mas se for realizada imediatamente antes da partida a sua eficácia é superior a 90%.

Os efeitos laterais são sobretudo locais, bem tolerados e raramente sistémicos.

A vacina não deve ser ministrada a pessoas com antecedentes alérgicos ao alumínio e ao fenoxietanol.

Estes são alguns exemplos de vacinas que são recomendadas na consulta do viajante.

Uma palavra ainda para o DENGUE, que é uma doença causada por um vírus, transmitida por mosquitos do género Aedes, peretencentes á família Flaviviridae, não prevenível pela vacinação.

É prevalente nas regiões tropicais e estima-se que ocorram cerca de cem milhões de casos por ano, quinhentos mil dos quais na forma hemorrágica, de que resultam vinte e cinco mil mortes.

O vector mais importante é o Aedes aegytu que tem a particularidade de se alojar no meio urbano.

O mosquito pica a qualquer hora do dia, porém a maior incidência é ao amanhecer e antes de anoitecer.

Na maior parte dos casos surge um quadro caracterizado por síndrome febril, de instalação súbita, com 5 a 7 dias de duração, associado a cefaleias frontais, mialgias e artralgias.

Nalguns casos do 3.º  ao 5.º dia pode surgir um exantema maculopapular, não pruriginoso, na face, tronco e membros, poupando a palma das mãos e a planta dos pés.

No Sul da América e no sudoeste da Ásia a forma hemorrágica é a mais frequente. Não existe vacina contra o dengue, pelo que se aconselham as medidas de proteção gerais.

Em suma, se pretende viajar, não se esqueça de fazer a consulta do viajante na pré (4 a 6 semanas antes ad partida) e pós viagem.”

 

(*) Doutorada em medicina

 

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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