Os desafios que se colocam à produção de vinho biológico foram abordados neste encontro, que decorreu no dia 29 de abril
O Cartaxo recebeu no dia 29 de abril as I Jornadas do Vinho Biológico, integradas na Festa do Vinho 2013, numa organização conjunta da Associação Portuguesa de Horticultura (APH), do Colégio de Engenharia Agronómica da Ordem dos Engenheiros (OE) e da Câmara Municipal do Cartaxo, com a colaboração do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
A recente legislação sobre a produção de vinho biológico esteve no centro desta iniciativa, uma vez que os agentes e entidades do setor acreditam que está aberto o caminho para um maior desenvolvimento e incremento no mercado dos vinhos produzidos segundo os métodos biológicos.
Pedro Gil, vereador da Câmara Municipal do Cartaxo, deu as boas-vindas aos oradores e participantes neste encontro, afirmando que, tratando-se de “uma temática tão importante, que pode vir a ser muito mais explorada pelos vitivinicultores do nosso país”, é fundamental refletir sobre os novos desafios e partilhar experiências sobre o que tem vindo a ser feito nesta área.
Na sessão de abertura, Pedro Castro Rego, na qualidade de representante do Colégio de Engenharia Agronómica da OE, defendeu a necessidade de se fazer uma reflexão o mais abrangente possível sobre o projeto do vinho biológico. “Já havia uma experiência da uva em produção biológica, mas neste momento é altura para pensarmos em conjunto se o projeto atual é o que nos interessa para o futuro”, referiu, acrescentando que “vai ser um projeto longo no tempo, por isso seria importante que ele crescesse o mais direito possível”.
O diretor-geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pedro Teixeira, presidiu à sessão de encerramento do encontro e considerou que, ainda que a produção biológica seja pequena, ela é “muito dinâmica”, sendo “sinónimo de segurança, sustentabilidade, e rastreabilidade”.
Pedro Teixeira identificou como principais desafios à produção de vinho biológico aumentar a concentração da oferta, criar mais escala e aumentar o número de produtores.
“Os custos elevados ou o nível de qualificação ainda insuficiente podem representar limitações, mas existe um avanço à partida, porque a produção está organizada, os circuitos de exportação já existem, há experiência e prémios já ganhos”, constatou, afirmando que “a Direção Geral está empenhada na credibilização do regime de produção biológica, reforçando o seu reconhecimento e promoção no mercado”.
Entidades e agentes do setor acreditam que há condições para o aumento da produção de vinho biológico em Portugal
As Jornadas contemplaram várias comunicações, entre as quais a apresentação de dois casos práticos – um trazido pela empresa Fonseca Guimarães, Vinhos S.A., que tem desenvolvido um trabalho de mais de 20 anos na produção de vinhos em modo biológico, na região demarcada do Douro; e um outro da Sociedade Agrícola do Vale Godinho, na região Tejo, que expôs as principais dificuldades de comercialização e as exigências técnicas relacionadas com a produção de vinhos biológicos.
Cristina Hagatong, da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, e Anabela Alves, do IVV, esclareceram sobre o enquadramento regulamentar da vinificação biológica, que surge 20 anos depois da legislação da produção biológica, bem como as regras obrigatórias aplicáveis à marca e rotulagem.
João Vaz-Freire, da Certis – Controlo e Certificação, fez uma abordagem dos organismos de certificação e controlo, de como funcionam e das ferramentas que têm ao seu dispor, tendo reconhecido a independência, imparcialidade, eficácia e competência como os quatro principais princípios do trabalho de certificação de um produto.
A partir da década de 90, a produção biológica passou a ter um peso cada vez mais significativo na economia portuguesa. Em 1994, havia 7 mil hectares de área cultivada sob os métodos biológicos e 234 produtores. Em 2011, a área cultivada passou para os 219 mil hectares e o número de produtores atingiu os 3500.
As I Jornadas do Vinho Biológico envolveram ainda, no período da tarde, uma visita ao Museu Rural e do Vinho do Concelho do Cartaxo e provas comentadas de vinhos biológicos e de vinhos candidatos à mesma designação.