Iniciativa começa sábado. Segunda-feira à noite contará com uma conferência por Manuel Maria Carrilho. A apresentação de um jogo de tabuleiro, um livro e dvd sobre o mundo aeroespacial e um concurso de contos em que os leitores vão votar são algumas das novidades.
Faltam poucos dias para a abertura de mais uma edição da Feira do Livro de Tomar, este ano de novo no Pavilhão Municipal, durante dez dias, de 1 a 10 de Junho.
A abertura do certame coincide com o Dia Mundial da Criança e é uma boa oportunidade para um passeio em família. Há milhares de livros para ver, folhear e adquirir a preços em conta, e pode contar ainda com muita animação para os mais pequenos, uma vez que decorre no espaço contíguo a iniciativa “Os pais também brincam”, no âmbito da Semana da Criança e do Ambiente (das 11 às 13 e das 15 às 18 horas).
No domingo, dia 2, os mais pequenos são de novo convidados especiais, no recinto da feira, onde há “Histórias com bicho” para ver e ouvir, às 11 horas.
A Feira, essa, abre sempre às 10 horas da manhã e encerra às 23 horas no dia inaugural, e ainda nos dias 3, 7 e 8. Nos restantes encerra às 22 horas, com uma única excepção, o último dia, em que fecha às 20.
“Pensar o mundo” com Carrilho
Do programa para os dias seguintes, destacam-se a presença do romancista Carlos Vale Ferraz, para uma sessão de conversa com os leitores às 16h30 do dia 2 de Junho, domingo. Natural de Vila Nova da Barquinha e antigo aluno do Colégio Nun’Álvares, em Tomar, Carlos Matos Gomes, de seu nome verdadeiro, abordará obras como “Nó cego”, “A filha do legionário” ou “Fala-me de África”.
Na segunda-feira à noite será o filósofo Manuel Maria Carrilho a realizar uma conferência intitulada “Pensar o mundo, repensar Portugal”, após um apontamento musical, às 21h30, pelo Coro da Universidade Sénior de Tomar.
Ministro da Cultura de 1995 a 2000 e embaixador de Portugal junto da UNESCO de 2008 a 2010, o também Professor Catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, publicou em 2012, em dois volumes, a colectânea “Pensar o Mundo”, que reúne a sua obra publicada nas últimas três décadas. Em Tomar, e por todas as razões da conjuntura nacional e internacional, Carrilho partirá desse vasto acervo teórico para perspectivar o futuro, num encontro que será naturalmente valorizado pela interacção com o público presente.
Quinto Império, conquista do espaço e História
Na terça-feira à tarde, muda-se de tabuleiro, com a apresentação de um exemplo da capacidade criativa nacional, o jogo “Quinto Império”, pelo seu autor, David Mendes, entre as 14h00 e as 15h30.
Na noite de quarta-feira, às 21 horas, será a vez de voltarmos a partir à conquista de novos mundos, ou pelo menos percebermos como se trabalha hoje para isso, e pela mão de especialistas tomarenses no assunto, os membros do Clube de Jovens Os Aerocalminhas, e o seu mentor, o piloto João Roque, que apresentarão o livro “Space Camp” e o dvd “À conquista dos céus”.
Na quinta-feira, dia 6, pela mesma hora, o convite é para revisitar o passado, com as ferramentas hoje disponíveis. Oportunidade também para assistir ao vivo à actualização do blogue Biblioteca de Temas Linhaceirenses e conhecer este projecto que desde 24 de Março dá a conhecer ao mundo, diariamente, novos elementos sobre a História daquela aldeia.
Será também feita uma apresentação do livro “Linhaceira e as suas escolas”, com a presença dos seus autores, Miguel Garcia Lopes e Nuno Garcia Lopes, igualmente integrado naquele projecto.
Esteves, Salazar e a estreia de Catarina
O fim-de-semana prolongado em que termina a Feira começa com a presença do jornalista da RTP, também ficcionista, António Esteves, na sexta-feira às 21h30. O autor estreou-se na literatura com “O fracasso do amor”, obra que estará naturalmente em destaque.
No sábado, dia 8, pelas 16h30, mais um momento especial, com o lançamento do livro “O outro lado do obscuro”, a estreia literária de Catarina Lino, uma jovem autora tomarense. A sessão de lançamento da obra, que será apresentada pela professora Graça Quádrio, promete uma viagem a um outro mundo, onde predominam a poesia, a música, o desenho, a fotografia e algumas surpresas...
De seguida estará presente na Feira o escritor e jornalista Tiago Salazar, cuja obra se centra essencialmente nas viagens mesmo quando, em “Hei-de amar-te mais”, se aventura pelas rotas da ficção.
Semear livros e colher autores
Os dois dias derradeiros serão novamente dedicados em especial às crianças e jovens. No domingo, dia 9, pelas 10h30, decorrerá um momento inédito, com a plantação (literal) de um projecto literário para os mais novos, “O pai que semeava palavras”, iniciativa de O Contador de Histórias, integrada no início das comemorações dos 20 anos deste núcleo cultural do concelho.
O mesmo grupo apresenta, às 11h00 da manhã de dia 10 de Junho, a sessão de contos “Lua do Mar”.
Nessa tarde, e bem enquadrado nas comemorações do Dia de Camões, será feito, pelas 17h00, o anúncio dos vencedores do Concurso “Contos na Rua dos Contos”, organizado pela Biblioteca Municipal de Tomar, com a participação de alunos do 1º e 2º ciclo do concelho.
Os trabalhos concorrentes estarão expostos durante a Feira do Livro, sendo todos os visitantes convidados a lê-los e a votarem nos seus favoritos. Esse será o “prémio do público”, mas paralelamente, um júri de reconhecido mérito irá também fazer a sua escolha.
Para além de tudo isto, estará disponível no Pavilhão Municipal de Tomar o melhor da literatura editada em Portugal, a preços compatíveis com a época em que vivemos. É que, no entender da organização, a cargo da Câmara Municipal de Tomar e das Livrarias Nova e Ao Pé das Letras, os livros são um bem essencial.
“Silêncios” nas fotos de Feliciano Pipa e textos de Eduardo Bento
Exposição de fotografia patente desde a semana passada não deixa ninguém indiferente pelo peso das imagens. Textos ajudam a (re)criar os ambientes. A não perder.
Tal como um miúdo, o fotógrafo vai-se movimentando, correndo, olhando e instalando realidades. Eremita e vagabundo, “Pintor de batalhas”, não passa de um construtor de ruínas indutoras de factos. De bonecos entretecidos.
O construtor de imagens, não oferece realidades, mas antes um código de sombras e de sugestões. As imagens capturadas congelam fragmentos onde nada se nega nem se confirma.
A imagem constrói-se seccionando coisas, amarrotando-as, tornando-as parciais, aprisionando-as num permanente elogio de fragmentos que não conhecem o vocabulário do “isto quer dizer” e apontam sempre “para isto foi”. Eurídice já não está lá.
Lá fora, para o “olhar” das lentes, o mundo resume-se a um conjunto de objetos perecíveis, de ruínas retalhadas e grafadas à luz do pensamento, petrificadas pelo olhar de Medusa.
O pensamento prolongado no clique para o “isto foi”, que tanto me seduz, imobiliza o “isto foi”, atira-o para o passado e oferece-lhe um futuro amarelado e cheio de silêncios. Porém, há silêncios que gritam e silêncios que são apenas belos e errados. “Sentir que uma coisa é bela – diz Nietzsche – significa senti-la necessariamente de uma forma errada”, ainda que seja pelo olhar de Medusa ou pela beleza de Eurídice que se perdeu para sempre.
Mas eu não sou fotógrafo e sempre fui avesso a expor.
Recentemente, nem sei bem porquê, desencostei estas imagens fixadas em suporte digital ou no filme fotográfico de pequeno formato, o “velho 135”, já em desuso e, com todos os riscos de qualidade que sabia que estava a correr, sequenciei alguns fotogramas e outros tantos trabalhos digitalizados. Assim se construiu “Silêncios” que deu nome a esta estória de silêncio, quase todo monocromático.
Simples e sem pretensões, esta exposição, superiormente enriquecida pela beleza lírica dos textos de Eduardo Bento, mostra apenas as linhas de luz que se cruzam nas ruinas que instalei… e que o tempo vai envelhecendo por sombras e silêncios errados que, na sua banal frequência, não deixam que os humanos contemplem Eurídice.
Fotografias
Feliciano Pipa, professor do ensino secundário, mestre em Ciências da Comunicação, reside em Torres Novas. No seu percurso amador de fotografia, constam diversos prémios, alguns dos quais se referem:
(Cutty Sark Tall Ships’ Race) Regata internacional do Infante – Porto, Gaia, Matosinhos - seleção para o livro oficial da regata); 1º grande concurso fotográfico “Volta ao mundo”- org. “Volta ao mundo” – prémio e seleç./public.: “melhores fotografias ”; Maratona fotográfica de Lisboa- M.H.; “Lisboa/Lismá” - A. Lisbonense de proprietários- 1º P. duas edições e M.H; conc. nacional de fotografia -IPPAR- “Património arquitetónico do Algarve” -2º P.; “A vila, a vida e a festa” – Constância – 2º P. e M.H.; ”Expo Aves” – C. Ornitólogo - Entroncamento – 2º e 3º P.; “Festas da cidade T. Novas”- 1º P.; “Manuel Simões Serôdio” – Riachos – 1º e 2º P.; “Os azulejos de Viseu” Expovis, Viseu, - M.H; concurso fotográfico “ANI+”,Castelo Branco – 1º P.
Organizou e participou em diversas realizações fotográficas.
Textos
Eduardo Bento, professor de Filosofia do ensino secundário, mestre em Ciências da Educação, reside em Torres Novas.
É autor de:
O nevoeiro dos dias e A casa já não abriga vozes (com fotografias de Margarida Trindade) – poesia.
A caixa de pandora, Nesta torre, A floresta dos sonhos e Auto do lume brando (levado à cena pelo Grupo de teatro da Meia Via - Torres Novas) – teatro.
O olhar que procura um barco - prosa.
Foi diretor do jornal “O Almonda.
Participa em diversos eventos culturais e escreve, com regularidade, para os jornais locais.