Por: Antonieta Dias (*)
É uma doença que se desenvolve com um quadro febril súbito, após penetração do vírus do dengue no organismo.
Tem um período de incubação variável entre três e quinze dias, sendo a média de cinco a seis dias.
Sempre que o paciente é infectado deve procurar os cuidados médicos o mais rapidamente possível, na instituição de saúde que estiver mais próxima, pois deve ser observado nas primeiras vinte e quatro horas.
Esta doença não tem tratamento específico, nem possibilidade de ser prevenida pela vacina.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas são anualmente infectadas pelo Dengue. Cerca de 550 mil doentes têm necessidade de hospitalização e 20 mil morrem devido à doença.
O Dengue é provocado pelo mosquito Aedes aegypti, que possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN -4.
O quadro febril na maior parte das vezes evolui de forma benigna, sendo uma doença muito comum nas áreas tropicais e subtropicais.
Quando uma pessoa é infectada pelo dengue, fica com imunidade definitiva para o de vírus responsável pela doença.
A via de transmissão da doença é através do mosquito (fêmea) que deposita os seus ovos em recipientes com água.
Depois de passarem à forma larvar, permanecem na água cerca de uma semana, transformando-se em mosquitos adultos que vivem em média 45 dias.
Os mosquitos que provocam a doença, geralmente picam nas primeiras horas da manhã e ao fim da tarde, contudo podem também picar por vezes durante a noite.
A pessoa que é picada e fica infectada pode até nem sentir nada no momento do contacto com o mosquito, pois na maior parte das vezes a picada não dói nem dá prurido.
A transmissão da doença pelo dengue, exige uma temperatura ambiental entre os 30º a 32 º, e raramente surge com temperaturas abaixo dos 16º.
Quando picam o hospedeiro, as fêmeas passam a alimentar-se do sangue das vítimas.
Este mosquito pelas suas características (com um tamanho de menos de um centímetro, uma cor castanha ou preta com listas brancas no corpo e nas pernas)passa muitas vezes despercebido, podendo voar até uma distância de mil metros de seus ovos.
A doença provocada pelo Dengue pode manifestar-se de duas formas: a clássica e a hemorrágica sendo esta última a mais grave.
Os sintomas surgem três dias após a picada, considerando-se um tempo médio do ciclo entre cinco a seis dias.
A doença manifesta-se por uma hipertermia (febre alta), que surge subitamente, cefaleias(dor de cabeça), agravadas pelos movimentos da cabeça, perda do apetite e do paladar, astenia e adinamia acentuadas e dores articulares generalizadas.
Quando a doença se desenvolve como dengue hemorrágica, o quadro agrava-se pois após o desaparecimento da hipertermia surgem as dores abdominais intensas e permanentes, associadas a vómitos persistentes, hipersudorese, palidez acentuada da pele e mucosas, perdas hemáticas pela boca e narinas (epistáxis e gengivorragias), agitação e confusão mental, sonolência, polidipsia, secura de boca, dificuldade respiratória e perda da consciência podendo rapidamente chegar ao choque e consequente morte nas primeiras 24 horas.
Sabe-se que cerca de 5% dos doentes com dengue hemorrágico morrem.
O tratamento da doença é sintomático, implicando medidas imediatas de suporte, destinadas a aliviar os sintomas, repor os líquidos perdidos, ministrar antipiréticos, promover a hidratação intensiva e permanecer em repouso, são medidas inquestionáveis e imprescindíveis para o tratamento.
Nestes doentes não se devem utilizar salicilatos (aspirina), pois agravam as manifestações hemorrágicas.
O quadro febril, reverte habitualmente após o 3.º dia de aparecimento da doença.
Trata-se de uma doença grave, mesmo quando se manifesta pelo quadro mais simples(clássica)e se infecta um doente com patologia prévia por exemplo se surge num doente com patologia cardíaca a gravidade aumenta.
A única forma de minimizar o aparecimento da doença consiste na eliminação dos focos de reprodução do mosquito, extinguindo os criadouros, evitando a presença de águas estagnadas, mantendo sempre as casas limpas, sem deixar acumular as águas, mesmo as das chuvas.
Esta doença é apenas transmitida pela picada do insecto, não sendo possível o contágio direto doente a doente, nem mesmo através das secreções ou fontes de água ou alimentos.
Infelizmente não existe ainda possibilidades de fazer a profilaxia (imunização), com ministração de vacinas, pelo que a única forma de evitar o contágio desta doença é seguir as regras higieno-sanitárias, e sempre que a doença se manifeste intervir atempadamente com o tratamento intensivo de medidas de suporte destinadas a minimizar o risco.
Prevê-se que dentro de alguns anos haja possibilidade de poder prevenir a doença através da ministração de uma vacina, pois a investigação científica aponta para essa possibilidade a curto prazo, apesar da complexicidade da sua preparação devido à presença dos quatro vírus que foram identificados até ao momento.
Preconiza-se que dentro de cinco anos já se encontre no mercado esta vacina.
Em suma, a infecção pelo dengue é um problema grave de saúde pública que surge em todo o mundo, com maior incidência nos países tropicais, onde as condições ambientais quer rurais quer urbanas são mais precárias, criando as condições para a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
A utilização de insecticidas destinados a irradicar os mosquitos são recomendados pela Organização Mundial de Saúde e devem ser usados, pois têm eficácia na eliminação dos mosquitos, bem como a utilização de larvicidas.
Resta ainda recomendar que o combate ao dengue passa pela eliminação das águas estagnadas, pela utilização de insecticidas, pela protecção ambiental e utilização de medidas básicas higiéno – sanitárias, que não devem ser preteridas, mas sim estimuladas.
Estima-se que mais de cem países, em todos os continentes têm o mosquito que provoca o dengue.
Importa, ainda referir que nos últimos meses têm surgido vários casos da doença, sobretudo a forma mais grave, o tipo hemorrágico, pelo que o aconselhamento mais importante é a promoção das medidas preventivas e o alerta para a necessidade de que se deve recorrer a um centro de atendimento médico(hospitalar), o mais rapidamente possível.
(*) Doutorada em Medicina