Iniciativa organizada pela Junta de Freguesia e Centro Social Ouriquense teve como objetivo comemorar a Batalha de Ourique
Vila Chã de Ourique voltou a recuar no tempo, recriando um conjunto de ambientes e acontecimentos que remeteram à época medieval, mais precisamente à altura em que nas terras desta freguesia se acredita ter ocorrido a Batalha de Ourique, em 1139, da qual saiu vitorioso o Rei D. Afonso Henriques.
Comemorar esse acontecimento marcante da história de Portugal é, aliás, o principal objetivo da Feira Medieval, que este ano decorreu entre os dias 19 e 21 de julho, e que teve como pontos altos a recriação histórica da Batalha, a cerimónia de Coroação do Rei, o Torneio da Pedra Medieval, as demonstrações de falcoaria, os desfiles de figurantes e a apresentação de danças medievais.
A iniciativa é uma organização conjunta da Junta de Freguesia e do Centro Social Ouriquense, que durante três dias evoca a história que a população não quer ver esquecida.
Carlos Ribeiro é o presidente do Centro Social Ouriquense e sente que as pessoas locais “se identificam cada vez mais com este evento”, sendo que também o número de visitantes tem sido crescente nestes últimos quatro anos.
“É um evento que dá muito trabalho, todas as infraestrutras do recinto foram construídas por nós e 90% dos fatos que as pessoas apresentam aqui foram elaborados no Centro Social, por pessoas que se disponibilizaram para isso”, revelou. E neste aspeto, trata-se de cerca de duas centenas de trajes que são colocados ao dispor de todos os que queiram participar no evento.
“Há aqui uma grande união de esforços, sem a Junta de Freguesia e muitos dos voluntários que se envolvem, não seria possível realizar este evento, em que o principal objetivo é preservar a história e relembrar aos mais novos que a Batalha se realizou aqui”, acrescentou.
Para criar todo o ambiente medieval que caracterizou mais uma vez o centro da vila, é necessário começar a trabalhar muito tempo antes do evento. Pedro Monteiro, morador em Vila Chã, despendeu muito tempo na construção de muitas das infraestruturas, mas estendendo o olhar pelo recinto, o sentimento é de satisfação.
“Gostaria muito que este evento não se perdesse, porque é muito importante para a nossa terra, em termos históricos e culturais, por isso devemos passar este testemunho também aos mais novos. Penso até que, pelas características da vila, havia condições para que esta iniciativa ganhasse uma maior dimensão, estendendo-se a outras ruas”, salientou Pedro Monteiro.
Não havendo certezas quanto ao local onde aconteceu a Batalha de Ourique, Hélder Anacleto, que abraçou este projeto desde o primeiro momento, acredita que este evento “é uma forma de afirmarmos este acontecimento como sendo nosso”. Também ele defende que a Feira Medieval deverá continuar a dinamizar a vila anualmente e acredita que haverá sempre pessoas com espírito para continuar a trabalhar em prol da sua realização.
A participar este ano pela primeira vez no evento esteve Carla Bruno. Vestida à cigana medieval, apresentou-se nesta feira atrás de uma banca recheada de artigos de artesanato. “Eu estou a adorar este ambiente, está tudo muito bem organizado, sente-se que as pessoas entraram neste espírito. Cá estarei nas próximas edições”, prometeu.
A recriação histórica da Batalha de Ourique, na noite de 20 de julho, foi um dos acontecimentos mais envolventes da Feira Medieval. Realizada este ano num espaço um pouco mais amplo – na zona lateral à Igreja –, esta recriação histórica confrontou mouros e cristãos, envolvendo cerca de meia centena de figurantes.
A força e a valentia foram colocadas também à prova numa outra atividade que não a luta e que despertou também muito interesse – o Torneio da Pedra Medieval, que contou este ano com seis equipas (compostas por quatro elementos), em que o objetivo é fazer um percurso no mais curto espaço de tempo puxando uma grade com 200 quilos de pedra.