Capacidades de comunicação e expressão das oito candidatas foram avaliadas pelo júri do concurso, no passado dia 17 de agosto
O auditório da Sociedade Filarmónica Incrível Pontevelense, em Pontével, recebeu na noite de 17 de agosto a Prova de Palco – Comunicação e Expressão do concurso da Rainha das Vindimas do Concelho do Cartaxo 2013.
Este ano, a prova teve tema livre, pelo que a criatividade das jovens candidatas foi demonstrada em áreas tão distintas como a história das freguesias, o desemprego, a homossexualidade, a solidão, o futuro dos jovens ou os 25 anos do concurso da Rainha das Vindimas.
Este foi um evento que contou com a presença do vereador da Câmara Municipal, Fernando Martins, de autarcas das oito juntas de freguesia do concelho e de familiares e amigos das candidatas, que encheram o auditório da Sociedade Filarmónica.
PROVAS DAS CANDIDATAS
LAPA – Patrícia Germano
A representação da jovem Patrícia Germano foi apresentada em dois atos. Com a imagem da Boca da Lapa a decorar uma parte do cenário, a candidata representou a donzela que terá sido raptada e aprisionada na gruta, tendo as suas lágrimas alimentado a fonte que hoje continua a haver no local.
No segundo ato, a candidata trouxe ao palco o ambiente da taberna do Zé e da São, demonstrando a rigidez de um pai que não permitia que os filhos escrevessem poesia e tocassem viola. Mas, a conjugação das letras e da música acabou por amolecer o coração do homem e a história teve um final feliz.
VILA CHÃ DE OURIQUE – Catarina Piriquito
Inspirada nos 25 anos do concurso da Rainha das Vindimas, a candidata escolheu para o cenário da sua apresentação a Tasca do Sr. Casimiro. Foi com ele que travou uma longa conversa, centrada nas diferenças entre o passado e o presente.
O nascimento dos primeiros bebés proveta em Portugal, a vitória de Rosa Mota nos Jogos Olímpicos e o incêndio no Chiado foram acontecimentos que marcaram o ano de 1988 – data em que foi lançado o concurso da Rainha das Vindimas – e que foram lembrados por Catarina Piriquito.
VALE DA PINTA – Mariana Heitor
Com o título “O melhor caminho”, a apresentação de Mariana Heitor centrou-se nos desafios que se colocam aos jovens, na procura das melhores soluções para o seu futuro.
Tratou-se de uma reflexão pessoal da candidata, que apontou caminhos para a descoberta das melhores opções para os jovens e de como podem ser ultrapassados os obstáculos. “É-nos dado um livro em branco, a tinta, as ideias, as personagens e o enredo somos nós que criamos”, foi a mensagem deixada no final pela jovem Mariana Heitor.
PONTÉVEL – Tatiana Costa
A candidata de Pontével escolheu o tema da homossexualidade para a sua apresentação em palco. Tendo como cenário uma sala de restaurante, Tatiana Costa foi desenvolvendo uma conversa à mesa com o seu parceiro, falando do estado do país, da crise e do governo, mas também do casamento e co-adoção de casais do mesmo sexo.
Tatiana Costa quis assim demonstrar a sua revolta contra a discriminação em função da orientação sexual, afirmando que “todos são pessoas”, livres e iguais.
CARTAXO – Marta Melo
Marta Melo preparou uma apresentação que teve por base a solidão e a solidariedade. A candidata apresentou-se sozinha em palco, tendo como cenário as imagens de um vídeo.
No meio do reboliço da cidade, um homem parado, encostado a uma parede, com uma criança nos braços e um olhar que transmite sofrimento e solidão, inquieta a jovem Marta Melo, que vê nessa figura a imagem do pai. Quando ganha coragem para ir ao seu encontro, o homem tinha desaparecido.
EREIRA – Andreia Saraiva
O gosto pelo teatro levou Andreia Saraiva a interpretar o papel de um jovem formado que, perante a falta de oportunidades de emprego, decidiu ser arrumador de carros.
O desemprego foi abordado pela jovem candidata com muito humor à mistura. “Mais para a direita, mais para a esquerda e nunca nos deixam ir em frente. Não somos arrumadores, arrumaram-nos. Portugal nasceu mesmo à beira-mar e mete água por todo o lado” – foram apenas algumas das expressões transmitidas por Andreia Saraiva.
VALE DA PEDRA – Tatiana Alexandre
A jovem candidata trouxe à memória uma história que tem como protagonista D. Horta, mulher da noite, que, ao que consta, teve um conceituado cabaret no Cartaxo, frequentado por generais e altos dignitários franceses, aquando da invasão do Exército de Napoleão.
Conta-se que os homens recebidos por D. Horta apareciam mortos na Ribeira do Cartaxo, com uma marca no peito que evidenciava um coice de mula. A história terá inspirado o nome do bar que nos anos 80 tanta fama ganhou no Cartaxo – o Bar Coice da Mula.
VALADA – Bruna Morgadinho
O rio Tejo foi levado ao palco pela candidata de Valada, que representou a vida dos avieiros da aldeia da Palhota e o trabalho do escritor Alves Redol.
A bateira, as redes, o peixe e o salgueiro fizeram parte do cenário que contextualizou uma conversa animada de duas pescadoras avieiras e um pescador, tipicamente trajados e com o sotaque característico. Além da dura vida de pescador, o tema da conversa foi a chegada de “um tal Redol” à Palhota, para escrever um livro.
Antes do espetáculo final, as candidatas vão ainda ter de apresentar a sua freguesia às outras participantes, na prova Visita Guiada, que decorrerá no próximo dia 7 de setembro.