Por: Antonieta Dias (*)
A hiperplasia benigna da próstata (HPB), é uma doença frequente que afeta os homens com mais de 40 anos de idade.
Caracteriza-se por um aumento benigno da próstata e pode provocar um estreitamento da uretra dificultando a micção, o que virá mais tarde ou mais cedo, a perturbar o repouso do paciente devido ao facto de ter necessidade de se levantar durante a noite por um aumento progressivo das micções, sendo por isso uma complicação deveras constrangedora.
É uma patologia muito frequente, afetando 45% dos homens acima dos 45 anos, sendo que a incidência aumenta de 3 casos por 1000, na faixa etária dos 45-49 anos e sobe para 38 casos por 1000, no grupo etário dos 75-79 anos.
A prevalência é de 2.7 % no grupo etário dos 45-49 anos de idade e aumenta para 24% quando os homens atingem os 80 anos de idade.
Os sintomas mais frequentes desta doença manifestam-se por polaquíuria, que se pode complicar provocando infeções do trato urinário e nalguns casos poderá mesmo levar a retenção urinária.
Todavia, é importante deixar bem claro que a hipertrofia benigna prostática não é uma lesão pré – maligna. Pensa-se que está relacionada com a andropausa (diminuição na produção de androgénios pelos testículos), correspondendo a uma fase fisiológica semelhante à da menopausa nas mulheres.
Sabe-se que os androgênios (testosterona), são os principais responsáveis pelo aparecimento desta patologia, o que justifica que nos jovens castrados quando envelhecem não padecem desta doença.
Porém, os dados científicos apontam que a administração de testosterona exógena não está associada ao aparecimento de hiperplasia benigna da próstata.
Esta doença resulta de uma replicação mais rápida das células prostáticas normais que provocam um aumento de volume da próstata e passam a comprimir a glândula e os órgãos vizinhos, enquanto que os tumores malignos da próstata têm uma outra evolução clinica.
Importa, contudo referir, que a obtenção de conclusões assertivas sobre a etiologia desta doença exige que muita investigação ainda tem de ser feita para fundamentar conceitos científicos, baseados em evidências.
Contudo, nesta fase e como nos restantes quadros clínicos para chegar ao diagnóstico existe a necessidade de fazer um interrogatório exaustivo sobre a história da doença, um exame objetivo minucioso, sem prescindir como é óbvio de o complementar com exame de toque retal que é fundamental para verificar se existe ou não uma próstata aumentada de volume, documentada com exames complementares de diagnóstico, designadamente a determinação dos níveis do antigénio prostático específico (PSA), o qual permite descartar doenças malignas.
É a globalidade de todos estes elementos que conduzirá ao esclarecimento da situação clínica, em que o raciocínio médico resultará da reflexão de todos os fatores (percentagem de PSA, livre, toque retal e a ecografia vesico-prostática transretal), para concluir da existência ou não da doença.
Na generalidade os homens não aceitam muito bem esta doença, pelo misticismo e receio de que possa vir a originar uma disfunção eréctil.
O tratamento é fundamentalmente conservador, e só quando este falha é que é necessário optar pela alternativa da correção cirúrgica.
É importante deixar algumas recomendações simples, mas que poderão melhorar a qualidade de vida dos pacientes nomeadamente alertar para a necessidade de diminuir a ingestão de fluidos antes de dormir, moderar o consumo de álcool e produtos que contenham cafeína.
As manifestações clinicas da doença surgem de forma insidiosa, lenta, constando-se que a próstata vai crescendo e começando a comprimir a uretra, fazendo com que o canal urinário, muitas vezes impeça a saída da urina provocando uma maior retenção urinária, aumentando a frequência das micções, perturbando o jacto urinário e a força das micções, impedindo que a bexiga esvazie completamente
Em geral, os pacientes têm a sintomatologia mais acentuada durante a noite, tendo necessidade de recorrer à casa de banho várias vezes, o que para além de lhes perturbar o sono, aumenta o risco de quedas.
Estes pacientes podem em casos mais extremos fazer retenções urinárias devido à escassez da quantidade de urina eliminada que fica retida na bexiga, sendo por isso uma complicação importante da hipertrofia benigna da próstata que obriga a uma intervenção médica urgente e invasiva, nalguns casos de difícil resolução pela que se traduz na algaliação.
O facto de a urina ficar retida na bexiga facilita e desencadeia uma maior incidência de infeções e nalguns casos pode levar a formação litíase renal, com episódios de cólica renal, que poderão mesmo provocar situações de hidronefrose e em casos extremos insuficiência renal.
O tratamento inicial é conservador ministrando alfa –bloqueadores (antagonistas do receptor –alfa 1 (alfazosina, tansulosina), que atuam relaxando a musculatura lisa da próstata e do colo da bexiga ou então usando inibidores da 5 alfa –redutase (dutasterida e finasterida).
Quando o tratamento conservador falha terá que se recorrer à cirurgia.
Em suma, apesar de ser uma doença muito frequente nos homens, exige uma atenção muito especial e sobretudo um acompanhamento médico que dê garantia de melhoria da qualidade de vida ao doente e que lhes incuta confiança na eficácia do tratamento.
(*) Doutorada em medicina