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Domingo, 29 de Setembro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: As enxaquecas/cefaleias

Por: Antonieta Dias (*)

 

Cefaleia é o termo utilizado pelo médico para designar dor de cabeça. É um sintoma frequente e representa uma queixa muito comum de consulta, nas várias especialidades médicas(medicina geral e familiar, neurologia, pediatria, medicina interna, psiquiatria).

A Sociedade Portuguesa de Cefaleias define “cefaleia” como a palavra médica para designar desconforto ou dor de cabeça.

A Sociedade cita ainda a classificação internacional de cefaleias que inclui 14 tipos, que se subdividem em mais de 200 formas diferentes, daí a complexidade do diagnóstico desta patologia.

90% das cefaleias são primárias (ou idiopáticas) e 10% são cefaleias secundarias (ou sintomáticas).

A base de um bom diagnóstico, passa pela colheita de uma história clinica detalhada(anamnese/entrevista), por um exame físico pormenorizado, que inclui o exame neurológico (conjunto de testes realizados na consulta), com exame oftalmológico (observação do fundo de olho), e por vezes é ainda necessária a realização de exames complementares de diagnostico (Tomografia axial computorizada cerebral ou ressonância magnética cerebral), ou outros.  

A cefaleia representa um motivo importante de falta ao trabalho, tendo por isso um valor socioeconómico negativo que se repercute no défice financeiro da entidade patronal e num grande sofrimento do doente.

Cerca de 99% das mulheres e 93% dos homens já tiveram ao longo da sua vida, pelo menos um episódio de cefaleias.

As cefaleias podem ser primárias(mais comuns)onde se incluem as cefaleias de tensão ou secundárias quando  são consequência  de uma outra doença de base como por exemplo tumores cerebrais, acidentes vasculares cerebrais, traumatismos de crânio, meningites, aneurismas, hidrocefalia.

A enxaqueca afeta 10 a 15 por cento da população em geral. Apesar de benigna na maior parte dos casos, transforma-se num problema crónico, interferindo na atividade laboral e consequente perda socioeconómica, devido ao grau de incapacidade que provoca.

A Sociedade Portuguesa de Cefaleias define enxaqueca como uma entidade primária e paroxística, caracterizada por uma dor de tipo pulsátil, hemicraniana (só de um lado), associada na maior parte dos casos a náuseas, fotofobia(intolerância à luz), fonofobia (intolerância ao ruído), vómitos (ausentes em cerca de 50% dos casos) e por vezes a alguns cheiros.

De acordo com a mesma fonte as enxaquecas surgem habitualmente entre os 15 e os 40 anos, mas também podem surgir em crianças e a sintomatologia dura na maioria dos casos cerca de 10 a 30 minutos.

A enxaqueca é  considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das vinte doenças que maior índice de incapacidade origina.

Numa revisão de 19 estudos, publicada na última edição da revista norte americana Neurology, e referida na edição do público em 29.08.2013, cujo conteúdo se transcreve.

“Tradicionalmente, as enxaquecas são consideradas como um problema benigno que não tem um efeito duradouro no cérebro”, considera Messoud Ashina, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e um dos autores deste estudo.” A nossa meta-análise leva a pensar que as enxaquecas alteram de uma forma permanente e de múltiplas maneiras as estruturas do cérebro”, explica o investigador.

A equipa constatou que as enxaquecas aumentam o risco das lesões cerebrais, provocam anomalias na matéria branca e alteram o volume do cérebro. Este risco ainda é maior quando as pessoas sofrem de enxaquecas têm aura-um estado que antecede a cefaleia e que se traduz por distúrbios visuais, formigueiro e dormências no corpo, ou dificuldade na concentração e na fala.

Para esta investigação, os autores analisaram 19 estudos realizados em 13 clínicas onde os participantes fizeram uma imagem de ressonância magnética ao cérebro.

Os estudos mostram um aumento em 68% do risco de lesões no cérebro nas pessoas com enxaqueca e aura e um aumento de 34 % naqueles que apenas têm enxaquecas comparando com indivíduos sem enxaquecas. Em relação a anomalias no cérebro, o risco aumenta em 44% nas pessoas com enxaqueca com aura, comparativamente aos doentes que não têm aura(…).”

Apesar de existir na classificação internacional de cefaleias vários tipos de enxaquecas, os dois subtipos mais importantes são a enxaqueca com aura esta sempre com sintomatologia neurológica transitória( perda de visão, imagem turva, sensação de picada, presença de pontos luminosos , formigueiro ou dormência da face) ou enxaqueca sem aura.

O diagnóstico da enxaqueca é exclusivamente clinico, não havendo marcadores ou testes laboratoriais, que permitam confirmá-lo.

Pode estar associada a outras doenças(enxaqueca secundária ou idiopática).

Quando a enxaqueca com aura surge em mulheres fumadoras, e que utilizam anticonceptivos orais tem um risco aumentado de provocar acidente vascular cerebral isquémico ou outra doença vascular, sendo uma contraindicação a utilização da pilula neste grupo de pacientes.

A abordagem da enxaqueca preenche uma boa parte das consultas em cuidados de saúde primários, pelo que é muito importante promover a sua profilaxia cuja atitude pode reduzir para metade a incidência das crises.

Para que se obtenha uma boa eficácia e assertividade é exigido ao médico de família a obrigatoriedade de motivar o doente para a adesão terapêutica, nem que para tal seja necessário negociar com ele o tratamento, sobretudo quando a enxaqueca tem uma grande duração no tempo.

Tratar bem um doente é diminuir a severidade das crises de forma a provocar uma melhoria da qualidade de vida dos doentes, sendo que uma boa parte já conhece os pródromos da crise e automedica-se antes desta se instalar.

As cefaleias na sua maioria são tratadas pelo médico de família, sendo efetuada a sua referenciação para outra especialidade (neurologia ou outra) sempre que os critérios clínicos justifiquem a sua observação.

O papel preponderante que o médico de família tem na profilaxia e no tratamento desta doença traduz-se num grau de satisfação mútua(médico/doente), muito gratificante em que o doente beneficia e fica deveras satisfeito, pela forma como consegue obter a redução do impacto negativo que este evento tem na vida diária dos doentes e nos ganhos em saúde.

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 12:12
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