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Domingo, 6 de Outubro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Lesões no Desporto. Avaliação do impacto emocional da lesão

Por: Antonieta Dias (*)



A avaliação dos estados emocionais dos atletas lesionados é  um aspeto extremamente importante no período após a ocorrência da lesão. Podem ser úteis alguns instrumentos psicológicos, como, por exemplo, o SCL(Derogatis, 1975) sobretudo as suas elas de ansiedade, depressão e hostilidade MMPI.

Este último, de acordo com Heil (1993) dá-nos informações sobre dois tipos de atletas. Por um lado, deteta aqueles atletas que se caraterizam por um perfil de “somatização” atletas que se queixam de múltiplos sintomas fisiológicos) e por outro, aqueles que reconhecem estar afetados emocionalmente por culpa da lesão.

Em ambos os casos pode-se identificar e será conveniente modificar a  presença de manifestações emocionais que possam interferir no processo de reabilitação.

Convém salientar que estes instrumentos são pouco sensíveis para detetar flutuações emocionais transitórias que podem estar presentes durante as diferenças etapas do período pós-lesão.

Neste sentido, para se poder avaliar com maior consistência e especificidade  as experiências emocionais dos atletas lesionados, devem ser usados outros instrumentos mais apropriados como “Profile of Mood States (POMS)(Mcnair, Lorr e Droppleman, 1971, as escalas de Ansiedass de Leeds (Smit, Bridge e Hamilton, 1976) e as escalas analógicas visuais de Tyrer (1976).

O POMS é uma escala de avaliação psicológica com 65 itens, de onde se extraem 6 resultados relativos a outras tantas dimensões do estado de humor: tensão/ansiedade; depressão; ira/hostilidade;vigor/atividade; fadiga /inércia; e confusão. Com a exceção de vigor /atividade, todos os estados de humor medidos são negativos. Por isso, perfil desejado assemelha-se ao conhecido “perfil iceberg” descrito poo Morgan (1980).

A versão portuguesa de POMS, adaptada  e reduzida por Cruz e Viana (1995)  engloba um total de 30 itens respondidos numa escala de Lickert de 5 pontos (0=nada, 5 = extremamente), mantendo-se nesta versão as seis dimensões do estado de humor subjetivo da versão original desta escala.

As escalas de Leeds e Tyrer são instrumentos muito sensíveis às alterações emocionais das pessoas sendo mais adequados aplicar em momentos específicos como antes da intervenção cirúrgica, ao longo da lesão ou mesmo logo após o reaparecimento.

De acordo com Buceta (1996) qualquer um destes instrumentos de avaliação ou mesmo outros, só podem ser utilizados quando os atletas não coloquem qualquer objeção, podendo surgir casos em que os atletas se oponham a estes tipos de instrumentos. Ainda segundo este autor, a resolução deste tipo de situações passa pelo desenvolvimento de uma relação de confiança com o atleta, informando-o sobre a utilidade dos instrumentos para que compreenda a importância da sua realização.

No entanto, em qualquer dos casos deve  realizar-se uma entrevista de avaliação, no sentido de conhecer momentos crucias do período da lesão, as situações reais a que se associam e as interpretações e significados subjetivos das expetativas, atitudes e crenças do atleta em relação à lesão.

Quando a lesão ocorre, torna-se fundamental obter informações sobre um aspeto muito importante geralmente associado: a dor.

A dor, definida como uma experiência  emocional e sensorial desagradável, associada com lesões teciduais existentes ou potenciais, ou descrita em termos de tais lesões (IASP, 1986, P.S 217).Embora descrita em termos teciduais, de ser vista como uma experiência psicológica não como sinónimo de atividade fisiológica que ocorre num neurónio. A dor é uma experiência subjetiva stressante que importa avaliar o melhor possível. De um modo geral é importante determinar as partes do corpo em que o atleta experiência dor  e qual o rau de manifestação e intensidade.

Os instrumentos utilizados para avaliar a dor devem permitir que o atleta lesionado aprenda a avaliar a sua própria dor de uma forma concreta, ordenada e verdadeira, facilitando assim a transmissão da informação aos profissionais que o acompanham (médico, psicólogo, etc) para que estes tenham um conhecimento exato da sua experiência de dor em cada momento do período pós-lesão.

Heil (1993) propôs o recurso a um desenho do corpo humano, frente e de costas, como forma do próprio atleta avaliar a sua dor, fornecendo assim dados assim dados valiosos aos responsáveis pelo tratamento. Aqui, o aleta assinala qual a parte exata do corpo que lhe dói e qual o tio de dor associada. Segundo o autor, uma indicação excessiva de pontos de dor pode ser considerada como indicador de um possível desajustamento emocional do atleta lesionado.

Outros instrumentos muito utilizados para a avaliação da intensidade da dor são as escalas análogas e os “termómetros” da dor. Através destes instrumentos o atleta aprende a identificar e a discriminar níveis distintos de intensidade de dor, avaliando a sua própria experiência de dor.

Um outro procedimento para a avaliação da dor é a observação direta do comportamento verbal e não verbal do atleta lesionado como, por exemplo, as suas expressões faciais, queixas, gestos, etc. Ao mesmo tempo, os auto-registos e auto-relatos das experiências de dor assim como a avaliação dos seus antecedentes e consequências podem ser instrumentos igualmente importantes no processo de avaliação da lesão do atleta.

Em síntese, a avaliação e diagnóstico psicológico das lesões torna-se fundamental para compreender o verdadeiro significado de uma lesão e qual o impacto psicológico que esta teve no atleta. É  nesta fase que poderão surgir indicações extremamente importantes para uma possível intervenção psicológica junto atleta no sentido de uma total recuperação física e psicológica, da lesão.

Em suma, as lesões desportivas como todos sabemos, assumem uma grande importância no rendimento desportivo encontrando-se a  longevidade  e o sucesso a prática desportiva associados à capacidade do atleta em resistir às lesões e na possibilidade de uma recuperação quando tal acontecer.

Torna-se fundamental conhecer os fatores psicológicos associados a uma maior vulnerabilidade às lesões desportivas, no sentido de intervir ao nível da prevenção, avaliação e também recuperação psicológica das lesões em contexto desportivo. Ao mesmo tempo, é importante compreender e aprofundar os diversos modelos explicativos da relação entre as lesões e aquele que é considerado como o principal fator psicológico associado à vulnerabilidade, às lesões que é o stress. Aliás, esta variável desempenha também um importante papel na avaliação psicológica pós-lesão, podendo estar associada à lesão antes ou após a sua ocorrência.

Autores como Buceta (1996) e Heil(1993)salientam a importância e necessidade de avaliar e/ou diagnosticar os vários aspetos psicológicos associados às lesões. Através da avaliação e diagnóstico psicológico podemos identificar o verdadeiro significado da lesão, surgindo a  partir daqui indicações sobre ajustamento/desajustamento do atleta à lesão e processo de reabilitação, ao mesmo tempo que surgem orientações para uma intervenção psicológica no processo de reabilitação da lesão.

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 10:51
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