O escritor José Luís Peixoto deu nome à nova biblioteca da EB 2,3 Marcelino Mesquita, inaugurada no passado dia 28 de outubro
José Luís Peixoto veio ao Cartaxo no passado dia 28 de outubro – Dia Nacional das Bibliotecas Escolares – inaugurar a biblioteca da nova Escola Básica 2,3 Marcelino Mesquita, à qual foi atribuída o nome do escritor.
O Agrupamento Escolar preparou um conjunto de atividades para marcar o dia da inauguração daquele novo espaço dedicado à leitura e ao estudo, relacionadas com a obra deste jovem escritor, considerado pelo Nobel da Literatura, José Saramago, como um melhores escritores desta nova geração.
José Luís Peixoto, que descerrou a placa da nova biblioteca ao lado do presidente da Câmara Municipal, Pedro Magalhães Ribeiro, revelou sentir-se emocionado e muito honrado por ter dado o nome à nova biblioteca e assumiu que “o Cartaxo é um lugar que a partir de hoje tem um significado diferente”.
As bibliotecas são para José Luís Peixoto um espaço especial, por proporcionarem “encontros que nos marcam para a vida inteira”, revelou, recordando a influência que os livros trazidos pelas então bibliotecas itinerantes tiveram na sua vida.
“Se hoje escrever é tudo para mim, o que me aconteceu deve-se muito às bibliotecas por onde passei, em especial às saudosas bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. O bibliotecário/motorista, o Dr. Dinis, que era simultaneamente o meu dentista, teve uma grande influência nos livros que eu escolhia para ler, ia-me ajudando a tornar-me um leitor e em alguém para quem os livros são essenciais”, contou.
Para o escritor, gostar de ler deve ser algo natural e que se faz com gosto e prazer, por isso defendeu que “os livros não devem ser como os xaropes, que sabem mal, mas fazem bem. A leitura deve ser um ato positivo, sobretudo nesta altura, em que todos vivem ansiosos, com falta de tempo, os livros são uma forma de dedicarmos tempo a nós próprios, porque é algo que é descarregado no mais íntimo de nós”, acrescentou.
Pedro Magalhães Ribeiro defende que a educação dos mais jovens é uma responsabilidade de toda a comunidade
O presidente da Câmara Municipal do Cartaxo agradeceu aos professores e pessoal administrativo e auxiliar “todo o trabalho que têm desenvolvido em circunstâncias bastante difíceis” e, estando consciente dos problemas ainda existentes na escola, assegurou que vai desenvolver todos os esforços necessários, para os ultrapassar.
Pedro Ribeiro lembrou o provérbio africano, que diz que “para educar uma criança é preciso uma aldeia inteira”, para reforçar o sentido de responsabilidade de toda a comunidade na educação e formação das crianças e jovens.
“A tendência é responsabilizar a escola pela educação e pela aprendizagem dos mais jovens, mas sabemos que este trabalho não começa nem acaba na escola. É um trabalho que exige o esforço de todos nós, de toda a comunidade”, afirmou.
Pedro Ribeiro referiu-se também à importância do livro na descoberta de mundos aos quais por vezes não temos acesso, referindo a importância “do livro enquanto referência de conhecimento e enquanto meio de aprendizagem e exercício da liberdade de expressão”.
Jorge Tavares, diretor do Agrupamento Escolar Marcelino Mesquita, agradeceu a colaboração da Câmara Municipal, assim como o trabalho da coordenadora da biblioteca e docentes, que tornaram possível abrir as portas deste “amplo, moderno e funcional” espaço, que deverá brevemente ser apetrechado com a valência de multimédia.
Para Maria de São José, presidente do Conselho Geral Transitório do Agrupamento Escolar, a biblioteca “é um espaço que assume uma importância cada vez maior, sobretudo nesta época de dificuldades económicas, em que o aproveitamento dos recursos oferecidos pelas escolas são muitas vezes a única opção no acesso a livros e outros instrumentos de educação e cultura”.
O presidente da União das Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, Délio Pereira, marcou também presença nesta inauguração, destacando a dinâmica e as mais-valias que este novo espaço vai trazer a professores e alunos. Dirigindo-se a José Luís Peixoto, acrescentou que “a freguesia sente-se agradecida e honrada por ter acolhido o ilustre jovem escritor”.