NOTICIAS DO RIBATEJO EM SUMARIO E ACTUALIZADAS PERIODICAMENTE - "A Imparcialidade Na Noticia" - UMA REFERÊNCIA NA INFORMAÇÃO REGIONAL -
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Ribatejo é tudo o que nos une

A antiga província do Ribatejo, tal como a conhecemos, foi formalmente instituída pela reforma administrativa de 1936. As províncias, também tal qual as conhecemos, nunca tiveram qualquer atribuição prática e, do ponto de vista administrativo, diria que desapareceram. Contudo, do ponto de vista histórico, cultural e afectivo o Ribatejo sempre existiu, existe e continuará, seguramente, a ser referenciado.
Por exemplo, no concelho de Vila Franca de Xira, a que presido, o que acabo de referir encontra-se bem expresso na existência de uma cidade e uma vila (Alverca do Ribatejo e Castanheira do Ribatejo, respectivamente), cuja distinção em relação a outras localidades se faz justamente pelo termo “Ribatejo”, facto reforçado pelo facto de ser em Alverca que estão localizados os padrões do termo da cidade de Lisboa e o início do Ribatejo, junto à Ribeira da Verdelha.
“Ribatejo” é, pois tudo aquilo que nos une e, por isso, defendo que à questão “Vinhos do Ribatejo ou Vinhos do Tejo?”, se responda “Ribatejo”.
Respeito, naturalmente, a opinião do(s) mentor(es) da proposta “Vinhos do Tejo”, mas penso que a marca “Ribatejo” é mais global, como se pretende. E porquê?
A marca “Tejo”, associada ao rio Tejo baseia-se num um recurso de riqueza natural comum a apenas alguns dos municípios, assim como o é também em relação a alguns municípios e regiões de Espanha.
Devemos aproveitar o que a marca “Ribatejo” proporciona, enquanto marca de referência já consolidada no panorama nacional e internacional. Devemos criar um maior sentimento de pertença relativamente à marca “Ribatejo”, por parte de todos os actores. Devemos apostar na qualidade dos Vinhos do Ribatejo. Devemos apostar na certificação dos Vinhos do Ribatejo. Devemos apostar no incremento de vendas ao nível interno e no mercado de exportação.
Devemos apostar na promoção dos Vinhos do Ribatejo ao nível da restauração em todo o país e, desde logo, no próprio Ribatejo, aliando-o a Campanhas de Gastronomia que sucedem um pouco por toda a região e que já ganharam o seu espaço.
Em resumo, é meu entendimento que os meios e recursos agora colocados ao dispor da marca Tejo, deverão ser potenciados com o seu nome original “Ribatejo”.
A Comissão Vitivinícola, as cooperativas, os produtores, os operadores turísticos e demais agentes ligados aos processos de produção e comercialização, inclusivamente as autarquias, devem remar todos na mesma direcção, pois o vinho é um produto, um dos muitos produtos que a marca “Ribatejo” tem para oferecer.
E, por isso, creio que vinhos de marca “Ribatejo” terão mais força, se ‘vendidos’ em conjunto com o que demais temos para oferecer.
Maria da Luz Rosinha
A marca Tejo é uma boa ideia
Nós sabemos que, hoje em dia, quer em termos de qualidade quer em termos de promoção, quer até em termos de novas tecnologias, só os vinhos que representam uma marca com nome firmado no mercado tanto nacional como internacional podem, efectivamente, ter uma quota de mercado significativa que abrande ou inverta o actual ciclo – que se tem verificado também na nossa região – de abandono das actividades relacionadas com a cultura da vinha e, diria, a “Cultura do Vinho”.
A marca “Tejo” pode contribuir definitivamente para afirmarmos a mais-valia da nossa identidade e da nossa tradição combinadas com uma nova abordagem tecnológica aos nossos vinhos. Consequentemente, os vinhos com essa designação terão todas as condições para se assumir como uma marca de renome a nível internacional.
Azambuja é um município com uma vasta e honrosa herança no que diz respeito à produção vitivinícola, em particular na área envolvente a Aveiras de Cima mas também na zona a que chamamos o “Alto Concelho”, freguesias de Alcoentre, Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de S. Pedro (sem esquecer, obviamente, a própria freguesia de Azambuja).
Temos marcas que já conquistaram o seu espaço no mercado interno e até no estrangeiro, cujo dinamismo e espírito de iniciativa gostaria de sublinhar, mas a grande riqueza que não podemos de modo algum perder está precisamente nos pequenos vitivinicultores em nome individual que, pela pequena dimensão das suas explorações e por outros problemas, vão a pouco e pouco abandonando a actividade. Pensamos que com a criação da nova marca esta tendência poderá ser invertida.
A Câmara Municipal está fortemente empenhada nesse processo, e temos vários projectos ligados à vinha e ao vinho. Um deles é a ÁVINHO – Festa do Vinho e das Adegas, da qual nos passados dias 3, 4 e 5 de Abril realizámos a 5ª edição, em Aveiras de Cima. Outro projecto que vamos pôr em marcha e já estamos a desenvolver – e que tive oportunidade de apresentar exactamente nesta Avinho – pretende criar em Aveiras de Cima a “Vila Museu do Vinho”. A ideia consiste, precisamente, na tentativa de congregar todos os vitivinicultores do concelho num projecto comum, tendo já em vista a sua possível integração na nova marca “Tejo”.
Estas grandes iniciativas estão, contudo, associadas a um conjunto de medidas complementares que têm que ver com a tradição da cultura vitivinícola, com a promoção dos nossos vinho e da sua qualidade, e que se prendem ainda com uma estrutura de apoio ao vitivinicultor nas suas múltiplas relações por exemplo com o Instituto da Vinha e do Vinho, com os fundos comunitários e a forma de lhes aceder, e com todo um conjunto de entidades com que eles têm de se relacionar. Pretende-se que todas estas acções concorram e potenciem outras acções, paralelas e simultâneas, de promoção da nossa gastronomia, da nossa cultura, do nosso potencial turístico. Outro objectivo específico destas medidas é, inclusivamente, poder recuperar algumas propriedades tradicionalmente dedicadas a esta actividade e produção e que, por dificuldades várias, têm sido abandonadas.
Todos estes esforços concelhios deverão ser aglutinados num esforço global de toda a região. A melhor forma de levar esse esforço colectivo regional a “bom porto” é, efectivamente, a criação da marca “Tejo” para os nossos excelentes vinhos!
Joaquim António Ramos
O importante é trabalhar para o mesmo objectivo
A actual mudança de nome dos Vinhos do Ribatejo para Vinhos do Tejo é um assunto algo controverso mas que merece alguma reflexão.
Merece reflexão, não só pela mudança do nome enquanto tal mas, e fundamentalmente pelo facto de, tratando-se de vinhos de uma zona com grande tradição vinícola e com grande tradição a nível rural e a nível agrícola, retratarem toda uma caracterização típica da nossa região que, vulgarmente, se designa Ribatejo.
Isto marca a identidade de toda uma região, um conjunto de características tão únicas e típicas como a gastronomia, a cultura e o património.
Naturalmente que eu, enquanto autarca, já há muitos anos me afeiçoei ao Ribatejo enquanto tal, enquanto nome e enquanto marca, sentimento este que acredito ser partilhado por muitos ribatejanos. Mas penso que, à parte de todas as polémicas da mudança da designação de Vinhos do Ribatejo para Vinhos do Tejo, o importante é que todo o sector trabalhe em uníssono.
O essencial, de facto, é que todos aqueles que trabalham com o vinho, com a vinha e com o mundo rural sintam o Tejo e os Vinhos do Tejo e que com eles se identifiquem. Porque o vinho é cultura, é património, é história. É uma memória presente que se pretende que tenha uma promoção e valorização futuras.
É precisamente aqui que está o eixo da discussão. Tudo o que está relacionado com o vinho deve funcionar de forma integrada. Todos os agentes económicos e sociais ligados ao vinho, à restauração, às entidades governativas e ligadas aos ministérios - como o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e a Viniportugal, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), as Casas Agrícolas, as Adegas Cooperativas e as Comissões Vitivinícolas Regionais (CVR) devem trabalhar de forma integrada, numa conjugação de forças e de esforços.
Eu acredito que é este o caminho. Que é este o empenho necessário através do qual se obterá uma maior afirmação dos Vinhos do Tejo, ou do Ribatejo, num mundo cada vez mais global no qual já não podemos contar apenas com as áreas metropolitanas do nosso país, mas que, pelo contrário, temos de contar com todo um mercado externo. Mercados tão longínquos como os países nórdicos, o Canadá, os Estados Unidos da América, a China ou a África. Um mercado de exportação que, sabemos desde logo, ser bastante competitivo e no qual iremos ter de vencer a concorrência dos vinhos da América do Sul - vinhos de boa qualidade a um preço bastante reduzido.
Por isso penso e reafirmo que, a designação, ou melhor, a substituição da marca Vinhos do Ribatejo pela marca Vinhos do Tejo, é, talvez, o elemento menos relevante de todo este processo de promoção, qualidade e venda de um produto cada vez mais nobre da nossa região. Vinhos que, de ano para ano, têm vindo a crescer e a afirmar-se cada vez mais, não pelo seu nome, mas pela sua qualidade superior.
Quando sabemos que importa cada vez mais – pensar global, agir global, desenvolver local -, o fulcro de uma estratégia de sucesso para este sector, que é vital na nossa região e no nosso país, só pode mesmo residir no trabalho colectivo e concertado, nunca na mera discussão de uma designação.
Paulo Caldas
A região tem falta de imagem e notoriedade
Na Companhia das Lezírias concordamos com a nova designação TEJO por várias razões. A primeira é a razão histórica: No ano de 1900, Cincinato da Costa, no seu “O Portugal Vinícola” separa uma grande região a que chama “Bacia e Littoral do Tejo”, referindo no texto mais tarde as “…castas referidas nesta região do Tejo…”. Em 1925, Pedro Bravo e Duarte de Oliveira, no livro “Vinificação Moderna”, ao tentar classificar o país em regiões referem “ainda não existe, em virtude da difficuldade de se fazer um trabalho perfeito sobre o assumpto, uma classificação regular, das regiões vinícolas do paiz…”, referindo que “…o trabalho existente mais completo e mais approximado da verdade, é o mappa vinícola de Portugal que o distincto lente do Instituto Superior de Agronomia, sr Cincinato da Costa, organizou….” Onde a nossa região é denominada “Bacia e Littoral do Tejo” e onde existiam as regiões do Douro, Bairrada, Dão, Beiras, Extremadura, Alemtejo e Algarve, entre outras. Apenas em 1993 foi criada a IG “Ribatejano” – Portaria 160/93, que não conseguiu dissociar-se de uma imagem algo negativa existente à volta desse nome.
Depois há a falta de valor da marca “Ribatejano”. A quota nacional do V.R. Ribatejano tem um valor baixo, e, se considerarmos a dependência no consumo da região de produção na performance nacional, então podemos estimar que a quota, fora da região de produção, estará na ordem de 1 por cento. Esta fraca quota não deriva de uma ausência de distribuição: segundo a Nielsen o VR Ribatejano encontra-se em 86% do Retalho em Portugal. Os consumidores exteriores ao Ribatejo simplesmente não escolhem no acto de compra os vinhos desta região por valorizarem mais outras origens (Douro, Alentejo, V.Verde). A IG “Ribatejano” não é conhecida nem valorizada pelos consumidores, sendo pouco conhecida pelos profissionais relevantes (apenas os especialistas da origem Portugal e os escanções estudiosos). “Podemos assim concluir que a região tem uma falta de imagem e notoriedade no exterior”.
Os nomes de rios são referências naturais que funcionam bem para designar regiões e em particular regiões produtoras de vinhos (Douro, Dão, Sado, Loire, Reno, Napa). O nome “TEJO” tem a vantagem de ser curto, logo mais fácil de pronunciar e memorizar, funcionando bem para construir uma marca/região. Em estudo efectuado por uma empresa externa, a marca TEJO evidenciou maior reconhecimento e prestígio do que Ribatejano. Uma alteração de nome facilita o reconhecimento por parte dos consumidores do grande dinamismo e melhoria qualitativa que os vinhos têm vindo a mostrar. Refira-se a tendência actual de várias instituições regionais de alteração de nome para TEJO (Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, Direcção Regional de Agricultura de Lisboa e Vale do Tejo). O potencial imagético do Tejo é enorme, com grande riqueza associativa (paisagística, histórica, natural, etc) que permitem ancorar a marca. Os vinhos da Região sofreram uma enorme evolução na última década, sofisticaram-se, tornaram-se únicos, frutados, macios, aveludados. A mudança sentida nas adegas e pelos “wine lovers” quer agora chegar ao público em geral sob a forma de Vinhos do Tejo.
Por todas estas razões, consideramos que voltar a utilizar o nome TEJO para definir esta grande região de vinhos tem mais vantagens do que as que temos actualmente.
Frederico Falcão/Mirante
 



publicado por Noticias do Ribatejo às 13:04
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