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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
O professor tímido que reconquistou a Câmara de Alpiarça para o PCP



 

 

Como é que um ainda jovem na política activa consegue reconquistar a Câmara de Alpiarça?

Não fui só eu que consegui, mas também todos os outros candidatos e a CDU. Conseguimos todos juntos um trabalho notável de preparação da campanha que resultou nesta vitória. Mas também não podemos esquecer o trabalho de anos anteriores de candidatos da CDU ao longo dos 12 anos em que o PS esteve no poder na câmara.

A vitória deveu-se ao desgaste do PS ou ao mérito da CDU?

Na minha opinião a vitória deve-se sobretudo ao mérito da CDU, que teve iniciativas de campanha eleitoral muito intensas. A CDU fez uma campanha como há muitos anos não fazia no concelho. Mas também é evidente que a gestão autárquica do PS ao longo de 12 anos se foi desgastando ao ponto de a sua própria campanha ter sido um reflexo desse desgaste. Houve alguns erros de gestão.

Teria sido mais difícil para a CDU se o PS tivesse candidatado Vanda Nunes, que assumiu a presidência da Câmara no final do mandato?

Não sei. É um cenário que nunca se vai esclarecer. Fosse qual fosse o candidato este ia sofrer o desgaste da gestão socialista. Vanda Nunes teria que assumir também a sua quota-parte de responsabilidade nessa gestão. Agora sei que a vitória da CDU era inevitável, apesar de não ter tanta certeza antes das eleições.

O facto de não terem partido para o confronto, para a crítica dura, foi uma estratégia para captarem mais eleitores?

Procuramos evitar o conflito pelo conflito e a personalização das críticas. Criticamos opções, políticas, por vezes algumas atitudes, mas não podemos nem devemos, nem é nosso hábito, deixarmo-nos levar por questões de carácter e personalidade. Tenho que dizer que durante a campanha eleitoral não houve esse tom de crítica por parte dos outros partidos envolvidos o que contribuiu para desanuviar o ambiente político no concelho. Mas não sei se isso teve influência no eleitorado.

Mas nos anos anteriores houve sempre um clima de crispação, sobretudo na assembleia municipal. Está aberto o caminho agora para a pacificação política?

A pacificação não quer dizer que não haja o confronto político, o debate de ideias. O que se passou até agora teve a ver com uma tentativa de apagar a memória histórica de Alpiarça ligada ao trabalho da CDU e do PCP e a acção de construção do poder local, que às vezes assumiu alguma agressividade por parte de quem estava no poder no concelho, o PS. Isso cria resistências e animosidade. Numa lógica de abrangência e de trabalho com todas as forças políticas, pretendemos terminar com esse ambiente.

Há abertura para o entendimento com os novos eleitos socialistas?

Pelo que conheço das pessoas, estão criadas as condições para que o debate e acção política dos órgãos autárquicos decorram dentro da normalidade. Isso tem sido evidente nas primeiras reuniões do executivo. Na junta de freguesia já havia essa abertura.

Os problemas eram criados pelo ex-presidente da câmara Joaquim Rosa do Céu?

Não queria fulanizar essa questão. Não foi só uma pessoa, foram mais. Tratou-se de uma lógica de abordagem da acção política que conduziu a posturas e atitudes que se tornaram agressivas, para afirmar os socialistas como os salvadores da pátria e proceder a uma aniquilação do PCP. E isto não aconteceu só nos órgãos autárquicos mas também nas colectividades, tentando-se monopolizar toda a vida política e social do concelho.

A ex-presidente Vanda Nunes telefonou-lhe a dar-lhe os parabéns?

Não só deu os parabéns como se colocou à disposição para colaborar neste processo de transição.

Que inovação pode trazer ao concelho?

Em primeiro lugar é essencial a recuperação do ambiente político e social e a promoção de uma maior proximidade da câmara à população. Estamos a dar passos importantes nesse sentido, inclusivamente ao nível dos trabalhadores municipais. Queremos aproximar-nos das instituições, dos nossos parceiros. Pelo menos a nível social pretendemos incrementar políticas de apoio aos idosos e à juventude. Podia falar de muitos projectos, mas estes só podem ser implementados quando houver um clima político pacificado.

Havia más relações entre o executivo e os funcionários?

Essa é uma matéria sempre muito sensível. Havia provavelmente algum fechamento do executivo em relação aos trabalhadores da autarquia. Era uma gestão fechada, menos próxima das preocupações dos trabalhadores e fechada à criatividade e ao aproveitamento das experiências e potencialidades dos funcionários municipais. Há que restabelecer a confiança.

Algum trabalhador já lhe veio dizer que agora sente-se melhor na câmara?

Já aconteceu. Estou a notar que muitos profissionais desejam é trabalhar, mostrarem o que sabem fazer e serem úteis a nível do atendimento e da rentabilização dos equipamentos existentes, entre outras áreas. É importante restabelecer a confiança até porque surgem por vezes os fantasmas do anti-comunismo. Na campanha eleitoral surgiu outra vez o papão do comunismo, não dos candidatos dos outros partidos, mas de algumas pessoas que diziam que íamos perseguir pessoas e fazer saneamentos. Para quem ainda tem dúvidas estamos empenhados em mostrar que não somos assim.

 

“Fui um mau militante durante muito tempo”

O partido está a ajudá-lo nestes primeiros tempos a inteirar-se do que é a gestão de uma autarquia?

Nem contava com outra coisa. O PCP entende o trabalho nas autarquias como mais uma frente da sua acção política. Naturalmente há sempre um acompanhamento dos organismos do partido e dos dirigentes.

É fiel à doutrina partidária?

A teoria só é válida se for associada à realidade, à prática. Não abdicando de algumas linhas gerais de orientação que são fornecidas pela doutrina política ou ideológica, no nosso partido somos muito maleáveis.

Nunca teve momentos em que a militância fraquejou?

Fui um mau militante durante muito tempo. Não tenho a mínima dúvida. Durante vários anos fui militante do PCP por ser, porque me inscrevi em miúdo e não tinha qualquer participação no partido. A partir de 2000 é que me envolvi mais. Mas nunca tive uma crise ideológica.

Quem é que vai definir as estratégias para o concelho: os eleitos comunistas ou o partido?

O que espero é poder cumprir os compromissos assentes no programa eleitoral. O nosso trabalho na autarquia passará não pela minha política ou de alguém em particular, mas por aquilo que for decidido em colectivo do partido, pela participação dos outros eleitos e candidatos. Mas também da participação de outros. Uns sem partido e outros até de forças políticas adversárias e que vamos tentar chamar para a discussão.

O que é que significou para si a vinda de Jerónimo de Sousa a Alpiarça para o felicitar pela vitória?

O secretário-geral do PCP tem um carinho especial por Alpiarça. Tinha havido um convite informal para que, no caso de ganharmos, ele vir comemorar connosco. Mas não esperava que fosse no próprio dia das eleições.

Não se pode esquecer que a CDU perdeu algumas câmaras e que a recuperação de Alpiarça era o grande motivo para se festejar.

Pode ter tido esse simbolismo. Alpiarça tem um significado importante para o PCP na história da luta contra o fascismo, da implementação da democracia e terá sido isso também que o partido procurou realçar naquela noite de vitória eleitoral.

É mais difícil ser presidente de câmara ou ser professor?

Não é fácil ser professor nestes tempos que correm, ainda por cima com as alterações permanentes na política educativa e com a forma como o ministério tem encarado o papel do professor. São situações que provocam grande desgaste e que levam à frustração de muitos professores. Ser presidente de câmara, pelo que me parece nestes primeiros tempos, não é uma tarefa muito simples. Não sei o que será mais difícil.

O que é que já mudou na sua vida?

Agora tenho uma menor disponibilidade para outros interesses, para outras tarefas, para o relacionamento com a família e com as pessoas que me são próximas.

Quantos assessores já contratou?

O gabinete de apoio à presidência está composto. Tem um chefe de gabinete, um adjunto e uma secretária que faz o trabalho também dos vereadores com pelouros. Em cinco elementos possíveis para o gabinete temos três pessoas, menos um que o anterior executivo. É possível que venha a ser nomeada uma secretária para os vereadores, se virmos que é mesmo necessário.

Ainda é uma pessoa tímida, como confessou quando se candidatou pela primeira vez à câmara em 2005?

Continuo a ser tímido. É um traço de carácter que não é fácil de contrariar, mas tem havido um grande esforço da minha parte para mudar e tem havido algum sucesso. Aqui há uns anos não me imaginaria a fazer 15 por cento das coisas que tenho feito ultimamente.

 

“Não podemos estar aqui só a pagar dívidas senão não podemos fazer nada”

Antes das eleições disse que o município tinha dívidas de 10 milhões de euros, já conhece a realidade financeira da câmara?

A dívida está próxima dos 12 milhões. Vamos fazer uma auditoria quer financeira quer dos procedimentos administrativos da câmara. Não é para ajustar contas com o passado, mas para sabermos objectivamente o que temos e nos aponte linhas de orientação. Nestes primeiros dias têm-nos chegado ao conhecimento dívidas a fornecedores que não estavam contabilizadas, registadas. Tomámos agora consciência de falhas de compromisso avultadas nas instituições em que a câmara tem participação, como na Ecolezíria (que gere o aterro intermunicipal).

Vai ser fácil dar a volta a estas situações?

A herança não é nada leve e vai condicionar a autarquia nos próximos anos e limitar a nossa acção neste mandato. Vamos tentar que os alpiarcenses percebam esta situação. Mas não podemos estar aqui só a pagar dívidas senão não podemos fazer nada. Temos que ter uma gestão rigorosa e criteriosa e ir regularizando as dívidas aos poucos.

Vai seguir alguns projectos dos seus antecessores, como a cedência por 90 anos dos terrenos da Quinta dos Patudos para um empreendimento turístico privado?

Essa não é a nossa perspectiva. Toda aquela área é muito importante para a autarquia e é necessária rentabilizá-la, mas sempre sob o controlo público e garantindo o usufruto à população. A criação desse empreendimento de luxo é uma ideia megalómana sem relação imediata com a realidade do concelho. Pretendemos dar passos mais curtos mas certos. Sabemos que José Relvas, quando legou o seu património à câmara, pretendia que os seus terrenos agrícolas contribuíssem para manter a Casa dos Patudos e a actual fundação, mas penso que nunca pretendeu que para garantir isso o concelho ficasse privado do usufruto do espaço.

A recuperação da aldeia dos pescadores do Patacão era um dos grandes projectos do ex-presidente Rosa do Céu, que nunca avançou. Vai ser desta?

É um compromisso nosso. Não só a recuperação da aldeia, mas também a requalificação da praia fluvial. E colocar estes dois equipamentos ao serviço do turismo, permitindo a atracção de pessoas e criação de postos de trabalho. É um projecto que penso ter condições para avançar este mandato. Vamos procurar parceiros para executar esta intenção.

E a universidade do vinho, uma ideia antiga, é um projecto exequível?

Essa é uma coisa que nunca saiu do papel. A única coisa visível desse projecto foi a transformação do anterior museu municipal num pólo enoturístico. Que não é mais que uma sala de conferências. Considero que esse projecto não é uma prioridade. Mas se virmos que há uma grande possibilidade de se poder fazer, havendo apoios e parceiros interessados, não temos o mínimo pudor ou constrangimento em avançar com o projecto só pelo facto de vir da anterior gestão.

Como é que vai gerir as relações com a Fundação José Relvas, que é gerida sobretudo por socialistas, nomeadamente o pai e a mulher do ex-presidente da câmara?

Vamos procurar ter o melhor relacionamento possível quer em termos institucionais quer pessoais. As questões politico-partidárias não podem pesar no relacionamento que tem que existir entre a câmara e uma entidade de grande importância no concelho e na qual a autarquia também tem participação. Estamos disponíveis para o diálogo.

Que mudanças já fez na organização e funcionamento da câmara?

Houve algumas mudanças de pormenor na gestão do pessoal. Houve necessidade de mudar pessoas de serviços. Mas são situações pontuais. Uma reorganização terá o seu tempo, porque não podíamos chegar aqui e mudar logo tudo.

Nos últimos anos houve vários casos de vandalismo contra bens de autarcas do PS e contra a própria câmara. Não tem receios que também lhe possa acontecer o mesmo?

Nem me lembre isso. Espero bem que não aconteçam. Houve de facto um período em que aconteceram coisas estranhas. São casos de polícia e actos condenáveis.

Quando esteve na oposição dizia que a poluição da Vala Real se devia à falta de tratamento dos esgotos da zona industrial. É neste mandato que vai avançar a construção de uma ETAR para essa zona?

Apesar de as empresas da zona industrial estarem obrigadas a fazerem o pré-tratamento dos efluentes que lançam no sistema de saneamento, é necessária a construção de uma ETAR. A câmara não tem dinheiro para fazer a obra e parece-me que ao nível da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, que gere os sistemas de água e saneamento, essa não é uma prioridade. Vamos tentar sensibilizar os responsáveis da empresa para esta necessidade.

Ainda não tinha cumprido um mês no exercício do cargo e já edifícios da câmara tinham sido fiscalizados duas vezes pela ASAE. Será normal?

Penso que não é normal. Até porque as situações que foram alvo de fiscalização são situações que se arrastam há anos e têm origem em mandatos anteriores. Uma semana após a tomada de posse vão à escola do primeiro ciclo da vila. Isso é estranho, apesar de os inspectores estarem a fazer o seu trabalho.

http://semanal.omirante.pt/



publicado por Noticias do Ribatejo às 14:10
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