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Licenciatura em Matemática Aplicada e Computação. Mestrado em Matemática e Aplicações. Doutoramento em Matemática, ambos concluídos no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Bolseiro de pós-doutoramento no Centro de Física Matemática da Universidade de Lisboa, em colaboração com o Instituto de Matemáticas Élie Cartan – Nancy e Centro de Matemática da Universidade de Sabóia (França).
O currículo impressionante é de Pedro Antunes, 30 anos, um jovem natural de Tomar que diz não imaginar a sua vida sem um pouco de matemática. “Ela dá-me uma outra dimensão. Creio que à maioria dos jovens poderia acontecer o mesmo”, convida.
O tomarense recebeu a 23 de Junho o prémio “Jovem Investigador UTL/CGD”, na área de “Matemática Pura e Aplicada e Probabilidades e Estatística pela demonstração de uma equação diferencial parcial. A entrega da distinção foi feita nas instalações da Faculdade de Medicina Veterinária, durante uma sessão oficial dirigida pelo Reitor da Universidade Técnica, pelo Director da Caixa Geral de Depósitos e por um representante da Deloitte Portugal.
O prémio resultou de uma candidatura incentivada pelo seu orientador, o professor Carlos Alves, que considera como o seu melhor “conselheiro científico”. Pedro confessa que tem o prémio guardado junto aos outros documentos vulgares uma vez que “não é agarrado a papéis”. Diz que a motivação para fazer investigação não pode viver apenas da expectativa de prémios ou reconhecimento público. “O prazer que se tem quando se percebe algo de novo tem que ser mais do que suficiente para atacar o próximo problema. No entanto este prémio, pela sua importância, constitui um estímulo”.
O jovem investigador confessa que desde sempre gostou de tentar resolver problemas ou ‘quebra-cabeças’ que envolvessem algum raciocínio ou estratégia de resolução. Recorda até aquela vez em que resolveu um problema novo na Sociedade Gualdim Pais, onde estudava música, com o seu amigo Gonçalo. “Após algum tempo de reflexão e algumas tentativas frustradas consegui construir uma resolução que passava por uma abordagem geométrica do problema. Um episódio insignificante, mas a mim marcou-me”, descreve.
No entanto, a escolha pela matemática não foi uma decisão precoce. “Gostava bastante de áreas como a música, a química, a biologia, a história. Aliás, a minha indecisão manteve-se até à véspera da candidatura ao ensino superior”, recorda, apontando que a matemática nunca constituiu a sua principal opção, uma vez que esta era música. E diz mesmo que os resultados escolares, no ensino básico e secundário, não eram brilhantes. “Tenho consciência que poderia ter aprendido mais matemática no secundário, até porque tive bons professores. No entanto estava mais virado para a música”, confessa.
“Gostar de matemática
implica ser curioso”
O que mais o fascina na matemática? É que esta seja, para si, a linguagem da ciência, de carácter transversal. “Todos os saberes, creio eu, se socorrem dela para formalizar o conhecimento. A matemática é intrínseca à natureza, à economia e até às artes. E nesse sentido saber mais de matemática é perceber melhor o mundo em que vivemos”, explica.
Para Pedro Antunes gostar de matemática implica ser curioso e procurar respostas até mais não, sendo possível mostrar a uma pessoa que torça o nariz a esta disciplina toda a beleza que está presente numa determinada demonstração matemática. “E isto é quase como um ciclo vicioso, quanto mais te predispões maior é o prazer da descoberta”, considera.
O jovem tomarense tem um “mundo de projectos”, a curto e longo prazo. Com o doutoramento concluído há pouco tempo, considera que ainda está a consolidar a sua autonomia na condução de trabalho de investigação. Pretende também diversificar o seu conhecimento e aprender mais de outras áreas vizinhas. Num futuro mais longínquo, mas não muito, pretende conduzir a sua própria investigação e continuar a colaborar com investigadores conceituados. Há ainda outro desejo que guarda no íntimo. “Tenho esperança de poder leccionar e orientar a investigação dos meus alunos”, revela.
Pedro confessa que tem o prémio guardado junto aos outros documentos vulgares uma vez que “não é agarrado a papéis”. Diz que a motivação para fazer investigação não pode viver apenas da expectativa de prémios ou reconhecimento público.
«O Mirante»