Elementos da CDU de Torres Novas, alguns eleitos e outros candidatos
a diversos órgãos autárquicos do concelho, desmistificaram aquilo que consideram ser mais uma falácia proferida por António Rodrigues, presidente da Câmara Municipal. Na última sexta-feira Carlos Tomé afirmou, na sequência de recentes afirmações de Rodrigues sobre a ETAR de Riachos, que a resolução do problema não será tão rápida quanto o autarca faz querer parecer: “O presidente da Câmara aproveitou a ocasião e tirou um coelho da cartola a três meses das eleições”, sintetizou. Carlos Tomé, vereador da CDU, afirmou que não é possível construir de repente uma nova ETAR. Além disso, não se pode prometer a resolução de todos os problemas com a adesão, “atabalhoada”, à empresa Águas do Ribatejo: “O presidente da Câmara quer até Setembro aderir à empresa intermunicipal, mas como vereador ainda não tive a esta altura conhecimento de propostas concretas”, assinalou.
Estas e outras ideias foram transmitidas durante uma conferência de imprensa que teve como cenário três locais do concelho: Pedrógão (Ribeira das Mouriscas), Riachos (Ribeira da Boa Água e Vala das Cordas), locais considerados pela CDU como os “mais problemáticos do concelho a nível ambiental”.
Os comunistas denunciaram que a Vala das Cordas continua a receber enormes descargas da estação de tratamento de Riachos, infraestrutura que se encontra sub-dimensionada para o volume de resíduos que recebe diariamente. Além disso, há ainda a ribeira das Pereiras que transporta consigo material altamente poluente, situações que em conjunto potenciam o actual estado daquele curso hídrico que, por sua vez, polui a Reserva Natural do Paul do Boquilobo, bem como o Rio Almonda, à entrada do concelho da Golegã.
“Se nada for feito, as gerações futuras correm sérios perigos”, avisou Tomé. Cerca de 70 por cento da água consumida no concelho de Torres Novas provém de captações próprias que estão localizadas nos campos de Riachos e nesse sentido, alertaram os comunistas, a juntar a este problema o facto de se utilizarem pesticidas e de se praticar uma cultura intensiva, “é provável que mais cedo ou mais tarde a água consumida no concelho venha a ter problemas”, alertam.
O lugar de Adofreire, freguesia do Pedrógão, foi outro dos pontos negros visado. Existe um sistema de esgotos a funcionar, só que falta a ligação a uma estação de tratamento. Na ausência deste equipamento, os esgotos descarregam para diversas linhas de água existentes. O actual estado da ribeira das Mouriscas é por isso lastimável, além de que há o perigo de contaminação da água dos poços e lençóis freáticos. Ainda na mesma freguesia, mas em Alqueidão, há esgotos que correm para as estradas, uma situação que provoca maus cheiros na rua, à porta das habitações.
Na Ribeira da Boa Água a poluição é constante e diária, com prejuízo, mais uma vez, para o rio Almonda, onde desagua. Para a CDU, este caso é o paradigma da total ineficácia das entidades municipais na defesa do ambiente. Defendem os membros da coligação que toda a gente fecha os olhos a um problema, cuja origem todos conhecem.
“Andamos a alertar para alguns destes problemas há 10 anos. O Almonda não é só o troço do Jardim das Rosas, que se apresenta aparentemente bonito. A bandeira verde atribuída a Torres Novas deveria ser negra”, consideram. Élio Batista
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