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Domingo, 27 de Outubro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Avaliação do impacto emocional da lesão

 

Por: Antonieta Dias (*)

 

A avaliação dos estados emocionais dos atletas lesionados é um aspeto extremamente importante no período após a ocorrência da lesão. Podem ser úteis alguns instrumentos psicológicos, como, por exemplo, o SCL (Derogatis) 1975 sobretudo as suas escalas de ansiedade, depressão e hostilidade ou o MMPI.

Este último, de acordo com Heil (1993) dá-nos informações sobre dois tipos de atletas. Por um lado, deteta aqueles atletas que se caraterizam por um perfil de “somatização” (atletas que se queixam de múltiplos sintomas fisiológicos) e por outro, aqueles que reconhecem estar afetados  emocionalmente por culpa da lesão.

Em ambos os casos pode-se identificar e será conveniente modificar a presença de  manifestações emocionais que possam interferir no processo de reabilitação. Convém salientar que estes instrumentos são pouco sensíveis para detetar flutuações emocionais transitórias que podem estar presentes durante as diferentes etapas do período pós-lesão.

Neste sentido, para poder avaliar com maior consistência e especificidade as experiências emocionais dos atletas lesionados, devem ser usados outros instrumentos mais apropriados como “Profile of Mood States (POMS)(Mcnair, Lorr e Droppleman, 1971), as escalas de  Ansiedade e Depressão de Leeds (Smith, Bridge e Hamilton, 1976) e as escalas analógicas visuais de Tyrer (1976).

O POMS é uma escala de avaliação psicológica com 65 itens, de onde se extraem 6 resultados relativos a outras tantas dimensões do estado de humor: tensão /ansiedade; depressão: ira/hostilidade; vigor/atividade; fadiga/inércia; e confusão. Com a exceção de vigor / atividade, todos os estados de humor medidos são negativos. Por isso, o perfil desejado assemelha-se ao conhecido “perfil iceberg”descrito por Morgan (1980).

A versão portuguesa do POMS, adaptada e reduzida por Cruz e Viana (1995) engloba um total de 30 itens respondidos numa escala de tipo Lickert de 5 pontos (0=nada, 50extremamente9, mantendo-se nesta versão as seis dimensões do estado de humor subjetivo da versão original desta escala.

As escalas de Leeds e Tyrer são instrumentos muito sensíveis às alterações emocionais das pessoas sendo muito adequadas para aplicar em momentos específicos como antes da intervenção cirúrgica, ao longo da lesão ou mesmo logo após o reaparecimento.

De acordo com Buceta (1996) qualquer um destes instrumentos de avaliação ou mesmo outros, só podem ser utilizados quando os atletas não coloquem qualquer objeção, podendo surgir casos em que os atletas se oponham a estes tipos de instrumentos. Ainda segundo este autor,  a resolução deste tipo de situações passa pelo desenvolvimento de uma relação de confiança  com o atleta, informando-o sobre a utilidade dos instrumentos para que compreenda a  importância da sua realização.

No entanto, em qualquer dos casos deve realizar-se uma entrevista de avaliação, no sentido de conhecer os momentos cruciais do período da lesão, as situações reais a que se associam e as interpretações e significados subjetivos das expectativas, atitudes e crenças do atleta em relação à lesão.

(*) Doutorada em medicina



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Domingo, 8 de Setembro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Obesidade

 Por: Antonieta Dias (*)

 

A obesidade resulta de uma acumulação de gordura em excesso no organismo.

 

Em Portugal mais de 50% das pessoas têm excesso de peso e cerca de 14% da população portuguesa sofre de obesidade mórbida que não para de crescer.

Estes números representam um investimento de cerca de 4% das despesas totais nos gastos da saúde para tratar os obesos.

A obesidade é o problema número um da saúde pública de Século XXI em Portugal e em todo o mundo desenvolvido.

Lamentavelmente no nosso País não existe cultura, nem sensibilidade suficiente para a resolução deste grave problema de saúde pública, tendo em conta que as administrações hospitalares pouco ou nada têm feito para diminuir a lista de espera da resolução destes doentes que precisam urgentemente de correção cirúrgica, sendo que, nalguns casos a lista de espera atinge os quatro anos ou mais, colocando em risco a vida dos pacientes que sofrem desta patologia.

Os dados mais recentes revelam que há 1.700 milhões de obesos no mundo, dos quais 213 milhões existem nos Estados Unidos, numa população de 300 milhões.

A má alimentação e o sedentarismo, são os principais responsáveis pelo aparecimento desta doença.

Assim nas últimas três décadas a mudança dos estilos de vida, alteraram os hábitos das pessoas, em que assistimos a uma mudança radical que vai desde a simples ocupação dos tempos livres na infância em que o jogar à bola, correr, jogar a macaca, ir a pé para a escola, passou a ser uma quimera e foram substituídos, pela cadeira em frente do computador e da televisão.

Sendo a obesidade uma doença grave, habitualmente está acompanhada por outras co-morbilidades que vão contribuir para um aumento ainda maior do risco de vida e exigem uma intervenção terapêutica atempada e eficaz no tratamento desta patologia.

Assim, os problemas cardiovasculares, a hipertensão arterial, a diabetes, a insuficiência venosa crónica, a insuficiência respiratória (apneia do sono), as doenças metabólicas, as doenças osteo-articulares (dores e artroses), as doenças hepáticas(a gordura, deposita-se no fígado com 5 a 10% dos doentes a evoluir para a cirrose) são patologias muitas vezes associadas à obesidade, sendo por isso fatores de risco importantes responsáveis por uma diminuição da sobrevida dos pacientes .

Estima-se que em Portugal morrem dez pessoas por dia vítimas de carcinoma do cólon e do recto, sendo diagnosticados cerca de 5.000 casos novos por anos.

Importa, ainda referir que o cancro da mama, o cancro do útero e a trombose venosa profunda são mais frequentes nos obesos, aumentando só por si os fatores de risco responsáveis pela elevada mortalidade neste grupo de pacientes.

Todavia, acresce ainda que a auto-estima, associada à conflitualidade das relações sociais, familiares, laborais e até sexuais, pode provocar distúrbios psicológicos, quando um obeso se vê confrontado com uma série de dificuldades geradas pela alteração da sua imagem corporal e da sua incapacidade na adaptabilidade a esta nova realidade.

É nosso dever incentivar para o cumprimento de certos cuidados, que são fundamentais para a obtenção de um peso ideal, proibindo alguns alimentos aos obesos, de entre os quais salientamos a exclusão de carnes gordas, fumados, açúcar, mel, marmelada, geleia, compotas, batatas fritas, aperitivos fritos, cremes e margarinas para barrar o pão, bolos, folhados, salgados, chocolates, rebuçados, pasteis, que devem ser imediatamente abolidos da alimentação destes doentes.

Porém, existem soluções para tornar a comida mais apetitosa, que passam pela utilização de certos temperos que são permitidos na alimentação dos obesos (coentros, orégãos, mostarda, sumo de limão, concentrado de tomate, alho, queijo magro em pó ou em fiapos).

Nos molhos para as saladas e sanduíches pode usar - se limão, iogurte magro batido com polpa de tomate, vinagre de vinho com cebola picada e salsa com ervas aromáticas, maioneses magra com polpa de tomate, destinadas a tornar os alimentos mais atrativos e saborosos.

Todavia, o sal deve ser utilizado na menor quantidade possível.

Para promover uma boa alimentação deve ser escolhidos sempre os alimentos com menor teor de gordura, beber pelo menos um litro e meio de água por dia, evitando águas gaseificadas, excluir de casa os alimentos desaconselhados, e dar preferência a alimentos saudáveis.

Recomenda-se também a ingestão de refeições intervaladas de três em três horas, aconselhando ao paciente que se não tiver fome não deve comer.

Praticar exercício físico de forma regular é fundamental para atingir estes objetivos.

Aconselhamos a usar sempre que possível as escadas em vez do elevador, fazer caminhadas pelo menos trinta minutos por dia, sem parar ou então praticar exercício físico três vezes por semana, com períodos de tempo de trinta a quarenta e cinco minutos.

O paciente deve manter o peso recomendado, cujo índice de massa corporal será calculado com base no peso e na estatura.

Consideramos um índice de massa corporal normal (IMC) com valores de >18.5 e <24.9.

Se o doente tem um IMC >25.0 E <29, sofre de excesso de peso, sendo considerada obesidade grau I quando existe um IMC >30.0 e <34.9, obesidade grau II com IMC >35.0 e <39.9 e obesidade grau III (Mórbida) IMC >40.

Considera-se uma pessoa magra quando o IMC é inferior a 18.5.

Como programas complementares destinados a aumentar a perda ponderal, deverá ser proposto ao obeso a realização de circuitos de manutenção com duração de sessenta minutos, pelo menos três vezes por semana.

Recomenda-se ginásio (cardio-fitness), desde que não exista contra - indicação como uma excelente opção, cuja duração não deverá ser inferior a trinta minutos nem exceder os sessenta minutos, podem ainda ser usados os tapetes rolantes, a bicicleta, elípticas, pedaleira (step) e o remo.

A hidromassagem (5 programas pré-definidos), com duração de 15 a 20 minutos, com uma temperatura de 38º, está também indicado como um método complementar para a perda ponderal.

Resta ainda acrescentar que a vacuoterapia com duração de trinta minutos, está indicada para o tratamento da celulite e gordura localizada.

Por fim um duche massagem (Vichy), com uma duração de quinze minutos a uma temperatura de 38º é mais uma medida eficaz no combate da obesidade .

Em suma, manter o peso ideal, é uma meta a atingir por todas as pessoas que desejam uma vida saudável, em que o investimento deve começar nas idades mais jovens, exigindo a implementação de medidas assertivas e rigorosas, para que o êxito terapêutico seja atingido.

 

(*) Doutorada em medicina

 

 

 



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Domingo, 25 de Agosto de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Cólon irritável

Por: Antonieta Dias (*)

 

O síndrome de cólon irritável, muitas vezes denominado como um distúrbio nervoso, sem causa orgânica, está por vezes associado a um intestino espástico.

Trata-se de um cólon caracterizado por um conjunto de sintomas por vezes inexplicado, em que a exuberância sintomatológica implica observação médica e instituição terapêutica, por incapacidade de controlo do quadro clínico.

Manifesta-se por dor, alterações do trânsito intestinal (obstipação /diarreia), flatulência e distensão abdominal, muitas vezes acompanhado de abdominalgia / cólica abdominal.

Porém, este síndrome afecta uma percentagem relativamente significativa da população em geral

Apesar de ser benigno é perturbador pelo desconforto que origina.

Afecta 30% da população ocidental em alguma fase da sua vida. É três vezes maior nas mulheres, e sobretudo surge nas adultas jovens.

A prevalência nos Estados Unidos da América é elevada, representa 15%.

Não temos dados explicativos para a ocorrência de uma maior incidência nas mulheres, o que nos faz pensar que pelo facto de o sexo feminino, ter mais visitas medicas registadas, embora sem carácter científico esta pode ser uma razão bastante plausível e que não nos custa aceitar como verdadeira.

Em Portugal é  a patologia mais procurada e diagnosticada nas consultas de gastroenterologia.

A sua evolução é  benigna, mas recorrente, não predispõe ao aparecimento de cancro, doença inflamatória intestinal e muito menos hemorragias.

Com o decorrer do tempo pode dar origem a diverticulose com presença de divertículos ( dilatações saculares de dimensões muito pequenas), cuja benignidade, também não nos obriga a incluí-la como uma doença grave e muito menos incapacitante.

Importa, contudo referir que é frequente a existência de um quadro clinico mais grave (diverticulite), cujo tratamento pode passar por uma intervenção cirúrgica se a situação não curar com tratamento conservador.

Era comum pensar-se que a origem desta doença estava relacionada com distúrbios de índole alimentar e /ou situações de stress, contudo isto não foi comprovado.

O aparecimento de sintomas com a ingestão de certos alimentos fez com que alguns doentes pensassem que a sua origem estava relacionada com determinados alimentos.

Importa, contudo referir que certas alergias alimentares apesar de raras, podem justificar os sintomas associados ao síndrome de cólon irritável.

Apesar de o síndrome do cólon irritável estar associado a uma hipersensibilidade do cólon com determinados alimentos, apenas podemos concluir como uma probabilidade, sendo uma situação muito excepcional, que leva a alterações mecânicas de contracção e relaxamento dos músculos da parede intestinal, alterando  a progressão normal do conteúdo alimentar ao longo do tubo digestivo.

Este facto pode aumentar ou diminuir a frequência dos ritmos de contracção e relaxamento muscular intestinal, aumentando ou diminuído a frequência das fezes e a sua consistência.

A sintomatologia do cólon irritável caracteriza-se pelo aparecimento de abdominalgia mais ou menos acentuada, distensão abdominal, enfartamento pós-prandial, eructações, alterações do trânsito intestinal (obstipação e/ou diarreia, ou mesmo as duas associadas em alternância).

Por vezes as fezes podem ser raiadas de muco, porém este sindrome nunca está associado a hemorragia ano-rectal, sendo assim, necessário fazer o diagnóstico diferencial com outras patologias.

O diagnóstico do sindrome do cólon irritável fundamenta-se sobretudo na história clínica, na especificidade da sua sintomatologia e no exame objectivo detalhado do paciente.

Todavia, este facto não exclui a necessidade de por vezes submeter os doentes a exames complementares de diagnóstico para garantir que a sintomatologia apresentada, não tem origem noutro tipo de problemas, pelo que não é rara a realização de colonoscopias, endoscopias digestivas altas, ou outros exames radiológicos, para esclarecimento do problema, podendo até nalguns casos solicitar uma avaliação psicológica do paciente.

Esta investigação clinica permite-nos excluir outros diagnósticos como por exemplo neoplasias, doença de crohn, diverticulite ou mesmo depressão.

A base do tratamento desta doença incluiu medidas conservadoras (tratamento médico), associado ao controlo do stress e a padrões alimentares que se coadunem com este tipo de patologia.

São sempre de aconselhar medidas dietéticas onde se excluem alimentos não digeríveis ou de difícil digestão.

Se conseguirmos que os pacientes tenham fezes mais moldadas e moles, estamos a contribuir para uma melhoria da progressão dos alimentos no intestino e muitas vezes corrigimos o desconforto da sintomatologia apresentada por estes doentes.

Tendo em conta estes aspectos, sempre que o doente manifesta diarreia deve ser estimulado a comer alimentos fibrosos ingeridos com pequenas quantidades de líquidos, contudo se pelo contrário surge obstipação, as fibras devem ser ingeridas com muitos líquidos, para tornarem as fezes mais moles e facilitar a sua expulsão.

Certos pacientes têm agravamento da sua doença com a ingestão de café, chá, chocolate, queijo, manteiga, leite, álcool, produtos lácteos ou nicotina, podendo mesmo alterar o próprio trânsito intestinal, pelo que estes alimentos devem ser evitados e excluídos da dieta diária.

Certo é que alguns alimentos podem ser causadores de maior desconforto, importa porém identifica-los o que nem sempre é fácil, tendo em conta as características individuais de cada pessoa que por ser única e ser possuidora de especificidades próprias não permite a modalidade de uma dieta padrão para aliviar a doença.

Nem sempre a correcção alimentar é suficiente para suprir o sofrimento do doente, sendo então complementadas as medidas dietéticas com a prescrição de fármacos destinados a corrigir e controlar os sintomas.

Sempre que constatamos com situações de elevado stress é aconselhável recorrer ao apoio de um psicólogo que ensine o paciente a usar técnicas de relaxamento, destinadas a melhorar a gestão dos fenómenos de elevada ansiedade e a melhorar a performance dos recursos disponíveis.

Os fumadores devem ser incentivados a deixar de fumar.

Em suma, apesar do processo de resolução do controlo do alívio da sintomatologia do cólon irritável ser por vezes lento, podendo levar seis meses ou mais à estabilização completa dos sintomas, os profissionais envolvidos na proposta de tratamento, devem munir-se de muita paciência tanto para prestar o apoio inicial, como nas agudizações e devem ser persistentes e assertivos na educação dos factores de agravamento.

No caso em apreço uma dieta individualizada, correta, com identificação dos alimentos que possam despoletar a sintomatologia é uma tarefa diária exigida à terapia comportamental alimentar destes pacientes.

Resta apenas acrescentar que alimentos ricos em gorduras, leguminosas, picantes, certos legumes (couve flor, bróculos, ervilhas), chá, café, bebidas alcoólicas devem ser excluídas da dieta destes doentes.

Recomendamos a necessidade de fazer 5 a 6 refeições diárias, comer devagar( saboreando os alimentos e mastigando-os com calma), evitar refeições tardias à noite e promover um exercício físico regular são aspectos do quotidiano que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem de cólon irritável.”

“Comer é uma necessidade, mas comer com inteligência é uma arte”. La Rochefouucauld”

(*Doutorada em medicina)



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Domingo, 4 de Agosto de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Deterioração cognitiva ligeira

 

Por: Antonieta Dias (*)

 

As demências representam um grave problema para a saúde pública, designadamente nos países desenvolvidos.

A evolução da sua doença funciona como um forte evento, cujo impacto negativo no ambiente familiar perturba por vezes a união da família, reflete-se na sociedade e aumenta os custos económicos da família e da comunidade.

Não existem marcadores biológicos que nos permitam fazer o diagnóstico precoce desta patologia, e muito menos antecipar os cuidados preventivos destinados a minimizar as alterações decorrentes do desenvolvimento desta doença. Todavia, nos últimos anos os investigadores têm-se dedicado a aprofundar os conhecimentos no sentido de conseguirem fazer o diagnóstico o mais precocemente possível.

Porém apesar deste esforço, nem sempre os objetivos são conseguidos, sendo o seu diagnóstico ainda mais dificultado quando surge em idades mais avançadas podendo até ser confundido como uma deterioração cognitiva associada à idade, e ser entendida como um sinal de envelhecimento, para o qual não existe tratamento.

Sempre que nos deparamos com uma deterioração cognitiva ligeira, encontramos fatores que apesar de não serem exclusivos deste quadro clínico, são fortes indicadores de que estamos perante uma lesão que mais ou menos intempestiva vai conduzir a uma deterioração que se caracteriza por alterações significativas da memória.

Mesmo que as atividades da vida diária estejam preservadas, a amnésia decorrente desta patologia conduzirá ao estabelecimento de critérios clínicos que nos irão permitir fazer a abordagem com base no conhecimento científico, permitindo-nos assim dividir em vários subtipos de demências, devendo para o efeito ser utilizados testes cognitivos de screening, que apesar de terem uma sensibilidade e especificidade relativamente baixa, não devem ser subestimados.

O  fato de fazermos um diagnóstico precoce da deterioração cognitiva, sempre contextualizada   no vasto conhecimento do doente, privilegiando assim um tratamento personalizado e atempado, nem sempre somos bem sucedidos.

Num trabalho recente de revisão da Clínica Mayo, os dados estimavam a prevalência de deterioração cognitiva ligeira na população em geral com idade superior a setenta anos, de aproximadamente de 15%.

O diagnóstico de deterioração cognitiva ligeira sem prejuízo de outros meios complementares de recolha de informação e da análise clínica, deve ter sempre presente a realização de testes de memória destinados a avaliar a memória retrógrada em que o doente recorda o que foi aprendido e em que existe num elevado número de casos um hiato dos fatos recentes nomeadamente para os eventos recentes, sendo para o efeito utilizadas escalas validadas de tipo Likert, cujo resultado do questionário obtido irá permitir orientar e intervir eficazmente na abordagem clinica do doente.

Testes de screening que podem ser utilizados com eficácia: Memory Impairment Screen, sendo este teste um excelente método de avaliação da memória episódica retrógrada, que apesar de pouco sensível pode servir como referência importante para o diagnóstico, tendo em conta que a avaliação da memória episódica é um dado fulcral na determinação da evolução futura destes pacientes.

Se associado a outros testes mais complexos de avaliação cognitiva complementados pelo estudo das atividades de vida diária elevamos o nível de sensibilidade diagnóstica.

Importa, ainda referir que a recolha e análise dos sintomas psicológicos e comportamentais destes doente representam as pérolas para a deteção dos sintomas psicológicos e comportamentais necessários para fazer a classificação dos vários subtipos da deterioração cognitiva ligeira de tipo amnésico.

Apesar das queixas subjetivas da perda da memória representarem cerca de 50% na faixa etária dos idosos, não invalida a possibilidade de estarmos perante uma outra entidade clinica como por exemplo uma doença neurológica ou psiquiátrica que seja responsável por doenças cerebrovasculares, neoplasias cerebrais, intoxicações por metais, encefalite herpética ou até decorrente de doentes que ingerem álcool  em excesso.

Assim, perante uma queixa de perda de memória, temos sempre que investigar se se  trata de uma situação de envelhecimento precoce ou de uma deterioração cognitiva vascular ou mesmo resultante de uma depressão cuja abordagem, raciocínio e decisão clinica são determinantes para a obtenção do sucesso terapêutico.

Em suma, uma perda de memória pode de fato representar única e exclusivamente um envelhecimento cognitivo cuja abordagem terapêutica é praticamente ineficaz, mas se a etiologia é de outra natureza temos a obrigação de fazer o seu encaminhamento para outros departamentos cuja diferenciação e especificidade podem resolver as situações de amnesia  e impedir o aparecimento de síndromes mais graves como a demência /Alzheimer, se conseguimos ser assertivos  na proposta terapêutica que nos propomos executar.

Por fim, para prevenir e tratar a deterioração cognitiva ligeira, para além da instituição de terapêutica farmacológica (inibidores da acetilcolinesterase, citicolina,antagonistas não competitivos do receptor N-metil-D-aspartato do glutamato, piracetam, nootrópicos, vasodilatadores, vitaminas e antioxidantes, ginkogo biloba, fosfatidilserina,   neuroprotectores,  ácidos gordos ómega 3, devemos incentivar os doentes a mudar os seus estilos de vida, estimulando-os à prática do exercício físico, à mudança dos hábitos alimentares (dieta mediterrânica), cujo beneficio parece estar relacionado com um conjunto de efeitos regeneradores provenientes dos antioxidantes existentes nas verduras e nas  frutas, bem como dos ácidos gordos ómega 3 e do efeito neuroprotector do azeite.

(*) Doutorada em medicina



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Domingo, 21 de Julho de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Artrite Reumatóide


Por: Antonieta Dias (*)

“É uma doença sistémica de causa desconhecida, que se desenvolve por um quadro de poliartrite inflamatória distribuída de forma simétrica e com manifestações extra-articulares.

A evolução da doença  é variável, todavia, caracteriza-se por ser uma doença crónica e progressiva.

Cerca de 70% dos doentes tem um atingimento articular irreversível demonstrável nos exames complementares de diagnóstico nos primeiros três anos de manifestação da doença.

Esta doença é  altamente incapacitante, sendo um fator relevante na determinação de incapacidade absoluta laboral.

Os doentes que padecem desta doença têm uma sobrevida mais curta de três a doze anos.

São pacientes que exigem um grande investimento de cuidados médicos, com utilização de fármacos que são instituídos precocemente, cuja agressividade terapêutica é por vezes demasiado elevada.

Associado a estes cuidados, são necessários tratamentos de reabilitação para alívio da sintomatologia dolorosa e para a recuperação funcional.

Podem estes doentes nalguns casos necessitar de completar o seu tratamento com intervenções cirúrgicas (sinovectomia, artroplastia total ou outras)para prevenir,  suprimir e aliviar as dores osteo-articulares.

Nos medicamentos mais usados, para o tratamento, temos os anti-inflamatórios não esteroides e os inibidores selectivos da COX 2, que são prescritos quando se faz o diagnóstico da doença, associados a terapêutica imunomoduladora e imunodepressora.

Os glicocorticóides são outros fármacos anti-inflamatórios potentes, usados no alívio das queixas álgicas.

Os glicocorticóides, têm a sua forma de ministração que é por via oral, usados em doses de 5-20mg, uma vez por dia, nos casos de sinovite, usando-se doses mais elevadas nas situações mais graves, em que muitas vezes a dose exigida pode ir até um miligrama por quilo de peso, via oral, uma vez por dia.

Outras terapêuticas, como os imunomoduladores e imunodepressores, estão indicados quando a terapêutica com anti-inflamatórios, não consegue debelar as dores, sendo ainda indicados nas situações de artrite erosiva que evolui de forma rápida e progressiva e nos casos em que os pacientes têm dependência dos corticóides para controlar a doença.

Para além do tratamento farmacológico, estão indicadas outras medidas terapêuticas sempre que o quadro clinico o exija, designadamente nos casos com perturbação psicológica severa(depressão, insónia, instabilidade do humor), cuja frequência é muito elevada nestes doentes.

Em suma, a artrite reumatoide, como doença sistémica que é, obriga a um cuidado muito especial, não só no rigor da seleção dos fármacos a utilizar, como na complementariedade  de tratamentos adjuvantes que vão desde equipamento de adaptação funcional onde entram os auxiliadores da marcha (andarilhos, bengalas), protetores dos utensílios destinados a realização dos atos de vida diária (adaptadores de banheiras, apoios para as sanitas, corrimões nas escadas, etc), destinados a ajudam, a minimizar o sofrimento e a dependência destes pacientes.

Importa, ainda referir que independentemente de todos estes cuidados do foro médico, há necessidade de intervenção ambiental que vai desde a criação de rampas de acesso não só na habitação, nas instituições de saúde e em todos os locais de acessos onde estes doentes necessitam de circular.

Por fim, resta apenas acrescentar a necessidade que as juntas médicas que fazem a verificação das incapacidades destes doentes os saibam avaliar na sua globalidade e não lhes proponham uma adaptação profissional em vez de lhes atribuírem uma incapacidade absoluta para o trabalho, quando a sua doença já atingiu um grau de irreversibilidade e de incapacidade funcional, cuja dependência de terceiros para os atos de vida diária os deixam completamente dependentes e sem condições para o desempenho da sua atividade profissional. 

(*) Doutorada em medicina



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Domingo, 9 de Junho de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Saúde, uma prioridade em Portugal

Por: Antonieta Dias (*)

 

 Ministério da Saúde. O que consta no Portal da Saúde

 

INTRODUÇÃO

 

Nos termos da Lei de Bases da Saúde, cabe ao cidadão um papel fundamental na promoção da saúde e no desenvolvimento do sistema de saúde que o serve.

 

Na nota de apresentação do documento "Saúde em Portugal - uma estratégia para o virar do século", refere-se que são necessárias formas diferentes de pensar e actuar na saúde em Portugal, considerando o cidadão como a razão de ser de todo o sistema de Saúde.

 

Está, pois, lançado o desafio para que, no processo de desenvolvimento da saúde em Portugal, a voz e a participação do cidadão, em geral, e do utente do Serviço Nacional de Saúde, em particular, ocupem o lugar que merecem: o de parceiro privilegiado nas mudanças que visam melhorar os serviços de saúde.

 

De um papel muitas vezes passivo ou de simples utilizador de cuidados, espera-se que o cidadão venha a desempenhar cada vez mais um papel activo e influente na melhoria das condições de saúde e da qualidade dos cuidados que lhe são prestados.

 

Urge, pois, criar as condições e os mecanismos que potenciem essa participação plena em prol da saúde e do desenvolvimento adequado dos serviços.

 

No nosso País, os serviços oficiais para prestação de cuidados de saúde à população encontram-se organizados num Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para além do SNS, existem diversos subsistemas de saúde, instituições de saúde privadas e profissionais em regime liberal.

 

O presente Guia pretende dar a conhecer o Serviço Nacional de Saúde na óptica do utilizador.

 

Neste contexto, um cidadão, ou utente, mais informado sobre os serviços que tem à sua disposição, sobre as regras de utilização desses mesmos serviços e sobre os seus direitos e deveres pode participar de modo mais eficaz no esforço de melhoria que se pretende.

 

î 1. SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (topo)

 

1.1. O que é o Serviço Nacional de Saúde?

 

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é o conjunto de instituições e serviços, dependentes do Ministério da Saúde, que têm como missão garantir o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde, nos limites dos recursos humanos, técnicos e financeiros disponíveis.

 

O SNS abrange ainda os estabelecimentos privados e profissionais de saúde em regime liberal, com os quais tenham sido celebrados contratos ou convenções, que garantam o direito de acesso dos utentes em moldes semelhantes aos oferecidos pelo SNS.

 

1.2. Que outros serviços e entidades prestam cuidados de saúde?

 

Para além do SNS, existem diversos subsistemas de saúde, criados no âmbito de vários ministérios, empresas bancárias, seguradoras e outras instituições, para prestação de cuidados de saúde aos seus trabalhadores ou associados (ADSE, ADME, SAMS, etc.). Os beneficiários destes subsistemas podem utilizar também, caso o desejem, toda a rede do SNS.

 

Diversas instituições de saúde privadas e profissionais em regime liberal completam a oferta de cuidados de saúde, prestando os seus serviços à população em regime privado ou através de acordos ou convenções quer com o SNS, quer com alguns dos subsistemas atrás referidos.

 

1.3. Quem pode ser utente do SNS?

 

• São beneficiários do SNS todos os cidadãos portugueses.

 

• São igualmente beneficiários do SNS os cidadãos nacionais de Estados membros da União Europeia, nos termos das normas comunitárias aplicáveis.

 

• São ainda beneficiários do SNS os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, em condições de reciprocidade, e os apátridas residentes em Portugal.

 

1.4. Se for beneficiário de um subsistema de saúde posso utilizar também o SNS?

 

De acordo com a legislação em vigor, pode. Deve informar os serviços do SNS do subsistema a que pertence, no acto de inscrição no Centro de Saúde, ou sempre que lhe for solicitado.

 

1.5. Que direitos têm os utentes do SNS?

 

De acordo com a Lei de Bases da Saúde (Lei 48/90, de 24 de Agosto), os utentes têm direito a:

 

a. Escolher o serviço e os profissionais de saúde, na medida dos recursos existentes e de acordo com as regras de organização;

 

b. Decidir receber ou recusar a prestação de cuidados que lhes é proposta, salvo disposição especial da lei;

 

c. Ser tratados pelos meios adequados, humanamente e com prontidão, correcção técnica, privacidade e respeito; 

 

d. Ter rigorosamente respeitada a confidencialidade dos dados pessoais;

 

e. Ser informados sobre a sua situação, as alternativas possíveis de tratamento e a evolução provável do seu estado;

 

f. Receber assistência religiosa;

 

g. Reclamar e fazer queixa sobre a forma como são tratados e, se for caso disso, receber indemnização por prejuízos sofridos;

 

h. Constituir entidades que os representem e defendam os seus interesses;

 

i. Constituir entidades que colaborem com o sistema de saúde, nomeadamente sob a forma de associações para a promoção e defesa da saúde ou de grupos de amigos de estabelecimentos de saúde.

 

1.6. Quais os deveres dos utentes do SNS?

 

De acordo com a Lei de Bases da Saúde, os utentes do SNS devem:

 

• Respeitar os direitos dos outros utentes;

 

• Observar as regras de organização e funcionamento dos serviços;

 

• Colaborar com os profissionais de saúde em relação à sua própria situação;

 

• Utilizar os serviços de acordo com as regras estabelecidas;

 

• Pagar os encargos que derivem da prestação dos cuidados de saúde, quando for caso disso.

 

Nota: Relativamente aos menores e incapazes, cabe aos seus representantes legais exercer estes direitos e deveres, nos termos previstos na lei.

 

Foi recentemente divulgada pelo Ministério de Saúde uma Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes. Em alguns aspectos, esta carta valoriza direitos e deveres já estabelecidos na Lei de Bases da Saúde.

 

1.7. Como posso contribuir para a melhoria do funcionamento dos serviços de saúde?

 

Deve manter-se informado acerca dos seus direitos e responsabilidades como utente dos serviços de saúde e participar na avaliação da qualidade dos serviços e dos cuidados que lhe são prestados, apresentando sugestões úteis e eficazes ou reclamações, quando se justificarem.

 

Pode integrar-se em entidades que colaborem com o sistema de saúde, quer sejam associações para a promoção e defesa da saúde ou grupos de amigos dos estabelecimentos de saúde.

 

A legislação prevê, ainda, a participação dos cidadãos em órgãos consultivos dos Hospitais e Centros de Saúde. Para tal, terão de estar devidamente organizados em Ligas de Utentes ou Amigos do Hospital ou serem elementos das autarquias.

 

1.8. Como posso exercer o meu direito de apresentar sugestões e reclamações?

 

Deve dirigir-se ao Gabinete do Utente, que funciona, em cada distrito, na sede da Sub--região de Saúde e também nos Centros de Saúde e nos Hospitais.

 

Este gabinete tem as seguintes atribuições:

 

• Informar os utentes sobre os seus direitos e deveres relativos aos serviços de saúde;

 

• Receber as reclamações e sugestões sobre o funcionamento dos serviços ou o comportamento dos profissionais;

 

• Redigir as reclamações orais feitas nos termos da alínea anterior, quando os utentes não o possam fazer;

 

• Receber as sugestões dos utentes.

 

• Se quiser apresentar uma reclamação, pode ainda utilizar o Livro de Reclamações, que existe obrigatoriamente em todos os locais onde seja efectuado atendimento público, devendo a sua existência ser divulgada aos utentes de forma visível.

 

• O reclamante será sempre informado da decisão que recaiu sobre a reclamação apresentada.

 

1.9. Como utilizar melhor o SNS

 

O SNS oferece-lhe um conjunto de instituições e serviços, designadamente Centros de Saúde e Hospitais, que lhe podem prestar cuidados de:

 

• Prevenção e tratamento da doença;

 

• Reabilitação e apoio na reinserção familiar e social de doentes. 

 

O utente pode ainda obter junto dos serviços de saúde:

 

• Informação sobre assuntos relacionados com a saúde e formas de a manter e promover;

 

• Informação sobre o funcionamento dos serviços de saúde.

 

Para vigiar a sua saúde ou tratar alguma doença, deve dirigir-se, em primeiro lugar, ao seu Centro de Saúde, que constitui a porta de entrada do SNS.

 

Se procurar o serviço de urgência do Hospital, para uma consulta que pode ser feita no Centro de Saúde, lembre-se que está  a dificultar a solução de outras situações mais graves.

 

Marque, com antecedência, as consultas de que precisa. Desta forma será possível gerir melhor os tempos de consulta disponíveis.

 

Quando for a uma consulta, leve consigo toda a informação que possa ser útil, como: o seu cartão de utente, as últimas análises e radiografias, o nome dos medicamentos que esteja a tomar.”

 

Depois de ler atentamente o que se encontra definido no Portal da Saúde sobre SNS, temos que concluir que a saúde não  é uma utopia, que a natureza humana é uma realidade, e não uma ficção.

 

Esta realidade, implica a manutenção de um sistema político que assente em valores humanos, em que o realismo político e pragmatismo que não se podem confundir.

 

Se o pragmatismo ultrapassa o conteúdo de um programa, a realidade política tem que ser orientada na defesa do ser humano, inspirada na natureza e preservação de uma realidade que se encontra ameaçada.

 

Se o pragmatismo se fundamenta numa ideologia política, a ideologia  tem que ser pura, tem que ser assente em valores cuja  realidade não seja ameaçada, e muito menos  implique a adopção de uma conduta política, destituída de princípios e programada para impedir o acesso ou  a posse dos bens, essenciais.

 

O SNS,  tem de ser entendido como um bem, destinado a defender o Homem dos malefícios da doença, e dirigido para a concretização plena das suas naturais ambições, isto é para a obtenção do mais completo bem estar físico, mental e social.

 

Este é um direito inquestionável, para o cidadão comum.

 

Se pensarmos que a defesa da Nação e do Estado, é um dever de quem nos governa, que a Nação só existe, porque existem Homens, e os Homens tem de ser respeitados e que esses Homens tem que ser o centro de toda a nossa acção, política.

 

Entenderemos, naturalmente que os homens têm interesses, que criaram expectativas, que têm ideais, que não podem de forma nenhuma serem defraudados constataremos que, estas pessoas procuram naturalmente a satisfação, das suas necessidades básicas, integradas na realidade social, onde não há lugar para viverem numa miragem, porque essas pessoas têm convicções, não vivem de perspectivas utópicas, não querem soluções que ponham em causa a sua liberdade, a sua independência, ou a sua sobrevivência.

 

São pessoas que apenas aceitam partilhar com terceiros, se esses terceiros não se afastarem  dos seus objectivos essenciais.

 

Todos nós sabemos que os seres humanos se caracterizam por serem diferentes uns dos outros pelas suas aptidões, desejos e objectivos diferentes, mas apesar de diferentes sabem distinguir as perdas que estão sempre presentes e os ganhos que nunca surgem.

 

Podermos até questionarmo-nos se os interesses individuais absolutos são ou não partilháveis?

 

A nossa reflexão vai pois, ao encontro dos homens que têm interesses, assumidos, e que, em maior ou menor grau, procuram as oportunidades, consagradas no SNS, cuja gestão terá de ser rigorosa,  usando meios eficazes, que impeçam o desperdício, mas que, não prejudiquem a acessibilidade nem coloquem a vida em risco.  

 

Esta deverá ser na nossa opinião a meta a atingir para salvar o SNS, destinado a conseguir com um ambiente social, estável, um país produtivo, um país saudável.

 

Todavia, se esta estabilidade, for abalada, se os bens individuais forem colocados em perigo então o estado social ficará  destruído, e irremediavelmente perdido.

 

Se admitirmos ainda um conceito básico na prática da medicina de acordo com a “legis artes”, temos que incluir que ‘medicina baseada em evidências’ (MBE), oriunda do movimento da epidemiologia clínica anglo-saxônica, iniciado na Universidade McMaster no Canadá no início dos anos noventa, definida como “processo de sistematicamente descobrir, avaliar e usar achados de investigações como base para decisões clínicas” (Evidence Based Medicine Working Group, 1992).

 

Facilmente compreendemos que a MBE assume um papel de destaque, e de influência nas condutas médicas.

 

Os mais cépticos poderão consultar o Medline onde encontrarão a resposta adequada ao seu cepticismo.

 

Para os adeptos da MBE existe uma escala tipológica da força das evidências que deve ser considerada em todas as decisões e nas práticas biomédicas.

 

Assim, façamos o estadiamento dos níveis de evidência:

 

A- Evidência forte de, pelo menos, uma revisão sistemática (metanálise) de múltiplos estudos randomizados controlados bem delineados;

 

B- Evidência forte de, pelo menos, um estudo randomizado controlado bem delineado, de tamanho adequado e com contexto clínico apropriado;

 

C- Evidência de estudo sem randomização, com grupo único, com análise pré e pós–coorte, séries temporais ou caso controle pareados.”

 

Estas são as nossas linhas orientadoras do raciocínio clínico, para aqueles que praticam medicina com conhecimento científico.

 

Se destruímos estes conceitos, destruiremos a qualidade do SNS.

 

 (*) Doutorada em medicina



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Domingo, 12 de Maio de 2013
TEMAS DE SAÚDE: O Estado Social da Saúde em Portugal

Por: Antonieta Dias (*)


“As notícias referem que há hospitais que têm de cortar ¼ das horas extras, pois em 2013, vão ter que reduzir 20% os custos com os pagamentos em horas extraordinárias e os Centros de Saúde terão de cumprir uma redução de 15%.

Segundo um despacho publicado em Diário da República. O documento, assinado pelo secretário de Estado da Saúde, lembra que o memorando de entendimento acordado com a ´troika´ estabelece uma meta de redução de custos com trabalho extraordinário para 2013 de 20%”.

Este texto foi extraído das notícias desta semana, o que me leva a refletir, sobre a situação de sustentabilidade do sector da saúde.

Se com o alargamento dos horários se conseguir dar cobertura às necessidades assistenciais de um serviço de qualidade, considero que algo estava errado e que havia desperdício que necessitava de ser corrigido há muito tempo.

Todavia, se este corte nas despesas da saúde traduzir um declínio e gerar mais desconforto e sofrimento para a grande parte dos portugueses utilizadores do SNS, então teremos de pensar que afinal, vai haver mais restrições e mais carências sociais.

Este facto obriga-me a fazer a seguinte reflexão politica esta semana.

“Se o Sistema Nacional de Saúde funcionou como um estimulante na prevenção da doença em Portugal, neste momento, já não podemos mais acreditar que a redução e sensação de fadiga mental e física que permitem aumentar o estado de alerta, necessário para alimentar a nossa condução motora e reduzir o aparecimento das doenças, seja um objetivo a atingir a curto, médio ou mesmo a longo prazo.

Talvez seja necessária uma dose de um protótipo dos estimulantes do Sistema Nervoso Central, ou seja, o mais certo, é necessitarmos de uma dose de anfetaminas que têm indicações específicas (algumas formas de síndrome de hiperatividade nas crianças e na narcolepsia no adulto), para conseguirmos despertar do marasmo em que nos encontramos e sobretudo, da forma como reagimos a todas estas mudanças que se vão instalando, sub-repticiamente, cujas consequências serão fatais a curto prazo.

Se este efeito de euforia, agitação, precipitação, na tentativa de resolução imediata, para reduzir o défice, irá ter as consequências neurotóxicas, semelhantes à utilização da Ecstasy, talvez seja de facto este o melhor método e o mais eficaz, tendo em conta que tal como esta droga, cuja utilização crónica conduz à tolerância, à destruição neuronal e ao envelhecimento precoce dos neurónios, nos ajude a vencer a grave problemática que existe no seio dos serviços de saúde.

Os mais renitentes a esta metodologia de intervenção, devem ser também os mais resistentes à introdução destas drogas, sintéticas e como tal estão já ultrapassados, porque vivem num contexto social que não se adapta à sociedade que estamos a viver.

Todavia, se o objetivo dos profissionais competentes da saúde, não é encontrar uma substância dopante que nos faça viver num mundo de ilusão, mas sim pretendem contribuir para que a saúde mental e física seja uma prioridade na intervenção das medidas antecipatórias, destinadas a mudar os comportamentos para estilos de vida saudável.

Como seres pensantes e responsáveis que somos, não podemos ficar com as reservas dos nossos neuroreceptores com níveis inferiores aos necessários para recuperar a nossa vitalidade e a nossa preocupação, pelo que nos irá acontecer a muito curto prazo, com todas estas reestruturações que estão a acontecer no Sistema Nacional de Saúde.

Não pretendemos com é óbvio tornar disponível um sistema cujo acesso seja impeditivo de chegar ao local mais adequado para fazer o diagnóstico e o tratamento atempado da prevenção e do tratamento da doença, de forma a minimizar os efeitos deletérios da utilização ou melhor de um sistema de saúde que não resolve os problemas de quem necessita dele.

Podemos ter a certeza, que não é com medidas destinadas a impedir ou dificultar a acessibilidade aos sistemas de saúde, quer seja através do aumento das taxas moderadoras, quer seja pela privação de prestação de cuidados de saúde vitais, que estamos a prestar um bom serviço e sobretudo que estamos a economizar na saúde.

A vida humana é  um bem precioso, e preservar a saúde e tratar a doença, para a manutenção do bem estar dos portugueses é o melhor investimento que podemos fazer a curto prazo para economizar no futuro.

Nenhuma pessoa sensata, vai procurar os efeitos dopaminérgicos numa droga que estimula o sistema nervoso central, mas que pode originar convulsões.”

(*) Doutorada em medicina



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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013
Temas de Saúde: As Famílias portuguesas estão em risco? São vítimas de Maus – Tratos?.

Por: Antonieta Dias (*)

 

O rendimento “per capita”, isto é o rendimento mensal médio por pessoa do agregado familiar dos portugueses, está a gerar muitos conflitos intrafamiliares, que se têm vindo a agravar-se nestes últimos seis meses.

São considerados como rendimento global anual da família os honorários auferidos, onde se incluíam, subsídio de férias, de natal, pensões, bem como outros rendimentos dependentes dos bens patrimoniais de todos os elementos do agregado familiar.

Assim, os elementos envolvidos na família são pessoas dependentes da economia comum do casal e dos filhos ou de outras pessoas que aí coabitam, quando estamos perante famílias alargadas.

Com base no conceito de agregado familiar doméstico (pessoas que vivem na mesma casa), cujo grau de parentesco une a família e a torna sólida, coesa e funcional, independentemente de se tratar de uma família nuclear, com ou sem filhos, de uma família alargada, de uma família reconstruída ou simplesmente de uma família unitária.

Porém, infelizmente, não encontramos actualmente muitos exemplos de famílias tradicionais em que a funcionalidade interpares traduz a verdadeira família a que estávamos habituados a ter.

Na realidade este conceito de família tradicional, tem vindo a perder-se, sendo várias as situações que têm contribuído para a destruir.

Citaremos a título de exemplo alguns indicadores de vulnerabilidade e risco social, que envolvem várias famílias, desde que se instalou a precaridade social, responsáveis pela perda de valores e união familiar.

Pensar que estes problemas são isolados, é ignorar a pobreza desencadeada pelas políticas sociais que assertivamente estimularam uma série de processos em agregados familiares, alguns já de si marcados por um risco prévio, onde o nível educacional, a precaridade do mercado de trabalho, os baixos rendimentos, a violência doméstica, a prostituição infantil, o abuso sexual de mulheres e o abuso de menores, sinalizavam um alto risco intrafamiliar.

Porém não podemos concluir, que apenas estas famílias disfuncionais, onde predominavam fenómenos desfavoráveis facilmente susceptíveis a comportamentos desviantes, possam ser as únicas atingidas por este retrocesso social.

As desigualdades, a pobreza, e a vulnerabilidade social são as três questões, que mais contribuíram para desestruturam as famílias portuguesas estáveis, levando a situações de desespero, nalguns casos extremos, traduzidos por vezes apenas um refúgio uma saída, que se os leva à destruição pessoal ou mesmo à destruição da própria família.

Situações dramáticas estão a ser relatadas e vivenciadas actualmente, sendo que pelo grau de degradação experienciada, não expectável até há bem pouco tempo, transformam e destroem a saúde das famílias portuguesas.

O facto de existir uma pobreza instalada no seio da família, só por si origina uma série de problemas que algumas vão conseguindo adiar na expectativa e esperança de dias melhores.

Todavia, a crise financeira do sistema sócioeconômico, instalada nas famílias em geral, sendo que neste momento a classe média é das mais atingida, dado que de repente e inesperadamente se vê privada de bens essenciais, cujo vencimento anterior à crise económica era suficiente para manter a sustentabilidade familiar, porque auferiam honorários que permitiam manter um nível de vida proporcional ao trabalho que desenvolviam e continuam a desenvolver, mas agora com horários de trabalho acrescidos devido a um aumento da carga semanal, com vencimentos diminuídos (perda de subsídio de férias, de subsídio de natal, de diminuição do valor da reforma, de diminuição do vencimento, gerada pelo aumento de impostos) colocam em risco a possibilidade de satisfazerem as necessidades básicas e entram em falência total, porque as despesas são as mesmas, e o rendimento é menor.

São vários os indicadores que nos alertam para o risco familiar, desencadeado por uma série de privações de ordem física, emocional e social, que se traduzem pelo aparecimento de comportamentos desviantes, vejam-se os homicídios relatados recentemente (mães que matam os filhos, porque não os conseguem sustentar), violência doméstica, que apesar do  número de notificações ser inferior ao número de casos vivenciados, pois este drama ainda continua a ser uma área muito sensível, para a qual grande parte das pessoas, tem dificuldade em aceitar e revelar, por se tratar de situações de índole muito pessoal e íntima, pelo elevado número de depressões que têm sido diagnosticadas, pelo agravamento das doenças crónicas e pelas doenças agudas, que originam uma procura menos atempada aos cuidados de saúde, sendo muitas vezes já tardia para impedir o aparecimento de sequelas, que poderiam ser evitadas, se as doenças fossem tratadas em tempo útil.

Associada a esta complexidade de problemas, acresce, ainda a constatação da existência de maus-tratos que tem subido assustadoramente, atingindo sobretudo idosos e crianças dependentes, muitas vezes resultante da falta recursos económicos existentes no seio da família, onde estes dois grupos etários são entendidos como um fardo no seio da família, cuja precaridade económica e carências sociais disponíveis, geram situações dramáticas, cuja resolução não se vislumbra e tem tendência a agravar-se.

Diariamente constatamos com situações impensáveis e imprevistas, vivenciadas por famílias funcionais economicamente estáveis que de repente verificam que a sua vida se encontra num beco sem saída e sem futuro, desencadeada pela perda do emprego(de um ou até dos dois conjugues), pela diminuição do rendimento gerada pelo aumento da carga fiscal, pela privação de todos os recursos indispensáveis à manutenção das suas despesas mínimas diárias, cujo resultado final é a pobreza instalada.

É óbvio que os recursos psicológicos disponíveis para a gestão de todos estes conflitos não são ilimitados e então consequentemente surge a doença física e psicológica, associada à instabilidade social (são os filhos que emigram e abandonam os pais, são os idosos que ficam cada vez mais sós e abandonados, muitos deles emagrecidos e desnutridos, porque a sua reforma não lhes permite ter uma alimentação adequada, são os pais que voltam a receber os filhos, pela impossibilidade de subsistência familiar pré-existente).

Estes factores abalam o Estado de Bem Estar social, que proporciona uma falência na estabilização do sistema socioeconómico, e degrada as condições de vida, limita o acesso aos bens matérias indispensáveis à sobrevivência humana e reduz naturalmente a coesão intrafamiliar.

Em suma, passamos a ter um ciclo de vida carenciada e inibida onde os adultos desesperam, porque não conseguem reequilibrar as esferas económicas e socais, as crianças e os idosos descompensam, os jovens emigram à procura de um futuro e as redes sócioassistenciais passam a ser mais solicitadas por todas as classes sociais, em que a estratificação social determina o acesso diferencial aos bens, ao prestígio e ao poder.

O estado tem cada vez menos capacidade para apoiar estas famílias, pois o universo de pobreza é cada vez maior, registando-se uma vulnerabilidade traduzida pela dependência económica, vivenciada pelas famílias, que já não auferem qualquer rendimento porque ficaram inibidas do acesso ao trabalho e obviamente à sua remuneração.

É consensual que a dimensão disponível de recursos é avaliada segundo a renda familiar per capita e existe um mínimo indispensável para conseguir sobreviver.

Neste momento tendo em conta a insustentabilidade social do País, passamos a viver num pântano movediço cujo fim será imprevisível mas certamente resultará num índice de desenvolvimento familiar insustentável, implantado num território, desprovido de apoios na saúde, na família, na educação, no mercado de trabalho, na vulnerabilidade social e sem recursos, onde predominará a doença, por ser impossível manter a saúde, que não abrange o conceito determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera a saúde como o mais completo bem estar físico, psicológico e social e não apenas a ausência de doença.

 (*) Doutorada em medicina



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Domingo, 13 de Janeiro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: O valor da vida

 

Por: Antonieta Dias (*)

 

Apesar de estarmos a viver uma fase de mudança social que implica uma séria reestruturação de Serviços e das Instituições, a vida humana tem de continuar a ser respeitada.

A defesa da vida, passa pela necessidade de manter os apoios preconizados que foram criados com objectivos bem definidos, no que se refere ao princípio básico de manter a sustentabilidade da dignidade humana.

Estas regras elementares de que depende a valorização da vida, não podem de forma alguma ser destruídas por razões economicistas e exclusivamente baseadas em fórmulas matemáticas, onde as pessoas são substituídas por números.

Somos confrontados com um maior número de casos de pessoas que necessitam de apoio de terceira pessoa, devido ao seu elevado grau de dependência e a um crescimento populacional de idosos que residem sozinhos ou têm como cuidador um outro idoso, que também necessita de ajuda.

Esta situação já de si constrangedora tem sido agravada pela falta de resposta e de investimento social adequado à realidade que estamos a viver, sendo desajustada para responder às inúmeras solicitações que surgem diariamente.

Este facto tem sido gerado pelas restrições e pela precaridade económica que vivenciamos atualmente.

Se é certo, que esta realidade é inevitável, devemos pelo menos investir num projecto que consiga responder à satisfação das necessidades básicas e seja o suporte social para colmatar este grave problema, que nos assusta por desencadear ainda mais a vulnerabilidade e abalar a resistência à sobrevivência humana.

Algumas medidas devem ser consideradas como uma prioridade, para a manutenção de uma qualidade de vida com padrões adaptados e rigorosos, que não prejudiquem sobretudo quem já se encontra carenciado e sem autonomia para resistir a tantas agressões (físicas, psicológicas e sociais).

O facto de a família ser um suporte insubstituível de coesão e apoio inquestionável temos de preservar a vida das pessoas que não têm família ou foram simplesmente abandonados ou excluídos dela.

Esta vivência da perda é uma realidade cada vez maior na população portuguesa, e o estado social não pode matar a esperança destas pessoas, nem omitir ou simplesmente ignorar este drama social.

Por outro lado, não se pode pretender que estas novas exigências estejam explicitamente tratadas, por medidas legislativas, muitas vezes insuficientes, pouco reconhecidas e incompreendidas pela população em geral.

A dimensão moral da liberdade e da racionalidade levam-nos a reconhecer que teorias filosóficas não sustentam a autonomia nem a riqueza humana.

Tudo aponta, para a necessidade de fazer uma análise detalhada da realidade em que vivemos e que a mensagem daí resultante seja autêntica, que ultrapasse a mera promessa de uma boa intenção.

Mais grave será ainda, se as medidas adoptadas não preservarem a vida e a considerem como um castigo ou um pecado.

Todos sabemos que os fins não justificam os meios e mesmo que as medidas sejam boas é preciso traçar o caminho com um conteúdo de intenções onde a verdade, tem que substituir a mentira, onde a solidariedade humana exclua o egoísmo, em que o rumo a seguir passará pela obrigatoriedade de entender o valor do ser humano e humanizar a medicina.

A problemática moral do racionamento da medicina, não pode servir de árbitro e condicionar as fontes da vida humana e muito menos servirem como administradores dos desígnios estabelecidos por critérios políticos, onde o homem fica privado do domínio do seu próprio corpo.

Assim, à luz de uma cultura generosamente orientada para servir a vida, não podem existir impossibilidades ou limitações que coloquem em causa a confiança e a esperança de manutenção da vida.

Ninguém pode ser indiferente ou insensível perante alguém que está indefeso, diminuído físico ou psicologicamente, ou porque é deficiente ou idoso fica privado dos valores comuns da dignidade humana e dos direitos do próprio homem.

Viver em democracia é reconhecer o poder público como um bem comum titular do reconhecimento e da tutela jurídica dos direitos humanos.

Por outro lado, a manutenção de carros de luxo, de ostentação de riqueza, numa sociedade onde as necessidades básicas dos cidadãos estão em risco, transforma-se numa violação dos direitos democráticos.

Será esta uma visão pessimista da nossa realidade social? Ou será que a nossa existência tem obrigatoriamente de ser regida pela violência fatal e inevitável de uma sociedade e de uma história da humanidade condenada a uma insociabilidade e a uma cultura de vida não expectável, onde o nocivo impera sobre a opção da ética e sobre o verdadeiro crescimento natural do ser humano?

Será que estamos mesmo no fim de um ciclo democrático e de uma inversão dos valores, onde a corrupção e a mentira escravizam a liberdade e precisamos de um profeta, que transforme e ignore o materialismo vigente e passe a dar sentido à vida?

Será que a Europa vai continuar a ser uma sociedade multicultural, onde cada País vai ter direito à sua identidade cultural e religiosa?

Ou será que estamos a viver um momento sociopolítico de fraqueza, tendencialmente passeiro e efémere cuja durabilidade é curta e rapidamente surgirá a justiça, a paz e o homem passará a ter novamente direito ao diálogo e à preservação da vida?

Temos de acreditar que sim, e pensar que os valores universais, que os direitos invioláveis e inalienáveis, serão o suporte da dignidade da pessoa, exigíveis da tutela de todo um sistema jurídico, económico e social fundamentais para a sobrevivência em democracia.

 

(*) doutorada em medicina



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Domingo, 6 de Janeiro de 2013
TEMAS DE SAÚDE: Lesões no desporto

 

Por: Antonieta Dias (*)

 

O desporto representa por si mesmo e pelas suas múltiplas facetas, uma situação favorecedora da saúde. Ninguém põe em dúvida os efeitos positivos que a pratica desportiva proporciona. O interesse cada vez maior pelo desporto tem feito com que  o número de praticantes tenha vindo a aumentar consideravelmente.

No contexto actual praticar desporto é uma rotina quase obrigatória, havendo um número cada vez maior de praticantes amadores e profissionais. A idade de início da prática desportiva surge cada vez mais precocemente. Quanto maior for o número de praticantes maior será a probabilidade de sofrerem lesões. As lesões são um obstáculo importante à prática desportiva, podendo impedir temporariamente ou definitivamente a actividade do atleta, conduzindo necessariamente a uma diminuição ou ausência de rendimento conforme a sua gravidade. Esta situação tornar-se-á mais crítica ainda se surgir num jovem em fase de crescimento.

Os diferentes tipos de actividade desportiva impõem exigências variáveis aos desportistas que a praticam.

As exigências que diariamente são pedidas sobretudo aos atletas de elite para atingirem bons resultados, passam necessariamente por um aperfeiçoamento das técnicas, por um número maior de horas de treino, por um aquecimento adequado, por um programa de treino e de competição intensivo, por uma ingestão suficiente de líquidos, por uma alimentação completa e variada, por uma higiene geral (repouso, sono, abstenção de álcool). Apesar de uma constante melhoria das técnicas de treino e de equipamentos ninguém fica imune ao risco de lesões.

As lesões constituem um dos principais obstáculos ao rendimento desportivo.

Uma lesão pode representar um impedimento temporário ou definitivo na prática desportiva, com todas as implicações que daí advém.

Por melhor que sejam as qualidades pessoais do atleta, mesmo que a sua preparação técnica seja excelente, o sucesso desportivo pode não ser atingido se durante a sua prática desportiva ficar lesionado.

O nosso papel será actuar a nível da prevenção, divulgando medidas preventivas eficazes, afim de impedir o aparecimento de lesões. Apesar da introdução destas medidas, podem surgir algumas lesões. Se tal acontecer temos de actuar de imediato na sua resolução de forma a minimizar as consequências e permitir o retorno à actividade desportiva o mais rapidamente possível.

As lesões podem surgir como consequência da actividade desportiva em si, ou estarem relacionadas com o próprio gesto desportivo e algumas podem mesmo ser provocadas pelo próprio desporto (Ex. fracturas de sobrecarga ao nível dos metatarsianos em corredores de fundo).

Muitas têm sido as investigações efectuadas sobre as lesões desportivas, tendo a maioria dos autores feito a descrição de algumas tipologias mais frequentemente encontradas. Algumas caracterizam determinadas modalidades, permitindo-nos fazer comparações com as lesões sofridas pelo grupo de atletas estudados. Tendo como fonte Cruz e Neto (1996), mencionaremos alguns dos estudos seleccionados e citados por estes autores:

“Pontana e colaboradores (1979), mostraram que nas épocas de 1976/77 e 1977/78, nas 16 equipas italianas da 1.ª divisão de futebol, tinham ocorrido 1.228 lesões. Os jogadores atacantes foram os mais atingidos tendo 83.8% das lesões ocorrido nos membros inferiores e em particular na coxa.

De salientar o estudo epidemiológico de Volgi no campeonato do Mundo de Futebol (1990), em que nos 102 jogadores observados, se constatou que foi na primeira metade da 2.ª parte que surgiram mais lesões.

Mais tarde, Angelini e colaboradores (1992) num estudo que fizeram em 1.018 atletas de futebol que participaram nos jogos, de Agosto de1980 aJunho de 1991, foram registadas 207 lesões. Nesta amostra foram consideradas como lesões mais significativas as que impediam o atleta de realizar pelo menos um jogo ou uma sessão de treinos. De salientar que a gravidade das lesões aumentou com a idade e com a intensidade da competição.

A maioria das lesões (67%) incidiram nos membros inferiores. As lesões musculares da coxa, por estiramento ao pontapear a bola (86% dos casos) e nos gemes ao fazer sprint(91%>) foram os mais frequentes, tendo sido os do joelho (25%) e do tornozelo (18%).

Uma outra investigação, efetuada em Espanha por Ferrier, Rodriguez, Carriou, Bleda e Santonya (1994), realizada em 26 jogadores de futebol da  1.ª divisão, constaratem a existência de 169 lesões. Nesta estudo as lesões tendinosas foram as mais frequentes (10%).

Num outro estudo efetuado por Bégue, Blanc e Huguet(1976, citado por Ferreira, 1995), ao  estudar uma equipa de profissionais de futebol americano, durante 8 épocas sucessivas, constatou que a articulação do joelho era a zona corporal mais atingida e que 20% das lesões se localizavam nos membros superiores, 18% no tornozelo e 12% no crânio e face /16% destas fraturas eram no nariz).

 

Nas investigações efetuadas em Portugal, salientamos um primeiro estudo de Massada(1985), efetuado a 36 voleibolistas do sexo masculino.

Destes só 5 é que não sofreram lesões, os outros (86.1%) referiram 112 lesões, sendo 42,9% nos membros superiores, 48,2% nos membros inferiores e 8.9%, na coluna vertebral. As zonas corporais mais atingidas foram os dedos (30,4%), as entorses ao nível da articulação tíbio - társica (19,6%), o joelho (18.8%) e o ombro (10.7%).

Um outro estudo, realizado por (Massada, Pinto, Real, Gancho e Rocha, 1986), abrangeu 40 praticantes de hóquei em campo da 1.ª divisão. As contusões ficaram em 1.º lugar (50,8%), distribuídas pelas pernas e cabeça, 21% foi a percentagem obtida para as lesões musculares e articulares.

Mais tarde Massada, Teixeira, Conde e Lemos (1987), realizaram outro estudo em basquetebolistas de média e alta competição, concluíram que as lesões articulares eram as mais frequentes (43,1%), atingindo as regiões distais dos membros superiores e inferiores (50%).

Numa investigação feita por Ribeiro (1992) a um grupo de 25 jogadores de futebol, foram encontradas 86 lesões, que atingiram os membros inferiores (exceto três que se produziram nos membros superiores). Estas lesões produziram 998 dias de tratamento e recuperação, num total de 455 dias de repouso absoluto, 212 de trabalho em ginásio, 185 de endurece e 120 dias de treino condicionado. A frequência de lesões foram as musculares (39), seguidas das ligamentares (21) e pelas tendinopatias.

Num estudo efetuado por Carvalho (1994) em 402 atletas de futebol, sendo 178 (44%) profissionais e 224 (56%) amadores. Foram detetadas 585 lesões, 156 musculares (26%), entorses 138 (23%), lesões tendinosas (11%).

Massada, Freitas e Mourinho (1985), estudaram 30 dos melhores remadores portugueses, tendo encontrado 75% das lesões ao nível da coluna vertebral, sendo as lombalgias responsáveis por 58,4%.

Um outro estudo feito por Massada, Damásio, Mota e Lemos (1987), que incluiu 35 dos melhores atletas de salto de atletismo, pertencendo 19 ao sexo masculino e 16 ao sexo feminino. As lesões traumáticas mais frequentes estavam localizadas ao nível das articulações (41,6%).

O quadro 1, mostra uma investigação feita por Cruz (1992), nos atletas de judo, tendo feito a comparação entre os atletas franceses e portugueses revela alguns dados importantes.

Estudo comparativo no Judo (Adaptado por Cruz, 1992).

______________________________________________________________________

                                                           França                         Portugal          

Tempo de observação             4 anos                                     1 ano

N.º de Competições                            154                                         7                     

N.º de Atletas                                     17.596                                    716                 

N.º de atletas observados                    4.29(24%)                              122(17%)

Desistência por ordem médica 337(1.9%)                              20 (2%)

Hospitalizações                                   106(0.6%)                              5(0.6%)

______________________________________________________________________

 

Neste estudo a articulação mais atingida foi o joelho, na equipa francesa o ombro aparece em 2.º lugar (16.7%) e depois o cotovelo (15.6%). Nos atletas portugueses os locais mais atingidos foram a cabeça (22%), as mãos (20.5%) e o joelho (16.3%).

Estas citações feitas por Cruz e Neto em 1996, demonstram claramente as implicações que uma lesão provoca na carreira de um atleta de alta competição e as repercussões negativas que daí resultam, obrigando-nos como responsáveis diretos na investigação desportiva a criar medidas de intervenção urgentes de forma a minimizar drasticamente estas situações.

Não temos dúvida de que a elaboração destas intervenções, passará necessariamente pelo conhecimento geral e aplicação prática de todas as regras de segurança, do cumprimento adequado das técnicas e de uma orientação específica e individualizada dos métodos mais adequados para a execução das tarefas. Só assim se poderá obter êxito na prevenção das lesões.

No estudo realizado por Cruz e Neto (1996), em atletas de futebol profissional lesionados, concluíram que as lesões do joelho eram as mais frequentes (mais de 30% do total de lesões registadas).

Os resultados obtidos por estes autores parecem sugerir dados importantes: a) a importância de alguns fatores e aspetos psicológicos associados às lesões desportivas, descritas não só na literatura nacional (ver Cruz e Dias, M.A.* 1996; Cruz e Neto, 1996); e na literatura internacional (ver Heil, 1993; Buceta, 1996); b) a importância da inter - correlação e interdependência entre variáveis e processos psicológicos de natureza cognitiva, motivacional e afetiva nomeadamente a perceção de ameaça e os recursos e competências psicológicas de confronto psicológico em contextos desportivos e competitivos (Cruz, 1994, 1996; Hardy et al., 1996).

O fato de “não atingiram objetivos importantes na sua carreira desportiva”, “não terem o rendimento pretendido e /ou desejado”, “poderem falhar ou cometer erros em momentos decisivos”, “ não corresponderem ao que os outros esperam dele” e “poderem sofrer lesões graves”, são situações vivenciais potencialmente stressantes, que funcionam de forma negativa e são favorecedoras do aparecimento de lesões. Estes dados comprovam também resultados anteriores de estudos nacionais e internacionais efetuados com atletas de elite de outras modalidades, sugerindo adicionalmente a importância das recentes abordagens cognitivas e motivacionais ao estudo do processo do stress, às reacções emocionais de ansiedade aos mecanismos gerais de adaptação humana (ver Cruz, 1994, 1996; Lazarus, 1991; Hardy et al., 1996).

Os conhecimentos da vida, positivos e negativos, experienciados pelos atletas lesionados, os resultados obtidos sugerem de uma forma clara, mas também previsível, que a lesão sofrida é o acontecimento (sempre avaliado de uma forma negativa) que em termos individuais, foi mais frequentemente citado pelos atletas.

Estes dados parecem evidenciar o modo como cada indivíduo interpreta os acontecimentos da vida (Brewer, 1994, Buceta, 1996, Cruz, 1994, 1996, Lazarus, 1991; Smith et al., 1990.

“Aos diferentes agentes (fontes) de apoio e ajuda, de natureza social e emocional, durante o processo de recuperação das lesões, os atletas referem a importância, por ordem decrescente, da companheira (namorada, esposa), dos familiares mais próximos, da equipa médica, dos amigos e dos colegas de equipa.” “Os atletas lesionados cim maiores níveis de apoio social e emocional, percecionam níveis significativamente mais elevados de rapidez na recuperação das respetivas lesões” (Fonte: Cruz e Neto 1996).

Esta investigação permite-nos concluir que os processos mentais e psicológicos exercem uma importância fundamental na recuperação de lesões desportivas, mas evidenciam ainda o papel determinante que o apoio social, psicológico e emocional tem nos atletas lesionados, fatos já bem salientados e comprovados na literatura da especialidade (Brewer, 1994, Cruz e Dias, M.A.*, 1996; Heil, 1993; Buceta, 1996, Dias, M.A*. 1994).  

Todos estes dados apontam para a necessidade de implementar programas de intervenção psicológica, que possibilitem uma abordagem multidisciplinar na prevenção e recuperação das lesões.”       

 

(*) doutorada em medicina



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Domingo, 23 de Dezembro de 2012
TEMAS DE SAÚDE: Situações de urgência no doente diabético. Hipoglicemia

Por: Antonieta Dias (*)

 

A hipoglicemia (baixa de açúcar) é uma complicação aguda frequente nos doentes diabéticos, tratados com insulina e sulfonilureias.

Pode corresponder a um efeito adverso do tratamento e ser uma causa de recurso aos serviços de urgência.

Pela sua gravidade pode ser necessário internar o doente para o estabilizar, e em casos extremos evoluir para a morte.

A hipoglicemia caracteriza-se por uma concentração plasmática de glicose (açúcar) no sangue demasiado baixa que origina sinais/sintomas que perturbam o metabolismo devido às disfunções que provocam, designadamente a nível cerebral.

Nem sempre é fácil fazer o diagnóstico desta situação clinica, devido à presença de inúmeras doenças que podem desencadear quadros de hipoglicemia, havendo a necessidade de fazer o diagnóstico diferencial com outras patologias.

Os parâmetros de glicemia determinados no paciente irão variar, conforme se trate de um doente diabético (diabetes mellitus) ou de um doente não diabético.

Se estamos perante uma situação clínica de hipoglicemia de um doente não diabético, apesar de se tratar de um quadro clínico raro temos de o equacionar e medicar adequadamente.

Quando avaliamos um paciente neste contexto (hipoglicemia em doente não diabético) com valores de glicemia inferiores a 55 mg/dl, é obrigatório fazer uma história clínica detalhada, para conseguir diagnosticar a etiologia da hipoglicemia.

Estes doentes deverão ser investigados exaustivamente, interrogados sobre eventuais terapêuticas que lhes tenham sido instituídas, que possam ser responsáveis pelo aparecimento de hipoglicemia, e só se pode parar a investigação clínica quando se obtiver o diagnóstico seguro.

Outras causas deverão ser observadas para que não existam falhas no diagnóstico diferencial, tendo sempre em atenção antecedentes cirúrgicos, designadamente bypass gástrico, excesso de ingestão de bebidas alcoólicas, consumo de medicamentos potencialmente hipoglicemiantes e se o paciente se encontra hemodinâmicamente instável (doente crítico), outras causas poderão estar na origem da hipoglicemia, nomeadamente a sépsis, a doença neoplásica extra – pancreática, a falência hepática ou renal, a malária, os déficits hormonais, a caquexia entre outras.

Porém, quando surgem situações de hipoglicemia em doentes com Diabetes Mellitus, a abordagem do doente deverá ser efetuada de forma diferente , pelo facto de se tratar de uma complicação aguda da doença, muitas vezes desencadeada pelos próprios fármacos usados no seu tratamento, destacando-se a glibenclamida, como a terapêutica que apresenta maior risco.

As biguanidas (metformina), as tiazolidinedionas ou glitazonas (rosiglitazona, pioglitazona), são mais seguras, e por isso têm menos probabilidade de desencadearem crises de hipoglicemia.

É do conhecimento comun que a principal fonte de energia para o cérebro é a glicose, porém as reservas cerebrais de glicose rapidamente se esgotam (minutos), implicando uma manutenção energética de glicose permanente mantida em níveis que não comprometam o metabolismo cerebral normal.

Se não conseguirmos equilibrar os níveis de glicemia, e constatarmos que continuam sempre a descer podendo atingir valores inferiores a 55 mg/dl, haverá obviamente lugar a lesões cerebrais irreversíveis, que poderão ser responsáveis por crises convulsivas, coma ou até morte.

Importa, contudo referir que as situações de hipoglicemia no doente diabético, obrigam a uma vigilância por parte de todos os profissionais de saúde e implicam uma atenção permanente, sempre que o paciente regista valores de glicemia de 70 mg/dl ou menos.

A hipoglicemia pode ser ligeira, moderada ou grave, sendo classificada como grave quando implica tratamento médico quer seja através da administração de hidratos de carbono, medicação parentérica ou ainda intervenção com manobras de ressuscitação.

A American Diabetes Association classifica como hipoglicemia sintomática, sempre que existam sintomas típicos de hipoglicemia em pacientes cuja determinação da glicemia capilar permanece com <= a 70 mg/dl, podendo estar associados outros sintomas inespecíficos como náuseas ou cefaleias.

Deverá pensar-se num quadro de hipoglicemia, sempre nos encontramos perante uma pessoa com pele suada, fria, pálida, com taquicardia ou mesmo taquipneia, sendo este último  mais raro nos quadros de hipoglicemia.

Esta sintomatologia poderá ser ainda mais grave se for acompanhada de alterações do estado de consciência, e/ou lesão neurológica focal que poderão ser confundidos com acidentes vasculares cerebrais ou até com quadros psiquiátricos tipificados pelo estado comportamental dos doentes que se tornam agressivos, hostis, com ou sem comportamentos antissociais por vezes bizarros, que poderão mascarar os quadros de hipoglicemia.

Existem sinais de alerta que despertam a nossa atenção designadamente: diaforese, tremor, parestesias, ansiedade, palpitações, fome, alterações comportamentais, déficit cognitivo, confusão mental, crises de agitação psicomotora, convulsões ou coma.

Sabe-se que as principais causas de hipoglicemia, têm por base a administração de doses elevadas de sulfonilureias ou de insulina em doentes que praticam exercício físico desajustado ao tratamento, ou por exemplo quando existe uma desregulação no horário de administração da insulina com o horário da refeição.

Podem ainda ser causas de hipoglicemia o consumo de álcool em excesso, bem como  quadros de vómitos ou de insuficiência renal.

O tratamento da hipoglicemia deve ser instituído de imediato, com administração de 100 a 200 ml de sumo de fruta (não light), se a crise surgir em casa ou na rua.

Se o paciente se encontra em meio hospitalar, deve administra-se dextrose, com prévia determinação da glicemia capilar, sempre que o valor encontrado for < 70 mg/dl.

Se estamos perante um doente diabético, consciente e sem dificuldades de deglutição, a opção passa pela administração por via oral de 15 a 20 gramas de hidratos de carbono (3 pacotes de açúcar) diluídos em água.

A administração de fármacos (glucose), por via parentérica será utilizada sempre que o paciente tiver dificuldades em deglutir ou se estiver inconsciente.

O objetivo do tratamento da hipoglicemia consiste na reversão imediata dos sintomas e na normalização da glicemia.

Em suma, é fundamental estar atento às manifestações e aos sinais de alerta que sejam indiciadores de uma crise de hipoglicemia, para agilizar de imediato o tratamento dos doentes.

Recomenda-se ao doente diabético que deve estar sempre munido de 2 a 3 pacotes de açucar, tendo ainda o cuidado de alertar também os familiares e/ou cuidadores, para uma a necessidade de intervenção imediata com ministração de açucar por via oral, sempre que ocorra uma crise de hipoglicemia.

Por fim, resta ainda alertar o doente diabético que após a correção da crise de hipoglicemia, deverá fazer uma refeição rica em hidratos de carbono de absorção lenta, intercalada antecipando a refeição seguinte, devendo ainda permanecer em vigilância por um período variável que poderá atingir as 24 horas ou mais, pelo risco do aparecimento de hipoglicemias recorrentes.

 

(*) Doutorada em medicina



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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012
TORRES NOVAS: Reunião com o Conselho de Administração do CHMT

Reunião com o Conselho de Administração do CHMT realizada em 28.6.2012

 

1.

A reunião realizou-se a pedido da CUSMT, tendo em conta que o Conselho Consultivo do CHMT ainda não foi instalado, e havia que fazer o balanço da prestação de cuidados hospitalares na Região e reafirmar algumas das propostas entretanto apresentadas pela Comissão de Utentes.

 

2.

Perante uma pergunta concreta da CUSMT, o Conselho de Administração afirmou que o Centro Hospitalar tem três unidades e assim irá continuar estando a ser tomadas decisões com o objectivo de dinamizar a actividade de algumas valências.

 

3.

Foi afirmado pelo CA que há dificuldades financeiras e económicas que derivam da situação económica e financeira do País principalmente devido à indefinição do montante dos proveitos que irão ser transferidos do orçamento do SNS.

 

4.

Foi referido pelo CA que está estimada uma poupança nas despesas de 16 milhões de euros para o presente ano, tendo a Comissão de Utentes referido que esse objectivo está a ser atingido por decisões nacionais e locais, principalmente à custa dos rendimentos dos trabalhadores e dos utentes que têm os cuidados mais longe e mais caros.

 

5.

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo, informou o Conselho de Administração de que na base do Abaixo-assinado que corre por toda a Região continuará a defender o aproveitamento integral das unidades de saúde, com serviços de qualidade e proximidade, reivindicando que URGÊNCIA, MEDICINA INTERNA, PEDIATRIA e CIRURGIA DO AMBULATÓRIO devem existir nas três unidades do CHMT.

 

6.

A CUSMT sempre achou que o que está bem deve ser multiplicado e o que está mal deve ser corrigido. Por isso, apoia a criação de novos serviços e a dinamização dos existentes, até à excelência. Mas defende acerrimamente a qualidade e proximidade e o equilíbrio regional na distribuição de valências.

 

 

7.

Atendendo a que a vida das organizações, como o CHMT, e os seus processos de reorganização são dinâmicos, como reconheceu o CA nas considerações que fez à proposta de organização dos serviços de saúde apresentada pela CUSMT, foi referido na reunião que perante novas realidades e novos dados tem de se admitir que tacticamente se adoptem alterações às medidas já tomadas ou pensadas.

 

8.

Defendeu ainda a CUSMT, com a concordância do CA, que é uma exigência para melhorar a eficácia e eficiência da organização dos cuidados de saúde na Região, o reforçar da articulação com os Cuidados Primários e os Cuidados Continuados. Continua como espectável a possibilidade de ser criada uma unidade de cuidados continuados, no âmbito do CHMT.

 

9.

O CA do CHMT reafirmou que não foi ouvido no âmbito da proposta de Carta Hospitalar da ERS e disse que espera/tem de ser ouvido nas medidas da Reforma e Carta Hospitalar que venha a ser adoptada.

 

10.

Os contactos e reuniões regulares entre a Comissão de Utentes e o CA do CHMT continuarão até que esteja instalado o Conselho Consultivo, facto que não se sabe quando acontecerá.

                                                          

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo

Médio Tejo, 29.6.2012



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Sábado, 26 de Maio de 2012
SANTARÉM: Fome, Fausto, Austeridade, e Parcerias Público-Privadas: tristeza!

Por: Anabela Melão

 

O secretário-geral do PS desceu do alto dos seus tamanquinhos e afirmou que advertiu os representantes da troika que Portugal "atingiu o sinal vermelho", designadamente quanto ao nível do desemprego. Mas este não é o único dado com que os portugueses se preocupam, embora muitos dos problemas secundem este. A começar pelo endividamento que ensombra quase 40% das famílias. Acabando no flagelo da pobreza, indiciada pela fome, com 19 bancos alimentares a apoiar 2110 instituições que, por sua vez, ajudaram já 337.500 pessoas. A cara da pobreza em Portugal está a mudar, com o surgimento de uma nova classe de pobres, ex-classe média, a braços com um dos cônjuges (ou os dois nos casos mais extremos) no desemprego. Crianças a evidenciarem má nutrição logo de manhã nas escolas, fruto de situações precárias de fome não assumidas. Até os emigrantes portugueses recém-chegados a França e à Alemanha experimentam a miséria num cenário inimaginável há uma década. Não esquecendo os 40 mil idosos sem capacidade financeira sequer para comprar alimentos. Falando em pobreza e em fome, indignou-nos saber que perdiz, porco preto alimentado a bolota e lebre são alguns dos produtos exigidos pelo Caderno de Encargos do concurso público para fornecer refeições e explorar as cafetarias do Parlamento. Sinal de que por lá a crise não se faz sentir! E nem por isso de barriga cheia os deputados decidem melhor, talvez se recomendasse até algumas restrições/contenções no pecado da gula. Para melhor compreenderem o comum dos mortais que vive fora dos muros de São Bento. Quem diria que convento beneditino ali albergou gente santa!

E se dentro de portas, o ministro das Finanças se limita a vaticinar, no debate do Documento de Estratégia Orçamental, aquela constatação de la palisse, dizendo de que o crescimento da economia exige a  dose necessária de austeridade (ou queria dizer reforçada?!), já fora de portas, Philippe Aghion, professor de economia na Universidade de Harvard (EUA) e conselheiro do presidente francês, François Hollande, melhor propôs uma reestruturação das dívidas públicas de Portugal e Espanha, para superar a crise na zona euro, chegando mesmo ao ponto de afirmar que a Grécia, a Espanha e Portugal não têm hipótese de crescimento sem um haircut (corte da dívida pública) que confira mais flexibilidade no Tratado para levar a cabo reformas estruturais. Haverá luz ao fundo do túnel?

Falando em túneis, pontes e afins, o juiz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, por quem nutro admiração e respeito desde os meus tempos de auditora do TC, chamou, sem dó nem piedade, como é seu timbre, ‘incompetentes’ os políticos que negociaram as Parcerias Público-Privadas, defendendo que as empresas devem aceitar baixar os seus lucros, face ao especial contexto de crise em que vivemos. A verdade é que os contratos foram visados pelo TC, cujos juízes se dizem “enganados” pelos precedentes governos. E é também curioso que este Governo que tanto falou isto antes de ser eleito, tenha agora, com o Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, impedido que, da sua aplicação, resultem alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações das regras neles estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor. Ou seja, tanta acusação de “incompetência” e de “incapacidade técnica do sector público’ na negociação de PPP’s – ainda nos recordamos do episódio mais recente com a Lusoponte – deu em coisa nenhuma, para não variar àquela máxima de que, por cá, as montanhas parem ratos.

E é assim em cenário de desemprego, pobreza e fome e de fausto e abundança beneditino, de soluções de maior flexibilidade no Tratado a partirem mais de fora que de dentro, e de “bloqueios” reforçados a contratos leoninos que se vai vivendo num País em que toda a gente fala que se desunha e nada faz de protesto efetivo e sério.

O que é certo é que o pano de fundo desta opereta triste está cada vez mais negro e nós ora nos sentimos palhaços ora pierrots. Enfim, de todo o modo, tristes!



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Quarta-feira, 7 de Março de 2012
TORRES NOVAS: Podem vir aí mais despedimentos na Saúde

O cenário não está afastado nos hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas

 O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), Joaquim Esperancinha, admitiu que a reestruturação em curso daquela unidade pode culminar em despedimentos de funcionários se as dificuldades financeiras se mantiverem.

«Se o conselho de administração tiver capacidade para inverter a tendência de resultados, seguramente não haverá despedimentos», disse o presidente. Logo de seguida, frisou que, «se esta situação se mantiver, nenhuma instituição pode continuar com esta trajetória de resultados».


Joaquim Esperancinha falava na comissão parlamentar de Saúde, onde esteve esta quarta feira a pedido do Bloco de Esquerda para discutir o plano de reorganização do CHMT, que agrupa os hospitais de Torres Novas, Abrantes e Tomar.

Aos deputados, o presidente do conselho de administração começou por descrever a atual situação do centro hospitalar, indicando que tem um défice acumulado de 160 milhões de euros, dos quais 60 milhões são de dívidas a fornecedores.

O responsável disse ainda que, em 2011, o CHMT teve custos na ordem dos 103 milhões de euros e anunciou que, em 2013, pretende diminuir esse valor em 17 milhões de euros.

Para tentar controlar o défice em valores entre os três e os cinco milhões de euros, Joaquim Esperancinha disse ser necessário ter três anos para trabalhar.

Questionado sobre a atuação da anterior administração do centro hospitalar. «Iimobilismo». Foi o que senti», disse aos deputados, acrescentando ter detetado situações que lhe pareceram menos claras e que levaram a que pedisse uma auditoria externa à gestão anterior, que ainda não está concluída.

Consciente de que a distribuição do centro hospitalar por três unidades de saúde que distam de 30 quilómetros entre si pode ser um entrave para alguns utentes, o presidente do conselho de administração anunciou que o CHMT fez um protocolo com uma transportadora local.

«O serviço começou na segunda-feira. Os autocarros vão percorrer os três hospitais [Torres Novas, Tomar e Abrantes] três vezes por dia em cada sentido», disse. Segundo o responsável, há 20 lugares gratuitos para os utentes e para os restantes está a ser negociado um valor simbólico, adianta a Lusa

in TVI24

 

Os administradores públicos deveriam ser responsabilizados e penalizados pelos maus gastos do dinheiro do erário público. O autocarro mencionado que tem um custo diário de 400,00 euros, levou hoje,apenas dois funcionários de Torres Novas para Tomar.

 



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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
TOMAR: SUSPEITAS NA PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL DE TOMAR

SUSPEITAS NA PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL DE TOMAR

 Há fortes indícios e suspeitas na privatização do Hospital de Tomar.

 

 

Tudo indica que a “Euromedics”, por exemplo, poderá vir a ser a empresa privada que vai no futuro explorar o Hospital de Tomar. Segundo já conseguimos apurar começam a haver movimentações para esvaziar este hospital de forma a abrir a porta para a concessão privada.

 Miguel Relvas, ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares e presidente da Assembleia Municipal de Tomar, também já disse em entrevista a um semanário que a “reestruturação do Centro Hospitalar do Médio Tejo, com a redistribuição de valências entre os três hospitais que o compõem é para levar por diante em nome da racionalização dos meios humanos e materiais”.

Saliente-se que para além dos hospitais de Abrantes e Torres Novas o Hospital de Tomar faz parte do Centro Hospital do Médio Tejo



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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
TORRES NOVAS - NOTA da CUSMT sobre as Reuniões Públicas em Tomar, Abrantes e Torres Novas

 

 SÓ COM A COORDENAÇÃO E A MELHORIA DE CENTROS DE SAÚDE, HOSPITAIS E CUIDADOS CONTINUADOS É POSSÍVEL RESPONDER ÀS NECESSIDADES DAS POPULAÇÕES  
 
A “REORGANIZAÇÃO DO CHMT” APRESENTADA PELO CA, VEM DIFICULTAR O ACESSO A CUIDADOS DE SAÚDE
 

 

 
Na sequência da apresentação de um Plano de Reorganização pela Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, foram muitas e variadas as intervenções de diversas entidades da Região.
 
A Comissão de Utentes logo que teve conhecimento do documento e face à ausência de justificações para as medidas adoptadas solicitou uma suspensão de concretização do processo, com o objectivo de encontrar as melhores soluções para facilitar o acesso a cuidados de saúde em termos de proximidade e qualidade.
 
Na sequência dessa posição, com o objectivo de dar voz aos verdadeiros interessados, os utentes, esta Comissão de Utentes realizou reuniões públicas em Tomar, Abrantes e Torres Novas, para debate sobre a prestação de cuidados de saúde nas Unidades Hospitalares e nos Centros de Saúde.
 
Da participação activa dos cidadãos, pode-se concluir:
 
Não aceitação do Plano de Reorganização, por dificultar o acesso a cuidados de saúde, não ter em conta a participação da comunidade, por ausência de coordenação com cuidados primários e continuados, por não quantificar nem justificar os resultados esperados, o que deixa as maiores duvidas se resolve os problemas financeiros. Ficou claro que os utentes defendem que as Urgências sejam adaptadas às necessidades em cada unidade hospitalar, que a Pediatria e Medicina Interna sejam três valências comuns às três unidades e que se desenvolvam e criem novas valências.
 
Se não houver mais médicos de família e enfermeiros, mais cuidados de proximidade com funcionamento de Extensões de Saúde e Unidades Móveis, não se conseguirá resolver o problema das urgências “não agudas”, no CHMT. Se não houver mais unidades de cuidados continuados a gestão de altas no CHMT não poderá ser mais eficiente. Se não houver coordenação entre os níveis de prestação de cuidados de saúde e o aproveitamento da capacidade instalada, vão sofrer as populações e vai aumentar a despesa do SNS.
 
Constatou-se a existência de interesses privados (empresariais e pessoais) mas a solução não está no encerramento ou privatização do todo ou de partes do CHMT. Defende-se a utilização de toda a capacidade instalada e um combate à promiscuidade público-privada.
 
Foram expressas muitas formas de reforçar a acção popular para defender o direito a cuidados de saúde na Região do Médio Tejo, de que são exemplos as manifestações em Tomar, o Abaixo-assinado pela Pediatria em Abrantes, a grande participação de cidadãos na reunião pública de Torres Novas.
 
Na próxima quarta-feira, a Comissão de Utentes entregará ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio de Tejo uma proposta formal com medidas que devem ser tomadas em todos os níveis de prestação de cuidados de saúde na Região que, no entender da Comissão de Utentes, poderá ser uma base de trabalho para em conjunto com a população e outras entidades, se encontrar o melhor caminho para a utilização eficaz dos meios existentes com a satisfação das necessidades de cuidados de saúde por parte das populações.
 
Em breve, serão também divulgadas as iniciativas que reforçarão o movimento de opinião e reivindicativo da população do Médio Tejo em torno da exigência de justiça social em matéria de acesso a cuidados de saúde de proximidade e de qualidade.
 
                                                                  A Comissão de Utentes da Saúde
                                                                                do Médio Tejo



publicado por Noticias do Ribatejo às 12:53
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
TORRES NOVAS - PSD cauteloso, oposição exige reunião com administração do CHMT
)


O processo de reestruturação dos hospitais do Médio Tejo está na ordem do dia



 

 

As forças políticas continuam a movimentar-se e a tomar posições quanto ao processo de reestruturação dos hospitais de Tomar, Torres Novas e Abrantes, implementada pelo conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo.
A CDU já reuniu esta segunda-feira com o presidente da Câmara de Tomar, Carlos Carrão, e vai reunir com outras forças políticas ao fim da tarde.
Para já a CDU exige a suspensão do processo de reestruturação dos hospitais até à realização de uma reunião entre o Executivo Camarário, todas as forças políticas com assento na Assembleia Municipal e a administração do Centro Hospitalar. 
Os comunistas defendem a demissão imediata da administração do Centro Hospitalar caso não aceite a reunião nem a suspensão do processo.
Cauteloso, o PSD Tomar também emitiu um comunicado no qual consideram “fundamental que a inadiável reorganização e racionalização do CHMT respeite equilíbrios basilares na prestação de cuidados hospitalares à população, e seja geograficamente justa e equilibrada.” O PSD de Tomar “aguarda com serenidade o anúncio da reorganização prevista pela administração do CHMT”.
O PS defende que as eventuais alterações dos serviços prestados nos hospitais da região só possam ser realizadas pela tutela, “após articulação e auscultação dos autarcas, das Freguesia e dos Municípios”.
Lembram que a Assembleia Municipal já decidiu em Setembro de 2011 a criação de uma comissão de saúde que nunca foi implementada. Os socialistas disponibilizam-se para criar uma petição no sentido de levar este assunto à discussão no plenário da Assembleia da República.
Os deputados do PS pelo distrito já solicitaram uma reunião com o Conselho de Administração do CHMT.

Fonte: Jornal O Templário



publicado por Noticias do Ribatejo às 13:38
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
SANTARÉM - Candidatura à JS Ribatejo continua a apostar na proximidade com os militantes

 

 

•    Continua o périplo de discussão das ideias da candidatura pelo distrito

•    Santarém e Coruche serão os próximos concelhos a receber Hugo Costa

•    Fórum de debate da moção no próximo dia 15 em Torres Novas



A candidatura + Esquerda + Ribatejo continua o seu périplo pelos vários pontos do distrito de Santarém.  Depois de ter percorridos os concelhos do Entroncamento, Abrantes, Chamusca e Almeirim, Hugo Costa foi recebido mais recentemente em Benavente e Rio Maior.

Após ter apresentado as linhas gerais desta candidatura, o actual Presidente e candidato à JS Ribatejo não deixou de ouvir os vários militantes presentes em cada acção. Novamente, os jovens socialistas demonstraram preocupações sérias em relação ao futuro do país, e do distrito em particular. Temas como a agricultura, o emprego, os Conselhos Municipais de Juventude, os orçamentos participativos e a reforma administrativa do poder local voltaram a ser focados e debatidos. Nas palavras do candidato: “Estes foram dois momentos de afirmação dos militantes da JS no distrito. No caso de Benavente, pude constatar a imensa vontade que existe nos jovens locais para tentar solucionar algumas questões que estagnam o futuro da nossa geração. Por outro lado, em Rio Maior, senti o pulsar e a vivacidade de uma juventude que não se resigna, que quer ver a JS a debater os temas fundamentais dos dias de hoje”. De realçar o facto de também militantes e simpatizantes do PS se juntarem a estes debates, mostrando bem a total conjugação de vontades entre gerações.

Nos próximos dias mais acções serão levadas a cabo. Já no próximo Sábado, a candidatura + Esquerda + Ribatejo será recebida na capital de distrito e em Coruche, pelas 16h e 19h respectivamente. No Domingo, dia 15, está marcado o fórum de discussão da Moção Global de Estratégia a apresentar ao próximo Congresso Distrital da estrutura. Esta iniciativa terá lugar em Torres Novas pelas 15h. Segundo Hugo Costa: “Desde o primeiro momento em que pensei nesta candidatura, a proximidade com todos os militantes e o auscultar das suas opiniões era um dos pontos basilares da mesma. O fórum de dia 15 será o culminar de um intenso e produtivo debate em todo o distrito. Mais do que propostas pessoais, esta Moção será composta pelos contributos de todos os militantes do distrito de Santarém!”



publicado por Noticias do Ribatejo às 12:35
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
SANTAREM - Actividade Operacional da GNR

“DETIDOS POR ROUBO POR ESTICÃO ”

 

 

Em 29 de Setembro de 2011, o Comando Territorial de Santarém, através do Posto Territorial de Samora Correia, procedeu à detenção de três indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 26 e 28 anos de idade, residentes em Lisboa, por roubo por esticão.

A detenção ocorreu na sequência de um roubo por esticão praticado cerca das 10:30 horas, na localidade de Marinhais – Salvaterra de Magos, em que os suspeitos abordaram um cidadão de 68 anos questionando-o sobre a localização do Intermarché e em acto contínuo puxaram-lhe o  fio em ouro que trazia ao pescoço.

Accionados os meios necessários, vieram os suspeitos a ser interceptados junto da rotunda da Torre na localidade do Porto Alto – Samora Correia, sendo encontrado no interior da viatura em que seguiam, um fio em ouro, o qual após reconhecimento, veio a apurar-se ser o furtado anteriormente.

Contactado o Exmo. Procurador Adjunto junto do Tribunal Judicial de Benavente, o mesmo ordenou que os suspeitos ficassem detidos até serem presentes a tribunal para primeiro interrogatório.

 

“DETIDO POR TENTATIVA DE FURTO DE VEÍCULO”

 

 

Em 29 de Setembro de 2011 pelas 03:10 horas, na localidade de Paúl – Abrantes, o Comando Territorial de Santarém, através do Núcleo de Investigação Criminal de Abrantes, procedeu à detenção em flagrante delito de um indivíduo do sexo masculino, de 16 anos de idade, residente em Abrantes por tentativa de furto de veículo automóvel. O detido foi constituído arguido e prestou Termo de Identidade e Residência.

 

“RECUPERAÇÃO DE BOBINES DE COBRE”

 

 

Em 28 de Setembro de 2011 pelas 20:00 horas, o Comando Territorial de Santarém, através do Posto Territorial de Santarém, no decorrer de uma acção de patrulhamento, recuperou várias bobines em cobre, num total de cerca de 600 quilos, as quais se encontravam num pinhal sito em Alcanede juntamente com um garrafão de gasolina e uma caixa de acendalhas.

Até ao momento desconhece-se a proveniência do cobre, continuando esta Guarda a proceder  a diligências, com vista a apurar a sua origem.



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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011
TOMAR - Gestão ruinosa do Centro Hospitalar do Médio Tejo – que integra as unidades de Abrantes, Tomar e Torres Novas – causou um "buraco"

 

A gestão ruinosa do Centro Hospitalar do Médio Tejo – que integra as unidades de Abrantes, Tomar e Torres Novas – causou um "buraco" financeiro de mais de 47 milhões de euros em 2009 e em 2010, revela uma auditoria da Inspecção-Geral das Finanças (IGF).

Estes dados são revelados pelo Jornal Correio da Manhã:

A situação económica e financeira é tão grave que a inspecção recomendou a substituição "urgente" do actual conselho de administração, cujo mandato terminou em Dezembro de 2009, mas encontra-se ainda em funções.

O défice do centro hospitalar quase duplicou, passando dos 13 milhões de euros em 2008 para os 23,2 milhões de euros em 2009, continuando a subir para os 24,1 milhões em 2010.

Segundo a auditoria, esses resultados devem-se à má gestão que teve "fraca preocupação com a redução de custos", apesar da exigência dos ministérios das Finanças e da Saúde na apresentação de um plano de redução de despesas e de custos operacionais em 15 por cento.

Para o descalabro nas contas contou o facto de a "administração nunca ter funcionado como equipa", situação que contribuiu para não haver capacidade de gerir eficazmente o centro hospitalar.

O CM tentou obter esclarecimentos, mas sem sucesso.

GANHAM 75 EUROS AO ALMOÇO

A Inspecção-Geral das Finanças (IGF) afirma que o número de cirurgias feitas no Centro Hospitalar do Médio Tejo tem vindo a diminuir nos últimos anos e a produção é fraca, quando comparada com os recursos existentes. Segundo o relatório da auditoria da IGF, alguns serviços do centro hospitalar mantêm-se em funcionamento em mais de uma unidade, designadamente a urgência e a consulta externa, "situação que impede a optimização dos recursos disponíveis", com produção reduzida em relação aos custos de estrutura. O controlo da assiduidade revela também deficiências, apesar do registo biométrico. A inspecção afirma que "os médicos contratados a empresas que trabalham nas Urgências não estão sob o controlo das chefias médicas do centro hospitalar, o que constitui um risco e falha no controlo interno". Os médicos contratados "recebem por cada hora, incluindo o período da refeição, entre 30 euros e 75 euros, o que se revela oneroso".

«Cidade de Tomar»



publicado por Noticias do Ribatejo às 10:44
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