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Domingo, 24 de Julho de 2016
A saudade tem nome?

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Por Catarina Betes

 

A saudade tem nome?

Há quem creia que sim.

 

Que lhe outorgue rostos, lugares, momentos e ensejos. Saudade é pena, é ânsia, é lembrança, é um reencontro com a reminiscência, um sentir sem querer, um querer sem saber, se a saudade existe e é real, porque se quer, ou porque, remembrar é um modo de querer, e viver.

Revejo a saudade nos ramos da árvore antiga, que espreitam o primeiro andar do edifício antigo, cujas raízes golpeiam implacavelmente o chão. A força do vento faz baloiçar os seus ramos fortes e com ele oiço o som infindável do seu uivo, que clama por tempos antigos.

Saudade é divagar, é viajar dentro de nós mesmos, mas para que tal aconteça, é necessário sair. E nem sempre tempos consciência da jornada que se inicia.

Percebemo-nos dentro dela quando, inexplicavelmente, a nossa mente nos guia pelos caminhos longínquos do passado, sem que percebamos porquê, se lá não deixámos nada, por determinar. Circunstâncias supostamente insignificantes, que surpreendentemente preenchem um espaço em um tempo, em nós.

Figuras que fizeram parte da nossa vida e que mal memoramos, surgem inexplicavelmente, na vigília do nosso espírito, como se, afinal, o seu papel fosse superior ao que lhes outorgamos e determinámos.

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Espaços e momentos desmemoriados, surgem e com eles nos arrojam, como se, contra todas as possibilidades, ali pertencêssemos. São um trio e um todo extraordinariamente complexo, mente, espírito e pensamento.

Remiro-me nos ramos daquela árvore, porque como eles vou meneando, com a força incessante do vento. O som insistente do seu uivar amedronta-me e faz-me duvidar.

Mas como as suas estirpes, também as minhas raízes, me prendem à terra e falam mais alto.

A saudade não tem nome. Tem cheiro, tem sabor e tem cor.

Tem o cheiro da terra molhada, acabada de regar.

Cheira a um dia de chuva, a um estojo de lápis, a escola a começar.

Cheira ao café da avó acabado de fazer, na velha cafeteira, que ferve no fogão, por baixo da chaminé antiga.

Cheira à maresia, numa manhã de verão, fria.

Sabe à doçura de um abraço repleto de ternura, ao afago e aconchego dos lençóis, ao deitar, no fim do dia.

Sabe à canja de galinha da mãe, que tudo cura, com amor.

Tem a cor do arco íris, num dia em que a chuva se cruza com o calor.

Saudade não tem nome, mas tem cheiro, sabor e cor.

Saudade, cheira a um jardim colorido, numa manhã de primavera, sabe a um bolo caseiro com tempero de amor, tem a cor do pôr do sol, num fim de tarde de verão, que fecha o dia e aquece. A alma…e o coração.



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:05
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