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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
CARTAXO ASSINALOU 204 ANOS DE ELEVAÇÃO A CONCELHO

 

 

  • Sessão Solene integrou cerimónia de entrega de Medalhas de Mérito Municipal a Maria Emília Palhinha e Maria José Campos

 

  • O presidente da Assembleia Municipal Augusto Parreira apelou à união e participação de todos os munícipes “para construir um concelho cada vez melhor”

 

  • Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal, entende que é tempo de “seguir os exemplos de força e de coragem que guiaram as mulheres e os homens que há 204 anos lutaram pela autonomia administrativa e pela afirmação do concelho do Cartaxo junto do Rei D. João VI”

 

  • Ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque destacou a importância da agricultura no momento da criação do concelho do Cartaxo, mantendo-se “nos dias de hoje como uma fonte de desenvolvimento socioeconómico da região”

 

 

O Cartaxo celebrou, no passado dia 10 de dezembro, o 204.º aniversário de elevação a concelho com uma Sessão Solene, no Centro Cultural do Cartaxo, presidida pela Ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque.

 

Esta Sessão Solene, apresentada pela Rainha das Vindimas Rafaela Oliveira, homenageou Maria Emília Palhinha e Maria José Campos, pelos serviços prestados, nas suas áreas, ao Município, com a atribuição de Diplomas e Medalhas de Mérito Municipal.

 

A abertura da Sessão coube à banda da Associação Filarmónica União Lapense que se manteve em palco até ao final da cerimónia, brindando todos os presentes e todos os que assistiram através do canal do Município no Youtube com diversos momentos musicais repletos de alegria e emoção.

 

O presidente da Assembleia Municipal Augusto Parreira foi o primeiro a subir ao palco para, “no dia em que se celebra o Cartaxo, o concelho e as suas gentes”, apelar à união e participação de todos os munícipes, pois “apenas com verdade, com trabalho, dedicação, criatividade e proximidade conseguiremos ultrapassar as dificuldades e os desafios e concretizar os objetivos que nos permitam continuar a afirmar o Cartaxo”.

 

Para o autarca, a comemoração deste aniversário deve “ser também um momento de reflexão, de partilha e de mobilização de energias para que possamos perceber bem o caminho percorrido e o caminho que queremos percorrer para construir um concelho cada vez melhor”.

 

Nesta “data histórica com uma carga emblemática para todos nós, a celebração da elevação do Cartaxo a concelho”, é também o momento para “recordar todos aqueles que ao longo da nossa rica história, em contextos radicalmente diferentes, contribuíram a seu modo para que este concelho se tenha tornado no que ele é hoje, um local agradável de encanto e de belezas únicas”.

 

Assim começou o autarca por se dirigir às duas homenageadas, a quem agradeceu “o seu exemplo de entrega à causa pública, o seu exemplo de dedicação à comunidade de que são parte assumida e integrante, a sua consciência diariamente repetida de uma cidadania ativa que nos exige que as destaquemos”.

 

Os momentos que se seguiram foram de grande emoção, com a subida ao palco das duas homenageadas. Esta foi, aliás, do início ao fim, uma noite emotiva, em que se celebrou não apenas os 204 anos de história do Cartaxo como concelho, mas também o amor, a amizade, o carinho, a inspiração, o respeito, o exemplo e a admiração despoletados por Maria Emília Palhinha e Maria José Campos. Foi o que se sentiu nos vários discursos, na reação do público, nos aplausos que foram feitos de pé.

 

Maria Emília Palhinha, que foi professora efetiva da Escola Secundária do Cartaxo, foi a primeira homenageada a subir ao palco. Depois de receber o Diploma, a Medalha e um ramo de flores das mãos do presidente da Assembleia Municipal Augusto Parreira, do vice-presidente da Câmara Municipal Fernando Amorim, e do vereador Pedro Nobre, Maria Emília Palhinha confessou sentir-se “emocionada”.

 

Agradecendo ao Município e a todos os presentes, a homenageada dirigiu-se aos seus antigos e atuais alunos, justificando a sua vida de entrega à carreira docente como um gesto de amor por eles, “contribuí com tanto trabalho porque eu acho que ensinar é amar”.

 

No final do seu discurso, a atual professora da Universidade Sénior do Cartaxo disse que espera “continuar a fazer muitas mais coisas”.

 

Maria José Campos, que desempenhou, entre outros, o cargo de Diretora da Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita e do Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, do qual foi também fundadora, subiu ao palco para receber o Diploma, a Medalha de Mérito e o ramo de flores das mãos da ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque, do presidente da Câmara Municipal Pedro Magalhães Ribeiro e da vereadora Elvira Tristão.

 

A homenageada lembrou os tempos passados na autarquia, descrevendo esses anos como “empolgantes, de trabalho, mas também de realização, de prazer e, sobretudo, um enorme privilégio para uma jovem economista, em 1977, poder integrar em democracia a primeira Câmara Municipal”.

 

Para a antiga vereadora, “mais do que ocupar um cargo, foi sobretudo uma dedicação de vida, porque sabíamos que as dificuldades eram muitas, os meios eram muito parcos, mas que todos em conjunto poderíamos fazer muito mais e melhor, e assim foi”.

 

No seu discurso, Maria José Campos agradeceu a todos “os colaboradores, que fui tendo ao longo da vida”, essenciais em todos os projetos a que se dedicou, “e que nunca regatearam esforços nem trabalho para que as coisas se conseguissem concretizar”.

 

Pedro Magalhães Ribeiro, que discursou logo após a homenagem a estas duas importantes mulheres da história do concelho, também lhes dedicou algumas palavras.

 

Dirigindo-se à professora Maria Emília Palhinha, o presidente afirmou que “para além do muito que fez, daquilo que é visível, arrisco afirmar que aquilo que deixou de mais importante nesta nossa comunidade, foram os ensinamentos aos seus alunos, a sua amizade, o seu carinho, os valores da diversidade e de um mundo multicultural que cultivou em cada um deles e em cada um de nós, que temos tido o prazer do seu convívio”.

 

Sobre Maria José Campos, o presidente referiu que o Município prestou homenagem não apenas à autarca e à deputada, mas sobretudo “à cidadã ativa, que foi e é símbolo da participação da mulher na vida política, que sempre semeou uma cultura de abertura ao que é diferente e novo, e que sempre soube envolver a comunidade para construir, a partir do melhor das nossas tradições, com uma visão lúcida e corajosa de um Cartaxo inovador e com os olhos postos no futuro”.

 

No início do seu discurso, o presidente transmitiu uma palavra de solidariedade e de esperança a todos os cartaxeiros, mas sobretudo àqueles “de cada uma das nossas freguesias que hoje vivem em situação de pobreza, no desemprego, na angústia de um Natal amargurado e com pouca esperança no futuro”.

 

Lembrando que a 10 de dezembro se comemora também o Dia Internacional dos Direitos Humanos, Pedro Magalhães Ribeiro lamentou que se viva hoje “uma nova era de desigualdades, em que o fosso entre ricos e pobres se acentua”, numa sociedade “fragmentada e mais perdida nos seus valores humanistas, num mundo cada vez mais egoísta, que teima em não assumir que está a comprometer o futuro das novas gerações e do planeta que coabitamos”.

 

O presidente abordou a questão das alterações climáticas e as conclusões “claras e preocupantes” da comunidade cientifica, destacando que, sendo um tema global, “tem que merecer, uma reflexão local, em que cada um de nós, na sua ação individual e nosso comportamento coletivo, está convocado para agir”.

 

Dirigindo-se, depois, à ministra da Agricultura, Pedro Magalhães Ribeiro falou sobre a ligação entre a “preservação da excelência dos produtos que produzimos na nossa região e no nosso país” e a “capacidade que tivermos para valorizar e proteger os nossos recursos naturais”, tendo também manifestado as suas preocupações sobre o Tejo e os seus afluentes.

 

“Estas áreas não são todas do seu domínio”, acrescentou, “mas sei da sua preocupação e do seu amor ao rio Tejo, que sendo o elemento mais estruturante da nossa região, transporta grandes desafios”.

 

A par do Tejo, Pedro Magalhães Ribeiro destacou o vinho e a Agroglobal como fatores de dinamismo e ambição que fazem, do Cartaxo, “uma terra de enormes oportunidades”. Mas este tempo em que vivemos continua “a ser de emergência”, afirmou, havendo ainda “muito para fazer para devolver à nossa terra a qualidade de vida de outros tempos”.

 

“Somos a terra de Marcelino Mesquita, Cosme Delgado, Marco Chagas, Rui Silva, de Nicolau, Trindade, de Francisco Valada, de Vicente da Camara, José Tagarro, Jorge Maltieira, José Raposo, cavaleiros tauromáquicos, de bravos forcados e de tantas e tantas personalidades, instituições, gente anónima que com o seu trabalho continuam a elevar bem alto o prestígio e as tradições da nossa terra”, atestou, reafirmando o seu “orgulho nas nossas gentes, na nossa terra, e em cada uma das nossas freguesias”.

 

Pedro Magalhães Ribeiro entende que “tal como há 204 anos, temos de seguir os exemplos de força e de coragem que guiaram as mulheres e os homens que há 204 anos lutaram pela autonomia administrativa e pela afirmação do concelho do Cartaxo junto do Rei D. João VI”. Para isso, assegurou que continuará a trabalhar “para que o concelho continue a representar para as gerações vindouras, uma terra com tradições, de gente de trabalho, onde existe sempre um espaço para a inovação, para a criatividade e para a modernidade”.

 

No encerramento da cerimónia, a ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque destacou o excerto do alvará de criação do concelho do Cartaxo destacado no convite: “(…) que este se erigisse em Vila com Termo conveniente, desmembrando-se de Santarém, não só porque assim o exigiam o aumento da agricultura, riqueza, povoação e grandeza do referido Lugar (…)”. “A agricultura mencionada neste excerto assume-se até aos dias de hoje como uma fonte de desenvolvimento socioeconómico da região do ribatejo, mas também do Cartaxo em concreto, e como fator inquestionável de competitividade”, afirmou.

 

Deixando a todos um convite para participarem na Agroglobal, a Ministra destacou esta feira profissional como um sinal “da vitalidade desta região, designadamente no que diz respeito à atividade agrícola e à manutenção da aliança entre a tradição e a inovação”.

 

O vinho do Cartaxo também mereceu destaque por parte da ministra, que o considera também “parte desta vitalidade”. “Foi graças ao trabalho de tantas e de tantos, da Adega Cooperativa do Cartaxo, mas também da Maria José Campos, que o vinho passou a ser uma referência dos produtos endógenos deste nosso território”, salientou, lembrando os muitos prémios nacionais e internacionais ganhos pelo vinho do Cartaxo.

 

Agradecendo o convite que lhe foi dirigido para partilhar esta “noite quente, de afetos, de carinho”, Maria do Céu Albuquerque terminou o seu discurso apelando à participação de todos na construção de “um futuro que honre o passado que hoje, aqui no presente, recordamos, comemoramos, e com o qual nos comprometemos”.

 

Lembrando as palavras de Maria de Lurdes Pintassilgo, “uma grande mulher, tal como as homenageadas, muito à frente do seu tempo”, a Ministra lembrou que a resposta aos problemas está nas mãos de todos – “«Se queremos um futuro melhor, o futuro começa hoje e está nas nossas mãos» - parabéns ao Cartaxo por estarem a agarrar o vosso futuro”.

 

 

Biografias – Agraciadas com Medalha de Mérito Municipal

 

Maria Emília Palhinha Gonçalves

 

Maria Emília Palhinha Gonçalves nasceu em Évora e reside no Cartaxo desde 1969.

 

Licenciada em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

 

Lecionou Educação Visual em Leiria, colégio Marcelino Mesquita no Cartaxo, E.B 2.3 em Santarém na escola Dr. Ginestal Machado.

 

Professora efetiva da Escola Secundaria do Cartaxo, onde lecionou História da Arte, oficina de Artes, Área de Projeto, Pintura e Desenho.

 

Coordenadora do Grupo e do Departamento de Expressões.

 

Fez parte do Clube Europeu de Artes e Letras, dinamizou o desfile anual de máscaras venezianas, e no Clube da Floresta pintou uma árvore que participou na “Tree Parade” que percorreu todo o país.

 

Criou o tridimensional a partir da reciclagem dos módulos do muro da escola, com o apoio da Câmara Municipal do Cartaxo e o tridimensional, monumento comemorativo dos 30 anos da escola.

 

Anualmente, promoveu várias exposições e instalações artísticas e performances de alunos.

 

Divulgou internacionalmente o ensino das artes da escola, numa exposição de quadros dos alunos em Massachussets nos Estados Unidos, a convite de professores e alunos da Escola Superior de Educação de Santarém.

 

Criou, dinamizou e promoveu as ”7 maravilhas do concelho do cartaxo” e respetiva Gala de entregas dos trofeus às freguesias vencedoras.

 

Criou o cenário, pintou o retrato de 2 ciclistas homenageados, José Maria Nicolau e Alfredo Trindade, na Rainha das Vindimas, assim como os respetivos troféus criados pelos seus alunos, a partir da reutilização de garrafas de plástico.

 

A convite do Jardim de Infância do Cartaxo, lecionou, nos tempos livres, Artes Plásticas.

 

Foi aposentada aos 70 anos.

 

Para além do descrito, a nível pessoal participou no Salão de Outono de Santarém, no concurso de pintura da Escola Prática de Cavalaria, no Salão de Primavera de Fátima, na Espojul, onde ganhou 1ºs prémios de pintura e menção honrosa.

 

As suas obras podem ser observadas na Escola Secundária do Cartaxo (onde tem uma sala com o seu nome), Caixa de Crédito Agrícola, Escola Prática de Cavalaria, Santa Margarida, Universidade Sénior do Cartaxo, e alguns painéis de azulejos em Frankfurt e nos Estados Unidos.

 

Atualmente é docente na Universidade Sénior do Cartaxo nas disciplinas da História da Arte, desenho e pintura.

 

 

Maria José Vidal do Rosário Campos

 

Maria José Vidal do Rosário Campos nasceu em junho de 1944, natural de Lisboa, reside no Cartaxo há 52 anos, casada, com um filho.

 

Licenciada em Economia pela Universidade de Lisboa.

 

Professora do ensino secundário. Lecionando em diversas escolas da região ribatejana, tendo-se efetivado na Escola Secundária do Cartaxo.

 

Vereadora da Câmara Municipal do Cartaxo de 1977 até janeiro de 1994, integrando a vereação da primeira Câmara eleita em democracia. A partir de 1985, exerceu o cargo a tempo inteiro.

 

Eleita Deputada da Assembleia da Republica, em 1999, integrando a lista do Partido Socialista.

Diretora da Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita.

 

Fundadora em 1985 do Museu Rural e do Vinho do Cartaxo e sua primeira Diretora.

 

Criadora e coordenadora da Festa do Vinho do Cartaxo, bem como da primeira Rota do Vinho do Concelho do Cartaxo.

 

Vogal da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo, desde a sua criação em 1993 até à sua extinção.

 

Como Vereadora, foi responsável por diversas exposições temáticas, de índole cultural, na sala Pintor José Tagarro e nas Salas do Museu Rural e do Vinho.

 

Colaboradora, depois de 1994, em vários estudos de natureza regional, nomeadamente participando, ativamente, na inventariação do Património Cultural e Etnográfico do Ribatejo.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:19
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